O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, proposta no âmbito da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Paralelamente às tratativas diplomáticas, o Brasil encaminhou um documento oficial contestando os argumentos apresentados pelas autoridades norte-americanas e defendendo a manutenção do diálogo bilateral.
A resposta brasileira, assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi enviada na quarta-feira (01/07/2026). No documento de 29 páginas, o governo argumenta que a adoção de tarifas amplas elevaria custos para empresas e consumidores dos próprios Estados Unidos, além de prejudicar uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países.
Enquanto isso, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) confirmou, na quinta-feira (02/07/2026), uma nova rodada de negociações com representantes norte-americanos. O objetivo é buscar uma solução consensual antes do prazo estabelecido pelo governo dos EUA para eventual adoção das medidas comerciais.
Brasil afirma que tarifa prejudicaria empresas e consumidores dos EUA
Segundo o Itamaraty, o tarifaço teria impactos diretos sobre a economia norte-americana, já que diversos produtos brasileiros não possuem substitutos produzidos internamente nos Estados Unidos.
O documento cita manifestações de 43 empresas e associações comerciais norte-americanas, que solicitaram a exclusão de determinados produtos das tarifas por considerarem que os custos seriam repassados às indústrias e aos consumidores dos Estados Unidos.
Para o governo brasileiro, a adoção das medidas reduziria o espaço para negociações e comprometeria uma relação comercial construída ao longo de décadas entre os dois países.
Documento rebate críticas ao Pix e às decisões do Supremo Tribunal Federal
Na resposta ao USTR, o Brasil também contestou a alegação de que o Pix discriminaria empresas norte-americanas.
O governo destacou que empresas dos Estados Unidos, como Visa e Google Pay Brasil, operam dentro da infraestrutura do sistema de pagamentos instantâneos, argumentando que isso demonstra a inexistência de tratamento discriminatório.
Outro ponto abordado refere-se às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo plataformas digitais. O Itamaraty afirmou que as decisões judiciais seguem a legislação brasileira e não representam restrições específicas a empresas estrangeiras, ressaltando que qualquer companhia que atue em outro país deve cumprir as normas locais.
Brasil também responde a críticas sobre comércio, etanol e meio ambiente
O documento encaminhado aos Estados Unidos contesta ainda os argumentos relacionados ao combate à corrupção, propriedade intelectual, acordos comerciais com México e Índia, mercado de etanol e políticas ambientais.
Segundo o governo brasileiro, os acordos comerciais firmados seguem as regras internacionais e não configuram práticas comerciais desleais.
Na área ambiental, o Itamaraty ressaltou o fortalecimento das ações de monitoramento e combate ao desmatamento ilegal, lembrando que o próprio relatório norte-americano reconhece a existência de uma estrutura legal brasileira voltada à fiscalização ambiental.
Negociações entram em fase decisiva antes do prazo de 15 de julho
Após reunião realizada entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, os dois governos decidiram ampliar o diálogo por meio de reuniões técnicas previstas para o início da próxima semana.
Esta foi a quinta reunião de alto nível entre representantes brasileiros e norte-americanos desde o início das negociações sobre a investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.
Márcio Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro trabalha para construir um entendimento antes do prazo final de quarta-feira (15/07/2026), mas ressaltou que temas relacionados à soberania nacional não fazem parte das negociações.
Brasil amplia agenda econômica e busca diversificação comercial
Durante evento realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, o ministro destacou que o Brasil permanece comprometido com o diálogo e com o fortalecimento do comércio internacional.
Segundo ele, o país abriu 640 novos mercados internacionais nos últimos três anos e avançou em negociações envolvendo acordos comerciais com parceiros como União Europeia, Canadá, Singapura e Japão.
O governo também informou que apresentou aos Estados Unidos propostas de cooperação no combate ao crime organizado transnacional, lavagem de dinheiro, imigração irregular e fortalecimento da cooperação entre órgãos de inteligência dos dois países.
*Com informações da Agência Brasil e Sputnik News.







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