Pesquisa Genial/Quaest mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro em cenários de junho de 2026

Na quarta-feira, 10/06/2026, a pesquisa Genial/Quaest divulgada pela Quaest indicou vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenários estimulados para a eleição presidencial de 2026. O levantamento mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro, e registra vantagem do petista também em eventual segundo turno, com 44% a 38%. A sondagem, contratada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas presencialmente em 120 municípios brasileiros, entre 5 e 8 de junho de 2026, com margem de erro estimada em 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Lula lidera primeiro turno contra Flávio Bolsonaro

No cenário estimulado de primeiro turno testado pela Genial/Quaest, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, consolidando a disputa entre os dois nomes como eixo central da corrida presidencial no levantamento de junho. O presidente registra 39% das intenções de voto, enquanto o senador alcança 29%.

Atrás dos dois principais concorrentes, Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada. Aécio Neves e Romeu Zema somam 2% cada um. O grupo de eleitores que se declara indeciso chega a 10%, índice relevante em uma disputa ainda distante do período eleitoral oficial.

A pesquisa também indica comportamento diferenciado entre segmentos ideológicos. No eleitorado identificado com o bolsonarismo, Flávio Bolsonaro mantém alto grau de fidelidade, com 94% de apoio. Já entre eleitores classificados como direita não bolsonarista, o desempenho do senador é mais limitado, com dispersão de preferências entre outras alternativas.

Segundo turno indica vantagem de seis pontos para Lula

Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 44%, contra 38% de Flávio Bolsonaro. A diferença numérica de 6 pontos percentuais indica vantagem do presidente no cenário testado, embora a leitura técnica do levantamento deva considerar a margem de erro informada pela pesquisa.

Segundo a análise publicada pela Quaest, parte da movimentação observada decorre do comportamento do eleitorado independente, com deslocamento de intenção de voto em direção a Lula no confronto direto. O levantamento também aponta oscilação negativa de Flávio Bolsonaro entre eleitores da direita não bolsonarista.

Outros nomes testados no segundo turno aparecem menos competitivos contra Lula. Romeu Zema e Ronaldo Caiado mantêm distância de 10 pontos em relação ao presidente. Renan Santos registra melhora na série histórica e chega a 31%, mas segue abaixo do desempenho de Flávio Bolsonaro no confronto direto.

Aprovação do governo e economia influenciam ambiente eleitoral

A pesquisa também mediu a avaliação do governo federal. O levantamento registra quadro numericamente equilibrado, com 48% de desaprovação e 47% de aprovação da administração Lula. A diferença entre os dois índices é estreita e sugere cenário de estabilidade relativa na percepção pública sobre o governo.

Entre os fatores apontados pela Quaest para explicar o ambiente político estão a percepção sobre medidas econômicas, o alívio financeiro de parte dos entrevistados e a circulação de notícias positivas sobre o governo federal. O instituto menciona efeitos associados à isenção do Imposto de Renda e ao novo programa Desenrola.

No tema do endividamento, a pesquisa indica redução do percentual de brasileiros que afirmam estar com muitas dívidas, de 28% para 23%. Ao mesmo tempo, o grupo que declara não ter mais dívidas chegou a 30%, dado que ajuda a contextualizar a relação entre economia doméstica e avaliação política.

Banco Master, tarifas e agenda internacional entram no debate

O levantamento também aborda fatores de desgaste para a oposição. Um dos pontos citados é a percepção pública sobre a crise envolvendo o Banco Master e seus possíveis impactos políticos sobre a família Bolsonaro. Segundo a Quaest, aumentou de 9% para 16% o percentual de brasileiros que acreditam que o caso pode afetar mais esse grupo político.

A pesquisa ainda registra que 58% dos entrevistados avaliam que Flávio Bolsonaro cometeu erro ao pedir financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para um documentário sobre Jair Bolsonaro. Esse dado aparece no levantamento como elemento de pressão sobre a imagem pública do senador no contexto da disputa presidencial.

Outro eixo analisado envolve a relação com os Estados Unidos, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e o debate sobre tarifas de importação. Embora 60% dos entrevistados defendam que grupos como o Comando Vermelho e o PCC sejam tratados como terroristas pela legislação brasileira, a sociedade aparece dividida quanto à eventual classificação feita diretamente pelo governo americano.

Dependência elevada do eleitorado bolsonarista

A pesquisa Genial/Quaest de junho de 2026 reforça a centralidade da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro no cenário presidencial, mas também expõe fragilidades relevantes em cada campo político. O presidente aparece numericamente à frente nos cenários testados, porém convive com avaliação de governo dividida, dado que limita qualquer leitura de consolidação eleitoral antecipada.

Para a oposição, o levantamento sugere dependência elevada do eleitorado bolsonarista e dificuldade de ampliação junto à direita não bolsonarista e ao eleitorado independente. Esse ponto é sensível porque uma disputa nacional tende a exigir capacidade de expansão para além da base ideológica mais fiel, sobretudo em eventual segundo turno.

O dado mais relevante do ponto de vista institucional é a presença de temas econômicos, judiciais, financeiros e internacionais na formação do ambiente eleitoral. A disputa de 2026, ao menos no retrato apresentado pela Quaest, não se resume à preferência partidária: envolve avaliação de governo, endividamento das famílias, percepção sobre crise bancária, relações externas e credibilidade dos atores políticos. Trata-se, portanto, de um cenário aberto, condicionado por acontecimentos ainda em curso.

Metodologia da pesquisa Genial/Quaest

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada presencialmente com 2.004 entrevistados, em 120 municípios brasileiros, entre os dias 5 e 8 de junho de 2026. A margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pela Genial Investimentos e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-7661/2026. Como ocorre em pesquisas eleitorais, os resultados representam uma fotografia do momento da coleta e não devem ser interpretados como previsão do resultado eleitoral.


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