EUA intensificam bombardeios contra o Irã, Teerã denuncia ataques a civis e amplia ofensiva contra bases americanas no Oriente Médio

Os Estados Unidos realizaram uma nova série de bombardeios contra o Irã entre a noite de quinta-feira (16/07/2026) e a madrugada de sexta-feira (17), ampliando a escalada militar iniciada em 22 de junho 2026. Segundo o governo norte-americano, a operação teve como objetivo reduzir as capacidades militares iranianas utilizadas contra a navegação comercial no Estreito de Ormuz.

O Irã, por sua vez, afirmou que os ataques atingiram infraestruturas civis, incluindo pontes, uma estação ferroviária e instalações aeroportuárias, e respondeu com uma nova ofensiva contra bases e instalações ligadas aos Estados Unidos em diversos países do Oriente Médio.

O confronto chega ao sexto dia consecutivo de bombardeios americanos, aumentando a preocupação internacional com os impactos sobre a segurança regional, o transporte marítimo e o mercado global de energia.

Estados Unidos afirmam ter atacado objetivos militares

Segundo informações divulgadas pelo Exército dos Estados Unidos, dezenas de alvos militares foram atingidos durante a operação.

Entre os objetivos estariam sistemas de vigilância costeira, defesas antiaéreas, infraestruturas logísticas e instalações marítimas localizadas na ilha de Qeshm e em áreas próximas a Bandar Abbas, onde se encontra o principal porto iraniano.

Washington sustenta que a operação foi direcionada exclusivamente contra estruturas militares relacionadas às operações iranianas no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio internacional de petróleo.

Irã denuncia ataques contra infraestrutura civil

O governo iraniano contesta a versão apresentada pelos Estados Unidos e afirma que os bombardeios atingiram estruturas civis.

Segundo a agência oficial Irna, ataques contra cinco pontes em Bandar Khamir, cidade portuária localizada no sul do país, deixaram ao menos sete mortos, conforme dados divulgados pela Universidade de Ciências Médicas de Hormozgan.

O Irã também informou que foram atingidas uma estação ferroviária em Bandar Abbas e o aeroporto de Iranshahr.

De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, desde a retomada dos confrontos, em 22/06/2026, os bombardeios norte-americanos deixaram pelo menos 38 mortos e mais de 400 feridos. Segundo o porta-voz da pasta, Hossein Kermanpour, entre as vítimas estão mulheres e menores de idade.

Guarda Revolucionária amplia ataques contra instalações americanas

Poucas horas após os bombardeios, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou uma nova ofensiva contra posições ligadas aos Estados Unidos na região.

Segundo o governo iraniano, foram lançados mísseis e drones contra o centro de comando militar americano de Al-Tanf, no sul da Síria.

Teerã também afirmou ter atacado aeronaves militares norte-americanas estacionadas na Jordânia, além de instalações localizadas no Bahrein e no Kuwait.

As autoridades desses países confirmaram ataques atribuídos ao Irã. O Bahrein informou ter interceptado diversos alvos aéreos durante a madrugada.

Kuwait, Catar e Jordânia relatam impactos da ofensiva

No Kuwait, o governo declarou que o país foi alvo de ataques com mísseis e drones.

Segundo o Ministério da Energia, uma usina elétrica e uma planta de dessalinização sofreram danos estruturais, provocando incêndio e interrupção do funcionamento de geradores.

No Catar, as Forças Armadas informaram ter interceptado um míssil lançado contra o território nacional. O Ministério do Interior declarou que uma criança ficou ferida após a queda de destroços do projétil interceptado.

A Jordânia também informou ter interceptado três mísseis iranianos, sem registro de vítimas ou danos materiais.

Estreito de Ormuz permanece sob pressão

A intensificação dos confrontos também elevou os riscos para a navegação comercial no Estreito de Ormuz.

Em Omã, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que uma embarcação foi atingida por um projétil não identificado, sofrendo danos estruturais leves antes de seguir viagem.

Autoridades iranianas também confirmaram a destruição de uma torre de vigilância no porto estratégico de Chabahar, localizado no Golfo de Omã.

A escalada militar impulsionou a alta dos preços internacionais do petróleo e ampliou as preocupações quanto à segurança das rotas marítimas que abastecem o mercado mundial de energia.

População enfrenta incertezas e países pedem retomada do diálogo

A nova rodada de confrontos provocou aumento da insegurança entre a população iraniana.

Moradores relataram à agência Reuters dificuldades econômicas e aumento expressivo dos preços de produtos básicos desde a retomada da guerra.

Diante da escalada, China e Paquistão defenderam, na sexta-feira (17/07/2026), a retomada imediata das negociações entre Washington e Teerã.

Segundo comunicado divulgado pelo governo chinês, os dois países pediram o fim dos confrontos e a retomada do diálogo diplomático para evitar uma ampliação do conflito em uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento energético mundial.

*Com informações da RFI.


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