Nesta quarta-feira (05/08/2026), o deputado federal Zé Neto (PT-BA) divulgou ter encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária — Mapa — uma proposta para instalar uma Unidade Mista de Pesquisa e Inovação da Embrapa — Umipi na região de Irecê, no Centro-Norte da Bahia. A iniciativa, apresentada ao Governo Federal na terça-feira (04/08), pretende ampliar o acesso a tecnologias agropecuárias, apoiar agricultores familiares e agroindústrias e fortalecer cadeias produtivas de pelo menos 17 municípios.
A proposta também foi enviada à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária — Embrapa, responsável pela coordenação desse modelo de unidade colaborativa. Segundo o parlamentar, a estrutura poderia reunir pesquisadores, instituições de ensino, órgãos governamentais e representantes do setor produtivo para desenvolver soluções adaptadas às condições econômicas, climáticas e agrícolas da região.
O material divulgado não informa prazo, orçamento, endereço, fontes de financiamento ou definição dos parceiros que participariam da eventual unidade. O encaminhamento constitui, portanto, uma sugestão parlamentar submetida à avaliação técnica e administrativa do Mapa e da Embrapa, e não uma decisão definitiva de instalação.
Proposta prioriza pesquisa aplicada às cadeias produtivas de Irecê
A região de Irecê mantém atividades agrícolas diversificadas, com destaque para culturas como feijão, cebola, milho, frutas e hortaliças, além da presença de agricultores familiares, cooperativas, empreendimentos agroindustriais e produtores vinculados a diferentes escalas de produção.
Ao defender a instalação da unidade, Zé Neto afirmou que a região já possui uma base produtiva relevante, mas precisa ampliar o acesso à tecnologia, ao financiamento e às condições necessárias para o crescimento dos empreendimentos rurais.
“Hoje sabemos que a região possui uma importante produção de cebola, feijão e diversas outras cadeias produtivas, mas precisamos avançar ainda mais. Além disso, é preciso melhorar o acesso ao financiamento e às condições para que os empreendedores, tanto da agricultura familiar quanto da agroindústria, tenham condições de fazer com que essa região, que já cresce muito, possa crescer ainda mais.”
A proposta procura aproximar a pesquisa científica das necessidades identificadas nas propriedades rurais. Entre as possíveis áreas de atuação estão o desenvolvimento de variedades adaptadas ao Semiárido, o manejo do solo, o uso eficiente da água, o controle de pragas e doenças, a mecanização, a produção de sementes, a agroindustrialização e a transferência de tecnologias.
Unidade Mista funcionaria por meio de cooperação institucional
As Unidades Mistas de Pesquisa e Inovação são ambientes colaborativos nos quais profissionais da Embrapa trabalham com pesquisadores e técnicos de universidades, institutos, órgãos públicos, empresas e outras organizações. O modelo permite compartilhar instalações, recursos humanos, equipamentos, conhecimento científico e custos operacionais.
Segundo a Embrapa, esse arranjo institucional foi iniciado em 2012 e procura ampliar a capacidade de pesquisa sem exigir, necessariamente, a construção de um novo centro permanente da empresa. As unidades são estruturadas para responder a desafios territoriais ou a cadeias produtivas específicas, mediante acordos de cooperação entre as instituições participantes.
A informação de que existiriam oito unidades em funcionamento, presente no conteúdo originalmente divulgado, encontra-se desatualizada. Em 21/03/2026, a Embrapa inaugurou a unidade da Baixada Cuiabana, em Mato Grosso, elevando para nove o número de Unidades Mistas em operação no Brasil.
No caso de Irecê, a composição institucional ainda precisaria ser definida. A região conta com estruturas públicas de ensino e pesquisa, como os campi da Universidade do Estado da Bahia — UNEB — e do Instituto Federal da Bahia — IFBA, além de secretarias municipais, órgãos estaduais, cooperativas, associações de produtores e empresas potencialmente aptas a integrar um ambiente colaborativo.
Pesquisa poderá apoiar agricultura familiar e agroindústria
A instalação de uma Umipi poderia permitir a realização de experimentos, estudos de campo, capacitações e processos de transferência tecnológica orientados pelas demandas dos produtores. A finalidade seria transformar resultados científicos em soluções aplicáveis à rotina das propriedades rurais e das unidades de beneficiamento.
Entre os potenciais benefícios estão o aumento da produtividade, a redução de perdas, a melhoria da qualidade dos produtos, a diversificação das culturas, o aproveitamento de resíduos, a racionalização do consumo de água e a adoção de práticas mais resistentes às estiagens e às oscilações climáticas.
A presença de pesquisadores próximos ao território também poderia contribuir para identificar gargalos que dificultam o crescimento das cadeias produtivas. Problemas relacionados à qualidade das sementes, irrigação, armazenamento, logística, comercialização, defesa sanitária e agregação de valor poderiam ser incorporados aos programas de pesquisa, desde que fossem definidos como prioridades no plano de trabalho da unidade.
O modelo, entretanto, não substitui políticas de crédito, assistência técnica, regularização fundiária, infraestrutura hídrica ou acesso aos mercados. A atuação científica poderá gerar recomendações e tecnologias, mas sua aplicação dependerá da articulação entre produtores, instituições financeiras, governos municipais, Governo da Bahia, Governo Federal e organizações do setor produtivo.
Região enfrenta desafios tecnológicos e climáticos
O território de Irecê está inserido no Semiárido baiano e apresenta forte dependência da disponibilidade de água, da regularidade das chuvas e da capacidade de adaptação dos sistemas produtivos. Essas características ampliam a importância de pesquisas voltadas à eficiência hídrica, conservação dos solos e seleção de espécies adequadas às condições locais.
A existência de uma unidade regional poderia facilitar pesquisas sobre convivência com o Semiárido, recuperação de áreas produtivas, irrigação de precisão, bioinsumos e manejo sustentável. Também permitiria testar soluções antes de sua adoção em maior escala, reduzindo riscos técnicos e financeiros para os produtores.
A proposta parlamentar menciona a possibilidade de atendimento a 17 cidades. O Território de Identidade Irecê, conforme informações institucionais da UNEB, é formado por 20 municípios, com parcela expressiva de sua população exercendo atividades no meio rural. A abrangência territorial definitiva da unidade, portanto, ainda dependerá do estudo técnico e dos acordos firmados entre os responsáveis pelo projeto.
Experiência da Umipi Cacau cria precedente na Bahia
A Bahia já abriga uma experiência desse modelo na cadeia da cacauicultura. A Umipi Cacau, instalada na região de Ilhéus, resultou de uma parceria entre a Embrapa e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira — Ceplac.
A cooperação foi estruturada para desenvolver programas e projetos relacionados à sustentabilidade da produção de cacau, incluindo pesquisas sobre recursos genéticos, doenças, manejo produtivo, produtividade e qualidade das amêndoas. A unidade utiliza instalações da Ceplac e mobiliza diferentes centros de pesquisa da Embrapa.
O precedente demonstra que uma Unidade Mista pode ser criada mediante compartilhamento de estruturas já existentes, sem reproduzir integralmente o formato de um centro convencional da Embrapa. A experiência também evidencia a necessidade de definir previamente os objetivos, as instituições participantes, os recursos disponíveis e as linhas de pesquisa prioritárias.
Zé Neto considera proposta uma prioridade regional
O deputado declarou que pretende tratar a instalação da unidade como uma prioridade de sua atuação para Irecê. Segundo ele, a iniciativa poderá fortalecer atividades que já fazem parte da economia regional e apoiar cadeias com potencial de expansão.
“Essa proposta passa a ser nossa prioridade para a região, por representar uma importante conquista para a Bahia e para todo o setor produtivo, fortalecendo as diversas cadeias que já fazem parte do contexto produtivo da região e que ainda têm grande potencial de expansão.”
O parlamentar também defendeu que pesquisadores da Embrapa atuem lado a lado com profissionais de universidades, institutos e empresas, utilizando instalações compartilhadas. Na avaliação apresentada por ele, essa integração poderá contribuir para uma agricultura mais sustentável, produtiva e rentável.
“São pesquisas, tecnologias e soluções inovadoras para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável, altamente produtiva e rentável.”
Criação depende de análise do Mapa e da Embrapa
O encaminhamento ao Ministério da Agricultura e à Embrapa inaugura a fase institucional da proposta, mas ainda não representa autorização para instalação. O conteúdo divulgado não registra a abertura de estudo técnico, a formação de grupo de trabalho ou a assinatura de acordo de cooperação.
A viabilidade deverá considerar a demanda regional, a disponibilidade de pesquisadores, a existência de instalações adequadas, os custos de operação, as fontes de recursos e a participação das instituições locais. Também será necessário estabelecer quais cadeias produtivas serão atendidas e quais resultados deverão ser alcançados.
Outro ponto a ser definido é a relação da unidade com as estruturas já mantidas pela Embrapa na Bahia. A organização precisará avaliar qual centro de pesquisa coordenaria as atividades, como ocorreria o deslocamento das equipes e quais responsabilidades seriam assumidas pelos parceiros estaduais, municipais, acadêmicos e privados.








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