A eleição de 2026 terá 20,5 mil candidaturas registradas na Justiça Eleitoral, segundo levantamento da DW com base nos dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa uma redução de aproximadamente 8,5 mil candidatos em relação a 2022, ou quase 30%, e coloca o atual pleito como o menos disputado desde 2010.
A redução interrompe uma trajetória de crescimento do número de candidaturas observada ao longo de décadas. Além da diminuição no total de postulantes, os dados indicam mudanças no perfil dos concorrentes, que apresentam idade média maior, maior escolaridade e aumento do patrimônio mediano declarado em comparação com eleições anteriores.
O perfil mais frequente entre os candidatos de 2026 é de homem, branco, casado e com ensino superior completo. Homens representam 62,5% das candidaturas, brancos correspondem a 48,8%, casados a 50,1% e a idade média dos postulantes é de 49 anos. A ocupação mais comum é empresário, com 12,5% do total.
Candidatos estão mais velhos
A idade média dos candidatos passou de 45 anos em 1994 para 49 anos em 2026, em uma trajetória de aumento registrada na maior parte das últimas três décadas. A mudança ocorre em paralelo ao envelhecimento da população brasileira e também se manifesta na distribuição das faixas etárias entre os concorrentes.
A participação de candidatos entre 18 e 29 anos caiu de 4,8% em 2022 para 4,6% em 2026. Em números absolutos, o contingente passou de 1.401 para 950 candidatos, o menor número registrado desde 1998. Entre os postulantes de 18 a 20 anos, apenas 19 disputam vagas legislativas em todo o país.
Na outra ponta da distribuição etária, candidatos com mais de 60 anos passaram de 8,7% em 1994 para 19,8% em 2026. O crescimento dessa faixa ocorre de forma praticamente contínua desde 2002, segundo o levantamento.
Patrimônio declarado volta a crescer
A evolução do patrimônio declarado também acompanha a alteração no perfil dos candidatos. A mediana patrimonial, que divide os postulantes em duas metades e reduz a influência de grandes fortunas sobre o resultado, chegou a R$ 110 mil em 2026, em valores corrigidos pela inflação.
Em 2006, a mediana era de R$ 119 mil. O indicador recuou nos anos seguintes e atingiu R$ 45 mil em 2018, antes de iniciar uma trajetória de recuperação. Entre os candidatos que declararam possuir bens, a mediana passou de R$ 333 mil em 2022 para R$ 404 mil em 2026.
A diferença patrimonial entre homens e mulheres permanece. Entre os candidatos que declararam possuir bens, os homens apresentam mediana patrimonial 86% superior à das mulheres. A proporção de candidatos que declararam patrimônio acima de R$ 5 milhões também aumentou, de 2,3% para 3,8%.
Recursos próprios influenciam perfil das candidaturas
A legislação eleitoral permite que candidatos utilizem recursos próprios em suas campanhas até o limite de 10% dos gastos eleitorais estabelecidos para o cargo. As doações realizadas por pessoas físicas, por sua vez, estão limitadas a 10% dos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição.
Para o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a capacidade financeira pode favorecer determinados candidatos no processo eleitoral. Segundo a avaliação apresentada no levantamento, partidos também podem considerar esse aspecto na seleção de nomes, diante da necessidade de administrar recursos próprios e públicos.
Entre as ocupações declaradas, estudantes e bolsistas ampliaram sua participação de 1,3% para 2,5%, enquanto advogados passaram de 7,2% para 8,2%. Administradores recuaram de 3,2% para 2,5%; aposentados, de 2,9% para 2,3%; e comerciantes, de 2,9% para 2,6%.
Participação feminina atinge maior proporção da série histórica
As mulheres representam 34,8% das candidaturas em 2026, ante 33,8% em 2022. Segundo o levantamento, esse é o maior percentual registrado desde 1994, quando as candidaturas femininas correspondiam a 7,3% do total.
Apesar do avanço proporcional, o número absoluto de candidatas diminuiu, passando de aproximadamente 9,8 mil em 2022 para 7,1 mil em 2026, acompanhando a queda geral das candidaturas.
A participação feminina é influenciada por mudanças na legislação eleitoral. A cota mínima de 30% de candidaturas para cada gênero foi criada em 1997 e passou a ser efetivamente exigida a partir de 2010. Posteriormente, foram estabelecidas regras para ampliar a destinação de recursos públicos e tempo de propaganda às candidaturas femininas.
Regras eleitorais alteraram a disputa
A redução do número de candidatos também é relacionada às mudanças nas regras eleitorais implementadas nos últimos anos. Entre elas está a Emenda Constitucional 97, de 2017, que proibiu as coligações partidárias nas eleições proporcionais, regra aplicada a partir de 2020.
Antes da mudança, partidos menores podiam disputar cadeiras legislativas em conjunto com outras legendas. Com o fim das coligações proporcionais, cada partido passou a depender do próprio desempenho para conquistar vagas nas casas legislativas.
Desde 2022, também vigora um limite menor para o lançamento de candidaturas: cada partido ou federação pode apresentar até 100% do número de cadeiras em disputa. A cláusula de desempenho, aplicada progressivamente desde 2018, também estabelece critérios relacionados ao resultado eleitoral para o acesso a recursos e funcionamento parlamentar.
Federações e cláusula de desempenho reduzem fragmentação
Outro elemento apontado no levantamento é a criação das federações partidárias, adotadas pela primeira vez em 2022. Nesse modelo, as legendas integrantes atuam conjuntamente durante quatro anos, funcionando, para determinados efeitos eleitorais, como uma única agremiação.
Segundo Cláudio Couto, as mudanças produzem uma adaptação gradual dos partidos à nova estrutura de competição. Na avaliação apresentada pelo cientista político, as legendas passaram a considerar a necessidade de concentrar recursos e reduzir o número de candidaturas para evitar dispersão financeira.
O resultado aparece na composição das candidaturas de 2026. São 13 candidatos à Presidência da República, 195 aos governos estaduais, 311 ao Senado, 7,6 mil à Câmara dos Deputados e 11,1 mil às assembleias legislativas e à Câmara Legislativa do Distrito Federal, distribuídos por 30 partidos.
Negros representam 49,8% das candidaturas
Os dados de autodeclaração de cor e raça, disponíveis desde 2014, também registram alterações. A soma de candidatos pretos e pardos passou de 44,3% em 2014 para 50,3% em 2022, quando ultrapassou pela primeira vez a participação de candidatos brancos.
Para as eleições de 2026, entretanto, pretos e pardos representam 49,8% das candidaturas, indicando uma pequena redução proporcional em relação ao pleito anterior.
Desde 2020, os partidos devem distribuir recursos do Fundo Eleitoral e o tempo de propaganda de maneira proporcional à quantidade de candidaturas negras. O TSE também adotou mecanismos para verificar alterações nas autodeclarações de cor e raça, após identificar mudanças de classificação entre eleições anteriores.
Candidaturas indígenas permanecem abaixo de 1%
A participação indígena apresentou pequena variação em números absolutos. O total passou de 188 candidatos em 2022 para 191 em 2026.
Como o número geral de candidaturas diminuiu, a participação proporcional dos indígenas aumentou. Mesmo assim, o grupo continua representando menos de 1% dos postulantes ao pleito.
Os dados de raça e gênero mostram, portanto, movimentos distintos: a participação proporcional das mulheres atingiu o maior nível da série histórica, enquanto a presença de pretos e pardos permaneceu próxima da metade das candidaturas e a representação indígena continuou abaixo de 1%.
Eleição de 2026 reúne perfil diferente do eleitorado
O conjunto dos dados aponta uma composição dos candidatos que não reproduz a estrutura demográfica do eleitorado brasileiro. A maioria dos postulantes é masculina, a idade média é de 49 anos e o patrimônio declarado apresenta crescimento após o piso registrado em 2018.
A participação feminina chegou a 34,8%, mas permanece abaixo da metade das candidaturas. Entre os jovens, a redução é mais acentuada, enquanto a presença de candidatos com mais de 60 anos quase dobrou proporcionalmente desde 1994.
Os números ainda podem sofrer alterações, uma vez que os registros de 2026 estão sujeitos a decisões da Justiça Eleitoral sobre deferimento ou indeferimento de candidaturas. O quadro definitivo dependerá da conclusão dessas análises e da consolidação dos registros.
Principais números das candidaturas em 2026
- 20,5 mil: candidaturas registradas;
- Quase 30%: redução em relação a 2022;
- 49 anos: idade média dos candidatos;
- 62,5%: participação masculina;
- 34,8%: participação feminina;
- 48,8%: candidatos autodeclarados brancos;
- 49,8%: candidatos pretos e pardos;
- 19,8%: participação dos candidatos com mais de 60 anos;
- 4,6%: participação dos candidatos entre 18 e 29 anos;
- R$ 110 mil: patrimônio mediano declarado;
- 3,8%: candidatos com patrimônio declarado superior a R$ 5 milhões;
- 13: candidatos à Presidência;
- 195: candidatos aos governos estaduais;
- 311: candidatos ao Senado;
- 7,6 mil: candidatos à Câmara dos Deputados;
- 11,1 mil: candidatos às assembleias legislativas e à Câmara Legislativa do Distrito Federal.
*Com informações da DW.








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