A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) lançou, nesta terça-feira, 16/06/2026, em Salvador, o Núcleo de Inovação para a Indústria Brasileira na Bahia (Núcleo NIB Bahia), iniciativa voltada ao apoio à transformação digital da indústria baiana, em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). A ação integra o programa Sudene NE 4.0 Nova Indústria Brasil e busca fortalecer a competitividade empresarial por meio da inovação, da articulação institucional e da aproximação entre empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos públicos.
Núcleo NIB Bahia busca ampliar competitividade industrial
O Núcleo NIB Bahia funcionará como um ambiente de articulação entre o setor produtivo, instituições de ensino e pesquisa e representantes do poder público. A proposta é criar uma ponte operacional entre conhecimento científico, demandas empresariais e políticas públicas voltadas à modernização da indústria.
Entre as atividades previstas estão diagnósticos tecnológicos, capacitações, oficinas, visitas técnicas e apoio à elaboração de projetos voltados à atualização dos processos produtivos. O núcleo também deverá contribuir para o mapeamento de setores industriais e para a identificação de gargalos que dificultam a adoção de novas tecnologias.
A iniciativa pretende facilitar o acesso das indústrias baianas a ferramentas associadas à Indústria 4.0, como automação, digitalização de processos, análise de dados e soluções tecnológicas capazes de elevar a eficiência operacional. O objetivo é reduzir custos, ampliar produtividade e melhorar a inserção competitiva das empresas em mercados cada vez mais exigentes.
Sudene defende inovação como eixo do desenvolvimento regional
Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a criação dos núcleos reforça o compromisso da Autarquia com a modernização da base produtiva regional. Segundo ele, a inovação representa um dos caminhos para elevar a competitividade da indústria nordestina e gerar novas oportunidades de desenvolvimento.
“A inovação é um dos caminhos para aumentar a competitividade da indústria nordestina e gerar novas oportunidades de desenvolvimento. Os núcleos aproximam universidades, empresas e instituições públicas para transformar conhecimento em soluções concretas para os desafios do setor produtivo. A Bahia possui um parque industrial diversificado e estratégico para o Nordeste, e queremos contribuir para que essas empresas estejam cada vez mais preparadas para os desafios da nova economia”, afirmou.
A avaliação da Sudene indica que a transformação digital não se limita à introdução de equipamentos ou softwares nas linhas produtivas. Trata-se de uma agenda mais ampla, que envolve formação técnica, integração institucional, planejamento empresarial e capacidade de converter pesquisa aplicada em soluções concretas para a indústria.
Fieb aponta inovação como requisito para novos mercados
O superintendente da Fieb, Vladson Menezes, destacou que o programa responde a uma demanda do setor produtivo por instrumentos capazes de conectar o desenvolvimento regional à agenda da Nova Indústria Brasil. Segundo ele, a Bahia precisa explorar melhor suas potencialidades para ampliar a presença de suas empresas em mercados nacionais e internacionais.
“Nós precisamos explorar as potencialidades do Nordeste, no nosso caso, da Bahia. A inovação está diretamente ligada à competitividade e é o que nos faz conquistar novos mercados”, disse.
A presença da Fieb na iniciativa amplia a interlocução com o empresariado industrial baiano e tende a facilitar a identificação das necessidades práticas das empresas. Essa articulação é relevante porque a adoção de tecnologias digitais costuma exigir planejamento, investimento, qualificação profissional e adaptação de processos internos.
Rede de inovação integra política nacional para a indústria
O Núcleo NIB Bahia passa a integrar a rede de núcleos implantada pela Sudene nos estados de sua área de atuação. A iniciativa está alinhada à Nova Indústria Brasil, política do Governo Federal voltada ao fortalecimento da indústria nacional por meio da inovação, da transformação digital, do aumento da produtividade e da modernização tecnológica.
Além da qualificação empresarial, os núcleos buscam aproximar a produção científica das demandas do mercado. A estratégia pretende criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de soluções aplicadas à realidade das empresas nordestinas, com atenção às características econômicas e produtivas de cada estado.
No caso da Bahia, o lançamento ocorre em um ambiente industrial diversificado, com presença de segmentos estratégicos e potencial de expansão em áreas associadas à transição energética, mineração, energias renováveis, logística, tecnologia e cadeias produtivas vinculadas à exportação.
Bahia discute nova política industrial
O superintendente de Atração de Investimentos e Fomento ao Desenvolvimento Econômico da Bahia, Luciano Giudice, afirmou que o programa da Sudene chega em momento oportuno para o estado. Segundo ele, está em andamento um estudo para subsidiar a formulação da nova política industrial baiana, com foco no planejamento do setor para os próximos anos.
Giudice citou energia renovável, hidrogênio verde e mineração como áreas promissoras para a economia baiana. Esses setores estão diretamente vinculados a agendas de transição energética, agregação de valor, infraestrutura produtiva e atração de investimentos.
A articulação entre o Núcleo NIB Bahia e a formulação de diretrizes industriais estaduais poderá favorecer maior alinhamento entre políticas públicas, planejamento empresarial e investimentos em inovação. O desafio será transformar diagnósticos e capacitações em projetos efetivos, com impacto mensurável sobre produtividade, competitividade e geração de oportunidades.
Expansão dos Núcleos NIB no Nordeste
Antes da Bahia, os Núcleos NIB já haviam sido lançados no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. A Sudene informou que o lançamento em Pernambuco está previsto para quinta-feira, 18/06/2026, enquanto a implantação na Paraíba deve ocorrer em julho.
A expansão da rede evidencia a tentativa de estruturar uma política regional de inovação industrial com capilaridade nos estados nordestinos. Ao combinar universidades, federações industriais, empresas e poder público, a iniciativa busca reduzir a distância histórica entre pesquisa aplicada e demandas produtivas.
O êxito do programa dependerá da capacidade de manter continuidade institucional, selecionar prioridades setoriais, acompanhar resultados e oferecer apoio técnico compatível com a realidade das empresas, especialmente pequenas e médias indústrias que enfrentam maiores barreiras para investir em transformação digital.








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