Nesta sexta-feira, 17/07/2026, a Copa do Mundo da FIFA 2026 entra em seu último fim de semana com duas partidas decisivas nos Estados Unidos: França e Inglaterra disputam o terceiro lugar no sábado (18), às 18h, no Estádio de Miami, enquanto Espanha e Argentina se enfrentam no domingo (19), às 16h, no Estádio de Nova York–Nova Jersey, em East Rutherford. A final reúne, pela primeira vez, os atuais campeões da Europa e da América do Sul em uma decisão mundial e coloca frente a frente a invencibilidade espanhola e a campanha perfeita da seleção argentina.
Espanha e Argentina fazem final inédita da Copa do Mundo
A decisão entre Espanha e Argentina será a 104ª e última partida da primeira Copa do Mundo disputada por 48 seleções. O confronto também corresponderá à 22ª final da história, uma vez que a edição de 1950 foi decidida por um quadrangular final, sem uma partida formalmente classificada como decisão.
Será ainda a 12ª final entre uma seleção da UEFA e outra da Conmebol. O duelo reúne a Espanha, campeã europeia em 2024, e a Argentina, vencedora da Copa América de 2024 e atual detentora do título mundial conquistado no Catar, em 2022.
O retrospecto reforça o equilíbrio. As duas seleções se enfrentaram 14 vezes, com seis vitórias para cada lado e dois empates. O único encontro em Copas do Mundo ocorreu há 60 anos, na fase de grupos da edição de 1966, na Inglaterra, quando os argentinos venceram por 2 a 1.
Espanha chega invicta e sustentada pela melhor defesa
A Espanha alcançou a final com seis vitórias e um empate, apenas um gol sofrido e seis partidas sem ser vazada. A equipe estreou com um empate sem gols diante de Cabo Verde, mas construiu uma sequência de resultados sustentada pela capacidade de controlar a posse de bola, limitar as ações ofensivas dos adversários e manter regularidade durante as fases eliminatórias.
A campanha defensiva estabeleceu uma marca histórica. Na vitória por 1 a 0 sobre Portugal, nas oitavas de final, o goleiro Unai Simón completou seis jogos consecutivos sem sofrer gols e superou o recorde anteriormente pertencente ao italiano Walter Zenga. Nas quartas, a seleção espanhola eliminou a Bélgica por 2 a 1, antes de vencer a França por 2 a 0 na semifinal, com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro.
Sob o comando de Luis de la Fuente, a equipe espanhola procura conquistar seu segundo título mundial. A primeira taça foi obtida em 2010, na África do Sul, com vitória por 1 a 0 sobre os Países Baixos, após prorrogação.
A seleção também pode ampliar para 38 partidas sua sequência sem derrota no tempo regulamentar ou na prorrogação. A série atual alcançou 37 jogos, marca que a coloca ao lado da Itália entre as maiores sequências registradas no futebol de seleções. O levantamento considera como empate a decisão por pênaltis perdida para Portugal na Liga das Nações de 2025.
Rodri, Oyarzabal e Lamine Yamal comandam geração espanhola
O meio-campista Rodri representa o principal eixo de organização da Espanha. Sua função combina recuperação de bola, controle do ritmo e distribuição das jogadas, fatores que permitem à equipe manter seus adversários afastados da área defensiva durante períodos prolongados.
Na linha defensiva, o jovem Pau Cubarsí integra uma estrutura que se destacou pela compactação entre os setores. A equipe chega à final com a melhor campanha defensiva da competição e com apenas um gol sofrido em sete partidas.
No ataque, Mikel Oyarzabal marcou cinco gols e participou diretamente de sete jogadas que terminaram em gol antes da semifinal. O atacante busca reduzir a distância para David Villa, maior goleador espanhol em Copas do Mundo, com nove gols.
Lamine Yamal, por sua vez, tornou-se um dos símbolos da nova geração espanhola. Sua capacidade de atuar pelos lados do campo, acelerar transições e criar situações individuais amplia as alternativas ofensivas de uma seleção cuja principal característica permanece sendo o controle coletivo da partida.
Argentina chega à decisão com sete vitórias
A Argentina disputa sua sétima final de Copa do Mundo com uma campanha de sete vitórias em sete partidas. A equipe marcou 19 gols, melhor desempenho ofensivo entre as seleções classificadas para a decisão, e avançou mesmo após enfrentar dificuldades em diferentes fases eliminatórias.
A seleção comandada por Lionel Scaloni iniciou a fase de grupos com resultados que confirmaram sua condição de uma das favoritas. No mata-mata, porém, precisou reagir diante do Egito, após sofrer dois gols, e voltou a demonstrar capacidade de recuperação na semifinal contra a Inglaterra.
Na partida realizada na quarta-feira (15), em Atlanta, os ingleses abriram o placar aos 55 minutos, com Anthony Gordon. A Argentina empatou aos 85, por intermédio de Enzo Fernández, e marcou o gol da classificação aos 90 minutos e dois segundos, quando Lautaro Martínez aproveitou assistência de Lionel Messi para estabelecer o placar de 2 a 1.
A equipe tentará conquistar o tetracampeonato mundial, após os títulos de 1978, 1986 e 2022. Uma nova vitória colocaria a Argentina ao lado de Alemanha e Itália, ambas com quatro conquistas, atrás apenas do Brasil, que permanece como maior campeão, com cinco taças.
Caso vença, a Albiceleste também poderá tornar-se a primeira seleção a obter oito vitórias em uma única edição. A marca é possível em razão da ampliação da Copa para 48 participantes e da criação da fase de 32 avos de final, que aumentou de sete para oito o número máximo de partidas de um finalista.
Argentina tenta repetir feito de Itália e Brasil
O título colocaria a Argentina em um grupo restrito de seleções que conseguiram defender a conquista mundial. Até hoje, somente a Itália, campeã em 1934 e 1938, e o Brasil, vencedor em 1958 e 1962, conquistaram duas edições consecutivas da Copa do Mundo.
A seleção argentina também alcança sua segunda final consecutiva pela segunda vez na história. O país já havia disputado as decisões de 1986, quando venceu a Alemanha Ocidental, e de 1990, quando perdeu para o mesmo adversário.
O desempenho evidencia a continuidade do ciclo iniciado por Scaloni após a Copa de 2018. Desde então, a Argentina conquistou a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo do Catar e a Copa América de 2024, além de assegurar presença em uma nova decisão mundial.
Lionel Messi amplia recordes em sua terceira final
A final em Nova Jersey será a terceira disputada por Lionel Messi em Copas do Mundo. O argentino esteve na derrota para a Alemanha, em 2014, e liderou a conquista diante da França, em 2022. Com isso, igualará o brasileiro Cafu, presente nas decisões de 1994, 1998 e 2002.
Messi também ampliará para 34 partidas seu recorde de jogos disputados em Mundiais. Antes da final, o camisa 10 soma oito gols e quatro assistências nesta edição, desempenho que elevou seus números históricos para 21 gols e 13 assistências na competição.
Com oito gols em 2026, o atacante lidera a disputa pela Chuteira de Ouro, seguido por Kylian Mbappé. Sua atuação contra a Inglaterra foi determinante para a classificação argentina, principalmente pela assistência para o gol de Lautaro Martínez nos acréscimos.
A decisão também estabelecerá o primeiro confronto entre Messi e Lamine Yamal no futebol profissional. O duelo acrescenta um componente geracional à partida: de um lado, o jogador que acumulou os principais recordes individuais da competição; do outro, uma das maiores revelações do futebol europeu.
Histórico das finais reúne 80 gols
Nas 21 finais formalmente disputadas entre 1930 e 2022, foram marcados 80 gols, média aproximada de 3,8 por partida. O levantamento não inclui o jogo entre Uruguai e Brasil em 1950, conhecido como Maracanazo, porque aquela edição foi decidida por um quadrangular final.
Três decisões chegaram à disputa por pênaltis: Brasil x Itália, em 1994; Itália x França, em 2006; e Argentina x França, em 2022. Outras cinco terminaram durante a prorrogação: Itália x Tchecoslováquia, em 1934; Inglaterra x Alemanha Ocidental, em 1966; Argentina x Países Baixos, em 1978; Espanha x Países Baixos, em 2010; e Alemanha x Argentina, em 2014.
O Brasil lidera o ranking de campeões, com cinco títulos. Alemanha e Itália aparecem com quatro, enquanto Argentina tem três. A Alemanha permanece como a seleção com mais finais disputadas, com oito participações.
França e Inglaterra disputam o terceiro lugar em Miami
Antes da final, França e Inglaterra se enfrentam no sábado (18), às 18h, no Estádio de Miami. Será o quarto encontro entre as seleções em Copas do Mundo e a 11ª disputa de terceiro lugar entre duas equipes europeias.
A Inglaterra apresenta vantagem no retrospecto geral, com 17 vitórias, diante de dez triunfos franceses. Em Mundiais, os ingleses venceram os confrontos de 1966 e 1982, enquanto a França ganhou por 2 a 1 nas quartas de final da Copa de 2022.
As duas seleções chegam ao confronto após derrotas nas semifinais. A França foi superada pela Espanha por 2 a 0, em Dallas. A Inglaterra, por sua vez, perdeu para a Argentina por 2 a 1, após sofrer dois gols nos minutos finais.
França busca a terceira medalha de bronze
A França encerra sua campanha com seis vitórias e uma derrota, quatro gols sofridos e uma das defesas mais eficientes da Copa. A seleção procura conquistar sua terceira medalha de bronze, depois dos terceiros lugares obtidos em 1958 e 1986.
A equipe comandada por Didier Deschamps também disputou o jogo pelo terceiro lugar em 1982, quando foi derrotada pela Polônia. Uma vitória em Miami elevaria para três o número de triunfos franceses nesse tipo de confronto, embora a Alemanha permaneça como recordista, com quatro terceiros lugares.
Kylian Mbappé chega à partida com oito gols na edição e a possibilidade de recuperar a liderança da artilharia. O atacante soma 20 gols em Copas do Mundo, maior marca da história da seleção francesa no torneio.
Deschamps alcançará 27 partidas como treinador em Copas do Mundo, ampliando o recorde absoluto da função. O francês comandou sua seleção nas edições de 2014, 2018, 2022 e 2026, com um título, um vice-campeonato e presença entre os quatro primeiros em três torneios consecutivos.
Inglaterra tenta conquistar bronze pela primeira vez
A Inglaterra disputará o terceiro lugar pela terceira vez. A seleção perdeu para a Itália em 1990 e para a Bélgica em 2018 e busca, portanto, sua primeira medalha de bronze em Copas do Mundo.
Uma vitória representaria o segundo melhor resultado inglês na competição, atrás apenas do título de 1966, conquistado em casa. A campanha confirma a presença frequente da equipe nas fases finais dos principais torneios, embora o país ainda procure encerrar o intervalo de seis décadas sem levantar a taça mundial.
Harry Kane soma seis gols na edição de 2026 e 14 em Copas do Mundo. O atacante igualou sua marca da Rússia 2018, quando terminou como artilheiro, e terá em Miami uma última oportunidade para superar seu melhor desempenho em uma única edição.
O goleiro Jordan Pickford completará 20 partidas em Mundiais e ampliará o recorde entre jogadores ingleses. Sua presença regular desde a Copa de 2018 acompanha o período no qual a Inglaterra alcançou duas semifinais mundiais em três edições.
Linha do tempo da reta final da Copa do Mundo 2026
- 1966: Argentina vence a Espanha por 2 a 1 no único confronto entre as seleções em uma Copa do Mundo.
- 1978: Argentina conquista seu primeiro título mundial ao derrotar os Países Baixos na prorrogação.
- 1986: Argentina vence a Alemanha Ocidental e obtém o segundo título; França termina em terceiro lugar.
- 1990: Inglaterra perde para a Itália na primeira disputa inglesa pelo terceiro lugar.
- 2010: Espanha vence os Países Baixos por 1 a 0 e conquista sua primeira Copa do Mundo.
- 2018: França torna-se bicampeã mundial; Inglaterra perde para a Bélgica na disputa pelo bronze.
- 2022: Argentina conquista o terceiro título ao vencer a França nos pênaltis; os franceses eliminam a Inglaterra nas quartas de final.
- 14/07/2026: Espanha vence a França por 2 a 0 e garante vaga na decisão.
- 15/07/2026: Argentina derrota a Inglaterra por 2 a 1, de virada, e avança à final.
- 18/07/2026: França e Inglaterra disputam o terceiro lugar, às 18h, no Estádio de Miami.
- 19/07/2026: Espanha e Argentina decidem o título, às 16h, no Estádio de Nova York–Nova Jersey.
A final contrapõe duas formas eficientes de controle do jogo. A Espanha construiu sua campanha por meio da circulação de bola, da ocupação racional dos espaços e da melhor defesa da competição. A Argentina apresentou maior produção ofensiva e capacidade de reagir em situações adversas, especialmente nas fases eliminatórias. O resultado dependerá da capacidade espanhola de limitar Messi e os movimentos de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, ao mesmo tempo que a defesa argentina precisará conter as acelerações de Lamine Yamal e a presença de Oyarzabal na área.
A disputa pelo terceiro lugar possui menor peso esportivo que a final, mas reúne elementos relevantes para os ciclos de França e Inglaterra. Os franceses procuram confirmar sua continuidade entre as principais seleções do mundo, enquanto os ingleses tentam transformar a regularidade em fases decisivas em um resultado que interrompa o histórico de derrotas nas disputas pelo bronze. O desempenho de Mbappé e Kane também poderá alterar a classificação final da artilharia.
O último fim de semana definirá se a Espanha retomará o título após 16 anos ou se a Argentina estabelecerá uma das sequências mais expressivas da história recente do futebol de seleções, com dois títulos mundiais consecutivos. A decisão também consolidará novos recordes individuais e coletivos, enquanto França e Inglaterra encerrarão campanhas que mantiveram ambas entre as quatro melhores equipes da primeira Copa do Mundo disputada com 48 participantes.








Deixe um comentário