O ex-deputado estadual Marcelino Galo (PT) afirmou nesta sexta-feira, 03/07/2026, que o episódio envolvendo o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), durante o cortejo do 2 de Julho, em Salvador, foi alvo de exploração política por setores da oposição, após a abordagem feita por Cristiele Santos, identificada por ele como pessoa com histórico de atuação política em Camaçari e vínculos com adversários do governo estadual; segundo Galo, a tentativa de apresentar a cena como agressão distorce o contexto do ocorrido e insere a principal festa cívica baiana em uma disputa de narrativas com impacto político, institucional e digital.
Galo afirma que episódio foi usado para produzir desgaste político
Marcelino Galo classificou a repercussão do caso como uma tentativa de manipulação política. Para o ex-deputado, a abordagem ao governador não deve ser analisada como uma manifestação espontânea isolada, mas como uma ação situada no ambiente de disputa entre governo e oposição na Bahia.
Segundo Galo, Jerônimo Rodrigues foi abordado de forma invasiva durante o cortejo e se desvencilhou da situação. O petista afirmou que adversários do governo teriam tentado transformar a reação do governador em uma narrativa de agressão, com repercussão nas redes sociais e em grupos políticos.
“Não foi uma cidadã comum. Foi uma pessoa com lado, com partido, com atuação política e com ligação conhecida com a oposição. Ela abordou o governador, criou a provocação e depois tentaram vender a cena como se Jerônimo tivesse agredido alguém. Isso é método de quem não faz debate político limpo”, declarou Marcelino Galo.
Histórico político atribuído a Cristiele Santos é citado por Marcelino Galo
De acordo com Galo, Cristiele Santos não teria participado do desfile apenas como integrante do público. O ex-deputado afirmou que ela possui trajetória política em Camaçari, com candidatura, filiação partidária e vínculos públicos com o campo adversário ao governo estadual.
O petista sustentou que Cristiele disputou uma vaga de vereadora pelo Democratas, legenda que posteriormente se fundiu ao PSL para formar o União Brasil. A criação do União Brasil foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 08/02/2022, como resultado da fusão entre DEM e PSL.
Ainda segundo Marcelino Galo, Cristiele teria ligação política com o ex-prefeito de Camaçari Elinaldo Araújo, do União Brasil, aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Essa vinculação, na avaliação do ex-deputado, afastaria a versão de que a abordagem ao governador ocorreu sem motivação política.
Petista nega vínculo de Cristiele com o PT
Marcelino Galo também contestou informações que tentaram associar Cristiele Santos ao PT. Segundo ele, essa versão não procede e já teria sido rechaçada publicamente pelo diretório estadual da legenda.
O ex-deputado afirmou que o vínculo político da mulher citada seria com o campo ligado ao União Brasil, a Elinaldo Araújo e a ACM Neto. “Não adianta tentar jogar isso no colo do PT. O vínculo político dela é com o campo de ACM Neto, de Elinaldo e do União Brasil”, declarou.
A versão apresentada por Galo foi reproduzida por veículos baianos, que também registraram que o espaço permanecia aberto para manifestação de Cristiele Santos, Elinaldo Araújo, ACM Neto e União Brasil. O BNews informou ter procurado a assessoria do União Brasil, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
Cortejo do 2 de Julho amplia peso político da repercussão
Para Marcelino Galo, a repercussão do caso foi alimentada por cortes de vídeo, publicações em redes sociais e versões parciais do episódio. O ex-deputado afirmou que adversários do governo tentaram criar uma cena de constrangimento público contra Jerônimo Rodrigues e ampliar seus efeitos no ambiente digital.
O episódio ganhou dimensão adicional por ter ocorrido durante o 2 de Julho, data magna da Bahia e uma das celebrações cívicas mais relevantes do Brasil. O cortejo, realizado em Salvador, rememora as lutas pela Independência da Bahia e mobiliza autoridades, movimentos sociais, instituições públicas, grupos culturais e população nas ruas.
Segundo o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, o Cortejo do Dois de Julho é uma manifestação cívica de cunho popular, registrada como bem cultural, realizada nas ruas da Lapinha, Barbalho, Centro Histórico, Avenida Sete de Setembro e Campo Grande. A celebração remete à saída das tropas portuguesas da Baía de Todos-os-Santos em 02/07/1823, após mais de um ano de lutas.
Por reunir memória histórica, presença popular e forte simbolismo político, o cortejo costuma ser também um espaço de manifestações públicas. A presença de autoridades, lideranças partidárias e grupos sociais faz da celebração um ambiente de visibilidade elevada, especialmente em anos de maior acirramento político.







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