Prefeito Bruno Reis homenageia José Ronaldo nos 75 anos, defende ACM Neto e amplia discurso da oposição na Bahia

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), participou neste sábado (18/07/2026) da comemoração dos 75 anos do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), e transformou a entrevista coletiva concedida durante o encontro em uma manifestação de apoio à pré-candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia. Além de destacar a trajetória administrativa do aniversariante, o gestor soteropolitano criticou os governos estaduais liderados pelo Partido dos Trabalhadores, abordou segurança pública, emprego, pobreza, educação e infraestrutura e defendeu a unidade da oposição para as eleições de 2026.

Bruno Reis destaca trajetória política de José Ronaldo

Ao iniciar a entrevista, Bruno Reis dirigiu-se aos moradores de Feira de Santana e definiu José Ronaldo como uma referência política e administrativa para sua geração. O prefeito de Salvador afirmou que procura seguir os princípios, os valores e os métodos de gestão do dirigente feirense, a quem também recorre para aconselhamento sobre decisões públicas e articulações políticas.

“É uma alegria estar aqui neste dia para celebrar mais um ano de vida deste grande líder político. Sem sombra de dúvidas, é o maior líder político da história de Feira de Santana, aquele que mais trabalhou por esta terra e mais ajudou o seu povo”, declarou.

José Ronaldo nasceu em 18 de julho de 1951, no município de Paripiranga, e mudou-se ainda jovem para Feira de Santana. Sua trajetória inclui mandatos de vereador, deputado estadual, deputado federal e prefeito. Ele venceu pela primeira vez a eleição municipal em 2000 e retornou ao comando do Executivo feirense após as eleições de 2004, 2012, 2016 e 2024, acumulando cinco vitórias para a Prefeitura.

Bruno Reis também ressaltou a posição regional de Feira de Santana, classificada por ele como a maior cidade do interior da Bahia e uma das maiores do Nordeste. Segundo o prefeito de Salvador, a influência política de José Ronaldo ultrapassa os limites municipais e alcança diferentes regiões do estado.

O gestor soteropolitano afirmou que o aniversariante tem colaborado com a articulação oposicionista, aproximando lideranças municipais e representantes políticos do interior. Para Bruno Reis, essa capacidade de interlocução deverá colocar José Ronaldo entre os principais participantes da campanha estadual de 2026.

Comemoração assume dimensão política estadual

Embora o encontro tivesse como motivo central o aniversário do prefeito de Feira de Santana, a presença de lideranças estaduais conferiu dimensão eleitoral à celebração. Bruno Reis utilizou a entrevista para defender a composição política anunciada pela oposição e apresentar o grupo como alternativa ao governo de Jerônimo Rodrigues (PT).

A chapa oposicionista apresentada em Feira de Santana em 30/03/2026 reúne ACM Neto como pré-candidato ao Governo da Bahia, Zé Cocá como pré-candidato a vice-governador e João Roma e Angelo Coronel como pré-candidatos às duas vagas do Senado. José Ronaldo participou diretamente da articulação que antecedeu o anúncio.

Bruno Reis afirmou que o grupo conseguiu superar as divisões verificadas na eleição estadual anterior. Segundo ele, a incorporação de Angelo Coronel, João Roma e Zé Cocá ampliou a presença territorial e partidária da oposição.

“A oposição fez o seu dever de casa. Uniu-se, diferentemente da vez passada, quando nós nos dividimos. Trouxemos o senador Angelo Coronel para reforçar o nosso time e fomos buscar um gestor experiente, o prefeito de Jequié, Zé Cocá, para compor a chapa como vice”, declarou.

O prefeito de Salvador classificou a composição como uma aliança que reúne experiência administrativa, representação municipal e força política no interior. Na avaliação apresentada por ele, ACM Neto poderá oferecer uma “mudança com segurança”, expressão utilizada para associar a proposta oposicionista à experiência dos prefeitos que integram ou apoiam o grupo.

Bruno Reis defende ACM Neto para o Governo da Bahia

Durante a entrevista, Bruno Reis sustentou que a experiência de ACM Neto à frente da Prefeitura de Salvador seria uma das principais credenciais do ex-prefeito para disputar o Governo do Estado. Ele comparou a complexidade administrativa de grandes municípios, como Salvador e Feira de Santana, com os desafios enfrentados pelo Executivo estadual.

O prefeito argumentou que gestores municipais precisam responder diretamente a demandas urgentes relacionadas a mobilidade, saúde, educação, limpeza urbana, infraestrutura e serviços públicos. Para ele, essa experiência permitiria a ACM Neto assumir o Governo da Bahia com conhecimento administrativo e capacidade de execução.

“Quando se tem um gestor eficiente, que apresenta resultados e conhece a administração pública, quem ganha é o povo”, afirmou.

Bruno Reis também declarou que uma eventual vitória de ACM Neto poderia ampliar a cooperação do Governo do Estado com as administrações de Feira de Santana e Salvador. Segundo ele, José Ronaldo teria condições de executar uma gestão ainda mais ampla caso houvesse alinhamento político com o Executivo estadual.

Prefeito critica ciclo de governos do PT na Bahia

A parte mais extensa da entrevista foi dedicada às críticas ao ciclo estadual iniciado com a posse de Jaques Wagner, em 2007, continuado pelas duas gestões de Rui Costa, entre 2015 e 2022, e sucedido pelo governo de Jerônimo Rodrigues, iniciado em 2023.

Bruno Reis afirmou que as administrações petistas tiveram tempo suficiente para executar programas estruturantes e cumprir compromissos assumidos durante sucessivas campanhas. Segundo ele, porém, importantes indicadores sociais e econômicos permaneceram desfavoráveis.

“De tapinha nas costas e de enrolação, são 20 anos. São promessas renovadas a cada quatro anos e que não saem do papel”, declarou.

O prefeito mencionou problemas nas áreas de saúde, educação, segurança, pobreza, emprego e infraestrutura. Ao abordar o sistema estadual de saúde, utilizou a expressão “fila da morte” para se referir aos pacientes que aguardam transferência por meio da regulação.

Na educação, afirmou que a Bahia estaria entre as últimas posições nacionais e relacionou o desempenho escolar a políticas de aprovação dos estudantes.

Desemprego permanece elevado, apesar de redução histórica

Ao tratar do mercado de trabalho, Bruno Reis declarou que a Bahia seria “campeã nacional do desemprego”. Os dados mais recentes disponíveis exigem uma diferenciação entre a persistência de taxas elevadas e a posição exata do estado no levantamento nacional.

Em 2025, a Bahia encerrou o ano com taxa média de desocupação de 8,7%, a menor de sua série histórica, mas permaneceu entre os estados com os maiores percentuais do país. No primeiro trimestre de 2026, a taxa alcançou 9,2%, resultado igual ao registrado em Alagoas e Pernambuco e inferior apenas ao índice de 10% verificado no Amapá.

Os números mostram, portanto, duas tendências simultâneas: houve melhora em comparação com períodos anteriores, mas a Bahia continuou enfrentando dificuldades estruturais relacionadas à geração de empregos, à informalidade e à baixa remuneração média.

Dados consolidados de 2025 indicaram cerca de 6,5 milhões de pessoas ocupadas, rendimento médio habitual de aproximadamente R$ 2.284 e taxa de informalidade de 52,8%. Esses indicadores ajudam a explicar por que o mercado de trabalho permanece como tema central da disputa política estadual, mesmo diante da redução recente da desocupação.

Ao falar sobre pobreza, Bruno Reis afirmou que mais de metade da população baiana estaria abaixo da linha de pobreza. A entrevista, entretanto, não apresentou a fonte, o ano de referência nem o critério de renda utilizado. As medições podem variar de acordo com as linhas adotadas pelo IBGE, pelo Banco Mundial ou por programas sociais, o que exige cautela na reprodução do percentual.

Segurança pública ocupa o centro do discurso oposicionista

Questionado sobre as medidas necessárias para enfrentar a violência, Bruno Reis afirmou que a primeira condição seria uma mudança no comando do Governo do Estado. Ele atribuiu os problemas da segurança pública à falta de liderança, estratégia, integração operacional e investimentos.

O prefeito defendeu o emprego de tecnologias voltadas à identificação de suspeitos, ao cruzamento de informações e ao compartilhamento de dados entre União, Estado e municípios. Também propôs maior interoperabilidade entre Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e guardas municipais.

Segundo Bruno Reis, caberia ao governador liderar a articulação institucional e estabelecer estratégias conjuntas para retomar áreas dominadas por organizações criminosas. O prefeito mencionou ainda a possibilidade de apoio do Exército após operações policiais, especialmente em territórios disputados por facções.

“Falta comando, falta liderança, falta estratégia e faltam investimentos. É preciso usar o que há de mais moderno em tecnologia, cruzar informações e coordenar as forças de segurança”, afirmou.

A proposta apresentada na entrevista estabeleceu diretrizes gerais, mas não detalhou custos, cronograma, fontes de financiamento, alterações legais ou metas de redução da criminalidade. Eventuais operações com participação das Forças Armadas dependeriam de coordenação entre os governos estadual e federal e dos instrumentos jurídicos previstos na legislação.

Bruno Reis também relatou episódios que, segundo ele, demonstrariam o controle exercido por facções sobre comunidades de Salvador. Citou restrições a roupas, símbolos, horários de cultos religiosos e circulação entre bairros.

Em um dos exemplos apresentados, contou que uma trabalhadora teria informado ao empregador que precisaria pedir autorização ao “chefe do bairro” para entrar em determinada comunidade. Para o prefeito, situações desse tipo evidenciam a perda de autoridade estatal em partes do território urbano.

FIOL, Porto Sul e Ponte Salvador–Itaparica entram no debate

No campo da infraestrutura, Bruno Reis citou três projetos que, segundo ele, representam promessas não integralmente cumpridas pelas gestões estaduais: a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), o Porto Sul e a Ponte Salvador–Itaparica.

O prefeito lembrou que a ferrovia foi apresentada como um corredor para transportar grãos e minérios do oeste baiano até a região de Ilhéus. Ele afirmou que o empreendimento avançou lentamente e enfrentou sucessivas paralisações.

A FIOL integra um corredor ferroviário planejado para conectar áreas produtoras da Bahia ao litoral. Trechos do projeto foram concedidos e receberam ordens de serviço, mas a conclusão integral do sistema depende da execução de diferentes lotes e da integração com estruturas portuárias.

Em relação ao Porto Sul, Bruno Reis afirmou que a obra não teria avançado de maneira compatível com os anúncios realizados ao longo dos anos. Ao mencionar a Ponte Salvador–Itaparica, classificou o projeto como alvo de críticas nacionais devido aos sucessivos adiamentos.

Bruno Reis critica Otto Alencar e Jaques Wagner por emendas

Outro ponto abordado durante a coletiva foi a destinação de emendas parlamentares para Salvador. Questionado sobre informações divulgadas nas redes sociais, Bruno Reis afirmou que os senadores Otto Alencar e Jaques Wagner não teriam destinado recursos de emendas à capital baiana durante seus mandatos.

Em contraste, Bruno Reis elogiou a atuação de Angelo Coronel e afirmou que o senador teria destinado recursos para diferentes municípios, independentemente do porte populacional ou do alinhamento partidário das administrações.

O prefeito também destacou a participação de Coronel nas discussões sobre a redução da contribuição previdenciária patronal dos municípios. O senador foi relator do projeto que resultou na Lei Federal nº 14.784/2023, relacionada à desoneração da folha de pagamento de setores econômicos e de municípios.

“Angelo Coronel é o senador municipalista da Bahia. Prefeitos de cidades pequenas, médias e grandes sentem-se representados por ele”, declarou Bruno Reis.


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