Convenção na Bahia oficializa Jerônimo, Wagner e Rui Costa; Lula defende fim da escala 6×1 e fortalecimento do Congresso

A convenção da Federação Brasil da Esperança, realizada no sábado (01/08/2026), no Parque de Exposições da Bahia, em Salvador, homologou a candidatura do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição, manteve o vice-governador Geraldo Júnior na composição majoritária e confirmou Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos às duas vagas baianas no Senado Federal. Durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionou a continuidade dos governos federal e estadual à eleição de uma bancada aliada no Congresso Nacional, defendeu a conclusão da proposta que encerra a escala de trabalho 6×1 e apresentou políticas de crédito, renegociação de dívidas e investimentos municipais como eixos de seu discurso eleitoral.

Convenção reúne oito partidos e integra campanhas estadual e nacional

Embora tenha sido divulgada politicamente como uma convenção do PT, a reunião correspondeu formalmente à convenção estadual da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A composição majoritária recebeu ainda o apoio de PSD, MDB, Avante, PSB e PDT, formando uma aliança estadual de oito partidos para as Eleições 2026.

A convenção interna do PT Bahia havia sido realizada na sexta-feira (31/07), na sede estadual da legenda, no bairro do Rio Vermelho. No sábado, a etapa federativa e o encontro com os partidos aliados consolidaram a chapa formada por Jerônimo Rodrigues e Geraldo Júnior para o Governo da Bahia, além das candidaturas de Wagner e Rui Costa ao Senado.

A presença do presidente Lula conferiu dimensão nacional ao evento e reforçou a estratégia de apresentar as candidaturas presidencial e estadual como partes de um mesmo projeto político. A vinculação também evidencia a importância eleitoral da Bahia para o PT, tanto pelo tamanho de seu eleitorado quanto pelo histórico de votações expressivas obtidas pelo partido nas disputas presidenciais.

Lula destaca importância da composição do Congresso Nacional

Em seu pronunciamento, Lula concentrou parte do discurso na escolha dos representantes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Segundo o presidente, a eleição para o Executivo não seria suficiente para assegurar mudanças constitucionais e legislativas sem a formação de uma bancada parlamentar capaz de sustentar as propostas do governo.

Ao afirmar que o eleitor precisa observar atentamente “quem vai cuidar do destino da gente”, Lula procurou associar as disputas proporcionais e senatoriais às principais pautas apresentadas por sua base política. A declaração também serviu para defender as candidaturas de Jaques Wagner e Rui Costa, além dos postulantes aliados à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia.

O argumento utilizado pelo presidente reflete uma característica institucional do presidencialismo brasileiro: alterações constitucionais, reformas trabalhistas e projetos de maior alcance dependem da articulação com o Congresso. No caso das propostas de emenda à Constituição, são necessários três quintos dos votos dos parlamentares, em dois turnos de votação em cada Casa Legislativa.

Fim da escala 6×1 avança no Congresso e aguarda análise do Senado

Entre as pautas mencionadas por Lula, o fim da escala 6×1 ocupa posição central na agenda trabalhista defendida pelo governo e por partidos de esquerda e centro-esquerda. O modelo permite que o empregado trabalhe durante seis dias e tenha um dia de descanso, respeitado o limite constitucional de 44 horas semanais.

A Câmara dos Deputados aprovou, em 27/05/2026, a PEC 221/2019, que reduz progressivamente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de repouso remunerado e proíbe a redução salarial. O texto recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno, depois de ter obtido 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno.

A proposta foi encaminhada ao Senado Federal em 28/05/2026. Até o início de agosto, a matéria permanecia em tramitação na Casa, onde também precisará ser aprovada em dois turnos por pelo menos três quintos dos senadores. O Senado realizou debates sobre os efeitos sociais, produtivos e econômicos da alteração, mas a mudança ainda não estava incorporada à Constituição.

O texto aprovado pela Câmara prevê uma transição de 14 meses. Dois meses após eventual promulgação, a jornada passaria para 42 horas semanais, com dois dias de descanso. Após mais 12 meses, o limite seria reduzido para 40 horas. Atividades essenciais e regimes diferenciados poderiam ser regulamentados por legislação específica e por negociações coletivas, desde que respeitados os parâmetros constitucionais.

Ao relacionar a proposta às Eleições 2026, Lula procurou demonstrar que a composição do Senado será decisiva para a conclusão do processo legislativo. A tramitação da PEC constitui, portanto, um exemplo concreto da dependência entre a agenda do Executivo, a correlação de forças parlamentares e a capacidade de negociação entre governo, oposição, trabalhadores e empregadores.

Presidente apresenta balanço de programas sociais e relação com municípios

Lula também utilizou o discurso para defender a política de transferência de renda e sustentar que a circulação de recursos entre as famílias de menor renda produz efeitos sobre o consumo, o comércio e a atividade econômica. A argumentação foi apresentada como contraponto à concentração de renda e como fundamento das políticas sociais conduzidas pelo Governo Federal.

O presidente afirmou que 95% dos municípios brasileiros teriam recebido alguma obra do Programa de Aceleração do Crescimento — PAC — ou equipamento financiado pela União. Segundo Lula, os projetos municipais são analisados conforme o interesse público, independentemente da filiação partidária dos prefeitos. O percentual foi apresentado no pronunciamento, mas o material divulgado sobre a convenção não detalhou o período, os critérios ou a base documental utilizada no cálculo.

A referência às prefeituras cumpre uma função administrativa e política. Os municípios executam parte significativa das políticas públicas nas áreas de saúde, educação, assistência social, mobilidade e infraestrutura urbana, mas frequentemente dependem de transferências federais, convênios e programas de investimento para ampliar sua capacidade financeira.

O discurso também procurou demonstrar que a parceria federativa pode alcançar administrações comandadas por adversários políticos. A efetividade desse princípio, entretanto, deve ser avaliada por meio da distribuição territorial dos recursos, dos critérios técnicos de seleção, da execução orçamentária e da conclusão das obras anunciadas.

Move Brasil e Desenrola integram agenda econômica apresentada por Lula

Entre os programas citados, Lula destacou o Move Brasil, destinado ao financiamento de veículos para motoristas de aplicativos, taxistas e cooperativas de táxi. A Medida Provisória nº 1.359, de 19/05/2026, autorizou a União a destinar até R$ 30 bilhões para linhas reembolsáveis operadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES.

A iniciativa prevê a aquisição de veículos novos que atendam a critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica. A legislação também passou a admitir, em condições específicas, o financiamento de veículos elétricos ou híbridos flex seminovos produzidos a partir de 2024.

Lula mencionou ainda o Desenrola Brasil, programa criado para facilitar a renegociação de dívidas de pessoas físicas inadimplentes. Instituído pela Lei nº 14.690/2023, o programa permitiu a negociação de débitos mediante descontos, reorganização de parcelas e concessão de crédito, com dados das operações acompanhados pelo Banco Central.

A inclusão dessas iniciativas no discurso aproxima a agenda eleitoral de dificuldades econômicas presentes no cotidiano de diferentes grupos sociais, como endividamento, acesso ao crédito, renovação de instrumentos de trabalho e custo de aquisição de veículos. Seus resultados, contudo, dependem das condições de financiamento, dos critérios de elegibilidade, da adesão das instituições financeiras e da capacidade de pagamento dos beneficiários.

Jerônimo associa infraestrutura pública a uma política de cuidado

Ao defender a continuidade de seu governo, Jerônimo Rodrigues apresentou uma concepção de desenvolvimento baseada na combinação entre infraestrutura, serviços públicos e proteção social. O governador afirmou que obras de pavimentação, habitação, escolas, hospitais, abastecimento de água e saneamento devem integrar uma “agenda de cuidado” voltada às necessidades da população.

O candidato à reeleição relatou o encontro com um morador de Ilhéus que teria agradecido pela chegada de água tratada à comunidade. O episódio foi utilizado para sustentar que investimentos públicos em infraestrutura básica não representam apenas indicadores administrativos, mas interferem diretamente nas condições de saúde, dignidade e segurança das famílias.

A menção ao abastecimento de água reforça um dos desafios históricos enfrentados pela Bahia, especialmente em áreas rurais, comunidades periféricas e municípios sujeitos a períodos prolongados de estiagem. A ampliação dos sistemas de distribuição, entretanto, exige investimentos continuados, manutenção das redes e mecanismos de avaliação que demonstrem o número de pessoas efetivamente atendidas.

Jerônimo também vinculou sua proposta de continuidade ao ciclo político iniciado na Bahia com Jaques Wagner, em 2007, sucedido por Rui Costa, em 2015. O governador assumiu o Executivo estadual em janeiro de 2023 e busca um segundo mandato para o período de 2027 a 2030.

Mulheres, pessoas com deficiência e juventude aparecem no discurso estadual

O governador afirmou que as políticas públicas devem atender com prioridade idosos, pessoas com deficiência, pessoas autistas, mulheres e jovens. Em relação às mulheres, defendeu ações de enfrentamento ao feminicídio e às diferentes formas de violência de gênero.

Na área da juventude, Jerônimo relacionou o cuidado estatal à garantia de acesso à educação, lazer, segurança, emprego e oportunidades de desenvolvimento pessoal. A abordagem procura incorporar à campanha demandas que ultrapassam a expansão física dos serviços públicos e envolvem permanência escolar, qualificação profissional, inclusão produtiva e prevenção da violência.

Essas propostas deverão ser detalhadas no programa definitivo de governo, com a indicação de metas, fontes de financiamento, prazos de execução e mecanismos de acompanhamento. A convenção oficializa as candidaturas, mas não substitui a apresentação formal dos compromissos eleitorais nem a avaliação dos resultados obtidos durante o mandato em curso.

PGP percorreu territórios antes da homologação da candidatura

A convenção foi precedida pelo Programa de Governo Participativo — PGP 2026, denominado “Encontros com o Futuro”. A iniciativa foi organizada para percorrer os 27 territórios de identidade da Bahia e reunir sugestões de prefeitos, vereadores, movimentos sociais, representantes comunitários, setores produtivos e organizações da sociedade civil.

As primeiras agendas foram realizadas em maio, nos municípios de Irecê e Seabra, e posteriormente ampliadas para outras regiões do estado. Jerônimo Rodrigues, Geraldo Júnior, Jaques Wagner, Rui Costa e dirigentes dos partidos aliados participaram de diferentes etapas do programa.

Segundo os organizadores, as propostas recolhidas deverão subsidiar as diretrizes de um eventual segundo mandato. A relevância administrativa do processo dependerá da sistematização das contribuições, da transparência na seleção das prioridades e da incorporação efetiva das demandas territoriais ao programa registrado na Justiça Eleitoral.

Jerônimo relaciona Bahia à retomada de investimentos federais

Jerônimo atribuiu parte dos investimentos realizados no estado à retomada da cooperação com o Governo Federal. O governador defendeu que a integração entre União, estado e municípios permite ampliar obras de infraestrutura, programas habitacionais, equipamentos de saúde, escolas e sistemas de abastecimento.

A declaração reforça a estratégia de apresentar os governos Lula e Jerônimo como integrantes de um mesmo ciclo administrativo. Politicamente, essa vinculação permite ao governador associar sua candidatura à popularidade e à estrutura eleitoral do presidente, enquanto Lula busca consolidar na Bahia uma base parlamentar e estadual alinhada ao Governo Federal.

Ao mesmo tempo, a avaliação do desempenho estadual exigirá a separação entre investimentos executados diretamente pelo Governo da Bahia, transferências federais, financiamentos, contratos já iniciados em administrações anteriores e projetos ainda em fase de anúncio ou licitação. Essa distinção é necessária para medir resultados e responsabilidades institucionais.

COP30 e projeção internacional aparecem como elementos do discurso

O governador também destacou a atuação internacional do Brasil e classificou Lula como uma espécie de “embaixador do mundo”, em referência às agendas de combate à fome, defesa da paz e transição energética.

Jerônimo citou a realização da COP30 em Belém, no Pará, como demonstração da capacidade brasileira de colocar a Amazônia no centro das negociações climáticas. A conferência foi realizada em novembro de 2025 e terminou com a aprovação consensual de 56 decisões pelas 194 partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, incluindo 24 medidas reunidas no Pacote Político de Belém.

Ao incorporar a agenda climática ao discurso estadual, o governador aproximou temas internacionais de questões relevantes para a Bahia, como transição energética, preservação ambiental, adaptação às mudanças climáticas, produção agrícola, segurança hídrica e desenvolvimento econômico de baixo carbono.

Candidaturas ainda dependem de registro na Justiça Eleitoral

A escolha realizada em convenção representa uma decisão formal dos partidos e federações, mas não conclui juridicamente o processo de habilitação. As candidaturas ainda precisam ser registradas e analisadas pela Justiça Eleitoral, que verificará documentação, condições de elegibilidade e eventuais causas de inelegibilidade.

O calendário aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral estabelece que as convenções podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026. Partidos, federações e coligações terão até 15 de agosto para protocolar os pedidos de registro.

A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet será permitida a partir de 16 de agosto. O primeiro turno das Eleições 2026 ocorrerá em 4 de outubro, quando os eleitores escolherão presidente da República, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. Um eventual segundo turno para presidente e governador está marcado para 25 de outubro.

Ao final de seu pronunciamento em Salvador, Lula convocou os apoiadores para a convenção nacional do PT, prevista para as 10 horas deste domingo (02/08/2026), em São Paulo, destinada a homologar sua candidatura à reeleição e a permanência de Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente. O presidente também anunciou um ato de lançamento da campanha para 16 de agosto, no Estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

Linha do tempo das candidaturas e das principais pautas

  • 27/02/2026 — Executiva estadual do PT aprova resolução favorável às reeleições de Lula e Jerônimo e às candidaturas de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado.
  • 02/04/2026 — Rui Costa deixa a Casa Civil da Presidência da República para participar da disputa eleitoral.
  • 03/04/2026 — Jerônimo Rodrigues confirma a manutenção de Geraldo Júnior como candidato a vice-governador.
  • Maio de 2026 — Programa de Governo Participativo inicia plenárias nos territórios de identidade da Bahia.
  • 27/05/2026 — Câmara dos Deputados aprova, em dois turnos, a PEC que reduz a jornada semanal e encerra a escala 6×1.
  • 28/05/2026 — PEC 221/2019 chega ao Senado Federal.
  • 20/07/2026 — Começa o período legal das convenções partidárias e federativas.
  • 31/07/2026 — PT Bahia realiza sua convenção interna no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.
  • 01/08/2026 — Federação Brasil da Esperança e partidos aliados homologam, no Parque de Exposições, as candidaturas de Jerônimo, Geraldo Júnior, Wagner e Rui Costa.
  • 02/08/2026 — Convenção nacional do PT está prevista para oficializar as candidaturas de Lula e Geraldo Alckmin.
  • 05/08/2026 — Termina o prazo para realização das convenções.
  • 15/08/2026 — Encerra-se o prazo para registro das candidaturas.
  • 16/08/2026 — Começa a propaganda eleitoral geral; Lula anuncia lançamento de campanha em São Bernardo do Campo.
  • 04/10/2026 — Primeiro turno das Eleições Gerais.
  • 25/10/2026 — Eventual segundo turno para presidente e governador.
A convenção realizada em Salvador oficializou Jerônimo Rodrigues e Geraldo Júnior para o Governo da Bahia e Jaques Wagner e Rui Costa para o Senado. Lula defendeu uma bancada aliada no Congresso, destacou programas sociais e relacionou as eleições ao fim da escala 6×1. Jerônimo apresentou uma agenda baseada em infraestrutura e proteção social. As candidaturas ainda dependem de registro e análise pela Justiça Eleitoral.
Convenção em Salvador oficializa Jerônimo, Geraldo Júnior, Wagner e Rui Costa; Lula defende fim da escala 6×1 e fortalecimento da bancada no Congresso.

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