O líder do Governo na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), rebateu, nesta quarta-feira (22/07/2026), as declarações do vereador de Salvador Kiki Bispo (União Brasil), que classificou como um “fracasso” a administração do governador Jerônimo Rodrigues (PT) com base em levantamento do g1 sobre o cumprimento das promessas apresentadas na campanha eleitoral de 2022. A controvérsia envolve duas formas distintas de interpretar os dados: a Bahia ocupa a terceira posição nacional em número absoluto de compromissos concluídos, mas apresenta 35,9% de cumprimento integral quando o resultado é calculado proporcionalmente sobre as 92 propostas analisadas.
Kiki Bispo classifica resultado como fracasso
A crítica de Kiki Bispo foi apresentada durante a convenção estadual do União Brasil, realizada no Centro de Convenções de Salvador. Ao comentar o levantamento, o vereador comparou o desempenho administrativo a uma avaliação escolar e afirmou que Jerônimo Rodrigues teria recebido uma “nota 3,6”.
“Veio a nota nacional dizendo que das 100 promessas ele cumpriu 33. Traduzindo isso, para o ano letivo escolar, ele teve nota 3,6. Nem a aprovação automática dele vai dar jeito.”
Embora o parlamentar tenha mencionado “100 promessas”, o levantamento examinou 92 compromissos identificados no programa eleitoral de 2022. Desse conjunto, 33 foram classificados como integralmente cumpridos, 37 como parcialmente cumpridos e 22 como não cumpridos. Os compromissos concluídos representam 35,9% do total; os parcialmente executados correspondem a 40,2%; e os não realizados somam 23,9%.
Kiki também associou o resultado à disputa eleitoral de 2026 e afirmou que a oposição percebe um “sentimento de mudança” entre eleitores, prefeitos e lideranças municipais. A manifestação ocorreu durante o evento que consolidou a mobilização política do União Brasil em torno da candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia.
Rosemberg afirma que oposição desconsidera posição nacional da Bahia
Em resposta, Rosemberg Pinto acusou o vereador de realizar uma interpretação “equivocada ou conveniente” dos dados. O líder governista destacou que, em números absolutos, a Bahia aparece como o terceiro estado brasileiro com maior quantidade de promessas integralmente executadas, atrás apenas do Maranhão e do Piauí.
“O vereador age de má-fé ou sofre de algum problema cognitivo. O levantamento não diz que a Bahia fracassou. Ao contrário, coloca nosso estado entre os que mais entregaram resultados no país. Quem faz política precisa respeitar os fatos e não distorcê-los para criar uma narrativa eleitoral.”
O ranking por quantidade absoluta registra 43 promessas cumpridas no Maranhão, 35 no Piauí e 33 na Bahia. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 30; Rio Grande do Sul, com 25; Pernambuco, com 20; e Amapá, com 19. São Paulo e Paraná contabilizaram 17 compromissos concluídos cada, enquanto Goiás registrou dez e Minas Gerais, quatro.
Com base nessa comparação, Rosemberg afirmou que a administração baiana apresentou mais entregas absolutas do que governos frequentemente citados pela oposição estadual, a exemplo de São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Números absolutos e percentuais produzem posições diferentes
A comparação, entretanto, exige a separação entre quantidade absoluta de promessas cumpridas e percentual de execução sobre o total assumido por cada governador. Como os programas eleitorais possuem números diferentes de compromissos, as duas métricas respondem a perguntas distintas.
Em números absolutos, a Bahia ocupa o terceiro lugar porque concluiu 33 propostas. No cálculo proporcional, porém, os 33 compromissos representam 35,9% das 92 promessas analisadas, resultado que coloca o estado na 17ª posição da relação percentual divulgada a partir do levantamento nacional.
Estados com menos promessas concluídas em termos absolutos podem apresentar percentuais superiores porque assumiram um número menor de compromissos. Goiás, por exemplo, aparece com dez promessas concluídas, mas registra percentual de 45,4%. São Paulo contabiliza 17 entregas integrais e percentual de 42,5%. Minas Gerais, com quatro compromissos concluídos, apresenta índice de 33,3%, inferior ao da Bahia.
A posição da Bahia, portanto, varia conforme o critério adotado. O estado está entre os primeiros em volume absoluto de entregas, mas permanece em faixa intermediária quando o desempenho é calculado proporcionalmente ao conjunto de promessas assumidas.
Compromissos parcialmente executados representam 40,2%
Rosemberg também destacou que 37 compromissos foram classificados como parcialmente cumpridos. Somados às 33 propostas integralmente executadas, os dados indicam que 70 das 92 promessas, ou aproximadamente 76,1%, registraram algum nível de implementação até a data de corte.
Essa soma, contudo, não significa que 76,1% das promessas tenham sido cumpridas integralmente. As ações parciais incluem projetos iniciados, programas implantados de forma incompleta, obras em execução ou metas que ainda não alcançaram todos os componentes originalmente apresentados durante a campanha.
Entre os compromissos considerados parcialmente cumpridos estão o VLT de Salvador, que se encontrava em operação assistida em parte do trajeto, a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, cujas intervenções iniciais começaram em 2026, a expansão das policlínicas regionais, a implantação de hospitais e a distribuição de equipamentos para estudantes.
“Governar é entregar resultados concretos e manter obras estruturantes avançando. Isso é exatamente o que a Bahia tem feito”, declarou Rosemberg.
Levantamento considerou entregas até 30 de junho
Outro ponto apresentado pelo líder governista foi a data-limite utilizada no levantamento. O monitoramento considerou as ações realizadas entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de junho de 2026, período correspondente aos primeiros três anos e meio do mandato.
Por causa desse recorte, o Hospital Estadual do Litoral Norte, em Alagoinhas, não foi classificado como promessa cumprida no balanço. A unidade foi inaugurada em 1º de julho de 2026, um dia depois da data de corte, embora a obra estivesse concluída e o hospital tenha iniciado suas atividades posteriormente. O próprio material do levantamento registra que a inauguração ocorreu fora do período considerado.
O hospital foi entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador Jerônimo Rodrigues, tornou-se referência para 34 municípios e integra o Novo PAC Saúde e o programa Agora Tem Especialistas. A unidade recebeu investimento informado de R$ 214,3 milhões em obras e equipamentos.
A exclusão decorreu, portanto, da aplicação temporal da metodologia, e não de uma avaliação segundo a qual o hospital permaneceria sem funcionamento. O acompanhamento das promessas deverá ser atualizado ao encerramento do mandato, quando entregas posteriores a 30 de junho poderão receber nova classificação.
Promessas cumpridas abrangem saúde, educação e segurança
Entre as ações consideradas integralmente executadas estão a ampliação da capacidade da vigilância laboratorial, a expansão da atenção a pacientes com doença renal crônica, a implantação de serviço de alta complexidade em oncologia em Ruy Barbosa e a criação do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde.
Na educação, foram classificados como cumpridos compromissos relacionados à ampliação dos programas Primeiro Emprego e Partiu Estágio, à criação do Programa Estadual para o Desenvolvimento da Capoeira e à implantação dos Institutos de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Na segurança pública, o balanço reconheceu a criação da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos, a implantação da Coordenação de Conflitos Fundiários e a conclusão dos serviços de comunicação móvel crítica, que alcançam os 417 municípios por meio dos Centros Integrados de Comunicação.
Rosemberg cobra responsabilidade no debate político
Ao concluir a resposta, Rosemberg afirmou que críticas administrativas são legítimas, mas defendeu que o debate seja conduzido com o que chamou de “honestidade intelectual”.
“A crítica é legítima na democracia, mas ela perde credibilidade quando ignora os números e desconsidera as entregas efetivas do governo. A população espera seriedade, não discursos construídos sobre interpretações distorcidas da realidade.”
Linha do tempo do levantamento e da controvérsia
2022 — Campanha eleitoral: Jerônimo Rodrigues apresenta o programa de governo que posteriormente serviria de base para a identificação de 92 promessas monitoradas.
1º de janeiro de 2023 — Início do mandato: começa o período de execução administrativa examinado pelo projeto de acompanhamento das promessas políticas.
2023 a 2026 — Monitoramento das propostas: compromissos são classificados como cumpridos, parcialmente cumpridos ou não cumpridos conforme entregas, atos administrativos, programas e obras identificados.
30 de junho de 2026 — Data de corte: o levantamento encerra a contabilização das entregas consideradas na avaliação de três anos e meio de governo.
1º de julho de 2026 — Hospital do Litoral Norte: Lula e Jerônimo inauguram a unidade hospitalar em Alagoinhas, um dia depois da data-limite utilizada no levantamento.
22 de julho de 2026 — Divulgação do balanço: o levantamento informa que 33 das 92 promessas foram cumpridas integralmente, 37 parcialmente e 22 não foram realizadas.
22 de julho de 2026 — Crítica da oposição: durante a convenção do União Brasil, Kiki Bispo classifica o resultado como fracasso e compara o percentual de execução a uma nota escolar.
22 de julho de 2026 — Resposta governista: Rosemberg Pinto rebate a declaração, destaca a terceira posição da Bahia em número absoluto de promessas concluídas e acusa a oposição de distorcer o levantamento.
A controvérsia evidencia como um mesmo conjunto de dados pode ser utilizado por forças políticas adversárias a partir de critérios diferentes. A afirmação governista de que a Bahia ocupa a terceira posição nacional é correta quando se considera o número absoluto de promessas integralmente cumpridas. Também é correto afirmar que somente 35,9% dos 92 compromissos foram concluídos integralmente até 30 de junho. Nenhuma das métricas, isoladamente, apresenta todo o quadro administrativo.
O número absoluto favorece estados cujos programas eleitorais continham mais propostas, enquanto o cálculo percentual permite comparar a parcela efetivamente executada, mas não considera diferenças de complexidade, custo, abrangência territorial ou impacto social entre os compromissos. As 37 promessas parcialmente cumpridas também não podem ser apresentadas como integralmente entregues, embora indiquem que parte relevante do programa governamental permanece em execução. Da mesma forma, obras concluídas depois da data de corte precisam ser incorporadas nas atualizações posteriores para que o acompanhamento reflita a situação mais recente.








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