Brasil aciona OMC contra tarifas dos EUA; Dólar fecha no maior valor em duas semanas e Ibovespa avança após queda do petróleo

O governo brasileiro apresentou, na segunda-feira (27/07/2026), um pedido de consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar duas medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A iniciativa representa a primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da entidade e busca questionar a compatibilidade das tarifas com as normas do comércio internacional.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), as medidas adotadas pelos Estados Unidos são consideradas incompatíveis com o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e com as regras que disciplinam o sistema de solução de controvérsias da OMC.

Enquanto o governo brasileiro formalizava a contestação, o mercado financeiro encerrou o pregão em movimentos distintos. O dólar atingiu o maior valor em duas semanas, a bolsa brasileira registrou alta e o petróleo internacional apresentou forte queda após sinais de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.

Brasil questiona tarifas impostas pelos Estados Unidos na OMC

Segundo o Itamaraty, uma das medidas contestadas impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação específica conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Durante essa investigação, foram analisados temas relacionados ao comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, legislação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

A segunda medida decorreu de uma investigação envolvendo 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Nesse processo, os Estados Unidos examinaram a existência e a aplicação de restrições à importação de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado.

Pedido de consultas inicia processo formal de solução de controvérsias

O pedido de consultas representa a primeira fase do sistema de solução de controvérsias da OMC, etapa em que os países buscam negociar uma solução antes da eventual criação de um painel responsável por analisar o caso.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o objetivo da iniciativa é contestar a legalidade das medidas tarifárias norte-americanas à luz das normas multilaterais de comércio.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as novas tarifas deverão atingir US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. A sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Máquinas, madeira, calçados e móveis estão entre os produtos atingidos

Conforme o MDIC, entre os setores afetados pelas tarifas estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

O governo brasileiro argumenta que as medidas norte-americanas criam restrições incompatíveis com os compromissos internacionais assumidos pelos Estados Unidos perante a OMC.

O desdobramento do processo dependerá das consultas entre os dois países e, caso não haja entendimento, poderá resultar na abertura de um painel de especialistas para julgamento da disputa comercial.

Dólar sobe e alcança maior cotação em duas semanas

No mercado financeiro, o dólar à vista encerrou a segunda-feira (27/07/2026) vendido a R$ 5,113, com alta de 0,62%, registrando o maior patamar desde o último dia 13.

Apesar da valorização diária, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 0,98% em julho e recuo de 6,86% em 2026.

Segundo o mercado, a valorização do dólar foi influenciada principalmente pela queda superior a 6% no preço internacional do petróleo, fator que reduz a atratividade do real por impactar os termos de troca de um país exportador da commodity. Os investidores também acompanharam a expectativa pela reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) e os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Ibovespa avança com apoio de bancos e mineradoras

Na bolsa brasileira, o Ibovespa subiu 0,74%, encerrando o pregão aos 175.334 pontos, com volume financeiro de R$ 19,2 bilhões.

O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelas ações de bancos e mineradoras, que compensaram a queda dos papéis ligados ao setor de petróleo.

O mercado também reagiu ao anúncio de uma pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã, aumentando as expectativas de retomada das negociações diplomáticas e reduzindo temporariamente a percepção de risco nos mercados internacionais.

Petróleo registra forte queda após sinais de trégua entre Estados Unidos e Irã

Os contratos internacionais de petróleo encerraram o dia em forte baixa.

O Brent, referência para a Petrobras, caiu 6,33%, fechando cotado a US$ 85,87 por barril, enquanto o WTI, referência do mercado norte-americano, recuou 7,50%, para US$ 82,61 por barril.

A retração ocorreu após declarações indicando uma pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade de retomada das negociações diplomáticas. Apesar da queda nas cotações, o mercado continua monitorando a situação no Oriente Médio, especialmente as condições de navegação no Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o transporte mundial de petróleo.

*Com informações da Agência Brasil.


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