A Prefeitura de Feira de Santana formalizou, na quinta-feira (30/07/2026), a contratação da Fundação Getulio Vargas (FGV) para elaborar os estudos de viabilidade econômico-financeira do futuro Parque Náutico do Rio Jacuípe, empreendimento projetado para uma área municipal de 260 mil metros quadrados, próxima ao condomínio Alphaville. Apresentada pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho, a proposta prevê marina, arena multiuso, equipamentos esportivos, restaurantes, áreas de convivência e exploração mediante concessão à iniciativa privada, com estimativa preliminar de gerar aproximadamente 2.600 empregos diretos e indiretos nas fases de construção e funcionamento. A administração municipal investirá R$ 2,9 milhões na etapa de estudos e modelagem, ainda sem previsão oficial para o início das obras.
Contrato com a FGV inicia etapa de viabilidade do empreendimento
A cerimônia realizada na sede da Prefeitura marcou a apresentação da proposta urbanística e a assinatura do contrato com a FGV. A instituição ficará responsável por avaliar as condições econômicas, financeiras e operacionais necessárias à implantação do complexo, incluindo a modelagem destinada a atrair empresas interessadas em construir e administrar o equipamento.
Embora a comunicação institucional tenha utilizado a expressão “projeto executivo”, o prefeito esclareceu, durante a entrevista coletiva, que o material apresentado corresponde a um pré-projeto ou planta conceitual. Os estudos técnicos de engenharia, financiamento e estruturação da concessão ainda serão elaborados.
“É um projeto corajoso, que com certeza muda a história daquela região do Rio Jacuípe, de Feira de Santana, da Bahia e do Brasil.”
José Ronaldo afirmou que a contratação da FGV representa o início formal do processo de estruturação do parque. Segundo ele, a escolha da fundação considera a experiência técnica e a credibilidade institucional da entidade na elaboração de projetos de infraestrutura e concessões.
“Contratamos a Fundação Getulio Vargas, uma instituição altamente respeitada neste país, para a elaboração do projeto do Parque Náutico de Feira de Santana.”
A FGV possui experiência na preparação de estudos de viabilidade econômico-financeira relacionados a empreendimentos públicos e concessões. Em projetos dessa natureza, a modelagem define investimentos, fontes de receita, riscos, obrigações do poder público, responsabilidades do concessionário e condições para a recuperação do capital aplicado.
Prefeitura investirá R$ 2,9 milhões nos estudos
O investimento municipal anunciado para a etapa inicial é de R$ 2,9 milhões. O valor será destinado à contratação dos estudos e à elaboração da modelagem necessária para avaliar se o empreendimento poderá ser implantado e explorado de maneira economicamente sustentável.
Durante a entrevista coletiva, um questionamento dirigido ao prefeito mencionou uma cifra de “quase R$ 13 milhões”. José Ronaldo respondeu que os recursos para a construção seriam provenientes da iniciativa privada, mas não confirmou que esse montante corresponda ao custo do empreendimento.
A documentação apresentada pela administração municipal informa apenas o valor de R$ 2,9 milhões para os estudos da FGV. Não foram divulgados o orçamento definitivo da construção, o volume esperado de investimento privado, o prazo da concessão, as receitas previstas nem o custo total das instalações.
“O terreno é de propriedade da Prefeitura. Vamos atrair a iniciativa privada para construir e administrar o projeto.”
O prefeito explicou que a área continuará pertencendo ao Município. A empresa ou o consórcio vencedor da futura licitação deverá financiar a implantação e explorar comercialmente os serviços autorizados durante o período estabelecido no contrato.
Complexo ocupará área pública de 260 mil metros quadrados
O parque foi concebido para ocupar um terreno municipal de 260 mil metros quadrados, localizado às margens do Rio Jacuípe, nas proximidades do condomínio Alphaville. A implantação deverá integrar atividades náuticas, esportivas, culturais, gastronômicas e de contemplação ambiental.
Na área destinada às práticas náuticas, a proposta inclui:
- Marina para embarcações de pequeno e médio porte;
- Píer flutuante;
- Atracadouro;
- Garagem náutica;
- Estruturas de apoio aos usuários;
- Três estacionamentos ecológicos.
A apresentação municipal atribui ao Rio Jacuípe uma extensão de 133 quilômetros, dos quais aproximadamente 45 quilômetros seriam navegáveis no trecho considerado pelo projeto. As dimensões e as condições efetivas de navegação ainda deverão ser confirmadas pelos levantamentos técnicos, ambientais e hidrográficos.
José Ronaldo afirmou que o espaço poderá receber lanchas, motos aquáticas e outras modalidades de esporte e recreação compatíveis com as normas de segurança e proteção ambiental.
“O amante do esporte náutico vai aproveitar aquele espaço, seja na lancha, no jet ski ou na grande área de lazer que será criada.”
Quadras, campo, pista de corrida e espaços de convivência
O setor esportivo deverá reunir quadras para esportes de areia, tênis de praia, futevôlei, campo gramado, pista de corrida e áreas destinadas a atividades físicas e recreativas.
Também estão previstos decks de contemplação voltados para o rio e para a paisagem natural, além de áreas de convivência, circulação de pedestres e permanência das famílias.
“Tudo o que você possa imaginar no sentido esportivo está previsto nesse espaço: campos de futebol, quadras de tênis, futevôlei e uma grande estrutura de lazer.”
A proposta pretende atender tanto praticantes de modalidades náuticas quanto moradores que buscam espaços públicos para caminhada, exercícios, convivência comunitária e contato com a natureza.
Arena multiuso receberá eventos culturais e shows
O projeto conceitual inclui uma arena multiuso destinada à realização de apresentações culturais, shows e outros eventos de médio ou grande porte. Conforme a Prefeitura, o equipamento deverá ser instalado em uma área mais afastada dos setores residenciais, com o objetivo de reduzir impactos sonoros sobre os moradores do entorno.
A presença do cantor feirense Tiago Aquino na cerimônia levou jornalistas a questionarem se ele poderia participar da futura programação inaugural. José Ronaldo respondeu que não existe qualquer definição sobre o primeiro evento, mas afirmou que o artista poderá integrar atividades do complexo caso o empreendimento seja concretizado.
“É um filho da terra, um cantor e um amigo. Se conseguirmos realizar esse projeto, ele estará presente, com certeza.”
Além da arena, a estrutura deverá contar com restaurantes, estabelecimentos gastronômicos e espaços comerciais vinculados ao lazer, ao turismo e ao atendimento dos visitantes.
Projeto busca atrair hotéis, restaurantes e serviços privados
A administração municipal pretende utilizar o parque como instrumento de atração de novos investimentos para a região do Rio Jacuípe. A expectativa é estimular a instalação de hotéis, restaurantes, empresas de turismo, prestadores de serviços, escolas de esportes náuticos e negócios ligados à realização de eventos.
O empreendimento também poderá ampliar a oferta turística de Feira de Santana, atualmente concentrada principalmente nos segmentos de negócios, comércio, eventos profissionais e circulação regional. O Município já possui um Plano Municipal de Turismo 2023–2030, apresentado ao setor produtivo como referência para a diversificação das atividades turísticas e econômicas.
O secretário municipal de Planejamento, Carlos Brito, afirmou que a iniciativa representa uma tentativa de superar a baixa oferta histórica de grandes equipamentos de lazer e turismo no município. Para ele, o parque poderá estabelecer uma nova relação entre a cidade e sua região ribeirinha.
Segundo Brito, o objetivo é deixar uma estrutura permanente para as próximas gerações, fortalecendo a economia municipal e ampliando a integração com comunidades situadas ao longo do rio.
Estimativa indica geração de aproximadamente 2.600 empregos
Os cálculos preliminares apresentados pela Prefeitura indicam a possibilidade de criação de cerca de 1.300 empregos diretos e indiretos durante a construção e outros 1.300 postos na fase de funcionamento.
As vagas poderão estar distribuídas entre construção civil, engenharia, arquitetura, transporte, comércio, hotelaria, alimentação, turismo, segurança, manutenção, limpeza, administração, eventos e serviços náuticos.
Na entrevista coletiva, José Ronaldo adotou uma estimativa mais conservadora e afirmou que o projeto deverá gerar “mais de mil empregos” quando consideradas as fases de implantação e operação.
Os números ainda dependem da conclusão dos estudos da FGV, da dimensão final do projeto e do volume de investimentos que efetivamente forem contratados.
“É um estudo inicial, mas seguramente se pensa em mais de mil empregos entre a construção e o funcionamento.”
Prefeito projeta parque entre os maiores do país
José Ronaldo afirmou que a intenção da Prefeitura é estruturar um complexo capaz de se destacar entre os maiores equipamentos náuticos do Nordeste e do Brasil.
“Não é o maior de Feira de Santana. O nosso sonho é fazer o maior do Nordeste brasileiro e, talvez, o maior do Brasil.”
A classificação como um dos maiores parques náuticos do país, entretanto, representa uma projeção política e institucional. Ainda não foram apresentados estudos comparativos nacionais, indicadores técnicos ou parâmetros que permitam confirmar essa posição.
A definição dependerá de aspectos como área efetivamente ocupada, capacidade da marina, volume de investimentos, diversidade de equipamentos, extensão navegável, número de usuários e infraestrutura instalada.
Planejamento teria começado em 2001
Carlos Brito informou que as discussões relacionadas ao aproveitamento turístico e recreativo do Rio Jacuípe começaram em 2001. Desde então, diferentes ideias teriam sido avaliadas pela equipe municipal para integrar lazer, desenvolvimento econômico e valorização ambiental.
José Ronaldo atribuiu a concepção da proposta ao diálogo mantido ao longo dos anos com o secretário de Planejamento, técnicos municipais, praticantes de esportes náuticos e representantes da sociedade civil.
“É um sonho que não é meu. É um sonho de muitos. A gente conversa, pesquisa, estuda e gosta de sonhar junto.”
O prefeito informou que, cerca de duas semanas antes da apresentação, recebeu pessoas ligadas às atividades náuticas para discutir o potencial da área. Ele também anunciou que faria uma nova visita ao local acompanhado de integrantes do grupo.
FGV cita experiência anterior com projetos municipais
O representante da Fundação Getulio Vargas, Filipe Bittencourt, destacou o interesse da instituição em participar da estruturação do empreendimento e mencionou o histórico de cooperação técnica com Feira de Santana.
Entre as experiências citadas está um trabalho desenvolvido em conjunto com a Caixa Econômica Federal para viabilizar a implantação de 25 creches de grande porte no município.
A participação da FGV deverá abranger a análise da demanda, o dimensionamento dos investimentos, a estimativa das receitas, a sustentabilidade financeira, a definição das obrigações contratuais e a preparação da futura modelagem de concessão.
Concessão deverá preservar acesso gratuito ao parque
A Prefeitura anunciou que a administração do complexo será feita por meio de uma concessão simples, com investimento e operação sob responsabilidade da iniciativa privada.
A expectativa do Município é permitir que o concessionário obtenha receitas por meio da exploração de serviços como marina, estacionamento, restaurantes, eventos, atividades esportivas e operações comerciais autorizadas, sem cobrar pelo acesso geral da população às áreas públicas do parque.
A modelagem ainda deverá estabelecer quais serviços serão gratuitos, quais poderão ser tarifados, como será feita a manutenção, quais metas deverão ser cumpridas e quais mecanismos de fiscalização serão adotados.
A legislação federal estabelece que concessões precedidas de obras públicas devem ser formalizadas mediante licitação e contrato, com definição dos investimentos, riscos e condições de prestação dos serviços.
Preservação ambiental deverá integrar estudos e licenciamento
A implantação de um empreendimento às margens do Rio Jacuípe exigirá estudos ambientais, delimitação das áreas de preservação permanente, análise da qualidade da água, controle da ocupação do solo e definição dos impactos associados à navegação, aos eventos e ao aumento da circulação de pessoas.
Discussões realizadas no município desde 2022 já apontavam o potencial turístico e econômico da Bacia do Jacuípe, mas também registravam problemas relacionados à poluição, ao lançamento de esgoto, à ocupação irregular das margens e à necessidade de recuperação dos afluentes urbanos.
A compatibilidade entre desenvolvimento turístico e proteção ambiental será um dos fatores decisivos para a viabilidade do parque. O licenciamento deverá avaliar intervenções em áreas protegidas, obras de acesso, sistemas de drenagem, tratamento de resíduos, saneamento, segurança da navegação e capacidade de suporte do ambiente.
Prefeitura ainda não definiu cronograma das obras
Questionado sobre a previsão para o início da construção, José Ronaldo afirmou que ainda não existe um cronograma.
“Não existe previsão de início. Isso aqui é o pontapé inicial: a contratação da Fundação Getulio Vargas para elaborar o projeto.”
A assinatura do contrato permite o começo dos estudos, mas não representa autorização para execução imediata da obra. Antes da construção, serão necessários a conclusão da modelagem, a definição do orçamento, o licenciamento ambiental, a elaboração dos projetos técnicos, a estruturação jurídica da concessão e a realização da licitação.
O prazo para conclusão dos estudos da FGV e para lançamento do futuro edital não foi informado durante a apresentação.
Evento reuniu autoridades e representantes do setor produtivo
A cerimônia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Feira de Santana, Marcos Lima, secretários municipais, vereadores, representantes de associações comerciais e empresariais, integrantes do setor de esportes náuticos e profissionais de imprensa.
Também participou o presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana, Geraldo Pires, além de representantes de entidades vinculadas ao comércio, aos serviços e à atividade econômica regional.
A presença de integrantes do setor produtivo integra a estratégia municipal de apresentar a proposta a potenciais parceiros e investidores antes da conclusão da modelagem econômico-financeira.
Linha do tempo do Parque Náutico do Rio Jacuípe
2001 — Origem do planejamento
De acordo com o secretário Carlos Brito, começaram as primeiras discussões municipais sobre o aproveitamento do Rio Jacuípe para lazer, turismo, esportes e desenvolvimento econômico.
Setembro de 2022 — Fórum debate potencial turístico e náutico
A Prefeitura, entidades civis e representantes de instituições locais discutiram a requalificação da Bacia do Jacuípe, a prática de esportes náuticos e a atração de hotéis, restaurantes e investimentos privados. O diagnóstico também apontou poluição e ocupações irregulares como obstáculos ao aproveitamento econômico do manancial.
Outubro de 2022 — Projeto Respira Jacuípe
O Município apresentou ações de recuperação da bacia, formada por riachos urbanos que transportam resíduos e esgoto para o rio. Foram anunciados comitês de infraestrutura, educação ambiental e participação da iniciativa privada.
2023 a 2030 — Plano Municipal de Turismo
Feira de Santana passou a trabalhar com diretrizes destinadas à diversificação do turismo, integração regional, qualificação profissional e articulação com o setor de hospedagem, alimentação e eventos.
Julho de 2026 — Reuniões com praticantes de esportes náuticos
Segundo José Ronaldo, representantes do setor apresentaram sugestões e informações sobre a utilização da área nas semanas anteriores ao anúncio oficial.
29 de julho de 2026 — Apresentação é anunciada
A Prefeitura informou que o projeto seria apresentado à imprensa, com expectativa de divulgação da localização, infraestrutura, fontes de financiamento e modelo de implantação.
30 de julho de 2026 — Contrato com a FGV é formalizado
José Ronaldo apresentou a proposta conceitual e assinou o contrato de R$ 2,9 milhões para a elaboração dos estudos de viabilidade econômico-financeira.
Próxima etapa — Estudos, licenciamento e modelagem
A FGV deverá elaborar os levantamentos necessários para definir investimentos, receitas, riscos, obrigações e condições da concessão. Somente depois dessas etapas poderão ser preparados o edital, o contrato e o cronograma de implantação.








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