O Irã iniciou, na sexta-feira (03/07/2026), as cerimônias fúnebres do líder supremo Ali Khamenei, morto há quatro meses, durante os ataques conduzidos por Israel e Estados Unidos, que desencadearam a guerra contra a República Islâmica. O caixão do aiatolá chegou ao Grande Mosalla, em Teerã, onde serão realizadas as homenagens públicas.
Ali Khamenei morreu em 28 de fevereiro de 2026, há 126 dias, segundo as autoridades iranianas. A realização do funeral foi possível após a entrada em vigor do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, estabelecido em 17 de junho de 2026.
O governo iraniano estima que até 20 milhões de pessoas possam participar das cerimônias, previstas para ocorrer entre sábado (04/07/2026) e segunda-feira (06/07/2026), número equivalente a aproximadamente um quarto da população do país.
Teerã reforça segurança para receber cerimônias públicas
As autoridades iranianas montaram uma ampla operação de segurança na capital para a realização do funeral.
O acesso ao Grande Mosalla foi organizado com controle de entrada, enquanto um parque da cidade foi transformado em área de apoio aos participantes, com mais de 400 barracas do Crescente Vermelho Iraniano destinadas ao atendimento dos visitantes.
Além disso, diversas áreas de Teerã tiveram o trânsito restringido, e o aeroporto da capital opera parcialmente fechado nesta sexta-feira, com previsão de fechamento integral na segunda-feira (06/07/2026), data decretada como feriado nacional.
Cerimônias seguirão por cidades sagradas do islamismo xiita
Após o encerramento das homenagens em Teerã, o cortejo seguirá por importantes centros religiosos do islamismo xiita.
O cronograma prevê passagem por Qom, no Irã, e posteriormente pelas cidades iraquianas de Najaf e Karbala, consideradas locais centrais da tradição xiita.
O sepultamento está previsto para 09/07/2026, em Mashhad, cidade natal de Ali Khamenei, nas proximidades do Santuário do Imam Reza, um dos principais locais sagrados do islamismo xiita.
Funeral ocorre em meio ao processo de transição política
Além do caráter religioso, as cerimônias ocorrem em um contexto de reorganização institucional após a morte do líder supremo.
Entre os temas acompanhados pelas autoridades está a expectativa em torno da possível primeira aparição pública de Mojtaba Khamenei, apontado por setores políticos iranianos como sucessor de seu pai na liderança do país.
Até o momento, o governo informou apenas que Mojtaba permanece dedicado às atividades de administração do Estado, sem confirmar sua participação nas cerimônias públicas.
Autoridades iranianas e delegações estrangeiras participam das homenagens
Durante a abertura das homenagens, participaram representantes da alta cúpula política e militar iraniana.
Entre eles estiveram o presidente Masoud Pezeshkian, o comandante da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
O governo iraniano também confirmou a presença de representantes de aproximadamente 30 países, incluindo o ex-presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e representantes da China. Segundo as autoridades iranianas, nenhum líder europeu foi convidado para as cerimônias.
*Com informações da RFI.







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