Missas encerram ciclo de nove noites de celebração
A programação do Dia da Padroeira começou às 5h, com a Alvorada Festiva. Às 7h, a primeira celebração eucarística foi presidida pelo arcebispo emérito de Feira de Santana, Dom Itamar Vian, com pregação do monsenhor Luiz Rodrigues Oliveira. Às 10h, ocorreu a solene concelebração presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Zanoni Demettino Castro, com pregação de Dom Paulo Romeu Dantas Bastos, bispo de Jequié.
As missas encerraram o novenário realizado entre 17 e 25 de julho de 2026, sempre às 19h30. O tema geral desta edição foi “180 anos de Paróquia: da devoção à Sant’Ana nasce uma cidade de fé”, formulado para relacionar a história da comunidade católica à própria formação urbana e cultural de Feira de Santana.
Na noite de sábado (25/07/2026), o nono e último encontro do novenário lotou a Catedral Metropolitana. Parte do público acompanhou a celebração do lado externo por meio de um telão instalado diante do templo. A pregação, conduzida por Dom Zanoni, teve como tema “Devotos de Sant’Ana, um povo de discípulos missionários de Jesus Cristo”.
Devotos chegam de distritos e municípios vizinhos
Desde as primeiras horas do domingo, famílias, idosos, jovens e peregrinos chegaram à Catedral para agradecer por graças alcançadas, renovar compromissos religiosos e acompanhar as homenagens à padroeira. Registros locais confirmam a presença de devotos procedentes de municípios como Santo Estêvão e de diferentes comunidades da Arquidiocese de Feira de Santana.
Entre os participantes estava o lavrador Antônio, de 57 anos, que saiu durante a madrugada da localidade de Saquassu para acompanhar a primeira missa. Para ele, a viagem representou um compromisso de gratidão pela saúde, pelo trabalho e pela convivência familiar.
“A gente faz o pedido a Senhora Sant’Ana, ela pede ao seu neto, o Deus Todo-Poderoso, Nosso Senhor Jesus Cristo, e Ele diz sim. Aí a gente tem que vir agradecer. Aos 57 anos, estou cheio de saúde, acordo todo dia, trabalho e a família está em paz. Tenho um neto de 11 anos, já sou avô, e hoje só posso agradecer”, afirmou Antônio.
A presença de moradores da zona rural e de cidades vizinhas demonstra que os festejos possuem alcance superior aos limites urbanos de Feira de Santana. Dom Itamar Vian afirmou que a celebração recebe participantes de dioceses e comunidades de Salvador, Cruz das Almas, Alagoinhas e da região de Rui Barbosa, o que confere dimensão regional à festa.
Dia da padroeira também celebra vínculos entre gerações
O dia 26 de julho é dedicado, no calendário católico, a Sant’Ana e São Joaquim, reconhecidos pela tradição cristã como pais de Maria e avós maternos de Jesus Cristo. Por essa razão, a data também é celebrada como Dia dos Avós, associando a devoção religiosa à transmissão da fé, da memória familiar e dos valores comunitários entre gerações.
Durante as celebrações, as mensagens litúrgicas destacaram a responsabilidade das famílias na preservação dos ensinamentos religiosos. Dom Itamar relacionou o legado dos avós à continuidade de valores como fé, esperança, solidariedade, perdão e caridade.
Essa transmissão familiar foi representada pelo relato de Idália, de 74 anos, que atribuiu à própria avó o hábito de participar das homenagens à padroeira.
“Venho sempre. Sou católica, professo o meu batismo e acredito na família. Para mim, a Igreja Católica é a minha fé viva, graças a Deus”, declarou.
Devoção constitui elemento da identidade feirense
A moradora Isabel destacou que acompanha as procissões e novenas desde a infância e definiu a padroeira como uma referência de acolhimento e proteção para a população.
“Acompanho as procissões e as novenas desde sempre. Sant’Ana cuida e zela por Feira de Santana”, afirmou.
A relação entre a devoção e a formação da cidade remonta ao período colonial. Segundo a tradição histórica preservada pela comunidade religiosa, uma capela dedicada a São Domingos e Senhora Sant’Ana foi construída em 1732 nas terras da Fazenda Sant’Anna dos Olhos D’Água, pertencente a Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandôa. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registra que o templo se tornou ponto de referência para viajantes e comerciantes que atravessavam a região.
A posição geográfica da fazenda, situada entre o Recôncavo e o sertão baiano, favoreceu o trânsito de tropeiros, criadores de gado e comerciantes. Nas proximidades da capela formou-se uma feira periódica, inicialmente voltada ao comércio de animais e produtos agrícolas, que estimulou a abertura de ruas, a instalação de estabelecimentos e o crescimento do povoado.
O vínculo entre religião e desenvolvimento urbano ajuda a explicar a permanência de Sant’Ana no nome e na identidade do município. O cura da Catedral Metropolitana, padre Paulo Tarso, declarou durante os festejos que a história da cidade e a devoção à padroeira se confundem, pois o núcleo urbano se desenvolveu ao redor da antiga capela.
Paróquia completa 180 anos em 2026
A instituição da Paróquia de Senhora Sant’Ana, em 1846, marcou a organização permanente da comunidade católica local. Em 2026, os festejos celebraram os 180 anos dessa estrutura paroquial e quase três séculos de devoção no território onde se formou Feira de Santana.
O município havia sido criado pelo Decreto de 13 de novembro de 1832, com território desmembrado de Cachoeira. A instalação administrativa ocorreu em 18 de setembro de 1833, data atualmente lembrada como o Dia da Cidade. Em 16 de junho de 1873, a vila foi elevada à condição de cidade pela Lei Provincial nº 1.320.
A importância institucional da antiga Igreja Matriz aumentou em 21 de julho de 1962, quando foi criada a Diocese de Feira de Santana. Quatro décadas depois, em 16 de janeiro de 2002, o papa João Paulo II elevou a sede episcopal à condição de Arquidiocese Metropolitana e nomeou Dom Itamar Vian como primeiro arcebispo metropolitano.
Desde 18 de novembro de 2015, a Arquidiocese é conduzida por Dom Zanoni Demettino Castro, que sucedeu Dom Itamar Vian. Durante o novenário de 2026, o arcebispo ressaltou que o crescimento da cidade foi acompanhado pela permanência da espiritualidade associada à padroeira.
Festa integra calendário oficial do município
O Dia de Senhora Sant’Ana é feriado municipal em Feira de Santana por força da Lei Municipal nº 851, de 23 de outubro de 1978. Em 2026, o feriado ocorreu no domingo, 26 de julho.
A programação oficial foi anunciada em 5 de julho de 2026, durante cerimônia na Catedral Metropolitana, com a presença do prefeito José Ronaldo, do secretário municipal de Cultura, Esporte e Lazer, Cristiano Lôbo, de autoridades religiosas e de representantes da comunidade. Os eventos foram realizados entre 17 e 26 de julho, incluindo novenas, missas, atividades culturais e atos de confraternização.
Antes do início do novenário, o Bando Anunciador ocupou as ruas do Centro Histórico no domingo, 12 de julho de 2026. Organizado pelo Centro Universitário de Cultura e Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana, o cortejo reuniu fanfarras, escolas de samba, artistas, grupos culturais, sindicatos e moradores, mantendo uma tradição popular associada à abertura dos festejos.
Procissão encerra programação religiosa
Às 16h de domingo, a imagem de Senhora Sant’Ana deixou a Catedral Metropolitana para a procissão pelas principais ruas do centro. O cortejo contou com dezenas de andores representando paróquias da Arquidiocese, além de imagens particulares transportadas por famílias devotas. Durante o percurso, os participantes entoaram cânticos, realizaram orações e prestaram homenagens à padroeira.
O prefeito José Ronaldo percorreu o trajeto ao lado dos fiéis. Segundo o gestor, a participação na procissão integra uma prática repetida anualmente e representa um momento de manifestação pública da fé cristã.
O encerramento ocorreu após o retorno do cortejo à Catedral, com a bênção do Santíssimo Sacramento. A procissão concluiu oficialmente a Festa de Senhora Sant’Ana de 2026 e ampliou o público registrado durante as missas realizadas pela manhã.
Linha do tempo da devoção e da Festa de Senhora Sant’Ana
- 1732: tradição histórica local situa nesse ano a construção da capela dedicada a São Domingos e Senhora Sant’Ana na Fazenda Sant’Anna dos Olhos D’Água.
- 13/11/1832: criação do município e da vila de Feira de Santana, com desmembramento do território de Cachoeira.
- 18/09/1833: instalação político-administrativa do município.
- 1846: instituição da Paróquia de Senhora Sant’Ana.
- 16/06/1873: elevação da vila à categoria de cidade pela Lei Provincial nº 1.320.
- 23/10/1978: Lei Municipal nº 851 inclui o Dia de Senhora Sant’Ana entre os feriados municipais.
- 21/07/1962: criação da Diocese de Feira de Santana.
- 16/01/2002: elevação da Diocese à condição de Arquidiocese Metropolitana pelo papa João Paulo II.
- 18/11/2015: Dom Zanoni Demettino Castro assume a condução da Arquidiocese.
- 05/07/2026: anúncio oficial da programação da Festa de Senhora Sant’Ana 2026.
- 12/07/2026: realização do Bando Anunciador no Centro Histórico.
- 17/07/2026: início do novenário.
- 25/07/2026: realização da nona e última noite da novena.
- 26/07/2026, às 5h: Alvorada Festiva.
- 26/07/2026, às 7h: celebração presidida por Dom Itamar Vian.
- 26/07/2026, às 10h: solene concelebração presidida por Dom Zanoni.
- 26/07/2026, às 16h: início da procissão pelas ruas centrais.
- 26/07/2026, no início da noite: encerramento dos festejos com a bênção do Santíssimo Sacramento.
A Festa de Senhora Sant’Ana mantém importância que ultrapassa o campo estritamente religioso. A celebração articula memória histórica, vida familiar, patrimônio arquitetônico, cultura popular e ocupação do espaço urbano. A permanência do festejo demonstra que a devoção continua funcionando como um dos elementos de identificação coletiva de Feira de Santana, mesmo após as profundas transformações sociais, econômicas e demográficas vivenciadas pelo município.
A dimensão alcançada pela programação exige planejamento permanente da Arquidiocese e do poder público nas áreas de trânsito, segurança, acessibilidade, limpeza urbana, conservação patrimonial e organização do comércio temporário. As fontes consultadas registram centenas de participantes nas missas da manhã e milhares durante a procissão e o conjunto das atividades, mas não apresentam uma contagem técnica consolidada do público nem um levantamento oficial sobre impacto econômico, ocorrências ou serviços mobilizados.
O encerramento de 26 de julho de 2026 reafirmou a ligação entre a antiga capela da Fazenda Sant’Anna dos Olhos D’Água, a criação da Paróquia em 1846 e a atual Catedral Metropolitana. A preservação dessa continuidade dependerá da atuação conjunta da Arquidiocese, da Prefeitura, das instituições culturais e da comunidade, especialmente na proteção do patrimônio histórico e na manutenção das condições necessárias para que as celebrações permaneçam abertas, seguras e acessíveis às futuras gerações.









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