Vídeo de Rodrigo Pimentel volta ao debate: ex-Bope convidado por ACM Neto elogiou polícias da Bahia e reconheceu queda de homicídios sob Jerônimo

Nesta sexta-feira (24/07/2026), um trecho de entrevista concedida pelo especialista em segurança pública Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro — Bope —, voltou a repercutir no debate político baiano após a divulgação de novos indicadores nacionais sobre violência. No vídeo, originalmente transmitido pelo Flow Podcast em 31/10/2025, Pimentel elogia as polícias Militar e Civil da Bahia e reconhece que o governo do governador Jerônimo Rodrigues registrou redução dos homicídios. As declarações ganham dimensão política porque o especialista já havia participado de eventos promovidos pela Fundação Índigo, instituição presidida por ACM Neto, principal adversário político da atual gestão estadual.

Rodrigo Pimentel elogia polícias baianas e reconhece redução da violência

Durante a entrevista ao apresentador Igor Coelho, conhecido como Igor 3K, Rodrigo Pimentel afirmou que “a polícia da Bahia é muito boa” e destacou a disposição das forças estaduais para impedir que organizações criminosas consolidem barreiras físicas e controle territorial em comunidades de Salvador.

O ex-oficial comparou a atuação das corporações baianas com a situação enfrentada pelo Rio de Janeiro, onde facções criminosas mantêm domínio armado sobre extensas áreas urbanas. Segundo ele, os policiais da Bahia demonstram persistência na retirada de barricadas e na retomada de territórios ocupados pelo crime organizado.

Ao analisar os indicadores estaduais, Pimentel declarou que “Jerônimo conseguiu reduzir a violência nos últimos 24 meses” e relacionou a queda dos homicídios à atuação operacional das polícias Militar e Civil. O especialista também mencionou positivamente o secretário estadual da Segurança Pública, Marcelo Werner, e o então comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Paulo Coutinho Magalhães.

As declarações foram feitas em uma entrevista transmitida em outubro de 2025, durante discussão mais ampla sobre segurança pública e uma operação policial realizada no Rio de Janeiro. Portanto, o vídeo que voltou a circular em julho de 2026 não corresponde a uma manifestação recente do especialista, embora os dados divulgados posteriormente indiquem continuidade da redução dos crimes letais na Bahia.

Especialista havia criticado segurança da Bahia em fórum da Fundação Índigo

A manifestação elogiosa ocorreu cerca de cinco meses depois de Rodrigo Pimentel participar do fórum “SOS Bahia — Caminhos para mudar a segurança pública do nosso estado”, promovido pela Fundação Índigo em Salvador, em 05/06/2025.

O encontro reuniu aproximadamente 3 mil pessoas e contou com as participações de ACM Neto, do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do senador Sergio Moro, do prefeito de Salvador, Bruno Reis, do deputado federal Capitão Alden e de outros convidados ligados ao debate sobre segurança pública.

Na ocasião, Pimentel adotou posição crítica e afirmou que a Bahia estaria no “caminho do caos”, ao comparar a evolução da violência no estado com a redução observada em outras unidades da Federação. A Fundação Índigo também divulgou uma carta com propostas relacionadas à integração das polícias, uso de inteligência, valorização profissional, novos concursos e fortalecimento do combate às organizações criminosas.

A diferença entre as duas manifestações evidencia uma mudança de enfoque. No fórum de junho, Pimentel concentrou sua análise no crescimento histórico da violência e na posição ocupada pela Bahia nos rankings nacionais. Na entrevista de outubro, reconheceu que os indicadores mais recentes apontavam redução dos homicídios e atribuiu parte do resultado ao trabalho desenvolvido pelas forças policiais estaduais.

Em maio de 2026, o especialista voltou a participar de iniciativa da Fundação Índigo, desta vez como palestrante no lançamento de um MBA gratuito em Segurança Pública, estruturado em parceria com a Fundação Getulio Vargas — FGV. O evento ocorreu no Rio de Janeiro e contou com a presença de ACM Neto, presidente da instituição, e de dirigentes do União Brasil.

Anuário confirma redução das mortes violentas em 2025

O reconhecimento feito por Rodrigo Pimentel encontra respaldo parcial nos dados divulgados pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública na quinta-feira (23/07/2026).

Segundo o levantamento, a Bahia registrou 5.473 mortes violentas intencionais em 2025, contra 6.047 no ano anterior. A diferença corresponde a 574 vítimas a menos e a uma redução de 9,6%, superior à queda nacional de 8,2%.

A taxa estadual recuou de 40,7 para 36,8 mortes por 100 mil habitantes. Apesar da diminuição, a Bahia permaneceu com a segunda maior taxa de mortes violentas do Brasil, atrás apenas do Amapá, e liderou o país em números absolutos, concentrando aproximadamente 13,4% das ocorrências nacionais.

Os homicídios dolosos também apresentaram redução. O número de vítimas passou de aproximadamente 4.317, em 2024, para 3.765 em 2025, retração próxima de 12,8%. O resultado confirma uma diminuição expressiva, mas o estado continuou com o maior número absoluto de vítimas desse tipo de crime no país.

O quadro territorial permaneceu crítico. Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro ficaram entre as dez cidades brasileiras com as maiores taxas de mortes violentas intencionais entre municípios com mais de 100 mil habitantes.

Indicadores de 2026 apontam continuidade da queda

Os dados da Secretaria da Segurança Pública da Bahia — SSP-BA — indicam que a redução continuou no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o estado registrou queda de 20,5% nos homicídios, latrocínios e lesões corporais dolosas seguidas de morte, em comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo o balanço oficial, foram preservadas 424 vidas no período. Salvador apresentou redução de 29,7%, enquanto a Região Metropolitana registrou queda de 29,6% e os municípios do interior tiveram diminuição de 16,5%.

A SSP informou ainda que as forças de segurança realizaram aproximadamente 500 operações contra organizações criminosas durante o semestre. O governo estadual atribuiu os resultados à integração entre órgãos estaduais, federais e municipais, à ampliação das ações de inteligência e ao combate à estrutura financeira das facções.

Os dois levantamentos utilizam metodologias distintas. O indicador estadual reúne homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Já a categoria de Mortes Violentas Intencionais — MVI, utilizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, inclui também as mortes decorrentes de intervenções policiais.

Por essa razão, as porcentagens divulgadas pela SSP e pelo Anuário não podem ser comparadas diretamente, embora ambas indiquem redução dos crimes letais cometidos no estado.

Letalidade policial permanece como ponto crítico

O Anuário também apresenta um componente que exige acompanhamento específico. Em 2025, a Bahia registrou 1.570 mortes decorrentes de intervenções policiais, ante 1.556 em 2024.

Essas ocorrências representaram aproximadamente 28,7% de todas as mortes violentas intencionais registradas no estado. A Bahia respondeu por quase 24% das 6.602 mortes decorrentes de ações policiais contabilizadas no Brasil.

Com taxa de 10,6 mortes por 100 mil habitantes, o estado ocupou a segunda posição nacional em letalidade policial, atrás apenas do Amapá. Porto Seguro, Eunápolis, Simões Filho, Jequié, Lauro de Freitas e Luís Eduardo Magalhães também apareceram entre os municípios brasileiros com as maiores taxas desse indicador.

A combinação dos dados demonstra que a redução dos homicídios e dos crimes letais convive com uma elevada participação das intervenções policiais no conjunto das mortes violentas. O desafio das instituições consiste em manter a repressão às organizações criminosas, preservar a segurança dos agentes e assegurar que o uso da força seja submetido a controle, investigação, transparência e responsabilização.

Políticas sociais e expansão da educação integral

Na entrevista ao Flow Podcast, Rodrigo Pimentel também associou a segurança pública à evolução das condições sociais e declarou que “a Bahia melhorou no social”. O especialista mencionou avanços no Índice de Desenvolvimento Humano, mas não indicou a série estatística, o período analisado ou a base utilizada para a comparação.

Na área educacional, os dados oficiais exigem distinção entre escolas novas, unidades modernizadas e estabelecimentos que passaram a oferecer jornada integral. Em maio de 2026, a Secretaria da Educação informou que a educação integral alcançava 690 unidades escolares, distribuídas por 388 municípios e atendendo mais de 170 mil estudantes.

Esse número não corresponde à quantidade de novas escolas inauguradas. Em abril de 2026, o governo estadual contabilizava 106 novas unidades de ensino entregues desde 2023. Paralelamente, mais de 600 escolas haviam sido reformadas, ampliadas ou modernizadas, segundo balanços oficiais.

A política social de prevenção também inclui o programa Bahia Pela Paz, voltado prioritariamente a crianças, adolescentes, jovens e famílias residentes em territórios de alta vulnerabilidade. Entre novembro de 2024 e abril de 2026, o governo informou investimentos superiores a R$ 270 milhões na execução do programa, além de mais de R$ 70 milhões destinados à implantação dos coletivos territoriais.


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