Funeral de Ali Khamenei reúne multidão em Teerã e amplia tensão entre Irã, Israel e Estados Unidos

O funeral do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, mobilizou uma multidão em Teerã, na segunda-feira (06/07/2026), em uma cerimônia marcada por manifestações de apoio ao regime iraniano e palavras de ordem contra os Estados Unidos. Durante o cortejo, participantes entoaram frases como “Não queremos acordo, queremos a cabeça de Trump”, em referência ao presidente norte-americano Donald Trump.

O corpo de Khamenei permanece em cerimônias públicas desde 04/07/2026 e seguirá por outras cidades do Irã e do Iraque antes do sepultamento previsto para quinta-feira (09/07/2026), em Mashhad.

As homenagens ocorrem poucos meses após a morte de Khamenei, registrada em 28 de fevereiro de 2026, durante uma ofensiva militar reivindicada por Israel, que contou com apoio dos Estados Unidos, segundo autoridades israelenses.

Funeral reúne milhares de pessoas em Teerã

Desde as primeiras horas da manhã, milhares de pessoas ocuparam o centro da capital iraniana para acompanhar o cortejo fúnebre.

Embora o governo iraniano não tenha divulgado um número oficial de participantes, observadores compararam a mobilização ao funeral do general Qassem Soleimani, realizado em 2020, quando as autoridades informaram a presença de cerca de sete milhões de pessoas.

Moradores que participaram da cerimônia afirmaram que a morte de Khamenei provocou forte comoção nacional, comparável ao funeral do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, realizado em 1989.

Cerimônia é marcada por discursos de vingança

Durante o funeral, diversos participantes defenderam uma resposta ao ataque que resultou na morte de Ali Khamenei.

Manifestantes exibiram imagens do presidente Donald Trump e criticaram a possibilidade de retomada das negociações entre Teerã e Washington.

As declarações refletem a posição de setores conservadores do regime iraniano, que rejeitam qualquer aproximação diplomática com os Estados Unidos após os recentes confrontos militares.

Governo iraniano trata funeral como demonstração de apoio político

Além da dimensão religiosa, o funeral também é interpretado como uma demonstração de apoio ao governo iraniano.

A cerimônia ocorre cerca de seis meses após manifestações populares relacionadas ao custo de vida e à situação econômica do país, cenário que vinha pressionando o governo antes da morte do líder supremo.

Segundo autoridades israelenses, a operação que matou Ali Khamenei teve como justificativa a alegação de que o Irã desenvolvia um programa considerado uma ameaça ao Estado de Israel.

Sucessão permanece cercada de expectativas

Durante as cerimônias religiosas realizadas em Teerã, três filhos de Ali Khamenei participaram das homenagens ao lado do caixão.

Entretanto, Mojtaba Khamenei, apontado como novo líder supremo do Irã, não apareceu em público. Informações divulgadas no país indicam que ele teria sofrido ferimentos durante o ataque que matou seu pai.

Desde o início do conflito, em fevereiro, o sucessor não realizou pronunciamentos públicos nem participou de eventos oficiais.

Negociações entre Irã e Estados Unidos são adiadas

Em meio às cerimônias fúnebres, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que as negociações de paz entre Washington e Teerã foram adiadas por uma semana.

O adiamento ocorre enquanto permanecem as incertezas sobre o futuro das relações diplomáticas entre os dois países e sobre os desdobramentos políticos da sucessão da liderança iraniana.

O funeral de Ali Khamenei também reforça a permanência das tensões regionais envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, cenário que continua influenciando as discussões sobre segurança e estabilidade no Oriente Médio.

*Com informações da RFI.


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