ONU reforça memória do genocídio de Srebrenica e alerta contra negacionismo durante cerimônia internacional

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou, na quinta-feira (09/07/2026), uma cerimônia antecipada em referência ao Dia Internacional de Reflexão e Memória do Genocídio de Srebrenica, celebrado anualmente em 11 de julho. A iniciativa teve como objetivo prestar homenagem às vítimas do massacre ocorrido em 1995, reafirmar o compromisso internacional com a justiça e fortalecer ações de combate ao negacionismo e ao revisionismo histórico.

Durante a cerimônia, representantes da ONU destacaram a necessidade de preservar a memória das vítimas e reforçar medidas voltadas à prevenção de novos genocídios, ressaltando a importância do respeito aos direitos humanos e ao direito internacional.

A data também será marcada por cerimônias oficiais na Bósnia e Herzegovina, com participação da equipe das Nações Unidas no país.

Massacre de Srebrenica foi reconhecido como genocídio internacionalmente

O genocídio de Srebrenica ocorreu em julho de 1995, durante a Guerra da Bósnia (1992–1995). Na ocasião, forças do Exército sérvio-bósnio ocuparam Srebrenica, cidade declarada anteriormente como “zona segura” pelo Conselho de Segurança da ONU, e assassinaram mais de 8 mil homens e meninos muçulmanos bósnios.

Além das mortes, aproximadamente 25 mil mulheres, crianças e idosos foram retirados à força da região, ampliando a dimensão da crise humanitária provocada pelo conflito.

Considerado o maior massacre ocorrido na Europa desde o Holocausto, o episódio tornou-se um dos principais marcos da guerra desencadeada após a dissolução da antiga Iugoslávia.

António Guterres destaca combate ao negacionismo e ao discurso de ódio

Em mensagem divulgada pela ONU, o secretário-geral António Guterres manifestou solidariedade aos sobreviventes e às famílias das vítimas, incluindo o grupo conhecido como Mães de Srebrenica, reconhecendo sua atuação na preservação da memória dos acontecimentos.

Segundo Guterres, recordar o genocídio significa proteger os fatos históricos contra a negação e o revisionismo, promover a responsabilização dos autores dos crimes e reconhecer o sofrimento das vítimas.

O secretário-geral também defendeu o enfrentamento ao discurso de ódio, à discriminação e à intolerância, reafirmando o compromisso internacional de impedir que crimes dessa natureza voltem a ocorrer.

Tribunais internacionais reconheceram o massacre como genocídio

O genocídio de Srebrenica foi reconhecido pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) e pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) como crime de genocídio.

As decisões dos tribunais estabeleceram que a responsabilidade pelos crimes é individual, não podendo ser atribuída coletivamente a grupos étnicos, religiosos ou nacionais.

Mais de 50 pessoas foram condenadas por crimes relacionados ao massacre, incluindo ex-integrantes da liderança político-militar sérvia, como Radislav Krstić, Ratko Mladić e Radovan Karadžić. Segundo a ONU, os julgamentos contribuíram para a responsabilização dos autores e para o fortalecimento da aplicação do direito internacional.

Guerra da Bósnia deixou mais de 100 mil mortos e milhões de deslocados

A Guerra da Bósnia, travada entre 1992 e 1995, resultou na morte de mais de 100 mil pessoas, a maioria pertencente à população muçulmana bósnia.

O conflito também provocou o deslocamento forçado de mais de 2 milhões de pessoas, configurando uma das maiores crises humanitárias registradas na Europa no período posterior à Segunda Guerra Mundial.

Para a ONU, a preservação da memória de Srebrenica permanece como instrumento de promoção da justiça, da dignidade humana e da prevenção de futuras violações dos direitos humanos.

*Com informações da ONU News.


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