Os rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram, na quarta-feira (22/07/2026), ataques contra dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, ampliando o conflito regional relacionado à guerra entre Estados Unidos e Irã. O grupo afirmou ter atingido as embarcações Encelia e Layla, alegando que os navios teriam desrespeitado o bloqueio imposto à navegação. Segundo autoridades sauditas, não houve vítimas entre os tripulantes.
A ação marca a abertura de uma nova frente do conflito no Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Canal de Suez, rota utilizada pelo comércio internacional de petróleo e mercadorias. O episódio ocorre enquanto os confrontos militares entre Washington e Teerã continuam a se intensificar em diferentes pontos do Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de bombardeios contra instalações militares iranianas, enquanto o Irã respondeu com ataques e operações envolvendo drones e mísseis contra posições ligadas aos interesses norte-americanos na região.
Houthis ampliam bloqueio no Mar Vermelho
Em comunicado divulgado por meio do Telegram, os houthis informaram que a operação teve como alvo dois petroleiros sauditas que transitavam pelo Estreito de Bab el-Mandeb. O grupo, aliado do Irã, já havia anunciado anteriormente a intenção de dificultar o transporte de petróleo saudita pela região.
O bloqueio aumenta a preocupação internacional por envolver uma das principais rotas marítimas do planeta. O estreito é passagem obrigatória para embarcações que seguem em direção ao Canal de Suez, responsável por grande parte do comércio entre Ásia, Oriente Médio e Europa.
Antes dos ataques, pelo menos cinco petroleiros alteraram suas rotas para evitar a navegação pelo Mar Vermelho, refletindo o aumento do risco operacional para empresas do setor marítimo.
Estados Unidos mantêm ofensiva contra o Irã
Os ataques dos houthis ocorreram paralelamente à 12ª noite consecutiva de bombardeios norte-americanos contra alvos militares iranianos. Entre os locais atingidos está a cidade de Bushehr, onde funciona a única usina nuclear em operação no Irã.
Segundo informações divulgadas por autoridades iranianas, ataques também atingiram Shalamcheh, na fronteira com o Iraque, além de áreas nas cidades de Ahvaz e Sirik, próxima ao Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que novas operações militares poderão ocorrer caso embarcações sejam atacadas no Estreito de Ormuz, incluindo possíveis ações contra infraestrutura estratégica iraniana.
Irã amplia resposta militar na região
A Guarda Revolucionária Islâmica informou ter destruído, na Jordânia, um radar norte-americano associado ao sistema antimísseis THAAD, além de atingir instalações utilizadas para manutenção de helicópteros.
No Kuwait, o Irã afirmou ter realizado ataques com drones contra estruturas militares norte-americanas, incluindo depósitos de munições e reservatórios de combustível localizados nas bases Doha, Ali al-Salem e Arifjan.
A Jordânia confirmou a interceptação de mísseis e drones iranianos nas últimas 24 horas, informando que não houve vítimas nem danos materiais decorrentes das ações.
Disputa por Ormuz e Bab el-Mandeb amplia preocupação energética
A ampliação simultânea das tensões no Estreito de Ormuz e no Estreito de Bab el-Mandeb aumenta as preocupações sobre o abastecimento mundial de petróleo.
O Estreito de Ormuz concentra aproximadamente 20% do comércio global de petróleo, enquanto Bab el-Mandeb representa uma das principais conexões marítimas entre o Oceano Índico e o Mar Mediterrâneo.
A possibilidade de restrições simultâneas nas duas rotas elevou os preços internacionais do petróleo e aumentou a preocupação dos mercados financeiros com eventuais interrupções no fluxo global de energia.
Pressão política cresce sobre Donald Trump
A escalada militar ocorre a poucos meses das eleições legislativas norte-americanas e amplia a pressão política sobre o governo de Donald Trump.
Na plataforma Truth Social, Trump declarou que qualquer ataque iraniano contra embarcações no Estreito de Ormuz poderá resultar em novos bombardeios contra infraestrutura iraniana, incluindo pontes e usinas de energia.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que qualquer ação contra instalações civis iranianas receberá uma resposta proporcional, enquanto o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, confirmou que os canais diplomáticos com Washington permanecem abertos.
Estados Unidos mantêm negociações diplomáticas e ampliam parceria com a Arábia Saudita
Apesar da continuidade das operações militares, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que os Estados Unidos permanecem abertos à negociação com o Irã, embora tenha afirmado que Teerã ainda não demonstra interesse em avançar nas conversas.
Paralelamente, Washington prepara um acordo de cooperação para o desenvolvimento de um programa nuclear civil na Arábia Saudita, iniciativa que busca fortalecer a parceria estratégica entre os dois países em meio ao aumento das tensões regionais.
Enquanto as negociações diplomáticas prosseguem, a ampliação das operações militares envolvendo Estados Unidos, Irã, houthis, Arábia Saudita, Jordânia, Kuwait e outros países da região reforça o risco de expansão do conflito para áreas estratégicas do comércio internacional e da segurança energética mundial.
*Com informações da RFI.







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