Senador Jaques Wagner defende PGP no Vale do Jiquiriçá, critica oposição e diz que grupo de Jerônimo não tem “imperador”

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou neste sábado (04/07/2026), durante plenária do Programa de Governo Participativo (PGP) do Vale do Jiquiriçá, realizada em Jaguaquara, que o grupo político liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues e vinculado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva atua com base na escuta popular, na valorização das pessoas e na construção coletiva de políticas públicas. Em discurso de forte teor político, Wagner criticou o comportamento da oposição, citou o caso da prefeita Edione Agostinone e afirmou que, no campo governista, “não tem imperador, chefe ou reizinho”, em referência à diferença que buscou estabelecer entre liderança política e comando personalista.

Wagner associa PGP à valorização do ser humano e à escuta popular

Durante a plenária, Wagner afirmou que a essência do grupo do PT na Bahia é fazer uma política voltada à valorização do ser humano. Segundo o senador, a orientação política do campo governista se apoia nas diretrizes do presidente Lula, mas não se confunde com obediência cega ou submissão pessoal.

Ao defender esse modelo, o parlamentar afirmou que o grupo segue “orientações, não ordens”, numa tentativa de diferenciar liderança política de mando autoritário. A declaração foi formulada em meio à mobilização do PGP 2026, iniciativa que vem sendo apresentada pelo campo governista como instrumento de escuta territorial e construção programática para o próximo ciclo de planejamento político-administrativo da Bahia. O Jornal Grande Bahia já registrou que o programa tem sido usado em diferentes territórios como mecanismo para levantar demandas regionais e organizar contribuições ao debate estadual.

A fala ocorreu em um contexto de interiorização da agenda política do governo estadual. Em etapas anteriores, o PGP reuniu lideranças como Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, Jaques Wagner, Geraldo Júnior e representantes de movimentos sociais, entidades e segmentos regionais, reforçando o peso político do programa no ano pré-eleitoral.

Caso de Edione Agostinone foi usado como exemplo de disputa política local

Um dos pontos centrais do discurso de Wagner foi a menção à prefeita de Jaguaquara, Edione Agostinone. De acordo com o senador, a gestora decidiu, em 2024, mudar de lado político por reconhecer ações que, na avaliação dela, beneficiaram o município. Wagner afirmou que essa decisão teria provocado reação adversa de antigos aliados e setores oposicionistas.

O senador classificou a reação como perseguição política, mas essa afirmação deve ser compreendida como declaração do parlamentar. O material apresentado não inclui manifestação da oposição nem documentos que comprovem, de forma independente, as retaliações mencionadas. Por rigor jornalístico, a acusação deve ser atribuída a Wagner e tratada como elemento do discurso político, não como fato comprovado de maneira autônoma.

Edione de Oliveira Agostinone tem trajetória administrativa em Jaguaquara. Segundo registro da Assembleia Legislativa da Bahia, ela foi diretora do Departamento de Segurança Alimentar Nutricional em 2012, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social em 2017, foi eleita prefeita em 2020 e reeleita em 2024.

Rompimentos e realinhamentos ampliam tensão no território

A política de Jaguaquara passou por rearranjos recentes. Em abril de 2026, reportagem do Panorama da Bahia registrou o rompimento entre o deputado estadual Hassan (PP) e a prefeita Edione Oliveira (PT), em meio a mudanças no cenário político estadual e à movimentação de lideranças em torno da oposição.

Esse ambiente ajuda a explicar a centralidade do município na plenária do PGP. Jaguaquara tornou-se palco de disputa simbólica entre dois modelos de articulação política: de um lado, o grupo governista busca apresentar a prefeita como exemplo de adesão por reconhecimento administrativo; de outro, a oposição mantém presença regional e disputa influência sobre lideranças municipais.

A fala de Wagner, portanto, não se restringiu à defesa do PGP. Ela operou também como mensagem política dirigida a prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e eleitores do Vale do Jiquiriçá, especialmente aqueles que observam o custo político de aderir ou se afastar de determinados grupos.

Senador critica oposição e vincula adversários a práticas autoritárias

Wagner afirmou que setores oposicionistas não tolerariam lideranças municipais com autonomia política. Segundo ele, adversários do PT teriam origem em uma tradição política marcada por práticas autoritárias e por formas de pressão sobre gestores locais.

O senador fez referência ao período dos governos militares no Brasil e afirmou que, naquele contexto, “era preciso vergar a coluna para sobreviver”. A declaração foi usada para contrastar, no plano retórico, uma política baseada em hierarquia e intimidação com outra apresentada pelo parlamentar como orientada pela escuta e pelo respeito à população.

A associação entre oposição e autoritarismo, contudo, integra a estratégia discursiva do senador e deve ser lida no contexto da disputa estadual. Trata-se de uma interpretação política, não de uma conclusão institucional. A reportagem não recebeu, no conteúdo-base, resposta dos adversários citados de forma genérica por Wagner.

PGP é apresentado como instrumento para reduzir erros de gestão

Em contraposição ao que chamou de modelo de retaliação, Wagner defendeu o PGP como ferramenta para melhorar a qualidade das decisões públicas. Segundo ele, a escuta direta da população permite ao Estado compreender melhor as demandas regionais e errar menos na definição de prioridades.

O Programa de Governo Participativo tem sido apresentado pelo PT Bahia como instrumento de diálogo com a população e de formulação de políticas públicas. Segundo o partido, o PGP também subsidia instrumentos de planejamento estratégico, como o Plano Plurianual (PPA) e o Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI).

No Vale do Jiquiriçá, a pauta ganha relevância por envolver municípios com demandas recorrentes em infraestrutura, saúde, educação, desenvolvimento rural, mobilidade, cultura, juventude e geração de renda. A programação em Jaguaquara também incluiu mobilização relacionada à juventude, cultura e educação, conforme cobertura local sobre a agenda do PGP no município.

“Governo para todos” é usado como eixo de discurso

Wagner recorreu a uma formulação frequentemente associada ao presidente Lula ao afirmar que, durante a eleição, o grupo estará no palanque com seus aliados, mas, após a vitória, deve governar para todos. A declaração buscou reforçar a ideia de que a administração estadual não deve punir municípios por escolhas eleitorais.

Essa posição tem peso político relevante em um estado com forte dependência dos municípios em relação a investimentos estaduais e federais. Obras, equipamentos públicos, programas sociais, ações de saúde e infraestrutura regional costumam ter impacto direto sobre a relação entre prefeitos, governo estadual e bases eleitorais.

Ao afirmar que os cidadãos são “donos da democracia”, Wagner buscou vincular o PGP à legitimidade popular. A mensagem central foi a de que o planejamento do Estado deve partir das prioridades indicadas pela população, e não apenas de decisões tomadas nos centros administrativos.

Discurso reforça estratégia governista para 2026

A fala de Jaques Wagner no Vale do Jiquiriçá evidencia que o PGP 2026 cumpre duas funções simultâneas: a de instrumento de consulta pública e a de plataforma de articulação política do grupo governista. A escuta territorial, quando efetivamente convertida em planejamento, orçamento, execução e controle social, pode melhorar a qualidade das políticas públicas. Quando limitada à retórica, perde força institucional e passa a operar apenas como mobilização eleitoral.

A plenária do Vale do Jiquiriçá se insere em uma agenda mais ampla de mobilização territorial do grupo governista. Desde a apresentação do PGP 2026, Jaques Wagner tem defendido a continuidade do projeto político iniciado pelo PT na Bahia em 2006 e a articulação entre governo estadual e governo federal.

A presença de Wagner nesse circuito fortalece sua condição de liderança política do PT baiano e amplia a exposição do programa como vitrine de mobilização, escuta popular e construção eleitoral. Embora o PGP seja apresentado como instrumento participativo, ele também possui evidente dimensão política, pois aproxima lideranças estaduais de bases municipais e consolida narrativas para a disputa de 2026.

No caso de Jaguaquara, o discurso teve duplo alcance: de um lado, reforçou a defesa da participação popular como método de governo; de outro, respondeu a conflitos locais e realinhamentos políticos que atravessam o município e o Vale do Jiquiriçá.


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