O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), em atuação conjunta com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e a Polícia Civil da Bahia (PCBA), deflagrou, na sexta-feira (03/07/2026), a Operação Sintonia de Gravata, voltada ao combate de facções criminosas com atuação no sistema prisional baiano. A ação resultou no cumprimento de 22 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis.
As diligências foram realizadas nos municípios de Serrinha, Salvador, Camaçari, Barreiras, Feira de Santana e Lauro de Freitas, tendo como foco o enfrentamento de grupos investigados por tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo, além da articulação entre integrantes presos e pessoas em liberdade.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos notebooks, aparelhos celulares e documentos, materiais que poderão subsidiar o avanço das investigações e a identificação de outros possíveis envolvidos na organização criminosa.
Operação também bloqueou bens e ativos financeiros dos investigados
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados, limitada ao valor mínimo de R$ 10 milhões.
As medidas cautelares também incluíram o bloqueio de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos que, segundo as investigações, estariam relacionados às atividades criminosas.
A operação mobilizou mais de 100 profissionais, entre promotores de Justiça, servidores do Ministério Público e policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), além de equipes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), do Departamento de Polícia do Interior (Depin), da Seap e da SSP.
Investigação apura comunicação entre lideranças presas e integrantes em liberdade
Segundo o Gaeco, as investigações identificaram a atuação de facções criminosas estruturadas, responsáveis por atividades relacionadas ao tráfico de drogas, circulação de armas de fogo e coordenação de ações criminosas com impacto na segurança pública baiana.
As apurações indicam que as organizações mantinham um esquema de comunicação clandestina, permitindo que lideranças custodiadas em unidade prisional de segurança máxima continuassem exercendo influência sobre as atividades do grupo por meio de um núcleo externo encarregado da transmissão de ordens.
De acordo com o Ministério Público, esse fluxo de comunicação possibilitava a continuidade da gestão do tráfico de drogas, da comercialização de entorpecentes, da aquisição de armas, da movimentação de recursos financeiros e da resolução de conflitos internos entre integrantes das facções.
Investigação inclui atuação de advogados suspeitos de intermediar mensagens
As investigações também apuram a atuação de advogados suspeitos de utilizar indevidamente as prerrogativas profissionais para intermediar a comunicação entre lideranças presas e integrantes das organizações criminosas em liberdade.
Conforme o Ministério Público, os investigados teriam burlado as restrições de isolamento impostas em presídio de segurança máxima, permitindo a transmissão de mensagens, orientações e decisões relacionadas às atividades das facções criminosas.
A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), reunindo Ministérios Públicos estaduais em ações voltadas ao enfrentamento das organizações criminosas em diferentes regiões do país.








Deixe um comentário