O conflito entre Rússia e Ucrânia entrou em uma nova fase de intensificação em 2026, marcada pelo aumento do número de vítimas civis, ampliação dos ataques com drones, mudanças no comando militar ucraniano e impactos crescentes sobre a infraestrutura energética. Dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) mostram que o primeiro semestre do ano registrou crescimento expressivo de mortes e feridos entre civis em ambos os países.
Enquanto a situação humanitária se deteriora, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, promoveu uma mudança na liderança das Forças Armadas ao substituir o general Oleksandr Syrskyi por Mykhaïlo Drapatyi, em uma decisão anunciada na terça-feira (21/07/2026). A alteração ocorre em meio a divergências sobre a condução da guerra, o emprego de novas tecnologias militares e pressões políticas internas.
Ao mesmo tempo, ataques contra refinarias, cidades e outras infraestruturas ampliam os efeitos econômicos e sociais do conflito, enquanto autoridades russas e ucranianas mantêm posições divergentes sobre a evolução dos combates.
ONU registra aumento de mortes e feridos entre civis
Segundo o ACNUDH, a Ucrânia contabilizou 1.396 civis mortos e 7.978 feridos entre janeiro e junho de 2026. O total representa alta de 37% em relação ao mesmo período de 2025 e quase o dobro do registrado em 2024.
Na Rússia, o órgão informou ter verificado 250 mortes e 1.596 feridos entre civis durante o primeiro semestre, crescimento de 121% na comparação anual. De acordo com a ONU, os ataques realizados com drones de curto alcance tiveram participação significativa nesse aumento, respondendo por uma elevação de 65% nas perdas civis.
O porta-voz do Alto Comissariado, Thameen Al Kheetan, afirmou que ataques deliberados contra civis e contra infraestruturas civis violam o Direito Internacional Humanitário e podem configurar crimes de guerra.
Ataques atingem regiões russas distantes da linha de frente
Entre os episódios registrados nas últimas semanas está o ataque à refinaria de Omsk, localizada a aproximadamente 2.500 quilômetros da linha de frente. A instalação está entre as maiores refinarias russas e responde por cerca de um em cada oito litros de diesel consumidos no país.
Apesar de o abastecimento ter sido afetado por um período limitado, moradores relataram que o episódio alterou a percepção de segurança em uma região anteriormente considerada distante dos combates.
A candidata do partido pacifista Iabloko, Anastasia Kidalova, afirmou que o ataque evidenciou diferenças entre a percepção transmitida pelos meios oficiais e a realidade enfrentada pela população local. Segundo ela, parte dos moradores passou a compreender que não existem mais áreas completamente protegidas da guerra.
População manifesta preocupações com o prolongamento da guerra
Além dos impactos diretos dos ataques, relatos reunidos pela imprensa apontam preocupação crescente entre moradores russos com uma possível nova mobilização militar, os efeitos econômicos da guerra e a falta de perspectivas para o encerramento do conflito.
Ao mesmo tempo, permanece entre parte da população o receio de que uma eventual derrota militar provoque instabilidade política e social. Esse cenário também influencia o debate interno sobre o futuro da guerra.
O governo russo adotou medidas para reduzir riscos ao abastecimento de combustíveis, incluindo restrições temporárias às exportações de diesel após os ataques contra instalações energéticas.
Zelensky substitui comandante das Forças Armadas
Em meio ao avanço das operações militares, o presidente Volodymyr Zelensky anunciou na terça-feira (21/07/2026) a substituição do comandante das Forças Armadas da Ucrânia.
O general Oleksandr Syrskyi deixou o cargo e foi sucedido por Mykhaïlo Drapatyi, oficial de 43 anos que ganhou projeção durante operações militares iniciadas após 2014.
A mudança ocorre apesar de Syrskyi afirmar que, durante sua gestão, as forças ucranianas recuperaram aproximadamente 700 quilômetros quadrados de território em 2026.
Divergências sobre tecnologia e estratégia militar
A troca de comando ocorreu poucos dias após manifestações em Kiev, iniciadas após a saída do então ministro da Defesa, Mykhaïlo Fedorov, identificado como um dos responsáveis pela modernização tecnológica das Forças Armadas.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, Fedorov defendia maior investimento em drones, sistemas automatizados e novas tecnologias militares, enquanto críticos atribuíam a Syrskyi uma condução baseada em métodos considerados mais tradicionais.
As manifestações passaram a defender tanto o retorno de Fedorov ao Ministério da Defesa quanto a nomeação de Drapatyi para o comando do Exército, revelando divergências sobre a estratégia militar adotada pelo governo ucraniano.
Nova liderança busca acelerar modernização militar
Antes de assumir o comando das Forças Armadas, Mykhaïlo Drapatyi ocupava a chefia das forças terrestres da Ucrânia desde novembro de 2024. Durante sua gestão, apoiou mudanças relacionadas ao recrutamento, treinamento e incorporação de novas tecnologias.
Em sua primeira manifestação após a nomeação, Drapatyi afirmou defender um Exército voltado ao aprendizado contínuo, à inovação tecnológica, à proteção da população e à responsabilização dos comandantes pelos resultados militares.
A substituição busca reduzir a crise política provocada pelas mudanças recentes no governo e reorganizar a condução das operações militares diante da continuidade da guerra.
Rússia acusa Ucrânia de ataques contra civis
No âmbito diplomático, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que operadores ucranianos de drones estariam promovendo ataques contra civis na região de Donbass. Segundo a diplomata, a prática teria se transformado em uma estrutura organizada de ataques à distância.
Zakharova declarou ainda que todos os responsáveis por supostos crimes contra civis serão identificados e responsabilizados. As declarações refletem a posição oficial do governo russo e integram o conjunto de acusações trocadas entre Moscou e Kiev desde o início da guerra.
Enquanto isso, organismos internacionais continuam alertando para o aumento das vítimas civis e para a necessidade de observância das normas do Direito Internacional Humanitário durante a condução das operações militares.
*Com informações da RFI e Sputnik News.







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