O curta-metragem “Carranca”, dirigido por Daniel Sal e produzido em Feira de Santana, estreou no circuito de festivais com o prêmio de melhor ator para Tom Nascimento, durante a 13ª edição do Festival de Cinema de Caruaru. O reconhecimento foi anunciado na noite de 22 de agosto de 2026, após a exibição da produção na competitiva nacional do evento.
Na obra, Tom Nascimento interpreta Vado, um homem negro de 50 anos que recebe um diagnóstico neurológico próximo ao Réveillon. A possibilidade de enfrentar a própria finitude desencadeia no personagem situações relacionadas ao medo, à angústia e à dificuldade de expressar vulnerabilidades.
Segundo o ator, a construção do personagem partiu da relação entre masculinidade, machismo e dificuldade de lidar com a fragilidade emocional.
“Vado é um homem moldado por uma estrutura de masculinidade e machismo que, de repente, se vê diante da própria finitude e não sabe como enfrentar essa vulnerabilidade”, afirmou Tom Nascimento.
Narrativa aborda masculinidade e vulnerabilidade
A trajetória de Vado é construída a partir dos impactos provocados pelo diagnóstico e pela percepção da própria finitude. O personagem passa a confrontar sentimentos que, dentro de sua formação social, foram associados à necessidade de suportar a dor sem expô-la.
A interpretação de Tom Nascimento conduz parte central da narrativa e explora silêncio, medo e vulnerabilidade. Para o ator, o trabalho exigiu a construção de um personagem que enfrenta uma situação para a qual os mecanismos habituais de contenção emocional deixam de ser suficientes.
Na trama, Karina de Faria e Rose Irene Visitação participam das relações afetivas e dos conflitos vivenciados pelo protagonista. Dailton Mota interpreta o antagonista, compondo outro núcleo dos conflitos apresentados pelo curta-metragem.
Produção feirense participa da competitiva nacional
“Carranca” foi produzido pelas Menino Amarelo Filmes e Palenque Filmes, com produção de David Aynan, e realizado em Feira de Santana, na Bahia. A participação no Festival de Cinema de Caruaru marcou o início da circulação da obra pelo circuito de festivais.
A produção utiliza a experiência de Vado para abordar questões relacionadas à saúde, masculinidade, autocuidado e medo da morte. O conflito individual do personagem é utilizado como ponto de partida para discutir comportamentos associados à socialização masculina e à dificuldade de buscar apoio ou verbalizar sofrimento.
Para o diretor Daniel Sal, o prêmio recebido por Tom Nascimento representa o reconhecimento da escolha do ator para o papel principal. O resultado também é atribuído ao trabalho realizado pela equipe envolvida na produção do curta-metragem.
Tom Nascimento destaca trajetória no teatro e no cinema
Ao comentar a premiação, Tom Nascimento relacionou o reconhecimento à sua trajetória de mais de duas décadas no teatro e à atuação recente no cinema.
“Esse prêmio simboliza a coroação de mais de duas décadas dedicadas ao teatro e marca minha recente incursão no cinema”, declarou.
O ator também destacou que “Carranca” é seu segundo curta-metragem e atribuiu o resultado ao trabalho conjunto entre direção, elenco e equipe técnica. Segundo ele, a participação no filme foi conduzida pela direção de Daniel Sal e pelas parcerias estabelecidas durante as gravações.
A premiação ocorre no início da circulação de “Carranca” por festivais e coloca a produção realizada em Feira de Santana em uma programação de alcance nacional. A obra passa a integrar a trajetória do cinema produzido no município, com uma narrativa centrada em conflitos pessoais e questões sociais relacionadas à masculinidade.
Festival de Cinema de Caruaru
O Festival de Cinema de Caruaru chegou à sua 13ª edição em 2026 e recebeu “Carranca” na competitiva nacional. A exibição foi acompanhada pelo público presente ao evento, que reagiu à apresentação do curta-metragem.
A premiação de Tom Nascimento como melhor ator constitui o principal reconhecimento obtido pela produção na estreia apresentada no festival. O resultado também marca a primeira etapa da circulação da obra em eventos cinematográficos.
Com direção de Daniel Sal, produção de David Aynan e elenco formado por Tom Nascimento, Karina de Faria, Rose Irene Visitação e Dailton Mota, “Carranca” segue sua trajetória a partir da participação em festivais. O curta apresenta, por meio da história de Vado, questões relacionadas à finitude, saúde, masculinidade, autocuidado e expressão da vulnerabilidade.








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