ACM Neto lidera pesquisa mais recente para governador da Bahia, mas força de Jerônimo mantém eleição aberta

Na segunda-feira (27/07/2026), a disputa pelo Governo da Bahia apresenta, segundo pesquisa de intenção eleitoral, uma vantagem numérica para ACM Neto, candidato do União Brasil escolhido em convenção, mas permanece distante de uma definição antecipada. O levantamento mais recente divulgado pelo Paraná Pesquisas atribui 49,2% das intenções de voto ao ex-prefeito de Salvador e 37,5% ao governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição pelo PT. A diferença, porém, convive com pesquisas anteriores que apontaram empate técnico ou liderança do petista, além do precedente de 2022, quando Neto começou a campanha com ampla dianteira e terminou derrotado no segundo turno.

ACM Neto chega à fase formal da eleição com vantagem numérica

A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 01/07/2026 colocou ACM Neto com 49,2%, contra 37,5% de Jerônimo Rodrigues e 1,9% de Ronaldo Mansur, do PSOL. Votos brancos, nulos ou em nenhum dos nomes representaram 6,9%, enquanto 4,5% dos entrevistados não souberam responder. Foram ouvidos 1.500 eleitores em 64 municípios entre 27 e 30 de junho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BA-04848/2026.

O resultado concede ao candidato oposicionista uma vantagem de 11,7 pontos percentuais sobre o governador. Somados, os dois principais concorrentes concentram 86,7% das intenções estimuladas, indicando uma disputa fortemente polarizada, embora o quadro formal de candidaturas somente seja consolidado após as convenções, os pedidos de registro e a análise da Justiça Eleitoral.

Na comparação com o levantamento realizado pelo mesmo instituto em maio, Neto passou de 47,8% para 49,2%, enquanto Jerônimo recuou de 38,7% para 37,5%. A oscilação foi pequena e deve ser interpretada dentro das respectivas margens de erro, mas manteve o candidato do União Brasil numericamente à frente nas duas rodadas do Paraná Pesquisas.

Rejeição e avaliação do governo interferem no cenário

O Paraná Pesquisas também identificou diferença nos índices de rejeição. Jerônimo Rodrigues foi apontado por 38,5% dos entrevistados como um nome no qual não votariam, enquanto a rejeição a ACM Neto chegou a 26,9%. Ronaldo Mansur registrou 26,5%. Em uma eleição de elevada polarização, a rejeição pode limitar a expansão de um candidato para além de sua base partidária e eleitoral.

A administração estadual, entretanto, apresentava 52% de aprovação, diante de 45,1% de desaprovação. Na avaliação qualitativa, 12,4% classificaram a gestão como ótima e 24,7% como boa, totalizando 37,1% de avaliação positiva. Outros 24,9% consideraram o governo regular, 8% ruim e 28,1% péssimo.

Os números revelam uma situação eleitoral complexa para o governador. A aprovação superior a 50% demonstra que a gestão conserva apoio social relevante, mas a avaliação positiva abaixo de 40% e a rejeição pessoal elevada indicam dificuldades para transformar integralmente a aprovação administrativa em intenção de voto.

Quaest mostrou disputa mais equilibrada

O quadro apresentado pelo Paraná Pesquisas não é reproduzido com a mesma intensidade por todos os institutos. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 29/04/2026, ACM Neto apareceu com 41%, contra 37% de Jerônimo Rodrigues, configurando empate técnico devido à margem de erro de três pontos percentuais. Ronaldo Mansur registrou 1%, enquanto José Estevão, então apresentado como possível candidato da Democracia Cristã, não pontuou.

Em uma simulação de segundo turno, a Quaest registrou ACM Neto com 41% e Jerônimo com 38%, novamente em situação de empate técnico. O instituto entrevistou presencialmente 1.200 eleitores entre 23 e 27 de abril, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado sob o número BA-03657/2026.

A Quaest também apontou 56% de aprovação do Governo Jerônimo e rejeição de 42% ao governador, contra 32% atribuídos a ACM Neto. Os dados reforçaram uma combinação que permanece central na eleição: o governador conserva apoio administrativo significativo, mas enfrenta uma resistência eleitoral maior do que a registrada pelo principal adversário.

Pesquisa TML apresentou cenário favorável a Jerônimo

A divergência entre os levantamentos ficou mais evidente em fevereiro. Pesquisa do Instituto TML, divulgada em 24/02/2026, indicou Jerônimo Rodrigues com 52,51%, contra 35,65% de ACM Neto, 1,03% de José Carlos Aleluia e 0,93% de Ronaldo Mansur. O levantamento foi registrado sob o número BA-07735/2026 e informou margem de erro aproximada de 2,17 pontos percentuais.

Em um cenário direto entre os dois principais concorrentes, o instituto atribuiu 54,24% ao governador e 37,70% ao ex-prefeito de Salvador. Na pesquisa espontânea, Jerônimo apareceu com 22,54%, enquanto Neto registrou 15,94%.

A distância entre os resultados do TML, da Quaest e do Paraná Pesquisas demonstra que não há consenso absoluto sobre a dimensão da vantagem de qualquer candidato. Diferenças de amostragem, distribuição territorial, questionário, período de coleta e método de entrevista podem produzir fotografias distintas do eleitorado, especialmente antes do início da propaganda eleitoral.

Novas pesquisas devem atualizar o cenário

Dois novos levantamentos, dos institutos AtlasIntel e Quaest, têm divulgação prevista para quarta-feira, 29/07/2026. A pesquisa da AtlasIntel prevê 1.800 entrevistas coletadas por questionários estruturados na internet, enquanto a Quaest realiza 1.200 entrevistas presenciais com eleitores baianos.

A nova rodada será relevante porque foi realizada durante o início das convenções partidárias e após a oficialização da candidatura oposicionista. Os resultados poderão indicar se a vantagem identificada pelo Paraná Pesquisas se mantém, diminui ou aumenta quando analisada por institutos com métodos diferentes.

As pesquisas, contudo, continuarão representando retratos do momento em que as entrevistas foram realizadas. Elas não constituem previsão definitiva do resultado e precisam ser examinadas em conjunto com margem de erro, metodologia, contratante, distribuição da amostra e evolução temporal.

ACM Neto unifica a oposição e apresenta chapa definida

ACM Neto foi escolhido candidato ao Governo da Bahia em convenção realizada em 22/07/2026, no Centro de Convenções de Salvador. A composição homologada tem o ex-prefeito de Jequié Zé Cocá, do PP, como candidato a vice-governador, além de Angelo Coronel, do Republicanos, e João Roma, do PL, para as duas vagas baianas no Senado Federal. As candidaturas ainda dependem da apresentação e do deferimento dos registros pela Justiça Eleitoral.

A aliança oposicionista reúne a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP; a Federação Renovação Solidária, integrada por PRD e Solidariedade; a Federação PSDB-Cidadania; e partidos como PL, Podemos, Republicanos, PRTB, Novo e Mobiliza. O arranjo agrega setores de centro, centro-direita e direita que estiveram divididos em diferentes momentos da eleição de 2022.

A presença de Zé Cocá busca fortalecer a chapa no interior, especialmente no Médio Rio de Contas e no Vale do Jiquiriçá. João Roma aproxima o grupo do eleitorado ligado ao PL, enquanto Angelo Coronel, que deixou o PSD e se filiou ao Republicanos, amplia a interlocução da oposição com lideranças municipais anteriormente vinculadas à base governista.

Experiência administrativa e menor rejeição favorecem Neto

ACM Neto exerceu três mandatos de deputado federal e governou Salvador por dois mandatos consecutivos, entre 2013 e 2020. Essa trajetória assegura elevado conhecimento do nome entre os eleitores e permite que a campanha apresente sua experiência municipal como credencial para a administração estadual.

Outro fator favorável é a redução da fragmentação oposicionista. Em 2022, João Roma concorreu separadamente ao governo e recebeu votos de uma parcela do eleitorado de direita. Em 2026, Roma integra a chapa de Neto como candidato ao Senado, enquanto o PL participa formalmente da aliança oposicionista.

A menor rejeição registrada nas pesquisas Quaest e Paraná Pesquisas também oferece ao candidato um espaço potencialmente maior para conquistar indecisos ou eleitores que ainda não consolidaram o voto. Essa vantagem, entretanto, dependerá da capacidade de manter unidos grupos partidários diversos e de dialogar simultaneamente com eleitores conservadores, de centro e apoiadores de candidaturas presidenciais distintas.

Jerônimo reúne Governo Federal e ampla base municipal

Jerônimo Rodrigues conta com uma coligação composta por nove siglas: a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, além de MDB, Avante, PSD, PSB, PDT e DC. O grupo preservou o núcleo que venceu a eleição de 2022 e incorporou novos aliados para a disputa de 2026.

PSD e Avante controlam, juntos, 175 prefeituras baianas — 115 administradas pelo PSD e 60 pelo Avante —, equivalentes a aproximadamente 42% dos 417 municípios do estado. A base municipal representa um dos principais ativos da candidatura governista, sobretudo em cidades pequenas e médias, onde prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças locais exercem influência sobre a mobilização eleitoral.

O governador também disputa a reeleição com a visibilidade decorrente do exercício do cargo e com uma agenda de entregas, obras e programas estaduais. A legislação eleitoral impõe limites ao uso institucional da administração durante a campanha, mas a condição de titular permite que Jerônimo apresente realizações, investimentos e políticas públicas como argumentos em defesa da continuidade.

Lula permanece como principal ativo nacional do governador

A convenção destinada a oficializar a candidatura governista está prevista para 01/08/2026, no Parque de Exposições de Salvador, com a presença anunciada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A composição apresentada politicamente inclui Geraldo Júnior, do MDB, novamente como candidato a vice-governador, além de Rui Costa e Jaques Wagner como pré-candidatos ao Senado.

Lula obteve 72,12% dos votos válidos na Bahia no segundo turno presidencial de 2022, contra 27,88% de Jair Bolsonaro. O desempenho confirma a Bahia como uma das principais bases eleitorais do presidente e explica a estratégia de Jerônimo de associar sua candidatura ao projeto nacional do PT.

A capacidade de transferência de votos não ocorre automaticamente. Ela depende da participação efetiva do presidente na campanha, do grau de associação estabelecido pelo eleitor entre os governos federal e estadual e da popularidade de Lula no momento da votação. Ainda assim, o resultado de 2022 demonstra que o alinhamento nacional pode exercer peso decisivo na disputa baiana.

Interior da Bahia será novamente determinante

A eleição de 2022 evidenciou diferenças territoriais importantes. ACM Neto concentrou desempenho mais competitivo em Salvador, Região Metropolitana e parte dos maiores centros urbanos, enquanto Jerônimo obteve vantagem expressiva em grande número de municípios do interior.

Em 2026, os dois grupos procuram corrigir fragilidades territoriais. A oposição incorporou partidos, prefeitos e lideranças regionais e escolheu Zé Cocá para a vice, buscando ampliar a presença fora da capital. O governo, por sua vez, preserva uma extensa rede de administrações municipais, particularmente por meio do PSD, do Avante e das demais legendas aliadas.

O comportamento das cidades de médio porte também será decisivo. Municípios como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Juazeiro, Itabuna, Ilhéus, Barreiras, Alagoinhas e Teixeira de Freitas combinam eleitorado numeroso, influência regional e agendas próprias relacionadas a saúde, segurança pública, infraestrutura, emprego, educação e desenvolvimento econômico.

Segurança, saúde e educação entram no centro da campanha

Na convenção oposicionista, ACM Neto apresentou a segurança pública como um dos eixos principais de sua campanha e também concentrou críticas em áreas como regulação da saúde, educação, desenvolvimento econômico e infraestrutura. O candidato lançou o conceito de “mudança com segurança” como mensagem central da candidatura.

Jerônimo deverá responder com a defesa da continuidade administrativa e com a apresentação de investimentos estaduais em hospitais, escolas de tempo integral, mobilidade urbana, estradas, abastecimento de água e desenvolvimento regional. A campanha governista também utiliza o Programa de Governo Participativo para reunir propostas nos diferentes territórios de identidade.

A eleição tende, portanto, a combinar dois debates. O primeiro será retrospectivo e avaliará os resultados da administração estadual iniciada em 2023. O segundo será comparativo e examinará a experiência administrativa de Neto em Salvador, a viabilidade das propostas oposicionistas e os efeitos de uma eventual alternância após duas décadas de governos liderados pelo PT na Bahia.

O precedente de 2022 impede previsões definitivas

Em 18/05/2022, pesquisa Genial/Quaest apontava ACM Neto com 67% das intenções de voto, enquanto Jerônimo Rodrigues aparecia com apenas 6%. O ex-prefeito era apresentado como possível vencedor ainda no primeiro turno, e o então candidato petista enfrentava baixo conhecimento entre os eleitores.

No primeiro turno, realizado em 02/10/2022, Jerônimo alcançou aproximadamente 49,4% dos votos válidos e terminou à frente de ACM Neto, que obteve cerca de 40,9%. O resultado levou a disputa para o segundo turno e demonstrou uma reversão substancial em relação às pesquisas divulgadas no começo daquele ano.

Em 30/10/2022, Jerônimo foi eleito com 52,79%, equivalentes a 4.480.464 votos, contra 47,21%, ou 4.007.023 votos, atribuídos a Neto. A diferença final foi de aproximadamente 473 mil votos.

Nacionalização da disputa alterou o cenário anterior

A recuperação de Jerônimo em 2022 ocorreu durante um processo de ampliação de seu conhecimento, mobilização das bases municipais e associação direta com Lula. O candidato petista saiu de uma posição minoritária nas pesquisas iniciais para liderar o primeiro turno e vencer a etapa final.

ACM Neto disputou aquela eleição sem vinculação direta a uma candidatura presidencial no segundo turno, enquanto Jerônimo integrou a campanha de Lula. Em 2026, a oposição procura reduzir essa desvantagem por meio da incorporação do PL, da presença de João Roma na chapa e da construção de um palanque mais amplo.

O antecedente não significa que o resultado de 2022 será necessariamente repetido. Jerônimo agora concorre como governador conhecido e será julgado por sua administração, enquanto ACM Neto inicia a disputa com uma aliança mais abrangente. A lembrança da eleição anterior, contudo, recomenda cautela diante de qualquer projeção baseada exclusivamente em levantamentos realizados antes da propaganda eleitoral.

Linha do tempo da disputa pelo Governo da Bahia

  • 18/05/2022: pesquisa Genial/Quaest registra ACM Neto com 67% e Jerônimo Rodrigues com 6%.
  • 02/10/2022: Jerônimo termina o primeiro turno à frente, com aproximadamente 49,4%, e ACM Neto obtém cerca de 40,9%.
  • 30/10/2022: Jerônimo é eleito governador com 52,79%, contra 47,21% de Neto.
  • 24/02/2026: Instituto TML aponta Jerônimo com 52,51% e ACM Neto com 35,65%.
  • 29/04/2026: Genial/Quaest registra empate técnico, com Neto marcando 41% e Jerônimo, 37%.
  • 01/07/2026: Paraná Pesquisas indica ACM Neto com 49,2% e Jerônimo com 37,5%.
  • 20/07/2026: começa oficialmente o período nacional de convenções partidárias.
  • 22/07/2026: convenção homologa ACM Neto, Zé Cocá, Angelo Coronel e João Roma na chapa oposicionista.
  • 27/07/2026: termina o período previsto de entrevistas da nova pesquisa Genial/Quaest na Bahia.
  • 29/07/2026: AtlasIntel e Quaest têm divulgação de novos levantamentos prevista.
  • 01/08/2026: base governista prevê convenção com Jerônimo Rodrigues e participação de Lula.
  • 05/08/2026: termina o prazo para realização das convenções partidárias.
  • 15/08/2026: encerra-se o prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
  • 16/08/2026: começa a propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet.
  • 04/10/2026: ocorre o primeiro turno das Eleições Gerais.
  • 25/10/2026: eventual segundo turno será realizado caso nenhum candidato alcance a maioria dos votos válidos.

A pesquisa mais recente coloca ACM Neto em posição inicial mais favorável, devido à vantagem de 11,7 pontos sobre Jerônimo Rodrigues, à rejeição comparativamente menor e à unificação de partidos que estiveram divididos em 2022. A definição antecipada de sua chapa também permite à oposição entrar na fase formal com estratégia territorial e discurso político organizados. Essa fotografia, entretanto, não equivale a uma previsão segura de vitória.

Jerônimo conserva fatores capazes de equilibrar ou inverter a disputa: aprovação administrativa superior a 50% em levantamentos recentes, presença institucional nos 417 municípios, apoio de partidos que controlam parcela expressiva das prefeituras e associação com Lula, que obteve mais de 72% dos votos baianos em 2022. Ao mesmo tempo, o governador precisa enfrentar rejeição elevada, avaliação qualitativa inferior ao índice geral de aprovação e cobrança por resultados em áreas como segurança pública, saúde, educação e infraestrutura.

A eleição permanece aberta porque pesquisas de diferentes institutos apresentam resultados consideravelmente distintos e porque a experiência de 2022 demonstrou a capacidade de transformação do cenário após o início da campanha. O acompanhamento das pesquisas de julho, a convenção governista, os registros das candidaturas, a evolução da rejeição, o desempenho das administrações avaliadas e a influência da disputa presidencial sobre o comportamento do eleitorado baiano podem mudar o cenário.


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