O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou à Câmara dos Deputados que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas globais pode gerar consequências diplomáticas, jurídicas, econômicas e até envolver o risco de utilização de força militar norte-americana em território brasileiro, conforme consta em documento assinado pelo ministro Mauro Vieira.
Além da manifestação do Itamaraty, a agenda política desta terça-feira (07/07/2026) foi marcada por declarações do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) sobre política externa e participação feminina na administração pública, além da divulgação de uma pesquisa qualitativa que aponta desgaste de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre eleitores considerados pendulares.
Os temas envolvem diferentes áreas da política nacional, incluindo relações internacionais, segurança pública, cenário eleitoral e política externa.
Itamaraty aponta possíveis efeitos da classificação de CV e PCC pelos Estados Unidos
Segundo documento encaminhado à Câmara dos Deputados e divulgado pelo portal UOL, o Itamaraty afirma que a classificação do CV e do PCC como grupos terroristas globais especialmente designados pode permitir que autoridades norte-americanas adotem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas físicas, empresas e organizações brasileiras.
O documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira, também menciona a possibilidade de que essa classificação possa fundamentar eventual uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro, embora ressalte tratar-se de um risco decorrente dos efeitos jurídicos da designação.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, os Estados Unidos ainda não comunicaram oficialmente o governo brasileiro sobre a medida, o que limita iniciativas diplomáticas formais. O Itamaraty informou ainda que o governo brasileiro tem manifestado posição contrária à classificação e defende o fortalecimento da cooperação bilateral com base no Estado de Direito e no respeito à soberania nacional.
Designação foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos
A classificação das duas organizações criminosas foi anunciada em 28 de maio de 2026 pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Na ocasião, Rubio informou que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital passaram a integrar as listas de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).
Segundo o secretário norte-americano, a medida busca ampliar os instrumentos legais disponíveis para combater organizações criminosas transnacionais e restringir seu acesso a financiamento e recursos.
Romeu Zema critica política externa e defende maior participação feminina
Também na terça-feira (07/07/2026), o pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) participou, em São Paulo, de encontro com cerca de 100 lideranças femininas.
Durante o evento, Zema afirmou que Minas Gerais ampliou a participação de mulheres em cargos públicos durante sua gestão, citando a presença feminina no Tribunal de Justiça, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
O político também defendeu maior participação feminina no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional, além de afirmar que processos seletivos baseados em critérios técnicos ampliam a presença de mulheres na administração pública.
Pré-candidato também faz críticas à política externa do governo Lula
Questionado sobre relações internacionais, Romeu Zema criticou a política externa conduzida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o pré-candidato, o Brasil deveria priorizar relações diplomáticas com países ocidentais e reduzir a aproximação com governos como Cuba, Venezuela e Irã.
Zema também comentou as negociações envolvendo a taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos e afirmou esperar uma solução para o tema, independentemente do responsável pela negociação.
Pesquisa qualitativa aponta desgaste de Flávio Bolsonaro
Outra informação divulgada nesta terça-feira envolve a oitava rodada da pesquisa qualitativa realizada pelo Instituto Democracia em Xeque, que avaliou a percepção de eleitores pendulares sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o levantamento, o envio de um dossiê de 86 páginas ao governo dos Estados Unidos, solicitando a suspensão temporária de tarifas sobre produtos brasileiros, teria provocado desgaste na imagem do parlamentar entre esse segmento do eleitorado.
A pesquisa aponta que parte dos entrevistados interpretou a iniciativa como motivada por interesses eleitorais e avaliou negativamente referências ao Pix presentes no documento enviado ao presidente norte-americano Donald Trump.
Estudo também aponta avanço de Lula entre eleitores pendulares
De acordo com o diretor de Relações Institucionais do instituto, Beto Vasques, episódios recentes envolvendo Flávio Bolsonaro contribuíram para reduzir sua percepção de autonomia entre os participantes da pesquisa.
O levantamento indica que Luiz Inácio Lula da Silva registrou avanço nesse grupo de eleitores, sendo associado por parte dos entrevistados à defesa dos interesses nacionais e às políticas sociais, embora também permaneçam críticas relacionadas à condução da política externa.
Segundo a pesquisa, os participantes diferenciaram a manutenção de relações diplomáticas com os Estados Unidos de uma eventual postura considerada excessivamente alinhada aos interesses norte-americanos.
*Com informações da Sputnik News.







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