Pesquisa da UFF revisita origens do PT em Feira de Santana e aponta trajetória marcada por movimento estudantil, PMDB, sindicatos e virada interna nos anos 1990

Neste domingo (14/06/2026), a análise da dissertação “Na contramão do sentido: origens e trajetória do PT de Feira de Santana — Bahia (1979-2000)”, de Igor Gomes Santos, defendida em 28/08/2007 no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob orientação da professora Virgínia Fontes, recoloca em debate a história política de Feira de Santana ao demonstrar que a formação local do Partido dos Trabalhadores não reproduziu de forma automática o modelo nacional associado ao sindicalismo operário do ABC paulista, mas nasceu de uma articulação específica entre movimento estudantil, MDB jovem, militantes de organizações de esquerda, disputas com o PMDB, tentativas de inserção sindical e mudanças internas que redefiniram o perfil da legenda nos anos 1990.

Dissertação foi defendida na UFF em 2007

A pesquisa foi apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFF como requisito para obtenção do grau de mestre em História, na área de História Contemporânea. A banca examinadora foi composta pela orientadora Virgínia Fontes, pelos professores Marcelo Badaró Mattos e Eurelino Coelho Neto, além de Gelsom Rozentino, indicado como suplente.

O estudo tem como recorte temporal o período de 1979 a 2000, fase que compreende a crise final da ditadura militar, a reorganização partidária, a fundação e consolidação do PT, as disputas eleitorais municipais, o avanço das lutas sociais e a posterior inflexão interna da legenda em Feira de Santana.

A abordagem metodológica adotada por Igor Gomes Santos é inspirada em Antonio Gramsci, especialmente na noção de “eficiência real”. Em vez de examinar apenas atas, resoluções internas ou discursos partidários, o autor procura verificar como o PT atuou concretamente nas lutas de classe, nos sindicatos, nos bairros, nos movimentos sociais, nas disputas eleitorais e nas relações com aliados e adversários.

Pesquisa contesta narrativa única sobre a fundação do PT

A dissertação parte de uma crítica à chamada historiografia do “mito fundador petista”, expressão utilizada para se referir à narrativa que consolidou a origem do PT como resultado quase direto das greves operárias do ABC paulista, da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, do sindicalismo metalúrgico, de setores da Igreja Católica ligados à Teologia da Libertação, de intelectuais e de organizações clandestinas de esquerda.

O trabalho não nega a importância nacional do ABC paulista nem das greves de 1979 e 1980, mas sustenta que a experiência de São Paulo não pode ser tomada como modelo universal para explicar a fundação do PT em todo o país. O autor argumenta que a nacionalização do partido dependeu de múltiplas experiências regionais, com sujeitos sociais, estruturas econômicas e trajetórias políticas diversas.

Em Feira de Santana, essa distinção é decisiva. A pesquisa mostra que o PT local não nasceu de uma base operária industrial consolidada, mas de um ambiente político marcado pela presença de estudantes universitários, militantes da Ação Popular Marxista-Leninista (AP-ML), setores do MDB, intelectuais, profissionais liberais e ativistas sociais.

Feira de Santana e o peso da história local

A dissertação dedica parte do primeiro capítulo à trajetória histórica de Feira de Santana, destacando origem, povoamento, modernização republicana, industrialização, ditadura militar e aspectos da política recente. O município é apresentado como espaço de forte dinamismo comercial, crescimento urbano acelerado, industrialização parcial e permanência de práticas políticas tradicionais.

O estudo menciona marcos históricos anteriores à formação partidária contemporânea, como os registros de terras ligados à região desde 1615, 1619 e 1653, a criação da freguesia de São José das Itapororocas em 1696 e a construção da capela associada à fazenda do casal Ana Brandão e Domingos Barbosa Araújo, em 1723, elementos presentes na historiografia local sobre a origem de Feira de Santana.

Já no século XX, a cidade passa a ser analisada pelo autor a partir de suas transformações políticas, econômicas e sociais. A modernização urbana, a industrialização e a criação de novos espaços de sociabilidade política contribuíram para formar o terreno no qual surgiriam movimentos estudantis, sindicatos, associações de moradores e organizações comunitárias.

UEFS, movimento estudantil e MDB jovem impulsionaram a fundação local

Um dos principais achados da dissertação é a identificação do movimento estudantil como matriz impulsionadora da criação do PT de Feira de Santana. A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), criada em 1976, aparece como espaço decisivo de circulação política, debate ideológico e articulação de jovens militantes.

O autor também destaca a relevância do MDB jovem e do Cine Clube Olney São Paulo na formação de redes políticas e culturais que ajudaram a construir o ambiente favorável à criação do partido. Esses espaços serviram como instrumentos de formação política, crítica à ditadura e mobilização em torno da redemocratização.

Entre os nomes citados na dissertação ou associados à formação desse campo político aparecem Jaime Cruz, Jorge Almeida, Eliziário Andrade, Franklin Oliveira, Jaime Cunha, Seu Arnaldo, Ovídio Gonçalves e Gerinaldo Costa. A presença de Seu Arnaldo, oriundo das lutas ferroviárias, e de Ovídio Gonçalves, soldador, é ressaltada como exceção relevante em um núcleo fundador que, em Feira de Santana, não era predominantemente operário industrial.

A AP-ML como eixo de organização inicial

A dissertação atribui papel central à Ação Popular Marxista-Leninista (AP-ML) na fundação do PT feirense. Segundo o estudo, quase todos os principais construtores do partido em Feira de Santana tinham vínculos diretos ou indiretos com essa organização.

A AP-ML atuava no MDB como forma de disputar espaços de oposição à ditadura e dialogar com setores populares mobilizados. Essa tática aproximou seus militantes de lideranças como Francisco Pinto, Luciano Ribeiro e Colbert Martins, que tinham forte projeção popular e discursos críticos ao regime militar.

Com a abertura política e a criação do PT, parte desses militantes migrou para a nova legenda, levando consigo experiências acumuladas no movimento estudantil, no debate partidário e nas lutas democráticas contra a ditadura.

Eleições de 1982 foram teste de fogo para o PT feirense

As eleições de 1982 aparecem na dissertação como marco cronológico e político para os militantes do PT em Feira de Santana. Até aquele momento, a memória interna do partido descrevia uma legenda engajada, combativa e relativamente unificada.

A disputa eleitoral, contudo, expôs divergências sobre a construção partidária. Um setor liderado por Jaime Cunha questionava a deliberação de que todos os candidatos deveriam receber materiais idênticos e em igual quantidade. Para esse grupo, candidaturas com maior possibilidade de vitória deveriam ter prioridade na distribuição de recursos e apoio partidário.

A posição majoritária, por sua vez, interpretou essa tese como eleitoralista. O debate revelou uma tensão que acompanharia o partido durante os anos seguintes: de um lado, a defesa de uma legenda voltada à mobilização social e à independência de classe; de outro, a pressão por maior eficiência eleitoral e inserção institucional.

PMDB, Francisco Pinto e Colbert Martins bloquearam expansão petista

A relação com o PMDB é um dos eixos centrais da dissertação. Em Feira de Santana, a legenda peemedebista detinha forte presença popular, eleitoral e simbólica, sobretudo em torno de figuras como Francisco Pinto e Colbert Martins.

Francisco Pinto e Colbert Martins eram vistos como lideranças com passado de resistência à ditadura militar e ampla penetração nos meios populares. Essa condição dificultava a estratégia petista de se apresentar como principal expressão política dos trabalhadores e das bases sociais organizadas.

O PT tentou disputar esse espaço, acusando o PMDB de práticas populistas, personalistas e de controle das bases populares. Contudo, segundo o estudo, o PMDB mantinha relações mais consolidadas com associações de moradores, sindicatos e lideranças comunitárias, o que limitou o avanço petista nos anos 1980.

Colbert Martins, João Durval, José Falcão e Ildes Ferreira

A dissertação insere a trajetória do PT em uma cena política local marcada por alternância entre lideranças tradicionais e grupos com forte inserção popular. Colbert Martins foi eleito prefeito de Feira de Santana em 1976, ainda no contexto bipartidário, e voltou a governar o município entre 1988 e 1992.

Em 1988, Colbert Martins derrotou Sérgio Carneiro, então vinculado ao campo político adversário. O estudo menciona que Sérgio Carneiro romperia posteriormente com o carlismo, filiaria-se ao PDT e, a partir de 2002, passaria ao PT, tornando-se um dos possíveis nomes da legenda em disputas futuras.

Nas eleições de 1992, o vencedor foi João Durval Carneiro, ex-prefeito de Feira de Santana e ex-governador da Bahia. Ele derrotou Luciano Ribeiro e Ildes Ferreira, este último apresentado na dissertação como liderança surgida a partir da atuação junto aos movimentos sociais, do vínculo com o Movimento de Organização Comunitária (MOC) e de sua passagem pelo PLANOLAR durante a gestão de Colbert Martins.

Em 1996, o revezamento local continuou com a eleição de José Falcão, que já havia governado o município e representava uma das correntes tradicionais da política feirense. Esse cenário reforça a leitura de que o PT enfrentava uma estrutura política local profundamente enraizada.

Sindicatos e trabalhadores: o ponto sensível da trajetória petista

O capítulo dedicado aos trabalhadores é um dos mais importantes da dissertação. O autor examina sindicatos, associações de moradores, oposições sindicais, trabalhadores rurais, lutas de bairro, jornais alternativos e tentativas de construção da CUT em Feira de Santana.

O estudo menciona a atuação do SINPRO, da ASTA — Associação dos Técnicos Agrícolas, de delegacias sindicais, de condutores autônomos, comerciários, professores estaduais, bancários e trabalhadores rurais. Também aborda o jornal “O Grito da Terra”, citado como instrumento de apoio e denúncia em favor de trabalhadores organizados.

Em 1982, a ASTA recebeu apoio do jornal “O Grito da Terra” em nota que denunciava perseguições contra dirigentes sindicais. A associação é descrita como uma das principais forças de formação de lideranças sindicais em Feira de Santana e na Bahia, especialmente por sua atuação junto a técnicos agrícolas que mantinham contato direto com pequenos agricultores e trabalhadores rurais.

Marialvo Barreto, engenheiros, vigilantes e servidores públicos

A dissertação registra o crescimento da influência de Marialvo Barreto, militante do PT, no SINPRO. Também menciona a criação, em 1985, da Delegacia dos Engenheiros e da Delegacia Sindical dos Vigilantes, em um ambiente de maior mobilização de trabalhadores urbanos e do setor público.

A partir de 1986, o estudo destaca o impacto dos arrochos salariais praticados pelos governos estaduais, especialmente no governo Waldir Pires (PMDB), e pela administração municipal de José Falcão (PDS). Esse contexto contribuiu para intensificar mobilizações de servidores e categorias profissionais.

Apesar dessas presenças, a dissertação conclui que o PT teve dificuldade para transformar atuação sindical em vínculo orgânico duradouro com os trabalhadores. A legenda participava das lutas, mas não conseguia consolidar hegemonia estável nas principais estruturas de representação da classe trabalhadora local.

Trabalhadores rurais, MOC e PLANOLAR

A pesquisa também evidencia a importância do Movimento de Organização Comunitária (MOC) na trajetória política feirense. O MOC aparece associado à formação de lideranças populares, à organização comunitária, ao debate sobre moradia, ao trabalho com populações pobres e à atuação junto a trabalhadores rurais.

Albertino Carneiro é citado como figura vinculada ao MOC e ao PLANOLAR em 1977. Mais tarde, Ildes Ferreira, também vinculado ao MOC, comandaria o plano habitacional durante a gestão de Colbert Martins, entre 1988 e 1992. O PLANOLAR é apresentado como resposta municipal ao crescimento da favelização e à demanda por habitação popular.

A dissertação mostra que Albertino Carneiro e Ildes Ferreira estiveram ligados a ideias de desenvolvimento sustentável, captação de recursos, cooperativas, economia solidária e parcerias entre Estado, movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Para o autor, esse campo político teria papel relevante na posterior inflexão interna do PT feirense.

A virada dos anos 1990 e a ascensão da Articulação

O capítulo final da dissertação trata da mudança interna do PT de Feira de Santana nos anos 1990. O autor relaciona esse processo ao debate sobre transformismo, à crise do marxismo, à queda do socialismo no Leste Europeu e ao fortalecimento de setores ligados ao chamado Campo Majoritário do PT.

A tendência Articulação, majoritária nacionalmente no partido, passou a disputar com mais força os rumos da legenda em Feira de Santana. A entrada de Albertino Carneiro e de militantes ligados ao MOC é descrita como brecha decisiva para essa reconfiguração.

Em 1995, a Articulação conquistou pela primeira vez a maioria no PT municipal, consolidando uma mudança de direção política. O partido, que durante os anos 1980 e parte dos anos 1990 esteve mais próximo da esquerda petista e da defesa da independência de classe, passou a incorporar linguagem e práticas associadas a temas como inclusão, cidadania, desenvolvimento, parceria, economia solidária e sociedade civil.

Zé Neto e o impasse de 1996

Em 1996, o PT quase não lançou candidatura própria à Prefeitura de Feira de Santana, em razão de um impasse interno entre setores favoráveis à candidatura independente e grupos que defendiam coligações, inclusive com o PMDB.

A solução encontrada foi a candidatura de José Cerqueira de Santana Neto, conhecido como Zé Neto. A dissertação o apresenta como militante oriundo do antigo MDB na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde atuou no Diretório Central dos Estudantes, além de advogado de movimentos sociais, associações e sindicatos.

A candidatura de Zé Neto simbolizou a tentativa de compatibilizar a tradição de lutas sociais do partido com a necessidade de maior presença eleitoral. Ao mesmo tempo, expôs a mudança interna do PT feirense, que já debatia alianças, composição institucional e superação do isolamento político vivido desde os anos 1980.

Da independência de classe à adaptação institucional

O título da dissertação — “Na contramão do sentido” — sintetiza a interpretação histórica do autor. Em seu início, o PT feirense caminhou “na contramão” da política local dominante ao se recusar a aderir automaticamente ao PMDB e ao reivindicar uma identidade própria, socialista, vinculada à organização dos trabalhadores.

Ao final do período analisado, porém, o partido também estaria “na contramão”, mas em outro sentido: afastado da linguagem original da luta de classes e mais próximo de uma política institucional, pragmática e aberta a alianças antes rejeitadas.

Essa mudança não é apresentada como fenômeno isolado de Feira de Santana. A dissertação relaciona a inflexão local ao processo nacional vivido pelo PT nos anos 1990, quando a legenda passou a disputar com maior intensidade governos, mandatos parlamentares, alianças e políticas públicas.

Principais dados da pesquisa de mestrado

Dados acadêmicos

Título da dissertação: “Na contramão do sentido: origens e trajetória do PT de Feira de Santana — Bahia (1979-2000)”.

Autor: Igor Gomes Santos.

Instituição: Universidade Federal Fluminense (UFF).

Programa: Pós-Graduação em História.

Área: História Contemporânea.

Orientadora: Virgínia Fontes.

Data de defesa: 28/08/2007.

Banca: Virgínia Fontes, Marcelo Badaró Mattos, Eurelino Coelho Neto e Gelsom Rozentino, como suplente.

Recorte temporal estudado: 1979 a 2000.

Datas históricas citadas

1615, 1619 e 1653: registros de terras relacionados à formação histórica da região de Feira de Santana.

1696: criação da freguesia de São José das Itapororocas.

1723: construção da capela associada à fazenda de Ana Brandão e Domingos Barbosa Araújo.

1976: criação da UEFS e eleição de Colbert Martins em Feira de Santana.

1977: atuação de Albertino Carneiro no PLANOLAR.

1979 e 1980: greves operárias do ABC paulista, marco nacional da narrativa de fundação do PT.

1982: primeiras eleições disputadas pelo PT em Feira de Santana; marco de tensão interna na legenda local.

1984: campanha das Diretas Já, abordada na relação entre PT e oposições.

1985: criação da Delegacia dos Engenheiros e da Delegacia Sindical dos Vigilantes.

1986: intensificação das mobilizações salariais no contexto do governo Waldir Pires e da gestão municipal de José Falcão.

1988: eleição de Colbert Martins para a Prefeitura de Feira de Santana.

1992: eleição de João Durval para a Prefeitura.

1995: Articulação conquista maioria no PT municipal.

1996: candidatura de Zé Neto a prefeito e debate sobre coligações.

2000: limite final do recorte temporal analisado.

Personagens centrais

Igor Gomes Santos: autor da dissertação.

Virgínia Fontes: orientadora da pesquisa.

Marcelo Badaró Mattos, Eurelino Coelho Neto e Gelsom Rozentino: integrantes da banca.

Antonio Gramsci: referência teórica central da metodologia da “eficiência real”.

Luiz Inácio Lula da Silva: liderança nacional associada ao mito fundador petista.

Francisco Pinto: liderança do PMDB em Feira de Santana, com forte projeção popular e memória de oposição à ditadura.

Colbert Martins: liderança peemedebista e prefeito de Feira de Santana em períodos distintos.

Luciano Ribeiro: liderança política local citada no campo do PMDB e das disputas municipais.

João Durval Carneiro: ex-prefeito de Feira de Santana, ex-governador da Bahia e vencedor da eleição municipal de 1992.

José Falcão: liderança tradicional da política feirense e prefeito eleito em 1996.

Ildes Ferreira: liderança vinculada ao MOC, ao PLANOLAR e às políticas sociais urbanas.

Albertino Carneiro: dirigente associado ao MOC, ao PLANOLAR e à ascensão da Articulação no PT local.

Zé Neto: José Cerqueira de Santana Neto, advogado de movimentos sociais e candidato petista em 1996.

Jaime Cunha: militante citado nas disputas internas do PT em 1982.

Seu Arnaldo: militante oriundo das lutas ferroviárias.

Ovídio Gonçalves: soldador citado como presença operária no processo inicial.

Marialvo Barreto: militante petista com influência no SINPRO.

Organizações e instituições

PT: Partido dos Trabalhadores.

MDB: Movimento Democrático Brasileiro, espaço de oposição institucional à ditadura e ambiente de atuação de militantes antes da fundação do PT.

PMDB: principal força de oposição institucional em Feira de Santana nos anos 1980, com forte presença popular.

AP-ML: Ação Popular Marxista-Leninista, apontada como eixo relevante da fundação local do PT.

UEFS: Universidade Estadual de Feira de Santana, espaço central do movimento estudantil.

UFBA: Universidade Federal da Bahia, relacionada à trajetória de Zé Neto no movimento estudantil.

MOC: Movimento de Organização Comunitária, entidade relevante na formação de lideranças sociais e na relação com trabalhadores rurais e urbanos.

PLANOLAR: plano habitacional municipal voltado à população pobre e às ocupações urbanas.

SINPRO: sindicato com influência de militantes petistas, conforme a dissertação.

ASTA: Associação dos Técnicos Agrícolas, importante na formação sindical e na relação com trabalhadores rurais.

CUT: central sindical cuja formação e presença local aparecem como tema de análise.

Cine Clube Olney São Paulo: espaço cultural e político associado à formação de redes militantes.

Temas centrais da dissertação

Mito fundador petista: crítica à generalização da experiência do ABC paulista como modelo nacional único.

Eficiência real: método de análise da atuação concreta do partido nas lutas sociais.

Movimento estudantil: matriz decisiva da fundação do PT em Feira de Santana.

Disputa com o PMDB: obstáculo central à expansão petista nas bases populares.

Sindicalismo e trabalhadores: campo de tentativa de enraizamento do PT, com avanços e limites.

Trabalhadores rurais: segmento analisado a partir de sindicatos, MOC, ASTA e mobilizações no campo.

Transformismo: conceito usado para interpretar a mudança interna do PT e sua aproximação com práticas institucionais.

Articulação: tendência que conquistou maioria no PT municipal em 1995.

Coligações eleitorais: tema decisivo nas disputas internas dos anos 1990.


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