Irã ataca Qatar, Emirados Árabes, Bahrein e Kuwait após ofensiva dos EUA e anuncia fechamento do Estreito de Ormuz

O Irã lançou, neste domingo (12/07/2026), uma ofensiva com mísseis balísticos e drones contra instalações associadas aos Estados Unidos no Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã e Jordânia, enquanto sistemas de defesa aérea também foram acionados nos Emirados Árabes Unidos. Os ataques ocorreram horas depois de as forças norte-americanas atingirem aproximadamente 140 alvos militares iranianos e aprofundaram a crise em torno do Estreito de Ormuz, cuja passagem Teerã declarou novamente fechada. Washington contesta o anúncio e afirma que o tráfego marítimo continua, embora em condições de elevado risco. No Qatar, três pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas por estilhaços resultantes das interceptações. sões sobre Doha e alertas de segurança no Golfo

Duas ondas de ataques provocaram fortes explosões sobre Doha durante a madrugada e a manhã de domingo. Jornalistas da Euronews posicionados em diferentes áreas da capital relataram interceptações de mísseis balísticos iranianos e ondas de choque percebidas em vários pontos da cidade.

O Ministério da Defesa do Qatar informou que as forças armadas continuavam interceptando projéteis lançados contra o território nacional. Às 05h36, no horário local, moradores receberam alertas de emergência nos telefones celulares, com orientações para permanecerem em ambientes fechados, afastados das janelas e atentos às determinações das autoridades. ério do Interior qatari confirmou que três pessoas, incluindo uma criança, foram atingidas por fragmentos decorrentes das operações de defesa. As condições clínicas das vítimas não foram detalhadas. O governo responsabilizou juridicamente o Irã pelo episódio e voltou a advertir que não poderia exercer plenamente sua função de mediador enquanto permanecesse sob ataque. de Al Udeid estava entre os alvos declarados

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado a Base Aérea de Al Udeid, no Qatar, principal instalação militar norte-americana na região. Segundo Teerã, a operação teria destruído um centro de comando e controle e uma unidade de manutenção de aeronaves.

As autoridades do Qatar, entretanto, informaram que os mísseis dirigidos à base foram interceptados. Até a atualização desta reportagem, não havia confirmação independente sobre a destruição das estruturas mencionadas pelo governo iraniano. abriga forças dos Estados Unidos e desempenha função estratégica nas operações aéreas e de vigilância realizadas no Oriente Médio. A presença dessas instalações explica por que países que não participam diretamente das ofensivas contra o território iraniano passaram a ser tratados por Teerã como extensões da infraestrutura militar norte-americana.

Emirados Árabes, Bahrein e Kuwait acionam defesas

Nos Emirados Árabes Unidos, sistemas de defesa foram ativados diante da aproximação de mísseis e drones. Moradores receberam orientações para procurar abrigo, enquanto explosões atribuídas às interceptações foram ouvidas em diferentes áreas.

Posteriormente, autoridades emiradenses informaram que as ameaças haviam sido detectadas fora das fronteiras nacionais. O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados condenou os ataques iranianos contra Bahrein, Kuwait, Qatar, Jordânia e Omã, classificando-os como violações da soberania e ameaças à estabilidade regional. in, o comando das Forças de Defesa anunciou que sistemas antiaéreos interceptaram e destruíram diferentes ameaças lançadas pelo Irã durante a manhã. O país abriga a sede da 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, elemento que aumenta sua importância estratégica no conflito. t, as Forças Armadas comunicaram que estavam enfrentando “alvos aéreos hostis” e recomendaram que a população permanecesse protegida. A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido um radar norte-americano localizado no país, mas não apresentou provas verificáveis e as autoridades kuwaitianas não confirmaram a destruição da instalação. rotesta contra ataques e Jordânia relata impactos

Omã informou que drones atingiram locais nas províncias de Musandam e Al Wusta, áreas próximas a instalações portuárias e à rota marítima do Estreito de Ormuz. O governo convocou o embaixador iraniano, Mousa Farhang, para entregar uma nota formal de protesto.

A medida representou uma reação diplomática relevante porque Omã atua tradicionalmente como intermediário entre Washington e Teerã. O governo omanense classificou os ataques como atos irresponsáveis e manifestou preocupação com a extensão da guerra para países envolvidos nas tentativas de negociação. nia, três mísseis atingiram diferentes áreas, causando danos materiais considerados limitados, sem registro oficial de feridos. O Irã alegou ter destruído um centro de comando, hangares de drones e estruturas da Base Aérea Príncipe Hassan, mas as autoridades jordanianas não confirmaram essas perdas. os Unidos atingem 140 alvos militares iranianos

A ofensiva iraniana ocorreu após o Comando Central dos Estados Unidos, o Centcom, concluir a terceira rodada de ataques contra o Irã em uma semana. Segundo o órgão militar norte-americano, aproximadamente 140 alvos foram atingidos com munições de precisão lançadas por aeronaves, drones e navios.

A relação apresentada pelo Centcom inclui posições de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, instalações navais, redes de comunicação e sistemas de vigilância costeira. Consideradas as três noites de bombardeios, o total superou 300 alvos militares iranianos. on afirma que as operações têm como objetivo reduzir a capacidade de Teerã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais. A mídia estatal iraniana informou que explosões atingiram cidades portuárias e outras localidades, enquanto pelo menos um oficial do Exército teria morrido. Os números de vítimas e a extensão dos danos não puderam ser verificados de maneira independente. e a navio comercial precedeu ofensiva norte-americana

Os novos bombardeios dos Estados Unidos foram apresentados como resposta ao ataque contra o GFS Galaxy, navio porta-contêineres de bandeira cipriota atingido nas proximidades da costa de Omã.

A embarcação sofreu danos significativos na praça de máquinas, pegou fogo e precisou ser abandonada. Autoridades de Omã resgataram 23 tripulantes, enquanto um cidadão indiano permanecia desaparecido. O governo da Índia informou que acompanha as buscas. Revolucionária sustentou que embarcações teriam ignorado advertências e trafegado por uma rota não autorizada. De acordo com essa versão, um disparo de advertência atingiu uma das embarcações e obrigou sua imobilização. Washington classifica essas ações como ameaças à liberdade de navegação e à segurança do comércio internacional.

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz

A recém-criada Autoridade Iraniana do Estreito do Golfo Pérsico declarou que a passagem pelo Estreito de Ormuz não estava disponível em razão dos movimentos militares dos Estados Unidos. Segundo o órgão, novas permissões seriam concedidas após o restabelecimento da estabilidade.

O anúncio integra o esforço iraniano para estabelecer um mecanismo permanente de autorização e cobrança de taxas sobre embarcações que cruzam a região. Antes da guerra, aproximadamente um quinto das remessas mundiais de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo estreito, o que transforma qualquer bloqueio em risco imediato para preços, seguros marítimos, fretes e abastecimento energético. m rejeitou a declaração iraniana e afirmou que Teerã não controla sozinho a hidrovia. O Centro Conjunto de Informações Marítimas, coordenado pela Marinha norte-americana, comunicou que uma rota ampliada ao sul, próxima à costa de Omã, permanecia disponível para tráfego nos dois sentidos, apesar da ameaça elevada.

As informações disponíveis indicam, contudo, que a circulação ocorre em nível reduzido. A Associated Press registrou que cerca de 140 navios atravessaram a região na semana anterior, enquanto o volume diário antes da guerra se aproximava desse mesmo número. ta pelo estreito afeta energia, comércio e inflação

O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e constitui uma das passagens marítimas mais sensíveis da economia mundial. A rota é utilizada por exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Iraque e Irã.

Restrições prolongadas podem elevar o custo do petróleo, do gás natural liquefeito, dos seguros e do transporte marítimo. Esses aumentos atingem cadeias produtivas, combustíveis, fertilizantes, alimentos e produtos industriais, com capacidade de alimentar pressões inflacionárias em diferentes economias.

O Centcom informou que, desde o início de maio, forças norte-americanas auxiliaram a passagem de mais de 800 embarcações comerciais e de aproximadamente 400 milhões de barris de petróleo bruto pela região. Os dados foram divulgados pelo próprio comando e não representam uma auditoria independente do fluxo marítimo. o provisório entre EUA e Irã entra em colapso

A escalada ocorre menos de um mês depois do entendimento preliminar que previa a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e um período de 60 dias de negociações sobre segurança marítima, sanções, programa nuclear iraniano e encerramento da guerra.

O memorando foi anunciado em junho, após mediação internacional envolvendo Paquistão e países do Oriente Médio. A ausência de divulgação integral do documento, porém, manteve dúvidas sobre fiscalização, soberania marítima, cobrança de taxas e mecanismos para impedir novos ataques. a anterior aos ataques deste domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que considerava o cessar-fogo encerrado, embora mantivesse aberta a possibilidade de novos contatos diplomáticos. Washington também revogou uma licença que permitia a venda de petróleo iraniano, após ataques contra embarcações comerciais qatari e saudita. iações em Omã não impediram retomada da violência

No sábado (11/07/2026), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reuniu-se com o chanceler de Omã, Badr Albusaidi, para discutir os mecanismos de circulação no estreito.

As conversações deveriam prosseguir com a participação do Qatar. Araqchi também manteve contato telefônico com o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, cujo governo participa dos esforços de mediação.

Horas depois, entretanto, o ataque ao navio comercial e as ofensivas realizadas pelos Estados Unidos e pelo Irã reduziram o espaço para negociações. O presidente do Parlamento iraniano e integrante da equipe negociadora, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou: “Cumpram sua palavra ou paguem o preço”. do tempo da guerra e da disputa pelo Estreito de Ormuz

  • 28/02/2026 — Estados Unidos e Israel iniciam ataques contra o Irã. Teerã responde com mísseis e drones contra instalações norte-americanas e países do Golfo, marcando o início da guerra atual.
  • 04/03/2026 — O Irã declara exercer controle sobre o Estreito de Ormuz e amplia exigências para a passagem de embarcações.
  • 08/04/2026 — Estados Unidos e Irã anunciam um cessar-fogo inicial de duas semanas, associado à reabertura da hidrovia e ao início de negociações.
  • Abril e maio de 2026 — Ataques contra navios, instalações portuárias e infraestruturas energéticas mantêm o tráfego marítimo sob restrições.
  • 16 e 17/06/2026 — Washington e Teerã avançam em um memorando de entendimento que prevê reabertura gradual de Ormuz e 60 dias de negociações.
  • 07 e 08/07/2026 — Os Estados Unidos retomam ataques contra posições iranianas após novos incidentes com navios. Donald Trump afirma considerar o cessar-fogo encerrado.
  • 11/07/2026 — O porta-contêineres GFS Galaxy é atingido nas proximidades de Omã; 23 tripulantes são resgatados e um indiano permanece desaparecido.
  • 11/07/2026 — O Centcom atinge aproximadamente 140 alvos militares no Irã, elevando para mais de 300 o total de alvos atacados em três noites.
  • 12/07/2026 — O Irã lança mísseis e drones contra instalações no Qatar, Kuwait, Bahrein, Omã e Jordânia; os Emirados Árabes Unidos acionam suas defesas.
  • 12/07/2026 — Teerã anuncia novo fechamento do Estreito de Ormuz, enquanto Washington afirma que a rota ao sul, próxima a Omã, continua disponível. se crítica jornalística e conclusão editorial

A ofensiva iraniana amplia o conflito para territórios que, embora abriguem forças e instalações norte-americanas, também desempenham funções diplomáticas, econômicas e logísticas indispensáveis ao funcionamento do Golfo. O ataque ao Qatar é particularmente relevante por atingir um dos mediadores das negociações, enquanto a convocação do embaixador iraniano por Omã demonstra o enfraquecimento de canais tradicionalmente utilizados para evitar confrontos diretos.

A divergência sobre o Estreito de Ormuz não é apenas retórica. O Irã busca transformar sua proximidade geográfica e capacidade militar em autoridade para regular a navegação e cobrar taxas, enquanto os Estados Unidos sustentam que a passagem constitui uma rota internacional. A continuidade de algum tráfego não elimina os efeitos do conflito: a redução do número de navios, o risco de ataques, o aumento dos seguros e a incerteza sobre novas interrupções já constituem obstáculos concretos ao comércio energético.

O episódio importa porque reúne três dimensões inseparáveis: expansão territorial da guerra, risco para a população civil e ameaça ao abastecimento global de energia. Os próximos movimentos dependerão das decisões de Washington e Teerã, da capacidade de Qatar, Omã e Paquistão de preservar a mediação e da reação dos governos do Golfo diante de novos ataques. Permanecem sob acompanhamento o estado das vítimas, o destino do tripulante desaparecido, a situação real do tráfego em Ormuz, a extensão dos danos militares e a possibilidade de retomada ou rompimento definitivo do acordo provisório.


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