O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou na quarta-feira (22/07/2026) que o governo continuará mobilizando esforços diplomáticos para obter a retirada completa das forças israelenses do sul do país. A declaração ocorreu durante visita à cidade de Zawtar al-Gharbiya, onde o Exército libanês iniciou seu deslocamento após a retirada parcial das tropas israelenses, conforme previsto em acordo firmado entre os dois países.
O pronunciamento acontece um dia após o encontro entre o presidente libanês Joseph Aoun e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Durante a reunião, Aoun defendeu a retirada integral das tropas israelenses como condição para a implementação plena do acordo firmado em junho.
Ao hastear a bandeira do Líbano na cidade, Nawaf Salam afirmou que o governo seguirá utilizando instrumentos políticos e diplomáticos para consolidar o controle do Estado sobre a região sul e garantir a execução dos compromissos previstos no acordo.
Exército libanês amplia presença no sul do país
O Exército libanês iniciou na terça-feira (21/07/2026) o reposicionamento de tropas em áreas anteriormente ocupadas por Israel. A movimentação integra o cronograma estabelecido no acordo firmado entre os dois países para reduzir as tensões na fronteira.
Durante a operação, militares libaneses relataram disparos efetuados por forças israelenses próximos às unidades deslocadas. Em resposta, o Exército de Israel informou que realizou apenas disparos de advertência após soldados libaneses entrarem em uma área que, segundo Tel Aviv, não fazia parte da zona-piloto prevista no entendimento.
Apesar da redução dos confrontos diretos entre Israel e o Hezbollah, ataques esporádicos continuam sendo registrados no sul do território libanês. Na quarta-feira (22/07/2026), bombardeios atingiram a localidade de Nabatiyé al-Fawqa, segundo informações divulgadas pela agência oficial libanesa ANI.
Acordo prevê retirada israelense e desarmamento do Hezbollah
O acordo firmado em junho de 2026 estabelece o deslocamento gradual do Exército libanês para áreas evacuadas por Israel. Em contrapartida, o Hezbollah deveria iniciar um processo de desarmamento.
O movimento xiita rejeita essa condição e mantém posição contrária ao acordo nesse ponto. Em março de 2026, o grupo abriu uma frente de combate contra Israel em apoio ao Irã, provocando uma resposta militar israelense que incluiu bombardeios e operações terrestres.
O conflito resultou em mais de um milhão de deslocados, agravando a situação humanitária no sul do Líbano e aumentando a pressão internacional pela consolidação da trégua.
Governo prioriza reconstrução e retorno da população
Segundo Nawaf Salam, além da ampliação da presença militar estatal, o governo trabalha na reabertura de estradas, na remoção de escombros e no restabelecimento de serviços essenciais para permitir o retorno da população às áreas afetadas pelos confrontos.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 700 mil pessoas já retornaram ao sul do Líbano desde a entrada em vigor da trégua firmada em junho.
As autoridades libanesas afirmam que a reconstrução da infraestrutura e a ampliação da presença das instituições públicas constituem etapas fundamentais para estabilizar a região e reduzir o risco de novos confrontos.
Itália sediará nova rodada de negociações entre Líbano e Israel
Paralelamente às ações no terreno, a Itália confirmou que sediará uma nova rodada de negociações entre Líbano e Israel na terça-feira (04/08/2026), em Roma.
O anúncio foi feito pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que informou que será o segundo encontro em menos de um mês, após a primeira reunião realizada em julho.
Segundo Tajani, as conversas anteriores contribuíram para avanços na definição das primeiras zonas-piloto previstas no acordo firmado entre os dois países, etapa considerada importante para a continuidade do processo de retirada militar e redução das tensões na fronteira.
Enquanto prosseguem as negociações diplomáticas, o governo libanês mantém como prioridade a retirada integral das tropas israelenses, a reconstrução das áreas afetadas pelo conflito e a ampliação das condições para o retorno da população deslocada.
*Com informações da RFI.







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