O deputado estadual Bobô (PCdoB) criticou, nesta quarta-feira (01/07/2026), a Prefeitura de Salvador, sob a liderança do prefeito Bruno Reis (União Brasil), pela condução da obra da Escola Municipal do Curralinho, unidade anunciada para atender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A manifestação ocorreu após a gestão do prefeito Bruno Reis rescindir o contrato anterior sem entregar o equipamento e voltar a contratar a Nordeste Engenharia, mesma empresa responsável pela construção, agora por mais R$ 6,75 milhões. Segundo os dados apresentados, a obra recebeu R$ 9,6 milhões da União, teve contrato inicial de cerca de R$ 12 milhões, passou por aditivos, alcançou R$ 16,28 milhões, registrou mais de R$ 12,5 milhões pagos pela administração municipal e, com a nova contratação, supera R$ 19 milhões em recursos destinados à unidade.
Deputado questiona recontratação da mesma empresa
A crítica de Bobô tem como eixo central a decisão da Prefeitura de Salvador de contratar novamente a Nordeste Engenharia depois da rescisão do contrato anterior. Para o parlamentar, a medida amplia dúvidas sobre a gestão administrativa, a execução financeira e a efetiva prioridade conferida à política pública de educação inclusiva na capital baiana.
“A crueldade do grupo de ACM Neto e Bruno Reis não tem precedentes. Criaram uma enorme expectativa na comunidade dos familiares e amigos das pessoas autistas com uma unidade que simplesmente não se concretizou. A obra foi abandonada”, afirmou o deputado estadual.
Escola foi anunciada como referência para alunos com TEA
A Escola Municipal do Curralinho foi anunciada em 2021 como um equipamento voltado ao atendimento especializado de crianças com Transtorno do Espectro Autista. A proposta previa salas climatizadas, estrutura acessível, piscina, quadra, refeitório, espaços de apoio e a instalação da sede da Associação dos Amigos do Autista da Bahia (AMA-BA), atualmente localizada em Patamares.
A ordem de serviço da obra foi assinada em janeiro de 2022 pelo prefeito Bruno Reis, em cerimônia que contou com a presença do ex-ministro João Roma, hoje pré-candidato ao Senado. A formalização do projeto criou expectativa entre familiares, entidades ligadas ao autismo e setores que acompanham a oferta de educação inclusiva em Salvador.
Pelo desenho anunciado, a unidade teria relevância social e educacional por reunir atendimento especializado, acessibilidade física e apoio institucional a estudantes com TEA. A não conclusão da obra, portanto, não se limita a uma controvérsia contratual: afeta diretamente uma política pública sensível, voltada a crianças que demandam acompanhamento pedagógico e estrutura adequada.
Valores pagos, aditivos e nova contratação
De acordo com os dados apresentados, a obra recebeu R$ 9,6 milhões da União, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O contrato inicial, estimado em cerca de R$ 12 milhões, passou por aditivos e chegou a R$ 16,28 milhões.
Ainda conforme as informações fornecidas, a Prefeitura de Salvador já pagou mais de R$ 12,5 milhões à empresa responsável pela construção. Apesar disso, a unidade não foi entregue à população.
Com a nova contratação da Nordeste Engenharia por mais R$ 6,75 milhões, o valor total destinado à Escola Municipal do Curralinho ultrapassa R$ 19 milhões. Esse montante tornou-se o principal ponto de questionamento político, administrativo e fiscalizador levantado por Bobô.
Parlamentar aponta dúvidas sobre gestão do contrato
Para Bobô, a recontratação da mesma empresa responsável pela obra anterior exige explicações públicas. O deputado sustenta que a Prefeitura pagou valores elevados, não entregou a escola, rescindiu o contrato e, posteriormente, voltou a contratar a mesma construtora.
“A Prefeitura pagou milhões, não entregou a escola, rescindiu o contrato e agora contrata novamente a mesma empresa. Infelizmente, essa gestão demonstrou que dar atenção a quem precisa não é sua prioridade”, declarou.
A crítica do parlamentar concentra-se na coerência administrativa da medida. A recontratação, segundo ele, reforça a necessidade de esclarecimentos sobre a execução da obra, os pagamentos realizados, os motivos da rescisão anterior, os critérios da nova contratação e o cronograma efetivo para entrega da unidade.
Interesse público envolve educação inclusiva e controle de gastos
A recontratação da Nordeste Engenharia pela Prefeitura de Salvador, após a rescisão do contrato anterior e sem entrega da Escola Municipal do Curralinho, coloca a gestão municipal diante de uma cobrança objetiva: explicar por que a mesma empresa foi novamente escolhida, quais etapas da obra foram efetivamente executadas, como se justificam os valores pagos e quando a unidade será entregue às crianças com TEA.
A obra da Escola Municipal do Curralinho reúne dois pontos de evidente interesse público: a política de inclusão educacional para crianças com TEA e o controle da aplicação de recursos públicos. A soma de repasses federais, aditivos contratuais, pagamentos já realizados e nova contratação exige transparência sobre a execução física e financeira do empreendimento.
A relevância social do caso é ampliada porque o equipamento foi anunciado como referência para um público que depende de estrutura pedagógica especializada, acessibilidade e continuidade no atendimento. Para famílias de crianças autistas, a demora na entrega pode representar perda de oportunidade educacional, atraso em apoio multidisciplinar e frustração de uma política pública aguardada desde 2021.








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