Três semanas após os terremotos que atingiram o estado venezuelano de La Guaira, o número oficial de mortos chegou a 5.278, segundo balanço divulgado na segunda-feira (20/07/2026). Enquanto familiares e voluntários continuam procurando vítimas sob os escombros, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a liberação de US$ 346 milhões destinados à reconstrução das áreas afetadas e ao atendimento das famílias atingidas.
Os recursos haviam permanecido congelados desde 2019, quando foram interrompidas as relações entre o FMI e o governo venezuelano. A liberação ocorre após a retomada do diálogo entre o organismo internacional e as autoridades do país, permitindo o financiamento de projetos de infraestrutura, moradia e recuperação de serviços públicos essenciais.
Segundo informações apresentadas pelo presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, os dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com intervalo de apenas 39 segundos, provocando uma das maiores tragédias da história recente da Venezuela. O balanço oficial também registra quase 17 mil feridos, enquanto o número de desaparecidos permanece indefinido.
Destruição atingiu infraestrutura e milhares de moradores
Os fortes tremores provocaram o desabamento de centenas de edifícios em La Guaira, região costeira localizada próxima a Caracas. Prédios residenciais, hotéis, centros comerciais e estruturas públicas sofreram danos severos, deixando extensas áreas urbanas inabitáveis.
Nos primeiros dias após o desastre, estimativas divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) indicavam que até 50 mil pessoas poderiam estar soterradas ou desaparecidas. As equipes de busca seguem atuando em diferentes pontos da cidade, enquanto familiares continuam tentando localizar vítimas.
A tragédia também provocou uma crise humanitária. Aproximadamente 20 mil pessoas permanecem sem moradia e vivem em acampamentos improvisados instalados em estádios, praças públicas e outros espaços abertos. Moradores relatam dificuldades de acesso à água, saneamento e abrigo adequado.
FMI retoma cooperação com a Venezuela
A presidente interina Delcy Rodríguez informou que os US$ 346 milhões liberados pelo FMI serão destinados à reconstrução de moradias, recuperação da infraestrutura urbana e restabelecimento dos serviços públicos essenciais.
Os recursos estavam bloqueados desde 2019, período em que o organismo financeiro internacional deixou de reconhecer o governo liderado por Nicolás Maduro, deposto em janeiro após uma operação militar apoiada pelos Estados Unidos.
Em abril de 2026, o FMI e o Banco Mundial anunciaram a retomada das relações institucionais com a Venezuela, permitindo o desbloqueio dos recursos destinados ao processo de reconstrução das regiões afetadas pelos terremotos.
Moradores criticam demora nas operações de resgate
Mesmo após três semanas da tragédia, familiares continuam realizando buscas por conta própria entre os escombros. Moradores afirmam que a presença das equipes oficiais de resgate diminuiu significativamente e relatam dificuldades para localizar parentes desaparecidos.
O economista Hildegar Mujica, de 60 anos, procura sua ex-esposa entre os destroços de um edifício residencial de 12 andares. Segundo ele, ainda existem corpos visíveis que não foram removidos por falta de estrutura ou de identificação por familiares.
Moradores também relatam que, diante da escassez de equipamentos públicos, algumas famílias passaram a contratar particulares para remover escombros e recuperar corpos. A situação tem sido alvo de críticas devido aos custos cobrados e à ausência de apoio estatal permanente.
Voluntários relatam falta de equipamentos
O voluntário Johan Torumo, de 45 anos, afirmou que famílias têm recorrido a grupos conhecidos localmente como “topos” para localizar vítimas soterradas. Segundo seu relato, alguns serviços chegam a custar US$ 300 por corpo encontrado, enquanto determinadas operações de retirada de escombros alcançam valores superiores.
De acordo com Torumo, muitas famílias precisam fornecer os próprios sacos utilizados para o transporte dos corpos, diante da limitação de materiais disponíveis nas áreas mais atingidas.
Enquanto as buscas prosseguem, autoridades reconhecem que o processo de reconstrução deverá se estender por vários meses e dependerá da coordenação entre organismos internacionais, governo venezuelano e equipes humanitárias.
Reconstrução dependerá de investimentos e cooperação internacional
A liberação dos recursos do FMI representa o primeiro aporte financeiro internacional destinado à reconstrução de La Guaira desde os terremotos. As autoridades venezuelanas afirmam que a prioridade será restabelecer serviços essenciais, recuperar moradias e reconstruir a infraestrutura urbana.
Ao mesmo tempo, permanecem os desafios relacionados à localização de desaparecidos, à assistência aos desabrigados e à recuperação econômica da região, considerada um dos principais polos turísticos próximos à capital venezuelana.
Com milhares de pessoas ainda vivendo em condições provisórias e operações de busca em andamento, a tragédia continua mobilizando autoridades nacionais, organismos internacionais e organizações humanitárias envolvidas na resposta ao desastre.
*Com informações da RFI.







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