Na sexta-feira, 03/07/2026, o senador Jaques Wagner (PT-BA) acompanhou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) em duas agendas de infraestrutura na Bahia: a entrega da primeira etapa do Sistema Viário da BA-649, entre Ilhéus e Itabuna, no Sul do Estado, e a inauguração da duplicação e restauração da BA-502, no trecho entre o bairro Tomba, em Feira de Santana, e o distrito de Tapera, em São Gonçalo dos Campos. No ato da Rodovia Gabriela, Wagner classificou simbolicamente a nova ligação como “Rodovia da Coragem”, criticou entraves atribuídos ao governo Bolsonaro e contrapôs a postura anterior ao modelo federativo defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso marcado por disputa política, defesa de investimentos estaduais e valorização da infraestrutura como instrumento de desenvolvimento regional.
BA-649 amplia ligação entre Ilhéus e Itabuna
A primeira etapa da BA-649, batizada como Rodovia Gabriela, liberou ao tráfego 18 quilômetros de uma nova ligação entre Ilhéus e Itabuna. O trecho integra um sistema viário considerado estratégico para a mobilidade urbana, o deslocamento regional e a logística econômica do Sul da Bahia, região marcada por intensa circulação de trabalhadores, estudantes, turistas, cargas e serviços entre dois dos principais municípios baianos.
Durante a solenidade, Jaques Wagner afirmou que a obra tem significado superior ao aspecto físico da rodovia. Para o senador, a nova via expressa uma decisão política de continuidade administrativa diante de obstáculos enfrentados ao longo da execução do projeto. “Para mim, a Rodovia Gabriela poderia se chamar Rodovia da Coragem”, declarou.
A denominação simbólica proposta por Wagner teve como referência os impasses políticos que, segundo ele, dificultaram a execução da obra durante o governo federal anterior. A crítica foi direcionada à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem o senador atribuiu postura contrária à continuidade do empreendimento.
Wagner critica governo Bolsonaro e defende modelo de cooperação federativa
Em seu discurso, Wagner afirmou que a interrupção de uma obra estruturante representa, em sua avaliação, uma conduta incompatível com a responsabilidade institucional de quem ocupa a Presidência da República. “Pense como é que alguém, que senta na cadeira de presidente da República, em vez de ter a grandeza de fazer valer a confiança do voto, decide interromper uma obra como essa. Tivemos que devolver dinheiro ao governo federal anterior e, depois, sequer deixaram continuarmos a obra”, criticou.
A fala do senador reforçou a narrativa política de que a BA-649 foi concluída em meio a divergências entre governos de orientações partidárias distintas. Ao abordar o tema, Wagner vinculou a entrega da rodovia à capacidade do Governo da Bahia de sustentar investimentos com recursos próprios e de manter obras consideradas prioritárias para a população.
Em contraponto à gestão federal anterior, Wagner elogiou a postura do presidente Lula e afirmou que a tradição política do grupo liderado pelo PT na Bahia estaria baseada no diálogo institucional com prefeitos e governadores, independentemente de filiação partidária. “Na escola de Lula, eu, Rui [Costa] e Jerônimo aprendemos que não podemos governar apenas para os nossos. Nós nunca deixamos de fazer uma obra porque o governador ou o prefeito era de partido diferente”, disse.
Jerônimo entrega obra com impacto regional no Sul da Bahia
A entrega da BA-649 ocorreu em agenda liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues, com a presença de aliados políticos e lideranças regionais. A obra foi apresentada como uma intervenção destinada a reduzir o tempo de deslocamento, melhorar a segurança viária e ampliar a integração entre Ilhéus e Itabuna, municípios com papel relevante na economia, no turismo, na educação e nos serviços públicos do Sul da Bahia.
A nova rodovia também se conecta a uma agenda mais ampla de infraestrutura regional. Ao melhorar a circulação entre os dois municípios, a intervenção pode favorecer o acesso a equipamentos urbanos, polos comerciais, unidades de saúde, instituições de ensino e áreas produtivas, além de contribuir para a organização do tráfego em uma região historicamente pressionada por gargalos viários.
A obra, contudo, também tem dimensão política evidente. Ao qualificar a BA-649 como resultado de coragem administrativa, Wagner buscou atribuir ao Governo da Bahia a condição de protagonista da entrega e inserir a rodovia no debate nacional sobre cooperação federativa, continuidade de políticas públicas e divergências entre projetos de gestão.
Discurso associa infraestrutura a visão de Estado
Wagner afirmou que a conclusão da etapa entregue da BA-649 reflete uma visão de Estado voltada à população, e não à lógica de disputa partidária. Segundo ele, o grupo político ao qual pertence busca governar com amplitude, superando o que chamou de “mesquinharia” na condução de obras públicas.
“Sonhamos em trazer para a Bahia e para o Brasil uma visão ampliada de política, enquanto eles funcionam à base de mesquinharia. Temos que pensar grande. A Bahia não é pouca coisa, é a terra-mãe do Brasil”, declarou o senador.
A fala reforça uma estratégia discursiva recorrente em agendas de infraestrutura: associar obras rodoviárias a desenvolvimento, integração territorial e identidade política. No caso da BA-649, o simbolismo ganha força por envolver uma ligação regional relevante e por ter sido apresentado como exemplo de resistência administrativa diante de entraves federativos.
Comitiva segue para Feira de Santana e entrega BA-502
Após a agenda em Ilhéus, a comitiva seguiu para Feira de Santana, onde foi inaugurada a duplicação e restauração da BA-502, no trecho que liga o bairro Tomba ao distrito de Tapera, em São Gonçalo dos Campos. A intervenção também incluiu obras de urbanização e implantação de nova iluminação pública ornamental.
A BA-502 tem importância estratégica para a mobilidade entre Feira de Santana, São Gonçalo dos Campos, Conceição da Feira e o Recôncavo Baiano. A rodovia concentra fluxo de veículos particulares, transporte intermunicipal, cargas, trabalhadores e moradores que utilizam o corredor para acessar serviços, áreas produtivas e conexões logísticas relevantes.
A entrega atende a uma demanda antiga de usuários da via, especialmente em relação à segurança, trafegabilidade e capacidade de circulação. Além da restauração da pista, a urbanização e a iluminação ornamental ampliam a funcionalidade do trecho em área de transição entre zona urbana, distritos e ligação intermunicipal.
BA-502 mantém debate sobre ampliação do corredor viário
Embora a inauguração represente avanço para a mobilidade regional, a BA-502 permanece associada a cobranças públicas sobre a extensão da intervenção e a necessidade de integração mais ampla com a BR-101 Sul. Reportagens anteriores do Jornal Grande Bahia registraram atrasos, questionamentos sobre a execução da obra e reivindicações por uma ligação plena entre Feira de Santana, São Gonçalo dos Campos, Conceição da Feira e o corredor federal.
Esse contexto torna a entrega politicamente relevante. Feira de Santana ocupa posição central na malha rodoviária da Bahia e funciona como um dos principais entroncamentos logísticos do Nordeste. Melhorias em vias estaduais que partem do município impactam diretamente a circulação regional, a economia local e a segurança viária.
Entregas reforçam agenda de infraestrutura do Governo da Bahia
As agendas em Ilhéus e Feira de Santana reforçaram a tentativa do Governo da Bahia de apresentar obras rodoviárias como eixo de desenvolvimento regional. A BA-649 tem impacto direto sobre o Sul do Estado, enquanto a BA-502 dialoga com a centralidade logística de Feira de Santana e com a integração do Recôncavo Baiano.
Do ponto de vista administrativo, as entregas também ajudam a consolidar uma pauta de governo baseada em mobilidade, segurança viária e circulação econômica. Rodovias estaduais bem estruturadas reduzem custos de deslocamento, melhoram o acesso a serviços e favorecem o escoamento de mercadorias, especialmente em regiões com forte dependência do transporte rodoviário.
No plano político, a presença de Wagner ao lado de Jerônimo Rodrigues fortalece a vinculação entre a gestão estadual, o legado dos governos petistas na Bahia e o governo federal de Lula. Essa associação, contudo, também amplia o peso da cobrança pública sobre prazos, qualidade das obras, transparência contratual e continuidade dos investimentos.







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