O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) detalhou, nesta segunda-feira (27/07/2026), o perfil das 11.321.005 eleitoras e eleitores aptos a participar das Eleições Gerais de 2026 no estado, com destaque para o crescimento dos registros autodeclarados de pessoas pardas, pretas, indígenas e quilombolas em comparação com as Eleições Municipais de 2024. A Bahia permanece como o quarto maior colégio eleitoral do Brasil, enquanto Salvador reúne 1.951.716 votantes e apresenta aumento expressivo no preenchimento das informações de raça e etnia, apesar da redução do eleitorado total da capital.
Bahia chega a 11,3 milhões de eleitores aptos
A Bahia possui 11.321.005 pessoas aptas ao voto, distribuídas pelos 417 municípios do estado. A estrutura eleitoral é formada por 199 zonas eleitorais, 9.308 locais de votação e 37.931 seções eleitorais, responsáveis por organizar o atendimento ao eleitorado no primeiro turno das eleições, marcado para outubro.
Nas Eleições Municipais de 2024, o estado contabilizava 11.283.507 eleitores. O novo levantamento representa um acréscimo de 37.498 pessoas, equivalente a uma expansão de 0,33% no cadastro eleitoral baiano em dois anos.
No cenário nacional, 158.745.463 brasileiras e brasileiros estão aptos a votar em 2026. A Bahia responde por aproximadamente 7,13% desse contingente e permanece atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro em número absoluto de eleitores.
Registros de pessoas pardas crescem 73,3%
O principal movimento identificado pelo TRE-BA ocorreu no preenchimento dos campos relacionados à raça, cor e pertencimento étnico. Em 2026, 1.261.113 pessoas registradas na Bahia se autodeclararam pardas, correspondendo a 11,14% do eleitorado total.
Em 2024, o cadastro contabilizava 727.601 pessoas pardas, ou 6,45% das pessoas aptas ao voto naquele pleito. A diferença entre os dois levantamentos foi de 533.512 eleitores, o que representa um crescimento de 73,3%.
O aumento deve ser compreendido como uma ampliação dos registros autodeclaratórios disponíveis na base da Justiça Eleitoral. Os dados não demonstram, isoladamente, uma alteração demográfica da mesma proporção, uma vez que parte do crescimento pode decorrer da atualização cadastral e do maior preenchimento de campos que anteriormente permaneciam sem informação.
Eleitorado autodeclarado preto aumenta 75,1%
O número de eleitoras e eleitores que se autodeclararam pretos também apresentou crescimento relevante. Em 2024, a Bahia registrava 283.567 pessoas pretas, correspondentes a 2,51% do eleitorado estadual.
Em 2026, esse contingente chegou a 496.424 eleitores, o equivalente a 4,38% do total de pessoas aptas a votar. O acréscimo foi de 212.857 registros, com crescimento proporcional de 75,1%.
Consideradas em conjunto, as autodeclarações de pessoas pardas e pretas alcançaram 1.757.537 registros em 2026. As duas categorias, entretanto, devem ser analisadas separadamente dos campos específicos de identificação indígena e quilombola, pois as classificações cadastrais não são necessariamente excludentes.
Registros indígenas avançam 62,2%
O eleitorado identificado como indígena passou de 6.740 pessoas, ou 0,06% do total em 2024, para 10.929 eleitores, correspondentes a 0,10% do cadastro estadual em 2026.
O crescimento absoluto foi de 4.189 registros, enquanto a expansão proporcional alcançou 62,2% no período analisado.
A ampliação das informações sobre pertencimento indígena permite à Justiça Eleitoral dimensionar com maior precisão a presença desse grupo no processo eleitoral e planejar medidas relacionadas à localização das seções, acessibilidade, comunicação institucional e transferência temporária para locais específicos de votação.
Eleitorado quilombola cresce 74,8%
Entre as pessoas identificadas como quilombolas, o cadastro eleitoral passou de 15.363 registros, equivalentes a 0,14% do eleitorado em 2024, para 26.850 pessoas, ou 0,24%, em 2026.
A diferença foi de 11.487 eleitores, representando crescimento de 74,8% em dois anos.
Os campos de identificação quilombola e indígena funcionam como informações específicas de pertencimento étnico e comunitário. Por essa razão, seus quantitativos não devem ser automaticamente somados às categorias de raça e cor como se representassem grupos cadastrais mutuamente excludentes. O próprio TSE classifica esses dados como autodeclaratórios.
Comparativo dos registros na Bahia
- Pessoas pardas: de 727.601 para 1.261.113 — alta de 533.512, ou 73,3%;
- Pessoas pretas: de 283.567 para 496.424 — alta de 212.857, ou 75,1%;
- Pessoas indígenas: de 6.740 para 10.929 — alta de 4.189, ou 62,2%;
- Pessoas quilombolas: de 15.363 para 26.850 — alta de 11.487, ou 74,8%.
Mulheres representam 53% do eleitorado baiano
As mulheres continuam sendo maioria entre as pessoas aptas a votar na Bahia. O estado possui 5.973.523 eleitoras, correspondentes a aproximadamente 53% do total.
Os homens somam 5.347.433 eleitores, equivalentes a cerca de 47% do cadastro. A soma desses dois grupos apresenta pequena diferença em relação ao total estadual porque determinados registros podem não possuir informação preenchida ou estar classificados em outras situações cadastrais previstas na base estatística.
A predominância feminina também é observada em Salvador, onde as mulheres representam 55,47% das pessoas aptas ao voto, proporção superior à média estadual.
Faixa entre 40 e 44 anos concentra mais eleitores
A faixa etária com maior número de eleitoras e eleitores na Bahia é a de 40 a 44 anos, com 1.207.620 pessoas.
Esse contingente corresponde a 10,67% de todo o eleitorado estadual. O dado indica uma concentração relevante de votantes em idade adulta, grupo que reúne pessoas com voto obrigatório e participação consolidada em sucessivos ciclos eleitorais.
Em Salvador, a maior faixa etária mudou entre os dois levantamentos. Em 2024, predominavam as pessoas de 40 a 44 anos, com 234.731 registros. Em 2026, a principal concentração passou para a faixa de 45 a 49 anos, com 219.815 eleitores.
Ensino Médio completo lidera perfil de escolaridade
Quanto ao grau de instrução, a maior parcela do eleitorado baiano é composta por pessoas com Ensino Médio completo. São 3.158.410 eleitores, correspondentes a 27,9% do total.
O segundo maior grupo reúne pessoas com Ensino Fundamental incompleto, que somam 2.477.771 registros, ou 21,89% do eleitorado.
Em seguida aparecem as pessoas com Ensino Médio incompleto, totalizando 2.016.068 eleitores, equivalentes a 17,81%. Esses três níveis de escolaridade concentram aproximadamente dois terços das pessoas aptas a votar no estado.
Voto facultativo alcança 1,59 milhão de pessoas
O número de eleitores com direito ao voto facultativo também aumentou. Em 2024, o grupo reunia 1.535.782 pessoas na Bahia. Em 2026, passou para 1.593.951 eleitores.
O acréscimo foi de 58.169 pessoas, o que corresponde a uma expansão de 3,79%. O grupo inclui jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e eleitores com mais de 70 anos.
A obrigatoriedade e a facultatividade do voto são estabelecidas pelo artigo 14 da Constituição Federal e refletidas na legislação eleitoral. O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas maiores de 18 e menores de 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e maiores de 70 anos.
Salvador perde 18 mil eleitores, mas amplia autodeclarações
Salvador terá 1.951.716 eleitoras e eleitores aptos a participar das Eleições Gerais de 2026. Nas eleições municipais de 2024, a capital possuía 1.969.757 votantes.
A diferença representa uma redução de 18.041 pessoas, equivalente a aproximadamente 0,92% do eleitorado soteropolitano. Mesmo com a retração do total, os registros relacionados a raça e etnia apresentaram crescimento superior ao observado no conjunto estadual.
A capital concentra aproximadamente 17,24% do eleitorado da Bahia e permanece como o maior colégio eleitoral do estado. A dimensão de Salvador lhe confere peso relevante nas eleições para presidente da República, governador, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
Pessoas pardas mais que dobram no cadastro de Salvador
O número de pessoas autodeclaradas pardas em Salvador passou de 55.502, ou 2,82% do eleitorado em 2024, para 134.288, equivalentes a 6,88%, em 2026.
O acréscimo foi de 78.786 eleitores, correspondendo a um crescimento de aproximadamente 142%. Isso significa que o número de registros pardos na capital ficou mais de duas vezes acima do observado dois anos antes.
O avanço ocorreu simultaneamente à redução do eleitorado total da cidade, reforçando que a mudança está relacionada principalmente ao preenchimento e à atualização das informações cadastrais, e não ao aumento do número global de votantes.
Registros de pessoas pretas aumentam 122,9%
Entre as pessoas autodeclaradas pretas, Salvador passou de 44.325 registros, ou 2,25%, em 2024, para 98.818, equivalentes a 5,06% do eleitorado em 2026.
O crescimento absoluto foi de 54.493 pessoas, enquanto a expansão proporcional chegou a aproximadamente 122,9%.
Somados, os cadastros de pessoas pardas e pretas alcançam 233.106 registros na capital em 2026. O valor equivale a aproximadamente 11,94% do eleitorado soteropolitano.
Identificações quilombolas e indígenas avançam
O eleitorado identificado como quilombola em Salvador passou de 250 pessoas, ou 0,01%, para 625 registros, correspondentes a 0,03% do total.
A diferença de 375 pessoas representa crescimento de 150% entre 2024 e 2026.
Entre as pessoas indígenas, o número aumentou de 122 registros, equivalentes a 0,01%, para 297, ou 0,02% do eleitorado da capital. O acréscimo foi de 175 pessoas, correspondendo a uma expansão aproximada de 143,4%.
Mulheres continuam maioria em Salvador
Salvador possui 1.082.642 eleitoras, correspondentes a 55,47% do eleitorado municipal. Em 2024, eram 1.086.839 mulheres, equivalentes a 55,18%.
Embora tenha ocorrido uma redução absoluta de 4.197 eleitoras, a participação proporcional feminina cresceu 0,29 ponto percentual porque a queda entre os homens foi mais intensa.
O eleitorado masculino passou de 882.918 pessoas, ou 44,82%, para 869.074, correspondentes a 44,53%. A diminuição foi de 13.844 eleitores, equivalente a aproximadamente 1,57%.
Ensino Médio completo predomina na capital
O Ensino Médio completo permanece como o nível de escolaridade mais frequente entre as pessoas aptas ao voto em Salvador.
Em 2026, 722.081 eleitores, equivalentes a 37% do total municipal, declararam possuir esse grau de instrução.
Em 2024, eram 720.268 pessoas, correspondentes a 36,57%. O aumento absoluto foi de 1.813 registros, enquanto a participação proporcional avançou 0,43 ponto percentual.
Voto facultativo aumenta 17,4% em Salvador
O número de pessoas incluídas nas faixas etárias de voto facultativo em Salvador passou de 175.361, ou 8,90% do eleitorado em 2024, para 205.811, correspondentes a 10,55%, em 2026.
O crescimento foi de 30.450 eleitores, equivalente a aproximadamente 17,4%. O avanço ocorreu apesar da redução do número total de pessoas aptas ao voto na capital.
A alteração amplia a importância das ações de mobilização destinadas aos jovens de 16 e 17 anos e às pessoas com mais de 70 anos, segmentos que possuem liberdade legal para decidir se comparecerão ou não às urnas.
Linha do tempo do cadastro e das Eleições 2026
- Eleições Municipais de 2024: a Bahia registrava 11.283.507 eleitores, enquanto Salvador possuía 1.969.757 pessoas aptas ao voto;
- 06/05/2026: encerramento do prazo para tirar o primeiro título, transferir o domicílio eleitoral ou regularizar pendências para participar das eleições;
- 07/05/2026: fechamento do cadastro eleitoral para a preparação do pleito;
- 20/07/2026: divulgação oficial do eleitorado apto e do perfil cadastral das Eleições Gerais de 2026 pelo TSE;
- 27/07/2026: TRE-BA detalha a evolução dos registros de pessoas pardas, pretas, indígenas e quilombolas no estado;
- 04/10/2026: realização do primeiro turno das Eleições Gerais;
- 25/10/2026: realização de eventual segundo turno para presidente da República e governador.
O crescimento das autodeclarações de raça e pertencimento étnico amplia a capacidade da Justiça Eleitoral de compreender a composição do eleitorado baiano. Os percentuais, contudo, precisam ser interpretados com cautela: as variações não correspondem necessariamente a mudanças demográficas ocorridas em apenas dois anos, mas refletem também a atualização dos títulos e o preenchimento de campos que anteriormente estavam ausentes ou incompletos.
A ampliação das informações cadastrais pode subsidiar políticas de inclusão, comunicação e organização eleitoral, especialmente em comunidades indígenas, quilombolas, áreas rurais e regiões com dificuldades de deslocamento. O crescimento do voto facultativo, sobretudo em Salvador, também exige acompanhamento das estratégias institucionais destinadas a estimular a participação de jovens, idosos e pessoas analfabetas sem transformar uma faculdade constitucional em obrigação indireta.
A Bahia chegará às urnas com mais de 11,3 milhões de eleitores, maioria feminina e maior visibilidade estatística de grupos raciais e étnicos. Até outubro, caberá ao TSE e ao TRE-BA assegurar a estrutura necessária nos 417 municípios, enquanto partidos, candidaturas e sociedade civil deverão observar se o aumento da representação cadastral será acompanhado por inclusão efetiva, acesso à informação e condições adequadas para o exercício do voto.








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