Eleições 2026: Lula lidera Quaest, Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar e crises diplomáticas pressionam campanha

Nesta quarta-feira (05/08/2026), último dia destinado às convenções partidárias das Eleições 2026, o cenário político nacional foi marcado pela liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na pesquisa Genial/Quaest, pelo anúncio do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pela confirmação de Eduardo Girão (Novo-CE) como vice de Romeu Zema (Novo) e pelo agravamento das crises diplomáticas do Brasil com os Estados Unidos e a Argentina. A agenda também incluiu a autorização, pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para a abertura de um terceiro inquérito relacionado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Convenções encerram primeira etapa formal das Eleições 2026

O calendário eleitoral estabeleceu o período entre 20/07 e 05/08/2026 para que partidos e federações realizassem suas convenções, escolhessem candidatos e deliberassem sobre coligações destinadas às disputas majoritárias. O encerramento desta etapa não significa, contudo, que todas as candidaturas estejam definitivamente habilitadas pela Justiça Eleitoral.

Depois das deliberações partidárias, as legendas, federações e coligações terão até as 19 horas de 15/08/2026 para protocolar os pedidos de registro das candidaturas. Caberá ao Tribunal Superior Eleitoral e aos tribunais regionais analisar documentos, condições de elegibilidade, eventuais causas de inelegibilidade e impugnações apresentadas por partidos, coligações, candidatos ou pelo Ministério Público Eleitoral.

A propaganda eleitoral estará autorizada a partir de 16/08, enquanto o primeiro turno ocorrerá em 04/10/2026. Caso nenhuma candidatura à Presidência da República ou aos governos estaduais obtenha mais da metade dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25/10. Além de presidente, vice-presidente, governadores e vice-governadores, os eleitores escolherão dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.

Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar e PL apresenta chapa própria

O senador Flávio Bolsonaro anunciou, em Brasília, o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente. A escolha resultou em uma chapa composta exclusivamente por integrantes do Partido Liberal, depois de negociações do PL com outras legendas conservadoras e de centro não produzirem uma coligação presidencial formal.

Gaspar tem 55 anos, é ex-integrante do Ministério Público de Alagoas e exerceu o cargo de secretário estadual da Segurança Pública. Ele ocupa seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados e ganhou maior projeção nacional ao atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou irregularidades e descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.

O parlamentar havia lançado, na terça-feira (04/08), sua candidatura ao Senado por Alagoas, mas passou a integrar a composição presidencial após a decisão da direção do PL. Em sua primeira manifestação depois do anúncio, associou sua participação na chapa às pautas de segurança pública, enfrentamento ao crime organizado e combate à corrupção.

A definição ocorreu após a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, decidir manter neutralidade na disputa presidencial. O posicionamento dificultou a tentativa do PL de incluir na chapa uma liderança vinculada ao chamado centro político ou ao agronegócio, embora dirigentes e parlamentares dessas legendas possam apoiar individualmente o senador.

A candidatura de Gaspar também oferece ao PL um representante originário do Nordeste, região na qual o presidente Lula mantém seus melhores resultados eleitorais. A escolha, porém, não substitui a necessidade de ampliar alianças estaduais e reduzir resistências em segmentos nos quais o bolsonarismo registra maior rejeição, especialmente entre mulheres e eleitores que não se identificam diretamente com a esquerda ou com a direita.

Novo confirma Eduardo Girão como vice de Romeu Zema

O Partido Novo confirmou o senador Eduardo Girão como candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema. A composição também será formada por dois integrantes da mesma legenda, depois de não avançarem negociações com partidos como o Podemos.

Para participar da chapa presidencial, Girão desistiu da candidatura ao Governo do Ceará. Eleito senador em 2018, o parlamentar consolidou sua atuação em pautas conservadoras, no enfrentamento político a ministros do Supremo Tribunal Federal e na defesa de investigações sobre autoridades dos três Poderes.

Zema e Girão buscam apresentar uma alternativa situada à direita, mas independente do Partido Liberal. A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira atribui ao candidato do Novo 2% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, percentual que evidencia o desafio de ampliar seu conhecimento e sua presença fora de Minas Gerais.

Pesquisa Genial/Quaest mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 30%

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest mostra o presidente Lula na liderança da disputa presidencial, com 39% das intenções de voto, contra 30% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois principais candidatos caiu de 12 para nove pontos percentuais em relação ao levantamento de julho, quando o petista registrava 40% e o senador, 28%.

Renan Santos, do Missão, e Ronaldo Caiado, do PSD, aparecem com 4% cada, enquanto Romeu Zema registra 2%. Cabo Daciolo, Augusto Cury e Samara Martins possuem 1% cada. Brancos, nulos e entrevistados que afirmam não pretender votar somam 8%, enquanto 10% permanecem indecisos.

No cenário espontâneo, no qual os nomes não são apresentados aos entrevistados, Lula é citado por 25%, e Flávio Bolsonaro, por 18%. Outros nomes somam percentuais menores, enquanto 51% não indicaram espontaneamente uma candidatura, dado que demonstra a existência de uma parcela expressiva do eleitorado ainda sem decisão consolidada.

Em eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o presidente aparece com 44%, diante de 39% do senador. Brancos, nulos e eleitores que declaram não pretender votar correspondem a 13%, e 4% permanecem indecisos. A vantagem de Lula caiu de oito para cinco pontos, porque o resultado anterior era de 45% a 37%.

Lula também aparece numericamente à frente nos demais confrontos de segundo turno testados. O petista registra 45% contra 37% de Ronaldo Caiado, 46% contra 34% de Romeu Zema e 45% contra 35% de Renan Santos.

A Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores, entre 31/07 e 03/08/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06591/2026.

Avaliação do Governo Lula permanece tecnicamente dividida

O mesmo levantamento indica que 48% aprovam o trabalho do presidente Lula, enquanto 47% desaprovam. Os percentuais configuram empate técnico dentro da margem de erro e repetem os resultados registrados na rodada de julho. Outros 5% não souberam ou não responderam.

Na avaliação qualitativa da administração federal, 36% consideram o governo positivo, outros 36% o classificam como negativo e 26% avaliam a gestão como regular. O equilíbrio entre as avaliações positiva e negativa revela que a liderança eleitoral do presidente convive com uma divisão persistente sobre o desempenho administrativo.

Entre os eleitores que não se identificam com um campo político, o apoio a Lula em um confronto de segundo turno contra Flávio caiu de 40% para 33% entre julho e agosto. O senador avançou de 27% para 30% nesse segmento, enquanto aumentou de 26% para 29% a parcela que declara voto branco, nulo ou intenção de não comparecer.

Os números indicam que o presidente mantém bases eleitorais mais consolidadas e vantagem nacional, mas enfrenta uma disputa crescente pelo eleitorado independente. Flávio, por sua vez, reduziu a distância no primeiro e no segundo turnos, embora continue atrás e registre rejeição de 54%, diante de 52% atribuídos a Lula no levantamento.

Revogação de visto aprofunda crise entre Brasil e Estados Unidos

A política externa também passou a ocupar espaço direto na campanha presidencial. O governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse sobre a indicação de Daniel Perez para representar o governo norte-americano em Brasília.

Washington apresentou a medida como resposta à demora do Brasil em conceder o agrément — autorização diplomática prévia — ao indicado do presidente Donald Trump e à decisão brasileira de negar vistos a dois diplomatas norte-americanos que pretendiam visitar o país antes das eleições. O Departamento de Estado afirmou que a revogação poderia ser revertida caso o impasse fosse solucionado.

O governo brasileiro rejeitou a justificativa norte-americana, sustentando que não existe prazo obrigatório para a concessão do agrément e que a divulgação pública de um indicado antes da resposta do país anfitrião contraria a prática diplomática. Brasília também associou a controvérsia às declarações de representantes dos Estados Unidos sobre o sistema eleitoral, decisões do Judiciário brasileiro e a disputa presidencial.

A revogação não equivale à expulsão da embaixadora nem ao rompimento das relações diplomáticas. Entretanto, o episódio eleva o nível do conflito e amplia o risco de novas medidas de reciprocidade envolvendo vistos, representação diplomática, comércio e cooperação bilateral.

Brasil rebaixa representação diplomática na Argentina

Paralelamente, o governo brasileiro decidiu manter em Brasília o embaixador no país vizinho, Julio Bitelli, e passou a ser representado em Buenos Aires por um encarregado de negócios. A medida reduz o nível da representação diplomática sem interromper o funcionamento da embaixada ou as relações consulares e comerciais entre os dois países.

A decisão foi adotada após sucessivos ataques verbais do presidente argentino, Javier Milei, contra Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal. O agravamento ocorreu depois da participação de Milei na convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.

O governo argentino classificou a decisão brasileira como unilateral e motivada por divergências ideológicas. O Itamaraty afirmou, em sentido contrário, que a redução do nível diplomático decorreu das ofensas reiteradas dirigidas ao chefe de Estado e às instituições brasileiras.

A crise possui efeitos que ultrapassam as relações pessoais entre os presidentes. Brasil e Argentina são os maiores integrantes do Mercosul e mantêm cadeias produtivas integradas, especialmente nos setores automotivo, agrícola, industrial e energético. A permanência do conflito pode dificultar negociações regionais, agendas comerciais e iniciativas de integração durante o período eleitoral.

Flávio Dino autoriza terceiro inquérito relacionado a Lulinha

Na agenda jurídica, o ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a instaurar um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A investigação deverá apurar suspeitas de tráfico de influência e eventual atuação de aliados do empresário perante órgãos da administração pública federal.

As duas investigações anteriores relacionadas ao filho do presidente estão sob a relatoria do ministro André Mendonça. Os procedimentos apuram, separadamente, supostas articulações relacionadas ao Ministério da Saúde, ao Palácio do Planalto e à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência, a Dataprev.

Dino também autorizou uma investigação sobre possíveis vazamentos ilegais de informações protegidas por sigilo. Essa apuração atende a uma solicitação apresentada pela defesa de Lulinha, que questiona a divulgação de dados relacionados aos procedimentos em andamento.

A abertura dos inquéritos não representa conclusão sobre responsabilidade criminal. Os procedimentos encontram-se em fase de investigação e deverão reunir documentos, depoimentos, informações financeiras e outros elementos que permitam à Polícia Federal e ao Ministério Público avaliar a existência ou não de crimes. A defesa de Lulinha já negou irregularidades e afirmou haver motivação política nas acusações.

Pós-convenções, disputa presidencial, oposição pressionada e crises diplomáticas e judiciais

O encerramento das convenções transfere a disputa de uma etapa predominantemente partidária para um período submetido a maior controle jurídico, financeiro e institucional. A formação de chapas compostas exclusivamente por integrantes do PL e do Novo demonstra que as candidaturas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não conseguiram incorporar formalmente grandes partidos de centro, embora isso não impeça apoios regionais e individuais. A capacidade de transformar essas adesões informais em palanques, estrutura de campanha e tempo de propaganda será um dos fatores centrais da próxima fase.

A Quaest confirma a liderança de Lula, mas também registra redução da diferença para Flávio Bolsonaro. O movimento não autoriza, isoladamente, a conclusão de que houve uma mudança definitiva na eleição, pois parte das variações permanece próxima à margem de erro. O dado mais relevante é a combinação entre a vantagem presidencial, o empate técnico na aprovação do governo, a aproximação no segundo turno e a elevada proporção de eleitores independentes ou sem voto consolidado. Esse segmento deverá ser disputado por meio da avaliação da economia, da segurança pública, da integridade dos candidatos e da percepção sobre a estabilidade institucional.

As crises com Estados Unidos e Argentina e as investigações relacionadas a Lulinha acrescentam componentes internacionais e jurídicos ao processo eleitoral. Os próximos pontos de acompanhamento serão a análise dos registros pelo TSE, a eventual reação diplomática brasileira à revogação do visto da embaixadora, o futuro da representação em Buenos Aires, as diligências autorizadas pelo STF e a evolução das pesquisas depois do início oficial da campanha. A relevância pública do conjunto está na possibilidade de fatores externos, decisões judiciais e crises institucionais influenciarem alianças, discursos e escolhas eleitorais até outubro.




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