O documentário “Cartas Para”, dirigido por Vânia Lima e produzido pela Têm Dendê Produções, terá uma programação especial durante o Julho das Pretas, com exibições na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e em Salvador. O filme será apresentado no sábado (25/07/2026) durante a programação da FLIP e, posteriormente, na terça-feira (28/07/2026), às 19h, no Boca de Brasa Cajazeiras, na capital baiana.
Distribuído pela Lança Filmes, o documentário reúne Paulina Chiziane, em Moçambique, Elisa Lucinda, no Brasil, e Raquel Lima, em Portugal, em uma narrativa construída a partir da troca de nove cartas entre as três escritoras. A correspondência atravessa o Oceano Atlântico e aborda experiências relacionadas à escrita, à diáspora e à história colonial dos países de língua portuguesa.
A produção já participou de importantes eventos do circuito audiovisual brasileiro, incluindo o Festival do Rio e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme apresenta os processos criativos das autoras e acompanha reflexões sobre literatura, identidade, memória e as relações estabelecidas por meio da língua portuguesa.
Documentário acompanha o cotidiano e o processo criativo de três escritoras
Ao longo da narrativa, Elisa Lucinda, Paulina Chiziane e Raquel Lima compartilham reflexões sobre seus percursos pessoais e profissionais, além da relação entre escrita, memória e identidade. O documentário utiliza a troca de cartas como elemento narrativo para conectar diferentes territórios e experiências da diáspora africana.
No filme, Elisa Lucinda afirma que enxerga a poesia como uma forma de correspondência. Segundo a escritora, “todo poeta está escrevendo uma carta, um bilhete”, mesmo quando o destinatário é imaginário ou o próprio autor. Reconhecida por sua atuação como poeta, escritora, cantora e atriz, Elisa figura entre os nomes de destaque da literatura brasileira contemporânea.
Já Paulina Chiziane destaca, em uma das cartas presentes no documentário, que a conquista da voz exige enfrentamento e construção permanente. A escritora também afirma que a escrita funciona como um espaço de elaboração de experiências pessoais. Paulina tornou-se a primeira mulher negra a publicar um romance em Moçambique e recebeu, em 2021, o Prêmio Camões, principal reconhecimento da literatura em língua portuguesa.
Raquel Lima aborda a língua portuguesa como espaço de construção e transformação
A escritora, poeta e investigadora portuguesa Raquel Lima também compartilha reflexões sobre o papel da linguagem. No documentário, ela afirma que a língua representa um espaço de poder, mas também de ocupação e reinvenção.
Doutoranda do Programa Pós-Colonialismos e Cidadania Global da Universidade de Coimbra, Raquel desenvolve pesquisas voltadas para oratura, escravatura e movimentos afrodiaspóricos, temas que dialogam diretamente com a proposta do filme.
Segundo a diretora Vânia Lima, o projeto foi desenvolvido como uma experiência de criação coletiva. De acordo com a cineasta, o objetivo foi construir uma narrativa em conjunto com as protagonistas, valorizando suas perspectivas e experiências ao longo do processo de realização.
Exibições ampliam o diálogo entre cinema e literatura
Para Vânia Lima, a participação do documentário na FLIP amplia as possibilidades de circulação da obra ao aproximar o cinema dos espaços dedicados à literatura. Segundo a diretora, a proposta permite que o filme seja acompanhado por debates e conversas sobre produção literária e identidade cultural.
A sessão em Salvador, marcada para terça-feira (28/07/2026), integra o Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026, política pública da Prefeitura de Salvador, coordenada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT) em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), no âmbito do programa Salvador Capital Afro.
Além da exibição do documentário, Raquel Lima participa de uma mesa de debates no domingo (26/07/2026), no Mirante da Casa das Histórias, em Salvador.
Produção reúne profissionais de Brasil, Moçambique e Portugal
Produzido pela Lima Comunicação, integrante do Grupo Têm Dendê, o documentário reúne profissionais dos três países participantes da narrativa. A equipe conta com Keyti Souza e Taguay Tayussy na produção executiva, Bruno Ramos na direção de produção e Cláudio Antônio na direção de fotografia.
O projeto foi realizado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio do Prodecine/2016 e da modalidade Suporte Automático, administrados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e pela Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Com mais de 30 projetos dirigidos, Vânia Lima atualmente desenvolve os documentários “Cartas Para” e “Pontos de Força”, além das séries “Memórias do Brasil” e da obra de ficção “Iceberg”. A diretora também coordena a área de conteúdo do Grupo Têm Dendê e integra o Conselho Superior de Cinema.
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