Inadimplência cresce na Bahia em junho de 2026, atinge 5,19 milhões de pessoas e chega a 293,8 mil em Feira de Santana

A inadimplência voltou a crescer na Bahia em junho de 2026 e atingiu 5.194.983 consumidores, aumento de 0,3% em comparação com maio, quando o estado contabilizava 5.179.426 pessoas negativadas. Em Feira de Santana, o número chegou a 293.869 inadimplentes, enquanto, no Brasil, mais de 234 mil novos CPFs foram incluídos nos cadastros de negativação. Os dados, analisados nesta sexta-feira (24/07/2026), integram o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa e revelam a persistência das dificuldades enfrentadas pelas famílias para manter compromissos financeiros em dia.

Bahia soma 5,19 milhões de consumidores inadimplentes

O contingente de inadimplentes na Bahia aumentou em 15.557 pessoas entre maio e junho. A variação mensal de aproximadamente 0,3% interrompeu qualquer expectativa de estabilização imediata e acompanhou a retomada do crescimento observada nacionalmente.

Ao todo, os consumidores baianos acumulam 15.551.695 dívidas negativadas, cujo valor ultrapassa R$ 23.279.304.232. Os dados demonstram que a inadimplência no estado não está concentrada apenas no número de pessoas afetadas, mas também no elevado volume de compromissos financeiros em atraso.

Os principais segmentos responsáveis pelas pendências na Bahia são bancos e cartões de crédito, com 32,22% dos registros; empresas financeiras, com 22,71%; e o varejo, responsável por 14,48%. Somados, esses três setores concentram quase 70% das dívidas negativadas no estado.

A concentração em operações bancárias, cartões e financeiras indica que uma parcela expressiva da inadimplência está vinculada ao uso de crédito. O resultado abrange desde faturas de cartão e empréstimos até financiamentos e outros produtos oferecidos por instituições que operam no mercado de crédito ao consumidor.

A inadimplência deve ser distinguida do endividamento. Uma pessoa endividada possui compromissos financeiros a vencer ou em pagamento, enquanto o consumidor inadimplente deixou de cumprir uma obrigação no prazo estabelecido e pode ter o débito registrado em cadastros de restrição ao crédito.

Feira de Santana alcança 293.869 inadimplentes

Em Feira de Santana, 293.869 consumidores estavam inadimplentes em junho. No mês anterior, o município contabilizava 292.505 pessoas nessa condição, o que representa uma elevação de 1.364 inadimplentes, equivalente a aproximadamente 0,47%.

O crescimento municipal foi, proporcionalmente, superior à variação registrada no conjunto da Bahia. Em maio, os consumidores feirenses acumulavam 924.673 dívidas negativadas, contra 890.495 em abril, demonstrando que o aumento do número de pessoas inadimplentes também vinha acompanhado pela expansão da quantidade de débitos em aberto.

O total registrado em junho representa aproximadamente 5,7% de todos os consumidores negativados da Bahia. O dado possui relevância econômica porque Feira de Santana exerce a função de principal polo comercial e de serviços do interior baiano, com influência sobre consumidores de dezenas de municípios das regiões do Portal do Sertão, Sisal, Bacia do Jacuípe, Piemonte da Diamantina e Recôncavo.

A restrição cadastral reduz a capacidade de contratação de crédito, dificulta compras parceladas e pode limitar o acesso a financiamentos, serviços e operações bancárias. Em escala coletiva, o avanço da inadimplência tende a afetar a circulação de recursos no comércio, elevar o risco das operações de crédito e ampliar a cautela de empresas e instituições financeiras.

O impacto sobre o varejo local já vinha sendo apontado por representantes empresariais. Em junho, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Feira de Santana, Juscelino Brito, relacionou o desempenho mais fraco do comércio no primeiro semestre de 2026 à redução da capacidade de consumo, ao endividamento das famílias e aos juros elevados.

Brasil registra mais de 234 mil novos consumidores negativados

No Brasil, o número de pessoas inadimplentes cresceu 0,28% em junho, com a entrada de mais de 234 mil novos CPFs nos cadastros de negativação. A taxa foi o dobro da registrada em maio, quando o avanço havia sido de 0,14%, mas permaneceu como o segundo menor crescimento mensal de 2026.

A proporção de consumidores negativados alcançou 50,9% da população adulta brasileira. Isso significa que aproximadamente um em cada dois adultos possui ao menos uma dívida registrada como inadimplente.

O valor médio devido por consumidor chegou a R$ 6.920,63, montante correspondente a cerca de quatro salários mínimos. Em todo o país, foram contabilizadas 345,5 milhões de dívidas em aberto, cujo valor agregado supera R$ 579,5 bilhões.

Bancos e instituições financeiras concentram 46,9% das dívidas negativadas no país. Em seguida aparecem as contas básicas, como água, energia e gás, com 21,3%, e os serviços, responsáveis por 11,7%.

O predomínio das obrigações financeiras demonstra a importância das condições de crédito para a evolução da inadimplência. Cartões, empréstimos e financiamentos podem aumentar rapidamente de valor quando não são pagos no vencimento, especialmente em operações submetidas a juros, multas e encargos.

As contas básicas aparecem na segunda posição, revelando que parte dos consumidores também enfrenta dificuldades para manter despesas essenciais. A presença desse segmento entre as principais origens das dívidas amplia a dimensão social do problema, pois envolve serviços indispensáveis ao funcionamento das residências.

Número de estados com redução da inadimplência cai pela metade

A comparação entre maio e junho mostra uma deterioração do quadro regional. Em maio, 14 das 27 unidades federativas haviam registrado redução no número de consumidores negativados. Em junho, apenas sete estados apresentaram queda.

No mês de maio, 113 mil novos CPFs haviam sido incluídos nos cadastros, menor crescimento mensal observado desde o início de 2026. Naquele período, os brasileiros acumulavam aproximadamente 344 milhões de dívidas, avaliadas em mais de R$ 574 bilhões, e o valor médio devido por consumidor era de R$ 6.877,23.

Entre maio e junho, portanto, o volume nacional de dívidas aumentou em cerca de 1,5 milhão de registros, enquanto o valor total passou de mais de R$ 574 bilhões para mais de R$ 579,5 bilhões. O avanço mostra que não apenas novos consumidores foram negativados, mas também houve crescimento do estoque financeiro das pendências.

A especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, afirmou que os resultados de junho demonstram uma retomada mais intensa da inadimplência, embora a velocidade de crescimento permaneça inferior à observada em outros momentos do ano.

“Depois de um mês de maio mais ameno, os dados de junho mostram que a inadimplência voltou a crescer com mais força. Porém, ainda mais lenta do que o restante do ano.”

Segundo a especialista, a antecipação das negociações pode impedir que juros e encargos aumentem o valor das pendências e dificultem ainda mais a regularização.

“O cenário segue exigindo cautela: manter as contas organizadas e antecipar a negociação de débitos em atraso ajuda a evitar que o problema se acumule ao longo dos próximos meses, tornando-se uma bola de neve.”

Serasa amplia campanha para negociação de dívidas

Diante do crescimento da inadimplência, a Serasa prorrogou a ação que oferece cupons para consumidores interessados em regularizar contas em atraso. A negociação pode ser feita pelo aplicativo ou pelo site da empresa, que reúne ofertas de instituições financeiras, varejistas, securitizadoras, prestadores de serviços e empresas participantes do Novo Desenrola Brasil.

Os consumidores elegíveis podem obter até R$ 500 de desconto adicional, valor somado aos abatimentos já oferecidos pelos credores. As condições dependem da empresa responsável pela dívida, do valor da pendência e das opções disponíveis para cada CPF.

Para verificar as ofertas, o consumidor deve acessar os canais oficiais da Serasa, informar CPF e senha, selecionar a dívida e conferir as condições de pagamento. Quando houver cupom disponível, o benefício deve ser ativado antes da confirmação do acordo.

A empresa informa que o pagamento pode ser feito à vista por Pix ou boleto, conforme as condições apresentadas. Antes de concluir a negociação, o consumidor deve verificar o valor final, a identificação da empresa credora, a quantidade de parcelas, os vencimentos e as regras aplicáveis ao acordo.

A ampliação das renegociações ocorre paralelamente ao Novo Desenrola Brasil. Em junho, o programa federal havia beneficiado mais de 6 milhões de pessoas e famílias, com aproximadamente 4 milhões de dívidas de pequeno valor quitadas, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda.

Linha do tempo da inadimplência entre maio e julho de 2026

Maio de 2026

O Brasil registrou 113 mil novos consumidores negativados, aumento mensal de 0,14%. Quatorze estados apresentaram redução da inadimplência. A Bahia chegou a 5.179.426 inadimplentes, enquanto Feira de Santana contabilizou 292.505 pessoas com restrições cadastrais.

No mesmo mês, teve início a campanha de cupons adicionais oferecidos pela Serasa para consumidores que buscassem negociar débitos por meio da plataforma Limpa Nome.

Junho de 2026

O crescimento nacional acelerou para 0,28%, com mais de 234 mil novos CPFs negativados. O número de estados que apresentaram queda na inadimplência foi reduzido de 14 para sete.

A Bahia alcançou 5.194.983 inadimplentes, aumento de 15.557 pessoas. Em Feira de Santana, o contingente avançou para 293.869 consumidores, acréscimo de 1.364 pessoas em relação a maio.

O estoque nacional chegou a 345,5 milhões de dívidas, avaliadas em mais de R$ 579,5 bilhões. O valor médio por consumidor subiu para R$ 6.920,63.

Julho de 2026

A Serasa divulgou os resultados referentes a junho e ampliou o prazo da campanha de cupons para renegociação. Desde o início da mobilização, mais de 111 mil consumidores utilizaram os benefícios.

Os acordos realizados com os cupons concederam mais de R$ 974 milhões em descontos. Segundo a empresa, mais de 11 milhões de brasileiros ainda estavam aptos a acessar os benefícios adicionais.

Reversão da inadimplência

O aumento registrado em junho confirma que a desaceleração observada em maio não se consolidou como uma reversão da inadimplência. A elevação simultânea do número de consumidores negativados, da quantidade de dívidas e do valor acumulado indica que o problema permanece estrutural e não pode ser avaliado apenas pela variação mensal. Renegociações podem reduzir o estoque de pendências, mas seus efeitos dependem da capacidade de pagamento posterior e da manutenção dos acordos.

Na Bahia, a concentração de quase 70% das dívidas em bancos, cartões, financeiras e varejo reforça a necessidade de acompanhar as condições de concessão de crédito e o comprometimento da renda das famílias. Em Feira de Santana, o avanço para 293.869 inadimplentes possui repercussão direta sobre uma economia fortemente dependente do comércio e dos serviços. Permanecem como pontos de acompanhamento a evolução dos juros, da renda, do emprego, do consumo e da adesão aos programas de renegociação.

O núcleo é a retomada do crescimento da inadimplência em junho: a Bahia adicionou 15.557 consumidores ao cadastro de negativados, Feira de Santana registrou mais 1.364 pessoas nessa condição e o Brasil incorporou mais de 234 mil CPFs.

A inadimplência voltou a crescer em junho de 2026 e atingiu 5.194.983 consumidores na Bahia, com mais de R$ 23,2 bilhões em débitos. Feira de Santana chegou a 293.869 inadimplentes, aumento de 1.364 pessoas em um mês. No Brasil, 234 mil novos CPFs foram negativados, enquanto 345,5 milhões de dívidas somam mais de R$ 579,5 bilhões, segundo a Serasa.
Inadimplência cresce na Bahia e atinge 5,19 milhões de consumidores em junho de 2026. Feira de Santana registra 293.869 negativados, enquanto as dívidas baianas superam R$ 23,2 bilhões.

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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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