A Inteligência Artificial (IA) já é utilizada por 59% dos órgãos públicos federais e estaduais brasileiros, segundo os resultados da pesquisa TIC Governo 2025, divulgados na quinta-feira (23/07/2026) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O levantamento mostra o avanço da tecnologia na administração pública, identifica as principais aplicações da IA e aponta que a capacitação dos servidores públicos permanece como um dos principais desafios para ampliar sua adoção.
O estudo revela que o Poder Judiciário lidera a utilização da Inteligência Artificial, com presença da tecnologia em 94% dos órgãos, seguido pelo Ministério Público (92%), Poder Legislativo (83%) e Poder Executivo (55%). Entre as diferentes esferas administrativas, a IA está presente em 70% dos órgãos federais e em 58% dos estaduais.
Os dados também indicam que a Inteligência Artificial já supera outras tecnologias digitais avançadas na administração pública. Enquanto a Internet das Coisas (IoT) aparece em 20% dos órgãos federais e 29% dos estaduais, o Blockchain é utilizado por 25% das instituições federais e 17% das estaduais.
Automatização de processos lidera aplicações da Inteligência Artificial
Realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), a pesquisa chega à sua sétima edição, consolidando indicadores sobre transformação digital no setor público brasileiro.
Entre os órgãos que utilizam Inteligência Artificial, a principal aplicação é a automatização de processos e fluxos de trabalho, adotada por 39% das instituições, sendo 45% na esfera federal e 38% na estadual.
Na sequência aparecem a mineração de texto e análise de linguagem, presentes em 35% dos órgãos, além das ferramentas de aprendizagem de máquina para predição e análise de dados, utilizadas por 31% das instituições públicas.
Pesquisa mapeia uso da IA nas prefeituras pela primeira vez
Pela primeira vez, a TIC Governo avaliou o uso da Inteligência Artificial nas prefeituras brasileiras. O levantamento aponta que 27% dos municípios utilizaram IA nos 12 meses anteriores à pesquisa.
A adoção da tecnologia apresenta diferenças conforme o porte populacional. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, o índice chega a 85%, enquanto nas capitais alcança 81%. Já entre os municípios com até 10 mil habitantes, o percentual é de 22%.
Nas administrações municipais, as aplicações mais frequentes também concentram-se na automatização de processos (14%) e na mineração de texto (12%). Segundo os gestores entrevistados, a tecnologia é utilizada principalmente para melhorar os serviços prestados à população (17%), aperfeiçoar operações internas (17%), apoiar políticas públicas (14%) e fiscalizar a utilização de recursos públicos (10%).
IA generativa amplia presença nos órgãos federais
A edição de 2025 também apresenta o primeiro panorama sobre o uso da Inteligência Artificial generativa no setor público brasileiro.
Nos órgãos federais, 65% já desenvolvem iniciativas voltadas ao uso da tecnologia em processos internos, enquanto 29% utilizam soluções de IA generativa em serviços prestados diretamente aos cidadãos.
O levantamento mostra ainda que 59% dos órgãos federais oferecem cursos ou treinamentos para seus servidores, 46% contrataram ferramentas específicas para utilização da tecnologia e 43% estabeleceram diretrizes ou manuais de uso para orientar as equipes.
Segundo Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br | NIC.br, os resultados demonstram que a Inteligência Artificial já integra a rotina de parte significativa da administração pública brasileira e reforçam a necessidade de ampliar a qualificação dos servidores para potencializar os benefícios da tecnologia na prestação de serviços públicos.
Capacitação é apontada como principal desafio para expansão da IA
A pesquisa identifica que a falta de capacitação é a principal barreira para ampliar o uso da Inteligência Artificial no setor público. O problema foi citado por 19% dos órgãos federais, 21% dos estaduais e 40% das prefeituras.
Entre os municípios, os gestores também apontaram outros obstáculos, como a IA não ser considerada prioridade de governo (36%), a ausência de necessidade ou interesse (35%), dificuldades relacionadas à qualidade e disponibilidade de dados (35%) e os custos elevados (34%).
Outro destaque do estudo é o crescimento dos canais digitais de atendimento ao cidadão. O atendimento por WhatsApp ou Telegram passou de 56% das prefeituras em 2023 para 64% em 2025, tornando-se o segundo principal canal de atendimento, atrás apenas do telefone convencional (83%). Nos demais níveis de governo, 39% dos órgãos federais e 43% dos estaduais disponibilizam atendimento por aplicativos de mensagens.
Pesquisa entrevistou mais de 3,8 mil instituições públicas
Realizada a cada dois anos desde 2013, a TIC Governo acompanha a incorporação das tecnologias digitais na administração pública brasileira e avalia seu impacto na prestação de serviços, no acesso à informação e na participação da sociedade.
A coleta de dados da edição de 2025 ocorreu entre julho de 2025 e abril de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com 576 órgãos públicos federais e estaduais e 3.253 prefeituras, totalizando 3.829 instituições públicas participantes do levantamento.
*Com informações da Agência Brasil.







Deixe um comentário