Bahia chega a 522,7 mil empresas ativas em 2024, mas salário médio segue 20% abaixo da média nacional

Na quinta-feira, 25/06/2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) 2024, mostrando que a Bahia ampliou o tamanho de seu setor empresarial entre 2023 e 2024, ao passar de 498.785 para 522.761 unidades locais de empresas formais ativas, crescimento de 4,8%, equivalente a 23.976 novas unidades. O estado manteve a 7ª posição nacional em número de unidades empresariais e continuou como líder do Norte-Nordeste, embora o salário médio mensal pago no setor empresarial baiano, de R$ 3.138,05, tenha permanecido 20,2% abaixo da média nacional, evidenciando a distância entre expansão econômica, geração de ocupação e qualidade da remuneração.

Setor empresarial baiano cresce, mas em ritmo inferior ao Brasil

A Bahia encerrou 2024 com 522.761 unidades locais de empresas ativas, nas quais trabalhavam 3.220.966 pessoas. Desse total, 2.622.402 eram empregados assalariados e 598.564 eram proprietários ou sócios. Em comparação com 2023, quando o estado registrava 498.785 unidades locais, houve crescimento de 4,8%, com saldo positivo de 23.976 unidades empresariais.

O avanço ocorreu em todas as 27 unidades da Federação. No entanto, a taxa baiana ficou abaixo da média nacional, que foi de 5,4%. No Brasil, o número de unidades locais de empresas formais passou de 11.255.614 para 11.867.005, um acréscimo de 611.391 unidades em um ano.

Mesmo com crescimento percentual apenas na 22ª posição entre os estados, a Bahia manteve relevância no mapa empresarial brasileiro. O saldo absoluto de novas unidades, de 23.976, foi o 7º maior do país, reforçando o peso econômico do estado no Nordeste e sua posição como principal base empresarial do Norte-Nordeste.

Bahia mantém liderança regional e 7ª posição nacional

A Bahia permaneceu como o estado com maior número de unidades locais de empresas no Norte-Nordeste e conservou a 7ª colocação nacional. À frente no ranking brasileiro estão estados de maior concentração econômica, como São Paulo, com 3.929.118 unidades locais; Minas Gerais, com 1.141.917; e Paraná, com 889.304.

A manutenção da Bahia nessa posição revela a dimensão de sua base produtiva formal e sua importância para a economia regional. O dado também demonstra que o estado possui capilaridade empresarial expressiva, distribuída entre diferentes segmentos de atividade, embora concentrada majoritariamente em negócios de pequeno porte.

Essa característica indica uma estrutura econômica ampla, mas ainda fortemente dependente de empresas com baixa escala operacional. O crescimento numérico, portanto, precisa ser analisado em conjunto com indicadores de emprego, produtividade e remuneração, para que se compreenda a real qualidade da expansão empresarial.

Microempresas puxam expansão do setor empresarial

O aumento do número de unidades locais de empresas na Bahia foi registrado em empresas de todos os tamanhos, mas o principal impulso veio das microempresas, com até 9 pessoas ocupadas. Elas representam 92,9% de todas as unidades locais empresariais do estado, o equivalente a 485.477 unidades em 2024.

Entre 2023 e 2024, as microempresas passaram de 462.361 para 485.477 unidades, crescimento de 5,0%, com saldo de 23.116 novas unidades. Esse desempenho respondeu pela maior parte da expansão empresarial baiana no período e confirma a predominância dos pequenos negócios na economia formal do estado.

As pequenas empresas, com 10 a 49 pessoas ocupadas, cresceram 2,4%, ao ganhar 744 unidades e chegar a 31.909 estabelecimentos, correspondentes a 6,1% do total. As empresas médias, com 50 a 249 ocupados, avançaram 1,7%, com acréscimo de 70 unidades, totalizando 4.090 empresas. Já as grandes empresas, com 250 pessoas ocupadas ou mais, somaram 1.285 unidades, após aumento de 46 estabelecimentos, ou 3,7%.

Distribuição por porte das empresas na Bahia em 2024

  • Microempresas: 485.477 unidades, 92,9% do total;
  • Pequenas empresas: 31.909 unidades, 6,1%;
  • Médias empresas: 4.090 unidades, 0,8%;
  • Grandes empresas: 1.285 unidades, 0,2%.

Pessoal ocupado aumenta, mas crescimento fica abaixo da média nacional

A expansão do número de unidades locais foi acompanhada pelo aumento do pessoal ocupado no setor empresarial baiano. Entre 2023 e 2024, o total de pessoas ocupadas passou de 3.139.183 para 3.220.966, alta de 2,6%, equivalente a 81.783 trabalhadores adicionais.

O crescimento absoluto da ocupação empresarial na Bahia foi o 9º maior do país. Os maiores saldos ocorreram em São Paulo, com 486.113 trabalhadores a mais; Minas Gerais, com 204.250; e Rio de Janeiro, com 152.106.

No Brasil, o pessoal ocupado nas unidades locais de empresas formais cresceu 3,1%, passando de 65.962.128 para 68.039.600 pessoas. Assim como ocorreu no número de unidades empresariais, o indicador de ocupação avançou em todos os estados, mas a Bahia também ficou abaixo do ritmo médio nacional nesse recorte.

Salário médio cresce em valor nominal, mas perde força em salários mínimos

Em 2024, o salário médio mensal pago aos trabalhadores assalariados do setor empresarial na Bahia foi de R$ 3.138,05. O valor representa alta nominal de 3,7% em relação a 2023, quando a média era de R$ 3.026,21. A variação, contudo, não considera o efeito da inflação.

Apesar do crescimento em reais, a remuneração média expressa em salários mínimos recuou levemente. Em 2023, o salário médio correspondia a 2,3 salários mínimos; em 2024, passou para 2,2 salários mínimos. O dado indica que a elevação nominal não foi suficiente para melhorar a posição relativa da remuneração no mercado de trabalho baiano.

A distância em relação ao Brasil permaneceu significativa. Enquanto o salário médio mensal nacional foi de R$ 3.932,44, a média baiana ficou 20,2% abaixo desse patamar. O estado tinha, em 2024, o 6º menor salário médio empresarial do país, uma posição pior que a de 2023, quando ocupava o 7º lugar entre as menores remunerações.

Nordeste concentra os menores salários médios empresariais

Os maiores salários médios mensais do setor empresarial em 2024 foram registrados no Distrito Federal, com R$ 5.805,20; em São Paulo, com R$ 4.598,40; e no Rio de Janeiro, com R$ 4.407,31. Na outra ponta, os menores valores ocorreram em Alagoas, com R$ 2.771,87; Ceará, com R$ 2.944,91; e Paraíba, com R$ 3.003,29.

A Bahia, embora tenha uma das maiores bases empresariais do país, permaneceu entre os estados de remuneração mais baixa. O dado reforça uma contradição estrutural: a expansão do número de empresas e trabalhadores não se converteu, na mesma proporção, em salários mais elevados.

Todos os nove estados do Nordeste ocuparam as últimas posições no ranking nacional de remuneração empresarial. Essa concentração regional revela um desafio persistente para políticas de desenvolvimento econômico: ampliar não apenas o número de empresas e empregos, mas também a produtividade, a qualificação profissional e a capacidade de geração de renda.

Outras atividades de serviços lideram crescimento de empresas

Entre 2023 e 2024, o aumento de 23.976 unidades locais de empresas ativas na Bahia foi sustentado por crescimento em 19 das 20 seções da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) presentes no estado.

O maior avanço absoluto e relativo ocorreu em outras atividades de serviços, segmento que inclui organizações associativas, como sindicatos e entidades de defesa de direitos sociais, além de empresas de reparo e manutenção de equipamentos de informática e bens de uso doméstico. O setor ganhou 7.744 unidades locais, alta de 16,1%, e chegou a 55.817 unidades em 2024.

A única seção com saldo negativo foi educação, que perdeu 4.069 unidades ativas entre 2023 e 2024, retração de 17,4%. O dado exige atenção, pois envolve um setor sensível para formação profissional, qualificação da força de trabalho e sustentação de ganhos futuros de produtividade.

Saúde humana e serviços sociais lideram geração de ocupação

No recorte de pessoal ocupado, o segmento que mais contribuiu para o avanço geral foi o de saúde humana e serviços sociais. Entre 2023 e 2024, essa atividade adicionou 18.199 trabalhadores, crescimento de 6,8%, e alcançou 287.467 pessoas ocupadas na Bahia.

O desempenho confirma a força do setor de saúde na absorção de trabalhadores e sua relevância para a economia de serviços. Também indica a ampliação da demanda por atividades ligadas ao cuidado, à assistência e à prestação de serviços sociais, em um contexto de transformações demográficas e pressão crescente sobre redes públicas e privadas.

A expansão do emprego nesse segmento, contudo, precisa ser acompanhada por avaliação sobre a qualidade dos postos de trabalho, a remuneração média, a distribuição regional dos serviços e a capacidade de atendimento à população. Em setores de alta relevância social, crescimento quantitativo não substitui a necessidade de estrutura, financiamento e qualificação.

Atividades financeiras pagam os maiores salários; atividades imobiliárias, os menores

O maior salário médio mensal do setor empresarial baiano em 2024 foi registrado em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com remuneração média de R$ 7.665,92. O segmento empregava 25.385 assalariados no estado.

Na sequência, apareceram eletricidade e gás, com salário médio de R$ 7.605,25, e indústrias extrativas, com R$ 6.857,73. Esses setores, em geral, combinam maior intensidade de capital, exigência técnica e menor volume relativo de trabalhadores quando comparados a atividades mais intensivas em mão de obra.

Na ponta inferior da remuneração estava o setor de atividades imobiliárias, com salário médio mensal de R$ 1.765,90. A diferença entre os segmentos revela elevada heterogeneidade interna no mercado empresarial baiano, em que setores de maior especialização convivem com atividades de baixa remuneração média.

Expansão empresarial e baixa remuneração formam o principal contraste da economia baiana

Os dados do CEMPRE 2024 mostram que a Bahia preservou uma base empresarial robusta, com liderança regional e presença entre os maiores mercados formais do país. A ampliação de unidades locais e de pessoal ocupado confirma dinamismo econômico, especialmente entre microempresas e atividades de serviços.

O ponto sensível está na qualidade dessa expansão. A predominância de empresas com até 9 pessoas ocupadas ajuda a explicar por que o crescimento no número de estabelecimentos não produz, necessariamente, avanço proporcional no emprego assalariado e na remuneração média. Pequenos negócios são fundamentais para a capilaridade econômica, mas costumam operar com menor escala, menor produtividade e capacidade limitada de pagar salários mais elevados.

A retração no número de unidades empresariais de educação, a concentração dos menores salários no Nordeste e a permanência da Bahia entre os estados de menor remuneração empresarial indicam que o crescimento quantitativo precisa ser acompanhado de políticas voltadas à produtividade, qualificação, inovação, crédito, formalização sustentável e fortalecimento de setores capazes de gerar empregos de maior valor agregado.

Crescimento empresarial baiano exige acompanhamento sobre renda, produtividade e qualidade do emprego

Os dados do CEMPRE 2024 permite concluir que a Bahia avançou em volume empresarial e ocupação, mas ainda enfrenta entraves estruturais para converter expansão formal em melhora consistente da renda do trabalho. O estado conserva posição estratégica no Norte-Nordeste e relevância nacional, porém a distância salarial em relação à média brasileira revela um limite importante do atual padrão de crescimento.

O desempenho das microempresas confirma a vitalidade do empreendedorismo local, mas também expõe a fragilidade de uma economia fortemente apoiada em negócios de pequena escala. Esse perfil amplia a presença empresarial no território, mas tende a produzir menor impacto sobre salários, inovação e produtividade quando não está associado a políticas de crédito, assistência técnica, qualificação profissional e inserção em cadeias produtivas mais complexas.

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