A série documental Àgbára Dúdú – Narrativas Negras estreia a segunda temporada nacionalmente na terça-feira (28/07/2026), às 22h30, no Canal Futura, com disponibilização também no Globoplay. Com 13 episódios inéditos, a produção percorre 14 terreiros de candomblé, reúne personagens de cinco estados brasileiros e apresenta trajetórias de sacerdotes, comunidades e guardiões de tradições afro-brasileiras. Realizado essencialmente por profissionais baianos e construído em colaboração direta com o povo de axé, o projeto aborda ancestralidade, identidade, religiosidade, arte, combate ao racismo religioso e preservação da memória negra.
A estreia da nova temporada foi confirmada pelo Canal Futura e pelas redes oficiais da produção, que anunciam a exibição dos episódios a partir de 28 de julho, sempre às terças-feiras. A série poderá ser acompanhada pelo Futura e pelo Globoplay, conforme a programação divulgada.
Segunda temporada percorre cinco estados e dez cidades
A nova temporada constrói um painel sobre a diversidade cultural, litúrgica e territorial do candomblé brasileiro. Os episódios foram gravados em comunidades da Bahia, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe, abrangendo diferentes nações, tradições, formas de organização comunitária e modos de transmissão dos conhecimentos religiosos.
Ao todo, a produção informa ter registrado histórias em 14 terreiros, distribuídos por dez cidades: Cachoeira, Salvador, Vera Cruz, Lençóis, Olinda, Recife, Rio de Janeiro, São Luís, São João de Meriti e Nova Iguaçu. O material de divulgação menciona ainda a participação de uma comunidade de Sergipe, embora não especifique o município sergipano incluído no percurso.
A amplitude geográfica permite que a série apresente diferenças e aproximações entre tradições religiosas desenvolvidas em contextos históricos distintos. Ao reunir casas da Bahia, de Pernambuco, do Maranhão, do Rio de Janeiro e de Sergipe, a produção procura demonstrar que o candomblé não constitui uma manifestação homogênea, mas um universo formado por diferentes matrizes, linhagens, idiomas rituais, sistemas simbólicos e experiências comunitárias.
Personagens representam diferentes tradições do povo de santo
Entre as lideranças e comunidades retratadas estão Pai Reginaldo Flores, do Ilê Axé Opô Osogunlade; Mãe Beata de Yemanjá; Mãe Kabeca, da Casa Fanti-Ashanti; Mestre Getúlio; Mestre Damaré; Sandoval; Dona Dinha; Dona Valdelice, representante do Jarê da Chapada Diamantina; Mãe Vania, do Kale Bokun; e Mãe Valnízia do Cobre.
Também integram a temporada Nengwa Vulasese, do Nzo Onimboyá; a comunidade do Ilê Agboulá; Pai Ivo do Xambá; Mãe Aninha de Xangô; e Pai Manoel Papai, do Sítio do Pai Adão. As trajetórias abrangem sacerdotes, mestres, comunidades e personagens responsáveis pela preservação de práticas religiosas e culturais transmitidas entre gerações.
Os depoimentos são articulados a imagens dos territórios, manifestações rituais, danças afro-brasileiras, celebrações, arquivos e registros da vida comunitária. A proposta combina linguagem documental e construção poética, aproximando o público de experiências que, historicamente, permaneceram pouco representadas ou foram apresentadas sob perspectivas externas às comunidades religiosas.
Documentário é construído a partir do interior dos terreiros
Uma das características centrais de Àgbára Dúdú – Narrativas Negras é a participação direta de profissionais vinculados às religiões de matriz africana. A série não se limita a visitar os terreiros como ambientes de gravação: a concepção, a pesquisa, a direção e parte substancial da execução foram desenvolvidas por pessoas que mantêm relações de pertencimento, convivência ou conhecimento aprofundado das comunidades retratadas.
A diretora e roteirista Silvana Moura, que também é equede, afirma que a presença de profissionais pertencentes ao candomblé foi determinante para estabelecer relações de confiança, compreender os limites de cada registro e preservar o sentido cultural e religioso das narrativas.
“É impossível pensar o Brasil sem a presença negra e foi dentro das comunidades-terreiros que valores, saberes, crenças e costumes foram preservados. Os terreiros são espaços de acolhimento, de amor e são fundamentais na formação da cultura e da identidade brasileira.”
A construção colaborativa também orienta a forma como sacerdotes, comunidades e espaços sagrados aparecem na tela. Em lugar de uma observação distanciada, a produção procura registrar os terreiros como territórios vivos, nos quais religiosidade, educação, arte, memória, cuidado comunitário, organização social e resistência cultural permanecem interligados.
“Àgbára Dúdú não observa os terreiros de fora: ele é realizado a partir de dentro das comunidades, por profissionais que vivem essa experiência como pertencimento, memória e continuidade”, afirma Silvana Moura.
Série relaciona ancestralidade, cultura e combate ao racismo religioso
Os episódios abordam temas como memória, identidade, ancestralidade, diversidade, religiosidade, arte negra, formação cultural e combate ao racismo. As histórias pessoais das lideranças são apresentadas em conexão com processos coletivos que marcaram a presença africana e afro-brasileira no país.
A proposta também enfatiza o papel dos terreiros na conservação de idiomas, cantos, ritmos, conhecimentos sobre a natureza, formas de organização familiar, práticas culinárias, celebrações, hierarquias religiosas e valores transmitidos oralmente. Esses territórios são apresentados como espaços de continuidade cultural, formação de novas gerações e acolhimento social.
O tema do racismo religioso ocupa posição relevante na narrativa. Ao permitir que integrantes das próprias comunidades conduzam seus relatos, a série procura enfrentar representações estereotipadas, criminalizações históricas e formas contemporâneas de discriminação contra o candomblé e outras tradições de origem africana.
A primeira temporada já havia sido apresentada pelo Canal Futura como uma imersão na cultura e na religiosidade afro-brasileira, construída a partir das trajetórias de lideranças negras e de suas comunidades. O programa estreou em novembro de 2020, durante a programação dedicada ao Dia da Consciência Negra.
Produção baiana reúne profissionais do audiovisual e da música
A segunda temporada tem direção e roteiro de Silvana Moura, direção de fotografia de Hans Herold, produção executiva de Sylvia Abreu, da produtora Truque, e direção musical de André T.. A equipe reúne profissionais com trajetórias ligadas ao cinema, à televisão, à fotografia, à música e à produção de conteúdos sobre cultura afro-brasileira.
Silvana Moura é jornalista, roteirista e diretora de documentários e programas de televisão. Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia em 1998, concluiu pós-graduação em Roteiros para Televisão e Vídeo pela Unijorge em 2005. Atua no audiovisual desde 1996.
Entre seus trabalhos está o documentário Alàpini: A Herança Ancestral de Mestre Didi Asipá, lançado em 2017 e vencedor de melhor documentário no Philadelphia International Film Festival. A primeira temporada de Àgbára Dúdú – Narrativas Negras foi finalista do Prêmio ABRA de 2021 na categoria de melhor roteiro de documentário.
A diretora também escreveu o curta-metragem Severiana e as Lágrimas do Mar, segundo colocado no International Script Challenge de 2020, e participou do Lab Cabíria em 2022 com um projeto de série inspirado na mesma narrativa. Entre outros trabalhos, dirigiu e roteirizou as séries O Futuro é Ancestral e Cordel da Gente, exibidas pelo GNT.
Hans Herold responde pela fotografia da temporada
O diretor de fotografia Hans Herold atua como fotógrafo, operador de câmera e profissional de cinema, televisão, publicidade e vídeo. Seu currículo inclui produções nacionais e internacionais, videoclipes, campanhas publicitárias e documentários.
Herold participou do filme El Milagro de Candeal, dirigido pelo cineasta espanhol Fernando Trueba, e do documentário Filhos de João, de Henrique Dantas, vencedor do Prêmio Especial do Júri e do Júri Popular no Festival de Brasília de 2009.
Em 2000, recebeu o prêmio de melhor direção de fotografia no Festival de Cinema do Ceará por O Papel das Flores, de Edgard Navarro. Também dirigiu e assinou a fotografia de Alàpini: A Herança Ancestral de Mestre Didi Asipá, além de trabalhar nas séries O Futuro é Ancestral, Cordel da Gente e Territórios da Bahia.
André T. assina a direção musical
A direção musical é de André T., produtor, compositor, arranjador, músico e engenheiro de gravação com atuação profissional desde 1997. Em Salvador, mantém o Estúdio T, espaço dedicado à produção de discos, trilhas sonoras, gravações, mixagens e projetos audiovisuais.
Ao longo da carreira, o produtor trabalhou ou colaborou com artistas, grupos e realizadores como BaianaSystem, Pitty, Luiz Caldas, Mateus Aleluia, Letieres Leite, Retrofoguetes, Armandinho Macedo, Tuzé de Abreu, Edgard Navarro, Rebeca Matta, Cascadura, Opanijé e Canto dos Malditos na Terra do Nunca, entre outros.
Na série, a música integra o ambiente narrativo e contribui para estabelecer conexões entre ritmo, dança, religiosidade, memória e território. A trilha acompanha os relatos sem substituir as vozes das personagens e procura respeitar as especificidades culturais das comunidades registradas.
Estreia ocorre após o Dia da Mulher Negra
A segunda temporada chega ao público três dias depois de 25 de julho, data em que são celebrados o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
A proximidade entre as datas amplia a conexão da estreia com as trajetórias de sacerdotisas, mulheres negras, guardiãs de tradições, pesquisadoras, artistas e integrantes das comunidades de terreiro. Parte significativa dos episódios é conduzida por personagens femininas responsáveis pela conservação e transmissão de conhecimentos religiosos e comunitários.
Sem restringir a narrativa às lideranças formais, a série apresenta a organização dos terreiros como resultado de redes coletivas que envolvem sacerdotes, equedes, ogãs, mestres, famílias, iniciados, músicos, dançarinos, pesquisadores e moradores dos territórios.
Linha do tempo de Àgbára Dúdú – Narrativas Negras
- 2015: início do processo de pesquisa, participação em editais, desenvolvimento e pré-produção do projeto.
- 2017: lançamento de Alàpini: A Herança Ancestral de Mestre Didi Asipá, dirigido por Silvana Moura e Hans Herold.
- 2018: Alàpini recebe o prêmio de melhor documentário no Philadelphia International Film Festival.
- 20/11/2020: primeira temporada de Àgbára Dúdú – Narrativas Negras estreia no Canal Futura durante a programação do Dia da Consciência Negra.
- 2021: a série torna-se finalista do Prêmio ABRA na categoria de melhor roteiro de documentário.
- 2022: Silvana Moura e Hans Herold participam das produções O Futuro é Ancestral e Cordel da Gente, exibidas pelo GNT.
- 2022 e 2023: Silvana participa de projeto de ficção destinado ao Disney+ e vence edital do Salvador Cine para desenvolver Severiana e as Lágrimas do Mar.
- 2024: Hans Herold trabalha na série Territórios da Bahia, dirigida por Jorge Alfredo.
- 25/07/2026: celebração do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
- 28/07/2026: estreia da segunda temporada no Canal Futura, às 22h30, com disponibilização no Globoplay.
Como assistir à segunda temporada
A estreia ocorrerá na terça-feira, 28 de julho de 2026, às 22h30. Segundo a divulgação, novos episódios serão exibidos semanalmente, às terças-feiras, no mesmo horário.
O Canal Futura está disponível nas principais operadoras de televisão por assinatura nos seguintes canais:
- Sky: 434 HD e 34;
- Net e Claro TV: 534 HD e 34;
- Vivo: 68 HD e 24 na fibra óptica;
- Oi TV: 35.
Os números estão de acordo com a relação divulgada pelo próprio Canal Futura em sua página de orientação ao público.
A produção informa que os episódios também estarão disponíveis no Globoplay. O público pode acompanhar as atualizações no perfil oficial de Àgbára Dúdú no Instagram e assistir à chamada da segunda temporada divulgada pelo Canal Futura.
A segunda temporada de Àgbára Dúdú – Narrativas Negras amplia um movimento de produção audiovisual no qual comunidades historicamente transformadas apenas em objetos de observação passam a participar da definição das narrativas, dos enquadramentos e das formas de representação.
A presença do povo de axé na concepção e na realização do documentário reduz a distância entre quem registra e quem é registrado, embora a recepção pública e a fidelidade de cada episódio às particularidades das comunidades devam ser avaliadas após a exibição integral da temporada.
A abrangência territorial fortalece a proposta de demonstrar a pluralidade do candomblé, mas o material de divulgação ainda deixa uma lacuna ao não identificar o município sergipano incluído nas gravações.








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