O Boulevard Shopping de Feira de Santana, inaugurado em sexta-feira (23/04/1999) e consolidado como um dos principais centros de compras, serviços, lazer e entretenimento do interior da Bahia, tornou-se referência na economia urbana regional ao reunir comércio varejista, gastronomia, cinema, serviços financeiros, clínicas, torre empresarial, hotel e estrutura de conveniência, em um processo de expansão que acompanhou o crescimento de Feira de Santana e modificou a dinâmica do consumo na cidade, neste domingo (05/07/2026).
Empreendimento nasceu como Shopping Iguatemi e marcou nova etapa do varejo em Feira de Santana
A história do atual Boulevard Shopping de Feira de Santana começa com a inauguração do então Shopping Iguatemi, em 23 de abril de 1999. O empreendimento representou uma inflexão relevante no comércio local, tradicionalmente concentrado no Centro da cidade, ao introduzir um modelo de consumo planejado, climatizado, com estacionamento, lojas âncoras, praça de alimentação e ambiente voltado à permanência prolongada dos consumidores.
Naquele momento, Feira de Santana já exercia papel estratégico como entreposto comercial do interior baiano. A chegada de um shopping center de grande porte reforçou a vocação regional do município, ampliando sua capacidade de atrair consumidores de cidades vizinhas e oferecendo ao varejo local uma estrutura mais próxima dos padrões existentes em capitais e grandes centros urbanos.
A implantação do shopping também ocorreu em um período de expansão urbana e econômica da cidade. O equipamento passou a influenciar o entorno, a mobilidade, a valorização imobiliária e o próprio comportamento de consumo da população. Mais do que um conjunto de lojas, tornou-se um vetor de reconfiguração comercial e urbanística.
De Iguatemi a Boulevard: mudança de nome acompanhou reposicionamento do empreendimento
Em outubro de 2008, o empreendimento deixou de se chamar Shopping Iguatemi e passou a adotar a marca Boulevard Shopping. A alteração de nome não foi apenas uma mudança formal de identidade. Ela integrou um processo de reposicionamento do centro comercial, acompanhado por melhorias estruturais, ampliação do mix de lojas e fortalecimento de sua presença regional.
A mudança de marca marcou uma nova fase administrativa e comercial. O antigo Iguatemi, já reconhecido pela população feirense, passou a operar com identidade própria, associada à ideia de centro de compras, convivência e lazer integrado. Essa transição também reforçou o distanciamento da referência original à marca Iguatemi e consolidou a denominação Boulevard como ativo local.
Do ponto de vista editorial, a mudança de nome é um marco importante porque revela a maturação do empreendimento. O shopping deixou de depender apenas do prestígio de uma marca nacionalmente conhecida e passou a consolidar sua própria identidade na memória urbana de Feira de Santana.
Edson Piaggio, acionistas e presença no portfólio da ALLOS
Entre os nomes ligados à origem do empreendimento, destaca-se o empresário Edson Piaggio, apontado em registros públicos como um dos idealizadores e principal acionista do Shopping Boulevard Feira de Santana. Sua trajetória empresarial está vinculada à implantação do centro comercial e a outros projetos imobiliários e urbanos no município.
A composição acionária detalhada do empreendimento, com percentuais de participação e estrutura societária completa, não aparece de forma ampla em fontes públicas de acesso aberto. O que está documentado é a associação histórica de Edson Piaggio ao shopping e a vinculação institucional do Boulevard Feira ao portfólio da ALLOS, uma das principais plataformas brasileiras de shopping centers, entretenimento, lifestyle, serviços e compras.
Essa dupla dimensão — participação local e integração a uma plataforma nacional do setor — ajuda a explicar a evolução do shopping. De um lado, há a presença de empresários vinculados à história econômica de Feira de Santana. De outro, há a profissionalização da gestão, do mix comercial, da comunicação, da experiência do consumidor e da operação cotidiana em padrões compatíveis com grandes redes do segmento.
Superintendência e gestão profissional do shopping
A gestão do Boulevard Shopping de Feira de Santana passou por diferentes fases, acompanhando ampliações físicas, mudanças de marca, reposicionamento comercial e crescimento da concorrência no varejo regional. Entre os nomes de maior visibilidade está Vivianne Freire Zanelli, que atuou na superintendência do empreendimento e concedeu entrevista ao Jornal Grande Bahia em 1º de agosto de 2011, quando detalhou a expansão do shopping, a ampliação do número de lojas, a reforma da praça de alimentação, a troca de piso e o aumento das vagas de estacionamento.
Na entrevista, Vivianne Freire informou que a ampliação inaugurada em 6 de junho de 2011 agregou 53 pontos de venda, convertidos em 45 operações, com lojas âncoras e marcas até então inéditas em Feira de Santana. Na mesma etapa, a praça de alimentação recebeu mais 200 lugares, mobiliário renovado e melhorias no ambiente, enquanto o estacionamento foi ampliado para cerca de 500 vagas, com dois andares de garagem, incluindo área coberta.
Em julho de 2023, Vivianne Freire retornou à superintendência do Boulevard Feira após período à frente do Boulevard Shopping em Belém do Pará. O retorno foi apresentado como uma nova fase administrativa, com desafios ligados ao fortalecimento da experiência do consumidor, à qualificação do mix de operações e à competição crescente com outros formatos de varejo físico e digital.
Expansões reforçaram vocação regional do empreendimento
Ao longo de sua trajetória, o Boulevard Shopping passou por sucessivas ampliações. Uma das etapas mais relevantes ocorreu em 2011, quando a área comercial cresceu de forma expressiva e novas lojas foram incorporadas ao complexo. Esse movimento ampliou a capacidade de atendimento, diversificou segmentos e fortaleceu a posição do shopping como principal centro comercial estruturado de Feira de Santana.
Registros públicos indicam que, até meados da década de 2010, o empreendimento já havia passado por diversas ampliações, com destaque para a reforma da praça de alimentação, construção de garagens, ampliação de operações e incorporação de novos serviços. Esse processo acompanhou o crescimento demográfico, econômico e imobiliário da cidade.
A expansão não se restringiu ao número de lojas. O Boulevard passou a incorporar funções típicas de um complexo multiuso, reunindo comércio, serviços, hotelaria, salas empresariais, lazer, alimentação, atividades bancárias, saúde e eventos. Essa diversificação ampliou sua relevância para além do varejo tradicional.
Infraestrutura reúne lojas, serviços, torre empresarial e hotel
A infraestrutura do Boulevard Shopping de Feira de Santana é um dos elementos que explicam sua centralidade econômica. O empreendimento dispõe de Área Bruta Locável de 30.275 m², arquitetura predominantemente horizontal e um mix com mais de 170 operações, incluindo grandes redes, franquias, lojas locais, alimentação, serviços e entretenimento.
O complexo também conta com a torre empresarial Multiplace, com 21 pavimentos e mais de 250 salas comerciais, além de auditórios, hotel Ibis, salas de convenção e estrutura voltada a eventos corporativos. Essa configuração amplia a função do shopping, que deixa de ser apenas um centro de compras e passa a operar como equipamento urbano multiuso.
A presença de serviços bancários, caixas eletrônicos, lotérica, clínicas, academia, supermercado, cinema, restaurantes, lojas âncoras e operações especializadas reforça o caráter de conveniência. O consumidor encontra, em um mesmo espaço, compras, lazer, saúde, alimentação, serviços financeiros, atividades profissionais e hospedagem.
Horários, operações e atendimento regional
O Boulevard Shopping mantém funcionamento regular das lojas de segunda a sábado, das 9h às 22h, e aos domingos, das 14h às 20h. A área de alimentação funciona de segunda a sábado, das 9h às 22h, e aos domingos, das 12h às 21h, com horários específicos para operações como supermercado, academia, clínicas, bancos e restaurantes.
A estrutura atende não apenas Feira de Santana, mas também consumidores de dezenas de municípios circunvizinhos. A inserção regional é favorecida pela posição geográfica da cidade, cortada por importantes rodovias e tradicionalmente reconhecida como eixo de circulação de pessoas, mercadorias e serviços no interior baiano.
Esse alcance reforça a relevância do empreendimento para a economia regional. Em datas comemorativas, campanhas promocionais e períodos de maior consumo, o shopping funciona como polo de atração para consumidores de cidades próximas, contribuindo para o fluxo comercial, a geração de empregos e a movimentação de serviços auxiliares.
Sustentabilidade, arquitetura e uso racional de recursos
A arquitetura predominantemente horizontal do Boulevard Shopping favorece a iluminação natural em parte significativa do dia, com impacto sobre o uso racional de energia elétrica. O empreendimento também informa ações de sustentabilidade ligadas à destinação correta de resíduos sólidos e compromisso com práticas de redução de impacto ambiental.
Embora iniciativas ambientais em empreendimentos privados devam ser avaliadas com critérios objetivos e métricas verificáveis, a incorporação de práticas de sustentabilidade tornou-se requisito estratégico para shopping centers modernos. Consumidores, lojistas e investidores passaram a demandar maior responsabilidade ambiental, eficiência energética e gestão adequada de resíduos.
Nesse aspecto, o Boulevard acompanha uma tendência nacional do setor. Centros comerciais deixaram de ser avaliados apenas por volume de vendas e número de lojas. Hoje, infraestrutura, acessibilidade, eficiência operacional, sustentabilidade, segurança, tecnologia e qualidade da experiência são componentes decisivos de competitividade.
Comércio, lazer e mudança no comportamento do consumidor
A consolidação do Boulevard Shopping modificou a relação dos feirenses com o consumo. O shopping oferece ambiente planejado, estacionamento, segurança, climatização, diversidade de lojas, praça de alimentação, cinema e serviços. Esses elementos passaram a competir diretamente com o comércio de rua, especialmente em segmentos dependentes de conforto, conveniência e permanência prolongada.
A força do empreendimento também decorre de sua capacidade de reunir consumo e convivência. Famílias, estudantes, trabalhadores, turistas e moradores de cidades próximas utilizam o espaço para compras, refeições, lazer, encontros sociais, serviços e atividades culturais. Essa multiplicidade de usos amplia o tempo de permanência e fortalece o vínculo do público com o equipamento.
O modelo, contudo, impõe desafios ao comércio tradicional. O Centro de Feira de Santana continua tendo relevância histórica, econômica e popular, mas enfrenta problemas recorrentes de mobilidade, estacionamento, ordenamento urbano, segurança, acessibilidade e conforto. A comparação com a estrutura oferecida pelo shopping evidencia a necessidade de políticas públicas permanentes para qualificar o espaço comercial aberto da cidade.
Empregabilidade e impacto econômico local
A operação do Boulevard Shopping movimenta uma cadeia expressiva de empregos diretos e indiretos. Lojistas, vendedores, atendentes, equipes de alimentação, cinema, segurança, limpeza, manutenção, estacionamento, administração, marketing, logística, saúde, hotelaria e serviços corporativos dependem da circulação cotidiana no empreendimento.
Além dos postos internos, há efeitos indiretos sobre fornecedores, transporte, comunicação visual, publicidade, tecnologia, manutenção predial, serviços de alimentação e produção de eventos. O shopping funciona como núcleo de consumo e também como plataforma de negócios para empresas locais, regionais e nacionais.
Em Feira de Santana, essa contribuição tem peso relevante porque o município possui economia fortemente associada ao comércio e aos serviços. O Boulevard reforça essa vocação, mas também evidencia a importância de diversificar a matriz econômica urbana, integrando varejo, tecnologia, qualificação profissional, planejamento territorial e melhoria da infraestrutura pública.
Boulevard Shopping Feira de Santana tem controle dividido entre Pátria/VBI, Grupo PDK e gestão operacional da ALLOS
A composição acionária e a estrutura de governança do Boulevard Shopping Feira de Santana são divididas de forma estratégica entre fundos de investimento, empreendedores locais históricos e uma grande corporação nacional responsável pela operação do ativo.
A divisão do capital do principal centro de compras de Feira de Santana é estruturada da seguinte forma:
1. Composição de Propriedade (Acionistas)
O controle societário e os direitos sobre a Área Bruta Locável (ABL) do shopping estão distribuídos em duas grandes fatias:
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Pátria / VBI Real Estate (via Fundo Imobiliário MALL11): Detém 29,8% de participação acionária direta no ativo. Essa fatia foi consolidada ao longo de aquisições sucessivas pelo fundo (antigo Genial Malls), cujos direitos de gestão de portfólio de tijolo passaram a ser controlados pela Pátria.iagg
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Empreendedores Locais e Parceiros Originais (Grupo PDK): Detêm os 70,2% restantes da propriedade. O principal representante e sócio local do empreendimento é o empresário Edson Piaggio (através da PDK Empreendimentos Imobiliários S.A.), que participou do desenvolvimento e implantação do shopping desde a sua inauguração, em 1999.
2. Gestão e Administração Econômica
Embora a propriedade esteja dividida conforme os percentuais acima, a operação diária segue um modelo de prestação de serviços terceirizado a um gigante do setor:
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ALLOS (antiga Aliansce Sonae + brMalls): É a empresa responsável exclusiva pela Administração e Comercialização (A/C) do shopping. No portfólio oficial de Relações com Investidores (RI) da ALLOS, o Boulevard Feira aparece listado sob o regime de prestação de serviços operacionais, significando que a companhia detém os direitos de gestão de marcas, contratos de lojistas e expansão do complexo, sem necessariamente possuir participação acionária direta própria em seu balanço patrimonial.
Nota de Contexto: Essa sinergia entre o Grupo PDK e a operadora ALLOS viabilizou projetos integrados recentes no complexo multiuso do shopping, como o lançamento do Boulevard Residence utilizando áreas do estacionamento do próprio empreendimento sob o conceito de “Cidade de 15 Minutos”.
Modernização do varejo regional
A trajetória do Boulevard Shopping de Feira de Santana revela a modernização do varejo regional nas últimas décadas. A inauguração em 1999, ainda como Shopping Iguatemi, simbolizou a chegada de um novo padrão de consumo ao interior da Bahia. A mudança de nome em 2008, as ampliações posteriores e a integração a uma plataforma nacional do setor consolidaram o empreendimento como referência econômica e urbana.
O ponto sensível está no contraste entre a eficiência operacional do shopping e as fragilidades do espaço público comercial. O sucesso de um centro privado estruturado evidencia demanda real por segurança, conforto, mobilidade, estacionamento e organização. Esses atributos, entretanto, não deveriam ser exclusivos de ambientes fechados. O comércio tradicional de Feira de Santana precisa de políticas públicas consistentes para competir em condições mais equilibradas.
A relevância do Boulevard não diminui a importância histórica do Centro da cidade. Ao contrário, reforça uma leitura objetiva: Feira de Santana precisa pensar seu desenvolvimento comercial como sistema integrado. Shopping centers, comércio de rua, bairros comerciais, serviços corporativos, hotelaria, mobilidade urbana e infraestrutura pública devem compor uma mesma estratégia de crescimento. Sem essa visão, a cidade corre o risco de avançar por ilhas de eficiência privada cercadas por deficiências urbanas persistentes.
*A Aliansce Sonae (Allos) foi a maior administradora de shopping centers do Brasil, resultante da fusão entre Aliansce Shopping Centers e Sonae Sierra Brasil, duas das maiores empresas do setor.







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