Guerra Israel-Irã se intensifica, atinge o Golfo e dispara preços do petróleo em meio a risco global

Sexta-feira, 20/03/2026 — Israel realizou uma nova série de ataques contra alvos estratégicos no Irã, ampliando a escalada militar iniciada no fim de fevereiro e desencadeando uma resposta imediata de Teerã, que lançou mísseis contra território israelense e instalações energéticas em países do Golfo. O agravamento do conflito, que já chega ao 21º dia, intensifica tensões regionais, afeta o fornecimento global de energia e mobiliza líderes internacionais diante do risco de uma crise geopolítica mais ampla.

A nova ofensiva israelense atingiu infraestruturas consideradas estratégicas no interior do território iraniano, incluindo áreas sensíveis em Teerã. Segundo as Forças de Defesa de Israel, os ataques fazem parte de uma estratégia para enfraquecer a capacidade militar e nuclear do regime iraniano.

Em resposta, o Irã lançou mísseis em direção a Israel, acionando sistemas de defesa aérea e sirenes em cidades como Tel Aviv. As interceptações foram registradas ao longo do dia, indicando a continuidade de uma guerra predominantemente aérea, mas com potencial de expansão para operações terrestres.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Irã está sendo progressivamente enfraquecido e que sua capacidade de produzir mísseis e enriquecer urânio foi significativamente comprometida. Apesar disso, não apresentou evidências verificáveis nem um cronograma para o encerramento das operações.

Conflito se amplia e atinge países do Golfo

A guerra ultrapassou as fronteiras diretas entre Israel e Irã e passou a atingir países estratégicos do Golfo Pérsico. Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos relataram ataques com mísseis e drones, direcionados principalmente a instalações energéticas.

No Kuwait, uma refinaria já danificada voltou a ser atingida, provocando incêndios e paralisação parcial das operações. Nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, sistemas de defesa foram acionados para interceptar projéteis e drones.

Esses ataques fazem parte da estratégia iraniana de atingir interesses indiretos dos Estados Unidos e de seus aliados na região, ampliando o alcance do conflito e pressionando economicamente o Ocidente.

Infraestrutura energética no centro da guerra

A ofensiva israelense contra o campo de gás South Pars — a maior reserva de gás natural do mundo — marcou um ponto de inflexão no conflito. A instalação, compartilhada entre Irã e Catar, tornou-se alvo central da disputa geopolítica.

Como resposta, o Irã passou a atacar instalações energéticas em países vizinhos, provocando efeitos imediatos nos mercados globais. O preço do petróleo atingiu cerca de US$ 107 por barril, enquanto o gás natural na Europa registrou alta significativa, alcançando níveis não vistos desde 2023.

O Catar informou uma redução de 17% na sua capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) após ataques a seu principal complexo produtivo, ampliando a preocupação com a segurança energética global.

Pressão internacional e risco no Estreito de Ormuz

A escalada do conflito reacendeu o alerta sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. O bloqueio parcial promovido pelo Irã elevou o risco de interrupções no comércio global de energia.

Diante desse cenário, líderes europeus reunidos em Bruxelas defenderam uma moratória nos ataques a infraestruturas energéticas e pediram máxima contenção das partes envolvidas.

Países como França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Países Baixos e Japão sinalizaram disposição para atuar na segurança marítima da região, embora condicionem essa participação ao fim das hostilidades.

A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação de 426 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, numa tentativa de conter a volatilidade dos preços.

Estados Unidos pressionam por contenção, mas ampliam envolvimento

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu publicamente que Israel interrompesse ataques a campos de gás iranianos, demonstrando preocupação com o impacto econômico da guerra, especialmente diante das eleições legislativas previstas para novembro.

Apesar disso, Washington segue diretamente envolvido no conflito. O Pentágono solicitou ao Congresso um orçamento adicional de quase US$ 200 bilhões para financiar as operações militares no Oriente Médio.

Paralelamente, os EUA aprovaram a venda de US$ 16,46 bilhões em armamentos para países do Golfo, reforçando a militarização da região e sinalizando que o conflito ainda está longe de uma solução diplomática.

Situação no Líbano e risco de expansão regional

O Líbano, já afetado pela atuação do Hezbollah — aliado do Irã —, também se encontra no centro da crise. O presidente libanês, Joseph Aoun, voltou a defender uma trégua e negociações diretas com Israel.

A França intensificou esforços diplomáticos e enviou seu chanceler para a região, tentando evitar a ampliação do conflito para um cenário de guerra regional mais abrangente.

No entanto, a continuidade dos ataques e a ausência de canais diretos de negociação indicam um cenário de elevada instabilidade e risco de prolongamento da guerra.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.


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