Bahia reduz desemprego para 9,1%, mas Salvador e RMS lideram taxas de desocupação no país no 2º trimestre de 2026

Na sexta-feira (14/08/2026), dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Trimestral, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram movimentos distintos no mercado de trabalho baiano durante o 2º trimestre de 2026: a taxa de desocupação da Bahia recuou levemente, de 9,2% para 9,1%, acompanhada pelo crescimento do número de trabalhadores, que alcançou o recorde de 6,557 milhões de pessoas ocupadas para um segundo trimestre, enquanto Salvador, com 11,4%, e a Região Metropolitana de Salvador (RMS), com 12,5%, registraram aumento do desemprego e permaneceram com as maiores taxas do país em seus respectivos recortes territoriais.

Bahia alcança menor taxa para um segundo trimestre, mas permanece entre os maiores índices do país

A taxa de desocupação de 9,1% registrada na Bahia entre abril e junho representa uma redução discreta de 0,1 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, quando o indicador estava em 9,2%. O resultado igualou o observado no segundo trimestre de 2025 e correspondeu à menor taxa para esse período do ano desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.

Apesar da melhora histórica, o estado continuou em posição desfavorável na comparação nacional. A Bahia apresentou a segunda maior taxa de desocupação entre as 27 unidades da Federação, ficando abaixo apenas do Amapá, com 9,8%. A média brasileira foi de 5,4%, enquanto Santa Catarina, com 2,1%, apresentou o menor percentual do país.

O indicador de desocupação considera a proporção das pessoas com 14 anos ou mais que não estavam trabalhando, procuraram emprego e estavam disponíveis para assumir uma ocupação em relação ao conjunto da força de trabalho, formada por ocupados e desocupados.

Salvador chega a 11,4% e mantém maior desemprego entre as capitais

O comportamento observado em Salvador divergiu do resultado estadual. A taxa de desocupação da capital alcançou 11,4% no segundo trimestre, acima dos 10,2% registrados entre janeiro e março de 2026. O índice também superou o resultado do mesmo trimestre de 2025, embora o material analisado não informe o percentual exato daquele período.

Com o avanço, Salvador permaneceu com a maior taxa de desocupação entre as capitais brasileiras pesquisadas. Além de superar a média estadual de 9,1%, o percentual ficou mais de seis pontos acima da taxa nacional de 5,4%.

O movimento reforça a diferença entre o desempenho agregado do mercado de trabalho baiano e a situação da principal cidade do estado: enquanto a ocupação cresceu na Bahia e contribuiu para reduzir marginalmente a taxa estadual, a capital registrou aumento da proporção de pessoas que estavam procurando trabalho.

Região Metropolitana de Salvador alcança 12,5% e lidera entre 21 regiões metropolitanas

A situação foi ainda mais desfavorável na Região Metropolitana de Salvador. A taxa de desocupação subiu de 11,2% no primeiro trimestre para 12,5% no segundo trimestre de 2026. O índice foi superior ao registrado tanto na capital quanto no conjunto da Bahia.

A RMS continuou apresentando a maior taxa de desocupação entre as 21 regiões metropolitanas de capitais pesquisadas pelo IBGE. Assim como ocorreu em Salvador, o percentual também avançou em comparação com o segundo trimestre de 2025, sem que o documento fornecido apresente o índice exato daquele período.

Os dados colocam Salvador e sua região metropolitana no centro do contraste revelado pela pesquisa: a melhora estadual não foi acompanhada pelos dois principais recortes urbanos da Bahia considerados no levantamento.

Número de trabalhadores bate recorde na Bahia, mas 656 mil continuam procurando emprego

A redução da taxa estadual ocorreu principalmente porque houve expansão da população ocupada, enquanto o contingente de desocupados permaneceu praticamente estável na comparação trimestral.

Entre abril e junho, a Bahia tinha 6,557 milhões de pessoas trabalhando, considerando ocupações formais e informais. O número representou crescimento de 1,6%, ou 106 mil trabalhadores, sobre os 6,451 milhões registrados no primeiro trimestre.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando havia 6,458 milhões de ocupados, o crescimento foi de 1,5%, equivalente a aproximadamente 98 mil pessoas. Com isso, o estado registrou o maior contingente de trabalhadores para um segundo trimestre desde o início da série da PNAD Contínua, em 2012.

Ao mesmo tempo, a população desocupada ficou em 656 mil pessoas. O contingente permaneceu estável frente ao primeiro trimestre de 2026, mas estava 1,2% maior do que no segundo trimestre de 2025, correspondendo a um acréscimo de 8 mil pessoas em um ano.

A combinação ajuda a explicar por que o aumento da ocupação produziu apenas uma pequena redução da taxa de desemprego: apesar da criação líquida de ocupações, não houve redução significativa no número absoluto de pessoas que permaneciam procurando trabalho.

Desalento cai 20,3% em um ano, mas Bahia mantém maior contingente do Brasil

Outro indicador apresentou melhora expressiva. A Bahia tinha 366 mil pessoas desalentadas no segundo trimestre, redução de 14%, ou 60 mil pessoas, em comparação com os três primeiros meses de 2026.

Frente ao segundo trimestre de 2025, o recuo foi ainda maior: 20,3%, correspondente a 93 mil pessoas. Esse foi o menor contingente para um segundo trimestre no estado em 11 anos, desde 2015, quando havia 290 mil pessoas nessa condição.

Apesar da queda, a Bahia continuou apresentando o maior número absoluto de desalentados do país, posição que, segundo o material do IBGE, ocupa ao longo de toda a série histórica da PNAD Contínua.

No Brasil, eram 2,288 milhões de desalentados, contingente que caiu 14,7% em relação ao primeiro trimestre e 17% na comparação anual.

O IBGE classifica como desalentadas as pessoas que estão fora da força de trabalho, não trabalham nem procuram emprego por razões como dificuldade de encontrar uma ocupação, falta de experiência, idade ou inexistência de trabalho na localidade, embora estivessem disponíveis para trabalhar caso surgisse uma oportunidade.

Conta própria e setor público impulsionam crescimento da ocupação

O avanço da população ocupada ocorreu em diversas modalidades de inserção no mercado de trabalho.

Na apresentação detalhada dos resultados, o material informa que os trabalhadores por conta própria aumentaram em 57 mil pessoas, crescimento de 3,2%, chegando a 1,881 milhão. Já os empregados do setor público avançaram em 35 mil, ou 3,8%, alcançando 943 mil trabalhadores.

Na direção contrária, houve redução de 26 mil empregados do setor privado sem carteira assinada, queda de 2,2%, deixando o contingente em 1,175 milhão. O número de trabalhadores domésticos com carteira caiu em 10 mil, ou 16,4%, enquanto o total de empregadores diminuiu em 7 mil, recuo de 3,5%, para 221 mil pessoas.

Informalidade alcança 3,322 milhões de trabalhadores e taxa sobe para 50,7%

A expansão da ocupação também ocorreu acompanhada de crescimento do trabalho informal no intervalo trimestral.

Entre abril e junho, 3,322 milhões de pessoas trabalhavam na informalidade na Bahia, alta de 1,7%, equivalente a 56 mil trabalhadores, frente ao primeiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, houve redução de 1,6%, ou 53 mil pessoas.

A taxa de informalidade passou de 50,6% para 50,7% entre o primeiro e o segundo trimestre. Dessa forma, mais da metade da população ocupada no estado permanecia em modalidades consideradas informais.

A Bahia apresentou a quarta maior taxa de informalidade do país, atrás de Maranhão (56,9%), Pará (55,9%) e Amazonas (51,7%). A média brasileira informada no documento foi de 37,4%.

São considerados informais, segundo a definição reproduzida no material, empregados do setor privado e trabalhadores domésticos sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria ou empregadores sem CNPJ e auxiliares em negócios familiares.

Administração pública e construção apresentam maiores aumentos de trabalhadores

Considerando os dez grupamentos de atividades investigados, seis apresentaram aumento da população ocupada entre o primeiro e o segundo trimestre.

O maior crescimento absoluto ocorreu no grupo formado por administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 46 mil trabalhadores a mais, expansão de 3,7%.

A construção apresentou o segundo maior avanço no detalhamento do levantamento, com 20 mil trabalhadores adicionais, crescimento de 4,1%.

As reduções ocorreram em informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com menos 9 mil pessoas; alojamento e alimentação, com queda de 8 mil; e indústria geral, com diminuição de 4 mil trabalhadores.

Na comparação anual, cinco dos dez grupamentos apresentaram crescimento. Novamente, administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais lideraram, com 95 mil trabalhadores adicionais, avanço de 8%.

A indústria geral, em sentido oposto, registrou a maior redução na comparação com o segundo trimestre de 2025: 61 mil trabalhadores a menos, queda de 10,2%.

Rendimento cresce na Bahia, mas cai em Salvador e na Região Metropolitana

O rendimento apresentou outra divergência entre o resultado estadual e os indicadores da capital e da RMS.

Na Bahia, o rendimento médio real mensal habitualmente recebido em todos os trabalhos chegou a R$ 2.563 no segundo trimestre. O valor representou crescimento de 1,1%, ou R$ 27, frente aos R$ 2.536 do primeiro trimestre.

Na comparação anual, o avanço foi de 11,5%, equivalente a R$ 264, sobre os R$ 2.299 registrados no segundo trimestre de 2025.

Apesar da evolução, a Bahia permaneceu com o terceiro menor rendimento médio entre as 27 unidades da Federação, superando apenas Maranhão, com R$ 2.284, e Piauí, com R$ 2.547.

Em Salvador, o movimento foi inverso. O rendimento médio ficou em R$ 3.514, redução de 3,6%, ou R$ 131, diante dos R$ 3.645 do trimestre anterior. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, porém, houve crescimento de 7,7%, correspondente a R$ 251. A capital apresentou o quinto menor rendimento médio do trabalho entre as capitais.

Na Região Metropolitana de Salvador, o rendimento médio alcançou R$ 3.355, queda trimestral de 0,9%, ou R$ 29, frente aos R$ 3.384 anteriores. Em um ano, houve aumento de 9,9%, ou R$ 301. O resultado foi o sétimo menor entre as 21 regiões metropolitanas pesquisadas.

Massa de rendimentos chega a R$ 16,427 bilhões

Embora o rendimento médio individual permaneça entre os menores do país, a combinação entre expansão da ocupação e aumento da renda elevou a massa de rendimentos do trabalho na Bahia.

No segundo trimestre, a massa de rendimento real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 16,427 bilhões, crescimento de 2,4% na comparação com o primeiro trimestre e de 12,7% frente ao segundo trimestre de 2025.

O indicador corresponde à soma dos rendimentos de todas as pessoas ocupadas e mede o volume agregado de recursos provenientes do trabalho.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2012 — início da série histórica: começa a série da PNAD Contínua utilizada para comparar os indicadores atuais do mercado de trabalho. A série serve de referência para os recordes e mínimos históricos apresentados no levantamento.
  • 2015 — referência do desalento: a Bahia tinha 290 mil pessoas desalentadas. O segundo trimestre de 2026 apresentou o menor contingente para esse período do ano desde então.
  • 2º trimestre de 2025 — base de comparação anual: a Bahia registrava 9,1% de desocupação, 6,458 milhões de pessoas ocupadas e rendimento médio de R$ 2.299. O período é utilizado pelo levantamento como referência para avaliar a evolução anual de emprego e renda.
  • 1º trimestre de 2026 — desemprego antes da atual rodada: a taxa de desocupação estava em 9,2% na Bahia, 10,2% em Salvador e 11,2% na RMS. A Bahia tinha 6,451 milhões de ocupados.
  • Abril a junho de 2026 — expansão da ocupação: a população ocupada chega a 6,557 milhões, enquanto 656 mil pessoas permanecem desocupadas. A taxa estadual recua para 9,1%, mas sobe para 11,4% em Salvador e 12,5% na RMS.
  • 14/08/2026 — divulgação dos dados: o IBGE divulga os resultados do segundo trimestre da PNAD Contínua Trimestral, evidenciando melhora de indicadores estaduais simultaneamente ao avanço da desocupação em Salvador e na Região Metropolitana.

Os resultados do segundo trimestre revelam que a leitura do mercado de trabalho baiano não pode ser reduzida à variação de um único indicador. A redução da taxa estadual para 9,1%, o recorde de 6,557 milhões de ocupados, a queda do desalento e o crescimento da massa de rendimentos representam avanços objetivos. Ao mesmo tempo, a Bahia continua com a segunda maior taxa de desocupação entre os estados, a quarta maior informalidade e o terceiro menor rendimento médio do trabalho, evidenciando a permanência de limitações estruturais relevantes.

O contraste territorial também merece acompanhamento. Salvador e a RMS caminharam em direção diferente do conjunto do estado, com aumento da desocupação e queda trimestral do rendimento médio. A permanência da capital e da região metropolitana na liderança nacional do desemprego em seus respectivos recortes indica que a expansão estadual da ocupação não se distribuiu de maneira uniforme e que o desempenho agregado não traduz, isoladamente, a realidade dos principais centros urbanos baianos.

O documento apresenta ainda duas divergências internas que precisam ser conferidas nas tabelas oficiais antes de utilização como números definitivos em análises específicas. No resumo inicial, o avanço dos trabalhadores por conta própria aparece como 58 mil e o da construção como 19 mil, enquanto o detalhamento posterior informa, respectivamente, 57 mil e 20 mil. Também há uma referência a uma taxa de informalidade de 52,3% atribuída no texto ao “2º trimestre de 2026”, embora o próprio documento informe 50,7% para esse mesmo período, tornando necessária a verificação do período correto a que os 52,3% se referem.

O núcleo factual permanece inequívoco: a Bahia ampliou a ocupação e reduziu marginalmente sua taxa de desemprego, mas ainda apresenta indicadores nacionais desfavoráveis de desocupação, informalidade e renda; simultaneamente, Salvador e a Região Metropolitana registraram aumento do desemprego e mantiveram as maiores taxas do país em seus recortes. A evolução nos próximos levantamentos do IBGE permitirá verificar se o crescimento da ocupação estadual conseguirá produzir redução mais consistente do número de desocupados, ampliar a formalização e alcançar com maior intensidade o mercado de trabalho da capital e de sua região metropolitana.


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