A Prefeitura de Feira de Santana informou, nesta sexta-feira (10/07/2026), que pretende construir dois monumentos religiosos em áreas próximas a importantes mananciais urbanos do município. O prefeito José Ronaldo de Carvalho anunciou uma imagem de Senhora Sant’Ana, padroeira da cidade, às margens da Lagoa Salgada, na Avenida Nóide Cerqueira, e uma Cruz Vazada de seis metros na região da Lagoa Grande, na Avenida Eduardo Fróes da Motta. Os projetos encontram-se em etapas diferentes: a licitação da cruz deverá ser publicada, enquanto a homenagem católica depende da desapropriação de um terreno.
Projetos associam símbolos religiosos e requalificação de espaços públicos
As duas iniciativas foram anunciadas na manhã de quinta-feira (09/07), durante uma audiência com lideranças religiosas no Paço Municipal Maria Quitéria. Conforme a administração municipal, os projetos foram elaborados pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) após consultas a representantes de segmentos cristãos.
Embora tenham sido apresentados no mesmo contexto, os monumentos não estão no mesmo estágio administrativo. No caso da Cruz Vazada, José Ronaldo autorizou a publicação do processo licitatório destinado à contratação da empresa responsável pela obra. Até o anúncio, não haviam sido divulgados o valor estimado, a fonte dos recursos, o cronograma de execução ou a data prevista para a entrega.
O monumento a Senhora Sant’Ana encontra-se em uma fase anterior. A Prefeitura ainda precisará desapropriar a área onde pretende executar a urbanização da Lagoa Salgada. Também não foram informados o desenho definitivo da imagem, suas dimensões, o orçamento estimado, o modelo de contratação nem o prazo para o início da intervenção.
Cruz Vazada terá seis metros e acessibilidade
O projeto da Cruz Vazada prevê uma estrutura com seis metros de altura, instalada sobre um pedestal e dotada de rampa para cadeirantes, pessoas idosas e cidadãos com mobilidade reduzida. Também haverá escadas de acesso ao monumento.
A obra será implantada em um ponto da Avenida Eduardo Fróes da Motta, na região da Lagoa Grande. A escolha do local, segundo a administração municipal, considera a circulação de moradores e visitantes e o potencial da área para receber atividades públicas.
O conceito representa uma cruz com a silhueta vazada do corpo de Jesus Cristo. A proposta é associada à ressurreição, diferentemente das representações tradicionais que apresentam a imagem de Cristo crucificado. De acordo com a Prefeitura de Feira de Santana, o conceito original foi criado pelo artista plástico e designer católico norte-americano Jay J. Dugan.
Projeto passou por quatro estudos
A versão destinada a Feira de Santana foi desenvolvida a partir de quatro propostas até a definição do desenho final. A Seplan conduziu a elaboração técnica, enquanto pastores e outras lideranças religiosas foram ouvidos durante o processo.
O pastor Adilson Pereira, apontado como idealizador da iniciativa no município, afirmou que o monumento poderá tornar-se um espaço de encontros, vigílias e atividades cristãs. Ao apresentar o significado atribuído à obra, declarou:
“A Cruz é o símbolo do cristianismo, mostra Jesus ressurreto.”
A audiência contou com os secretários municipais Joilton Freitas, Cristiano Lôbo, Valdivan Conceição e Carlos Brito, além do chefe de Gabinete, Mário Borges, e do procurador-geral do Município, Guga Leal. Também participaram pastores, representantes de igrejas e os vereadores Ismael Bastos, Carlito do Peixe, Jorge Oliveira e Marcos Lima, presidente da Câmara Municipal.
Monumento a Senhora Sant’Ana será instalado na Lagoa Salgada
O segundo projeto anunciado pelo Governo Municipal homenageará Senhora Sant’Ana, padroeira de Feira de Santana e referência religiosa diretamente vinculada à origem histórica, ao nome e à formação urbana do município.
A imagem deverá ser instalada às margens da Lagoa Salgada, em uma área situada na Avenida Nóide Cerqueira. Segundo a Prefeitura, o terreno será desapropriado para permitir a urbanização da lagoa e a implantação do monumento.
A revitalização do manancial foi apresentada pela administração municipal como cumprimento de um compromisso assumido por José Ronaldo durante a campanha eleitoral. O governo afirma que a intervenção faz parte de um conjunto de ações voltadas à preservação de lagoas e à criação de espaços de convivência e lazer.
Desapropriação condiciona apresentação do projeto
A Seplan também responde pelo desenvolvimento da proposta dedicada à padroeira. Padres foram consultados e concordaram com a iniciativa.
“Só não apresentamos o projeto ainda porque há uma área de terra que ainda precisa ser desapropriada”, declarou o prefeito.
Devoção a Sant’Ana está ligada ao surgimento de Feira de Santana
A homenagem proposta pela Prefeitura possui um significado histórico particular. A devoção católica a Sant’Ana não foi incorporada à identidade feirense depois da formação da cidade: ela participou diretamente do processo que deu origem ao núcleo urbano.
Em 1732, Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão doaram cem braças de terra, na região do Alto da Boa Vista, para a construção de uma capela dedicada a São Domingos e Senhora Sant’Ana, padroeiros do casal. A pequena edificação religiosa estava vinculada à antiga Freguesia de São José das Itapororocas.
Com o crescimento da circulação de vaqueiros, comerciantes e viajantes, a capela tornou-se um ponto de referência para a feira de gado realizada na localidade. A atividade passou a ser identificada como “feira de Sant’Ana”, expressão que acompanhou o povoamento e contribuiu para a denominação do município.
Capela também abrigou a instalação do governo municipal
A relação entre religião e formação institucional tornou-se evidente em 1833, quando a instalação do município, então elevado à categoria de vila, e a eleição dos primeiros vereadores ocorreram no interior da capela de Sant’Ana dos Olhos d’Água da Feira.
Em 1846, a sede da freguesia foi transferida de São José das Itapororocas para a capela de Sant’Ana. A mudança consolidou o templo como centro religioso do núcleo urbano e deu início a uma etapa de ampliação da antiga edificação. Em 1859, as intervenções foram observadas pelo imperador D. Pedro II durante sua passagem pela cidade.
A trajetória documentada pela Catedral Metropolitana de Sant’Ana demonstra que a organização católica, a feira de gado, a ocupação do território e a administração municipal estiveram historicamente conectadas. Esse processo ajuda a explicar por que a padroeira permanece como uma referência religiosa, cultural e cívica de Feira de Santana.
De Matriz a Catedral Metropolitana
A Igreja Matriz de Sant’Ana foi elevada à condição de catedral com a criação da Diocese de Feira de Santana, em 21 de julho de 1962, pelo papa João XXIII. A instalação formal da nova circunscrição eclesiástica ocorreu em 26 de janeiro de 1963.
Quase quatro décadas depois, em 16 de janeiro de 2002, a Diocese foi elevada à categoria de Arquidiocese Metropolitana de Feira de Santana. A mudança ampliou sua posição institucional na Igreja Católica e transformou definitivamente o antigo templo em Catedral Metropolitana.
Em 2026, a Paróquia de Senhora Sant’Ana celebra 180 anos desde a transferência da sede paroquial, em 1846. A Festa de Senhora Sant’Ana será realizada entre 17 e 26 de julho, reunindo novenário, missas, atividades culturais e a celebração do Dia da Padroeira, feriado municipal. O anúncio do monumento ocorre, portanto, às vésperas da principal celebração católica local.








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