Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) realizou, pela primeira vez, o sequenciamento completo do genoma do ipê-amarelo (Handroanthus serratifolius), espécie nativa considerada ameaçada de extinção. O trabalho, conduzido no Laboratório de Genética Molecular Aplicada, no campus de Itapetinga, representa um avanço para os estudos voltados à conservação, ao melhoramento genético e às aplicações biotecnológicas da planta.
Até então, os pesquisadores utilizavam informações genéticas de espécies semelhantes para investigar o ipê-amarelo. Com o sequenciamento completo do genoma, passam a contar com dados específicos da própria espécie, ampliando a precisão das pesquisas relacionadas à sua biologia, evolução e preservação.
O estudo, intitulado “Sequenciamento do genoma completo do Ipê-amarelo (Handroanthus serratifolius)”, é desenvolvido pela mestranda Beatriz Fernandes Pereira, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), sob orientação da professora Elisa Susilene Lisboa dos Santos, coordenadora do programa. A pesquisa reúne ainda pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Brigham Young University (BYU), dos Estados Unidos.
Sequenciamento amplia conhecimento sobre a biologia da espécie
Segundo a professora Elisa Susilene Lisboa dos Santos, a pesquisa foi motivada pela necessidade de gerar informações capazes de subsidiar estratégias voltadas à conservação do ipê-amarelo.
Com o conhecimento detalhado do genoma, torna-se possível identificar rotas metabólicas relacionadas à formação da madeira, à coloração das flores e a outras características biológicas da espécie. As informações também poderão apoiar estudos de melhoramento genético e iniciativas de utilização sustentável da planta.
De acordo com a pesquisadora, o sequenciamento oferece uma base científica inédita para compreender o funcionamento do organismo e orientar futuras investigações sobre sua adaptação ao ambiente e sua conservação.
Pesquisadores identificam características genéticas incomuns
Durante o estudo, a equipe constatou que o ipê-amarelo apresenta uma característica genética pouco comum: a espécie possui seis conjuntos de cromossomos, condição conhecida como hexaploidia.
Além disso, aproximadamente 30% dos genes identificados encontram-se duplicados, informação considerada relevante para compreender os processos evolutivos e os mecanismos de adaptação desenvolvidos pela planta ao longo do tempo.
Segundo a professora Elisa, o conhecimento sobre esses genes poderá contribuir para pesquisas relacionadas à resistência ambiental, evolução das espécies e identificação de características genéticas de interesse científico.
Levantamento aponta redução das populações naturais
Durante o trabalho de campo, a mestranda Beatriz Fernandes Pereira visitou áreas com registros oficiais da ocorrência do ipê-amarelo no sul e sudoeste da Bahia.
Conforme a pesquisadora, diversas localidades apresentaram populações reduzidas ou ausência da espécie, reforçando a preocupação com seu estado de conservação. Ela destacou que o ipê-amarelo já é considerado criticamente ameaçado de extinção nessas regiões.
O estudo também identificou indícios de redução na produção de sementes, informação relatada por profissionais que atuam em áreas de conservação, entre elas o Parque Zoobotânico da Matinha, em Itapetinga. A diminuição da regeneração natural pode afetar o equilíbrio ecológico, uma vez que as flores da espécie servem de alimento para polinizadores, enquanto suas sementes são dispersas principalmente pelo vento.
Parceria internacional fortalece pesquisa e formação científica
A pesquisa reúne diferentes instituições acadêmicas em uma cooperação científica nacional e internacional.
A equipe da Uesb foi responsável pela definição da espécie estudada, coleta do material biológico, extração do DNA e análises genéticas. A Ufba, por meio da professora Luzimar Fernandez, colaborou na formação da equipe e nas análises científicas.
Já a Brigham Young University (BYU), representada pelo professor Jonathon Hill, contribuiu com o treinamento dos pesquisadores e com a tecnologia empregada no sequenciamento genético.
Segundo as pesquisadoras, a parceria fortaleceu a formação de estudantes, ampliou a cooperação entre instituições e poderá favorecer o desenvolvimento de novas pesquisas, aplicações biotecnológicas e tecnologias passíveis de patente.








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