Terremoto na Venezuela: Buscas entram em fase de recuperação de corpos após saída de equipes internacionais

As operações de busca na Venezuela entraram em uma nova fase após os terremotos que atingiram o estado de La Guaira, no litoral do país. Com mais de duas semanas desde os abalos sísmicos, as autoridades e equipes de resgate concentram os esforços na recuperação dos corpos das vítimas, diante da redução das possibilidades de localizar sobreviventes sob os escombros.

Na quinta-feira (09/07/2026), a venezuelana Scarly Rojas, de 32 anos, permaneceu nas ruínas do prédio onde morava com a mãe, desaparecida desde o desastre ocorrido em 24 de junho. O edifício de cinco andares, localizado na região de Praia Grande, desabou após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, uma das áreas mais afetadas pela tragédia.

Segundo a moradora, a mãe está entre os desaparecidos que, conforme familiares, ainda não constam integralmente nos dados oficiais divulgados diariamente pelo governo venezuelano.

Familiares mantêm buscas após redução das operações internacionais

Scarly Rojas afirmou que perdeu as esperanças de encontrar a mãe com vida logo após chegar ao local do desabamento. Ela relatou que, ao observar a destruição do edifício e do apartamento onde moravam, concluiu que as chances de sobrevivência eram mínimas.

De acordo com seu relato, nos dois primeiros dias após o terremoto, familiares realizaram as buscas praticamente sem apoio especializado. As primeiras equipes internacionais de resgate teriam chegado apenas entre o terceiro e o quarto dia após o desastre.

Com a saída gradual das missões estrangeiras, familiares e voluntários voltaram aos escombros para continuar procurando os corpos de parentes desaparecidos.

Moradora critica demora no início dos resgates

Rojas criticou a demora no início das operações oficiais de resgate, afirmando que os primeiros dias, considerados decisivos para localizar sobreviventes, foram conduzidos principalmente por moradores e familiares.

Segundo ela, após cerca de uma semana, grande parte das equipes internacionais encerrou suas atividades.

A venezuelana resumiu a situação atual afirmando que “agora não tem ninguém”, em referência à ausência das equipes de busca no local onde permanece diariamente procurando informações sobre a mãe.

Missão brasileira encerra parte das operações

Parte da missão brasileira de resgate retorna ao Brasil nesta sexta-feira (10/07/2026). O desembarque das equipes está previsto para 17h, em Brasília.

Inicialmente, a permanência dos brasileiros estava prevista até a segunda-feira (13/07/2026). No entanto, o cronograma foi antecipado.

Apesar do retorno das equipes de busca, o hospital de campanha instalado pela Marinha do Brasil em La Guaira permanecerá em funcionamento por prazo indeterminado, dando continuidade ao atendimento humanitário.

Equipes estrangeiras mantêm recuperação de vítimas

Enquanto parte das missões internacionais deixou a Venezuela, equipes argentinas permanecem atuando nas operações, com previsão de permanência até o sábado.

A chefe das operações da Brigada ARG 10, María Florencia Pizarro, afirmou que, embora as possibilidades de localizar sobreviventes sejam muito reduzidas, as buscas continuam.

Segundo a responsável pela missão, mesmo quando não há expectativa de encontrar pessoas com vida, a recuperação dos corpos possui importância humanitária, permitindo que as famílias realizem o reconhecimento das vítimas e os rituais funerários.

Estados Unidos ampliam apoio humanitário

Paralelamente às operações de resgate, o Comando Sul dos Estados Unidos anunciou a chegada do navio anfíbio USS San Antonio ao Porto de La Guaira para apoiar as ações de assistência humanitária.

No início do mês, o comandante do Comando Sul, general Francis Donovan, informou que cerca de dois mil militares norte-americanos haviam desembarcado na Venezuela para apoiar as operações relacionadas ao desastre.

Enquanto isso, familiares continuam realizando buscas nos locais mais atingidos, diante da redução das equipes internacionais e da transição das operações para a recuperação das vítimas.

*Com informações da RFI.


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