Deputado Rosemberg rebate ACM Neto sobre obras hídricas no semiárido e cita R$ 6,7 bilhões investidos pela Embasa

O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), rebateu, neste domingo (12/07/2026), declarações do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo do Estado ACM Neto (União Brasil) sobre a infraestrutura hídrica do semiárido baiano. O parlamentar citou adutoras, barragens, sistemas integrados de abastecimento e investimentos realizados pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) para contestar a afirmação de que os governos petistas não teriam iniciado e concluído grandes obras destinadas à segurança hídrica da região.

Declaração de ACM Neto provoca reação governista

O embate começou após ACM Neto participar, na sexta-feira (10/07/2026), da 35ª Festa do Interior, em Casa Nova, no norte da Bahia. Durante o evento, o pré-candidato afirmou que os governos do PT não teriam começado e concluído, ao longo de aproximadamente 20 anos, uma grande barragem ou adutora no semiárido.

“Quando a gente olha para os 20 anos de governo do PT e vê o semiárido, não há nenhuma grande obra de barragem ou de adutora que tenha sido começada e concluída nesse período”, afirmou ACM Neto.

O ex-prefeito defendeu uma política estadual baseada na ampliação de barragens, adutoras, sistemas integrados de abastecimento, perímetros irrigados, assistência técnica e linhas de crédito para pequenos produtores. Também relacionou a oferta regular de água ao fortalecimento da agricultura familiar, da fruticultura irrigada e da economia dos municípios sertanejos.

A manifestação não foi isolada. Em 04/07/2026, durante a Festa do Vaqueiro, em Curaçá, ACM Neto já havia declarado que não identificava uma grande obra hídrica iniciada e concluída durante as administrações petistas. Na ocasião, também criticou o aproveitamento do Rio São Francisco e defendeu investimentos em irrigação, integração regional e infraestrutura rural.

Rosemberg acusa oposição de ignorar obras realizadas

Rosemberg Pinto afirmou que as declarações não correspondem aos registros das obras executadas nas últimas duas décadas. Segundo o governista, o discurso da oposição desconsidera sistemas de abastecimento implantados em áreas historicamente atingidas pela seca.

“Quem visita o interior apenas em período eleitoral deveria, antes de discursar, conhecer as obras realizadas. Falar que nada foi feito é desrespeitar os fatos e a inteligência dos baianos”, declarou Rosemberg.

O parlamentar mencionou a Adutora do Sisal, associada ao sistema de Pedras Altas; o Sistema Adutor do Algodão, que capta água no Rio São Francisco e atende municípios das regiões de Guanambi e Caetité; e a Adutora do São Francisco, destinada ao abastecimento da microrregião de Irecê.

Documentos do Governo da Bahia publicados em 2013 registram a conclusão das adutoras do Algodão, de Pedras Altas e do São Francisco durante governos petistas. Os mesmos registros relacionam esses empreendimentos a um conjunto de ações estruturantes destinadas a enfrentar os efeitos da seca em municípios do interior.

Adutora do São Francisco atende região de Irecê

A Adutora do São Francisco foi executada pela Embasa com investimento informado de R$ 178 milhões. O sistema possui aproximadamente 132 quilômetros de extensão, desde a captação em Xique-Xique, e foi projetado para atender cerca de 350 mil moradores de 16 municípios da microrregião de Irecê.

Em abril de 2013, seis municípios já recebiam água exclusivamente pelo novo sistema, enquanto outras cidades e localidades estavam em processo de integração. A estrutura permitiu ampliar a oferta de água captada no Rio São Francisco em uma área submetida a prolongados períodos de estiagem e racionamento.

O Sistema Adutor do Algodão, por sua vez, passou a transportar água do Rio São Francisco para municípios como Malhada, Iuiu, Palmas de Monte Alto, Candiba, Pindaí, Matina, Guanambi e localidades situadas ao longo da rede. A primeira etapa foi entregue em 2012 e continuou recebendo ampliações e novas interligações nos anos seguintes.

Sistema de Planaltino beneficia cerca de 77 mil pessoas

Entre os investimentos recentes mencionados por Rosemberg está o Sistema Integrado de Abastecimento de Água de Planaltino, concluído e colocado em funcionamento em 2026. A infraestrutura capta água no Rio Paraguaçu e atende os municípios de Planaltino, Maracás, Lajedo do Tabocal, Itiruçu e Jaguaquara, incluindo a localidade de Entroncamento.

De acordo com a Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia, a primeira etapa beneficia aproximadamente 77 mil pessoas. O sistema inclui uma adutora de água bruta com 29,7 quilômetros, uma adutora de água tratada com cerca de 92,8 quilômetros, estação de tratamento, estações elevatórias, reservatórios e equipamentos de automação.

O investimento total informado foi de R$ 178,6 milhões, proveniente de recursos próprios da Embasa e de debêntures incentivadas. A obra foi concebida para substituir fontes hídricas insuficientes e reduzir a dependência de soluções emergenciais em municípios sujeitos à escassez de mananciais perenes.

Barragens e intervenções também são citadas

Rosemberg Pinto relacionou ainda intervenções em barragens localizadas nos municípios de Brumado, Riacho de Santana, Mulungu do Morro, Souto Soares, Planalto, Barra do Choça, Igaporã e Matina.

Registros institucionais do Governo da Bahia publicados em 2013 mencionam intervenções e ampliações nas barragens de Cristalândia, em Brumado; Rio Tijuco, em Mulungu do Morro e Souto Soares; Riacho de Santana; Lagoa da Torta, em Igaporã e Matina; e Serra Preta, em Planalto e Barra do Choça.

A documentação confirma a existência de investimentos nessas estruturas, embora seja necessário distinguir, em cada caso, a construção integral de novos reservatórios das obras de ampliação, recuperação, reforço ou integração de sistemas já existentes.

Embasa informa R$ 6,7 bilhões em investimentos

O líder governista também utilizou o balanço financeiro e operacional da Embasa para sustentar sua resposta. Segundo a companhia, os investimentos realizados entre 2021 e 2025 superaram R$ 6,7 bilhões, abrangendo implantação e ampliação de sistemas de abastecimento de água, redes de esgotamento sanitário, modernização operacional e novas ligações domiciliares.

No período, a empresa informou a incorporação de mais de 400 mil novas ligações de água e 263 mil novas ligações de esgoto. Em 2025, a estatal registrou o maior volume anual de investimentos de sua história, com aproximadamente R$ 1,7 bilhão destinado a obras e melhorias.

Os números, entretanto, correspondem à atuação da Embasa em todo o território baiano e incluem tanto obras de abastecimento quanto projetos de esgotamento sanitário. Portanto, não representam exclusivamente os recursos destinados ao semiárido ou à construção de barragens e adutoras.

Governista classifica crítica como discurso eleitoral

Rosemberg afirmou que a oposição estaria recorrendo a frases de efeito em lugar de um exame objetivo das obras executadas. Para o deputado, os investimentos e sistemas implantados demonstram que a infraestrutura hídrica permaneceu na agenda dos governos estaduais.

“Enquanto a oposição aposta em frases de efeito, o governo apresenta obras, investimentos e resultados concretos”, declarou.

O governista acrescentou que negar realizações conhecidas pela população do interior comprometeria a credibilidade de ACM Neto. A manifestação amplia o embate entre governo e oposição em torno das políticas públicas destinadas ao semiárido, área que reúne desafios históricos relacionados ao abastecimento humano, à produção agrícola e à convivência com períodos prolongados de estiagem.


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