O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, na segunda-feira (13/07/2026), que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, tenta interferir nas eleições ao suspender, por 90 dias, seu direito de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na qual o parlamentar também anunciou que pretende recorrer à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e criticou a investigação sobre a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente durante a prisão domiciliar.
Segundo Flávio Bolsonaro, a decisão judicial é desproporcional e teria como consequência impedir qualquer contato com o pai até após o primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro de 2026. O senador afirmou que a medida busca deixar Jair Bolsonaro “incomunicável” durante o período eleitoral.
O parlamentar também negou ter descumprido determinações judiciais ao divulgar a carta do ex-presidente. Durante a transmissão, argumentou que outros textos atribuídos a Jair Bolsonaro já haviam sido publicados anteriormente, inclusive pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, sem questionamentos por parte do Supremo Tribunal Federal.
Moraes determinou suspensão de visitas e apuração sobre propaganda eleitoral
A decisão de Alexandre de Moraes determinou a suspensão, por 90 dias, do direito de visita de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente. O ministro também concedeu prazo de 48 horas para que a defesa informe se Jair Bolsonaro tinha conhecimento de que uma carta produzida durante o cumprimento da prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais.
Além disso, Moraes determinou o encaminhamento do caso ao procurador-geral eleitoral para apurar eventual prática de propaganda eleitoral antecipada. A medida foi adotada após Flávio anunciar previamente a leitura da carta e transmitir seu conteúdo na íntegra pelas redes sociais.
Na avaliação do ministro, conforme consta na decisão, a visita do senador teve como finalidade obter um documento destinado à divulgação em plataformas digitais, o que poderia representar uma forma indireta de contornar a restrição imposta ao ex-presidente quanto ao uso das redes sociais.
Senador afirma que recorrerá à OAB e questiona restrições
Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro afirmou que buscará providências junto à Ordem dos Advogados do Brasil, argumentando que integra a defesa de Jair Bolsonaro e que suas prerrogativas profissionais teriam sido desrespeitadas pela decisão judicial.
O senador também questionou os critérios utilizados para estabelecer o período de 90 dias de restrição e afirmou que Alexandre de Moraes procura justificar o endurecimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
Ao comentar a divulgação da carta, Flávio perguntou qual seria a diferença entre a publicação do documento em suas redes sociais, nas redes de Michelle Bolsonaro, em plataformas como o YouTube ou por veículos de comunicação.
O parlamentar, contudo, não mencionou durante a transmissão a decisão que levou Jair Bolsonaro à prisão domiciliar, adotada em agosto de 2025, após o ex-presidente ser acusado de descumprir medidas cautelares ao participar, por videochamada, de um ato político em São Paulo.
Carta declara Flávio como “porta-voz” e pede unidade política
Na carta divulgada nas redes sociais, Jair Bolsonaro manifesta apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, definindo o senador como seu “porta-voz” e afirmando que ele seria a melhor opção para disputar o Palácio do Planalto.
O documento também faz um apelo pela unidade do grupo político liderado pelo ex-presidente. A manifestação ocorreu em meio a divergências públicas entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, que trocaram críticas pelas redes sociais nas semanas anteriores. Posteriormente, o senador pediu desculpas e afirmou que não teve intenção de ofender a ex-primeira-dama.
Sem mencionar diretamente os desentendimentos familiares, Jair Bolsonaro reafirmou confiança no filho e declarou acreditar que ele poderá conduzir o país caso venha a disputar a Presidência.
Flávio responsabiliza governo Lula por possível tarifa dos Estados Unidos
Na mesma transmissão, Flávio Bolsonaro comentou a possibilidade de os Estados Unidos voltarem a aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e atribuiu a responsabilidade pelo impasse ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o senador, o governo brasileiro deixou de negociar com Washington e priorizou posições ideológicas em detrimento dos interesses comerciais do país. Flávio afirmou ter participado de reuniões nos Estados Unidos para apresentar argumentos técnicos sobre o tema.
O parlamentar declarou que uma eventual sobretaxa seria consequência da condução da política externa brasileira e criticou o discurso do governo sobre soberania nacional. Na avaliação do senador, a postura adotada pelo Palácio do Planalto contribui para o agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos.
*Com informações da Sputnik News.








Deixe um comentário