Neste domingo (26/07/2026), a agenda política brasileira foi dominada pela oficialização das candidaturas de Ronaldo Caiado, pelo PSD, e Samara Martins, pela Unidade Popular, à Presidência da República; pela definição de chapas estaduais em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul; pela reação diplomática do Governo brasileiro às declarações do presidente argentino Javier Milei; e pela publicação de um artigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. As movimentações ocorreram durante o período das convenções partidárias, etapa obrigatória para a escolha formal dos candidatos que participarão das Eleições 2026.
Convenção do PSD oficializa Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab
O Partido Social Democrático realizou sua convenção nacional na região central de São Paulo e confirmou Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, foi homologado como candidato a vice-presidente, formando uma chapa composta exclusivamente por integrantes do PSD.
Durante o evento, Caiado apresentou sua candidatura como uma alternativa à polarização política nacional. O ex-governador de Goiás afirmou que pretende transferir para o Governo Federal a experiência administrativa acumulada ao longo de dois mandatos estaduais e colocou a segurança pública, a capacidade de gestão e a prestação de serviços entre os principais eixos de seu projeto eleitoral.
A candidatura também busca reunir setores da centro-direita que não aderiram formalmente ao palanque do senador Flávio Bolsonaro, oficializado pelo PL no sábado. Ao mesmo tempo, o PSD terá de administrar posições distintas de seus diretórios estaduais, uma vez que lideranças da legenda participam de alianças regionais com grupos ligados tanto ao presidente Lula quanto ao campo político bolsonarista.
Caiado disputará a Presidência pela segunda vez. Médico e produtor rural, ele participou da eleição de 1989, exerceu cinco mandatos como deputado federal, foi senador por Goiás e governou o estado entre 2019 e março de 2026, quando deixou o cargo para participar da eleição nacional.
Kassab, por sua vez, acrescenta à chapa sua experiência como prefeito de São Paulo, ministro de Estado, secretário estadual e articulador partidário. Fundado por ele em 2011, o PSD reúne uma extensa estrutura municipal, mas ainda enfrenta dificuldades para construir palanques exclusivos para sua candidatura presidencial em alguns dos maiores colégios eleitorais.
A composição confirma a estratégia anunciada pelo partido no início de julho, quando Caiado e Kassab apresentaram publicamente a intenção de formar uma chapa própria. Até a realização da convenção, o PSD não havia anunciado uma coligação nacional com outras legendas.
Unidade Popular confirma chapa presidencial formada por duas mulheres
Também em São Paulo, a Unidade Popular pelo Socialismo oficializou Samara Martins como candidata à Presidência da República. A convenção ocorreu na Universidade Zumbi dos Palmares, no bairro do Bom Retiro, e confirmou a sindicalista Raquel Bricio como candidata a vice-presidente.
Samara Martins é dentista do Sistema Único de Saúde, dirigente de movimentos de mulheres e militante de organizações voltadas à população negra e à defesa do direito à moradia. Em 2022, ela disputou a Vice-Presidência na chapa liderada por Leonardo Péricles, então candidato presidencial da UP.
Raquel Bricio é guarda portuária, sindicalista e uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Olga Benario. A escolha das duas dirigentes resultou em uma chapa presidencial integralmente feminina, com origem nos movimentos sociais e sindicais.
Entre as propostas apresentadas pela candidata estão a reestatização de empresas privatizadas, a nacionalização de setores considerados estratégicos, a ampliação do orçamento destinado às políticas sociais e a realização de uma auditoria da dívida pública.
A convenção da Unidade Popular ocorreu das 9h às 13h e também deliberou sobre as demais candidaturas do partido, possíveis composições eleitorais e a delegação de poderes à direção partidária para os procedimentos de registro perante a Justiça Eleitoral.
Com a homologação, Samara Martins passa da condição de pré-candidata para candidata escolhida formalmente pelo partido. A validade jurídica da candidatura ainda depende da apresentação do pedido de registro e da análise da documentação pela Justiça Eleitoral.
Alexandre Kalil é oficializado candidato ao Governo de Minas Gerais
Em Belo Horizonte, o PDT confirmou o ex-prefeito Alexandre Kalil como candidato ao Governo de Minas Gerais. A convenção estadual foi realizada na Assembleia Legislativa mineira e reuniu dirigentes partidários, filiados, candidatos aos cargos proporcionais e representantes de legendas envolvidas nas negociações para a formação da chapa.
O partido também aprovou as listas de candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. As vagas de vice-governador e de candidatos ao Senado permaneciam vinculadas às negociações com outras forças políticas, entre elas PSDB, Solidariedade, União Brasil e Progressistas.
Durante a preparação da candidatura, Kalil colocou a situação financeira de Minas Gerais, a dívida estadual e os investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura entre os temas prioritários de sua plataforma. A composição definitiva da aliança dependerá das deliberações partidárias e do registro da chapa majoritária.
Federação Brasil da Esperança lança Fábio Trad em Mato Grosso do Sul
Em Campo Grande, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, oficializou Fábio Trad como candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul. A convenção foi realizada no auditório da Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado e confirmou Gilda Maria, conhecida como Dona Gilda, como candidata a vice-governadora.
O grupo também homologou o deputado federal Vander Loubet, do PT, e a senadora Soraya Thronicke, do PSB, como candidatos às duas vagas destinadas ao estado no Senado Federal. A aliança apresentou ainda nove nomes para a Câmara dos Deputados e 24 para a Assembleia Legislativa.
Em seu pronunciamento, Fábio Trad afirmou que pretende fazer oposição à administração estadual mediante o debate de políticas públicas, evitando ataques pessoais aos adversários. O candidato defendeu uma campanha centrada em propostas e vinculou sua candidatura ao projeto nacional liderado pelo presidente Lula.
A convenção contou com a participação do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, representante do presidente da República, além de dirigentes nacionais e estaduais dos partidos integrantes da federação.
A formação da chapa reúne diferentes segmentos do campo governista nacional e procura ampliar a competitividade eleitoral da federação em Mato Grosso do Sul. A participação do PSB na coligação, por meio da candidatura de Soraya Thronicke ao Senado, amplia o arco de alianças além dos partidos que integram formalmente a Federação Brasil da Esperança.
As decisões tomadas no encontro ainda precisam constar na ata da convenção, ser transmitidas à Justiça Eleitoral e integrar os pedidos formais de registro das candidaturas.
Lula não tem compromissos oficiais e publica artigo contra tarifas dos Estados Unidos
A agenda oficial da Presidência da República não registrou compromissos públicos de Lula neste domingo. Apesar da ausência de eventos institucionais, o presidente participou do debate político por meio de um artigo publicado pelo jornal norte-americano The Washington Post, no qual criticou as tarifas impostas pelo Governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
No texto, Lula sustentou que as medidas comerciais poderão prejudicar empresas e consumidores norte-americanos, desorganizar cadeias produtivas integradas e levar exportadores brasileiros a buscar fornecedores e parceiros em outros mercados.
O presidente também atribuiu caráter ideológico a parte das decisões tomadas pelo Governo norte-americano e afirmou que tentativas de condicionar as relações bilaterais ao processo eleitoral brasileiro não serão aceitas. Ao defender o diálogo, Lula reiterou que a reciprocidade e o respeito à soberania deverão orientar as relações entre os dois países.
As tarifas de 25% atingem setores como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos e diferentes bens manufaturados.
Segundo o argumento apresentado pelo Governo brasileiro, os Estados Unidos mantêm superávit na relação comercial bilateral, circunstância utilizada por Brasília para contestar as justificativas econômicas adotadas na aplicação das sobretaxas.
A publicação amplia a estratégia de comunicação internacional do Governo Lula em um momento no qual comércio exterior, soberania econômica e interferência estrangeira passaram a integrar o debate das Eleições 2026.
Itamaraty chama embaixador após declarações de Javier Milei
Outro desdobramento político deste domingo ocorreu na área diplomática. O Ministério das Relações Exteriores chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, após declarações do presidente argentino Javier Milei contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Milei participou, no sábado, da convenção nacional do PL em São Paulo, que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Durante o discurso, o presidente argentino empregou expressões ofensivas contra o chefe do Executivo brasileiro e contra o integrante do STF.
Na linguagem diplomática, a convocação de um embaixador para consultas representa uma manifestação formal de descontentamento e indica o agravamento de uma divergência entre os governos envolvidos. Bitelli deverá prestar informações ao Itamaraty sobre o estado das relações bilaterais e os possíveis encaminhamentos da crise.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, também divulgou uma nota na qual classificou as declarações de Milei como incompatíveis com a civilidade esperada nas relações entre os Estados. Fachin reafirmou a autonomia do Poder Judiciário brasileiro.
O episódio acrescenta uma dimensão diplomática à disputa eleitoral nacional. A presença de um chefe de Estado estrangeiro em uma convenção partidária e seus ataques a autoridades brasileiras ultrapassaram o debate interno do PL e passaram a produzir efeitos concretos na política externa.
Os próximos passos dependerão da avaliação do Itamaraty, da resposta do Governo argentino e das orientações que serão transmitidas ao embaixador brasileiro após sua chegada a Brasília.
Congresso Nacional não registra atividade deliberativa
A Câmara dos Deputados não programou sessões plenárias ou reuniões deliberativas de comissões para este domingo. A agenda institucional registrou apenas visitas guiadas ao Congresso Nacional, previstas entre 9h e 17h.
A ausência de deliberações é compatível com a rotina do Poder Legislativo nos fins de semana e concentra a agenda política nas convenções partidárias, nas articulações eleitorais e nas manifestações dos integrantes do Poder Executivo.
Os trabalhos legislativos e as negociações parlamentares deverão ser retomados durante a semana, quando partidos, líderes e bancadas voltarão a discutir a pauta do Congresso e os efeitos das alianças eleitorais sobre as votações de interesse do Governo e da oposição.
Convenções seguem até 5 de agosto
O calendário eleitoral autoriza partidos e federações a realizarem suas convenções entre 20/07 e 05/08/2026. Nesses encontros, as legendas deliberam sobre coligações majoritárias e escolhem formalmente candidatos a presidente, vice-presidente, governador, vice-governador, senador e respectivos suplentes, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
Após as convenções, partidos, federações e coligações deverão apresentar os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral até as 19h de 15/08/2026. A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet será permitida a partir de 16/08/2026.
Até a análise dos pedidos pela Justiça Eleitoral, as decisões partidárias representam a escolha interna dos candidatos, mas não equivalem ao deferimento definitivo das candidaturas. A documentação, as condições de elegibilidade e eventuais impugnações serão examinadas pelos tribunais competentes.
Na segunda-feira (27/07), o Novo deverá realizar sua convenção para confirmar Romeu Zema como candidato à Presidência. A convenção nacional do PT destinada a homologar Lula está programada para 02/08/2026, em São Paulo.
Na Bahia, o grupo governista marcou para 01/08/2026 a convenção que deverá confirmar o governador Jerônimo Rodrigues como candidato à reeleição, Geraldo Júnior como vice e Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado.
As convenções seguirão modificando a composição da disputa presidencial e dos palanques estaduais até o encerramento do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Linha do tempo da agenda política deste domingo
8h30 — Campo Grande, Mato Grosso do Sul: início da convenção da Federação Brasil da Esperança para oficializar Fábio Trad ao Governo estadual, Dona Gilda como vice e as candidaturas ao Senado e aos cargos proporcionais.
9h — São Paulo, capital: convenção nacional do PSD confirma Ronaldo Caiado como candidato à Presidência e Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente.
9h às 13h — São Paulo, capital: convenção nacional da Unidade Popular oficializa Samara Martins à Presidência e Raquel Bricio à Vice-Presidência.
Manhã — Belo Horizonte, Minas Gerais: convenção estadual do PDT confirma Alexandre Kalil como candidato ao Governo mineiro e aprova as chapas proporcionais.
Ao longo do dia — Brasília: agenda oficial da Presidência permanece sem compromissos públicos, enquanto Lula divulga artigo dirigido ao público norte-americano contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Tarde — Brasília e Buenos Aires: Itamaraty chama o embaixador Julio Bitelli para consultas após as declarações de Javier Milei contra Lula e Alexandre de Moraes.
9h às 17h — Congresso Nacional: agenda institucional registra visitas guiadas, sem sessões plenárias ou reuniões deliberativas.
Conservadorismo e movimentos populares
A agenda deste domingo demonstrou que a disputa presidencial de 2026 não estará restrita aos dois principais blocos da polarização nacional. A oficialização de Ronaldo Caiado pelo PSD acrescenta uma candidatura com estrutura partidária e presença municipal relevante, embora a autonomia dos diretórios estaduais possa limitar a formação de palanques uniformes. A candidatura de Samara Martins, por outro lado, representa um campo programático identificado com movimentos populares e propostas de transformação econômica mais profunda.
As convenções estaduais evidenciam que a eleição nacional será conduzida simultaneamente com negociações locais, nas quais partidos aliados em Brasília poderão ocupar campos adversários nos estados. Esse quadro exigirá acompanhamento sobre coligações, distribuição de recursos, tempo de propaganda e grau de compromisso das estruturas regionais com cada candidatura presidencial.
A dimensão eleitoral também passou a interferir diretamente nas relações internacionais. As declarações de Javier Milei e a resposta do Itamaraty demonstram como atos partidários internos podem produzir consequências diplomáticas, enquanto o artigo de Lula sobre as tarifas norte-americanas vincula comércio exterior, soberania e eleição. Nos próximos dias, a atenção deverá permanecer sobre a formalização das demais candidaturas, os registros apresentados à Justiça Eleitoral e as decisões dos partidos que ainda negociam alianças nacionais e estaduais.







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