Feira Interdisciplinar em Feira de Santana reúne estudantes em pesquisas sobre culturas afro-indígenas e história do Limoeiro

A III Feira Interdisciplinar do Conhecimento da Escola Municipal Doutor João Duarte Guimarães, em Feira de Santana, reuniu estudantes em pesquisas e apresentações sobre o tema “Brasil de Muitas Raízes: Diversidade, Equidade e Saberes Afro-Indígenas”. A atividade foi acompanhada pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc) e levou a discussão sobre culturas afro-brasileira e indígena para diferentes áreas do conhecimento.

A proposta foi desenvolvida a partir do trabalho pedagógico realizado pela escola para abordar referências culturais africanas, afro-brasileiras e indígenas. Segundo a diretora Jucinalda Lacerda, a iniciativa buscou estabelecer relações entre essas referências e os conteúdos curriculares trabalhados em sala de aula.

A diretora citou como exemplo a abordagem da Matemática a partir da história do continente africano e do Egito, além da apresentação de escritores, artistas e manifestações artísticas de diferentes origens. A proposta, segundo ela, também envolve o conhecimento e o respeito às diferentes culturas.

Pesquisas integram diferentes áreas do conhecimento

As turmas desenvolveram pesquisas e organizaram estandes nas salas de aula, com conteúdos relacionados à temática central da feira. O 6º ano A trabalhou relações entre elementos das culturas afro-indígenas, Matemática e Geometria.

O 6º ano B pesquisou estampas africanas e os significados presentes nos tecidos. Já o 7º ano A apresentou aspectos do continente africano e suas contribuições para a formação do Brasil.

O 7º ano B abordou a influência das culturas afro-brasileira e indígena na língua portuguesa, incluindo referências à culinária e ao vocabulário de origem tupi. As atividades mostraram a aplicação do tema da feira em conteúdos de diferentes componentes curriculares.

Estudantes pesquisam melanina e história do bairro Limoeiro

No 8º ano, a melanina foi utilizada como ponto de partida para abordar aspectos relacionados à formação da pele e à ancestralidade. A atividade relacionou conhecimentos científicos a discussões sobre origem e características humanas.

O 9º ano concentrou o trabalho na história do bairro Limoeiro, reunindo dados, relatos e memórias de moradores e integrantes da comunidade escolar. Os estudantes realizaram entrevistas com moradores, professores, pais e avós para identificar informações sobre a formação e a identidade do território.

A pesquisa também permitiu levantar características da comunidade, incluindo a presença de moradores da zona rural e famílias relacionadas à agricultura e à pesca. O levantamento aproximou o conteúdo escolar das experiências e memórias de pessoas que vivem ou possuem vínculos com o bairro.

Pesquisa sobre o Limoeiro aproxima escola e comunidade

O trabalho desenvolvido pelo 9º ano estabeleceu uma relação entre pesquisa escolar e memória comunitária. A coleta de depoimentos permitiu aos estudantes registrar informações que fazem parte da trajetória do bairro e que estão presentes nas lembranças de diferentes gerações.

Para o estudante Pedro Henrique, de 14 anos, investigar a origem do local onde vive contribui para compreender as próprias raízes.

“Às vezes moramos em um lugar e não sabemos a sua origem, o porquê do nome Limoeiro, como surgiu ou se sempre foi assim”, relatou.

Segundo o estudante, conhecer o passado do território permite ampliar o conhecimento sobre a comunidade e preservar informações para as próximas gerações. A pesquisa buscou, dessa forma, compreender a formação do bairro a partir de relatos de pessoas que participaram ou acompanharam sua trajetória.

Educação Física apresenta jogos e brincadeiras tradicionais

A temática da feira também foi incorporada às atividades de Educação Física, que apresentou jogos e brincadeiras tradicionais e discutiu suas relações com as culturas africanas e indígenas.

A abordagem ampliou o trabalho interdisciplinar ao relacionar práticas corporais e manifestações culturais aos conteúdos desenvolvidos pelas demais turmas. Com isso, os estudantes tiveram contato com diferentes formas de produção e transmissão de conhecimentos culturais.

A organização dos estandes permitiu que as pesquisas fossem apresentadas à comunidade escolar, reunindo conteúdos de Matemática, Geometria, História, Ciências, Língua Portuguesa e Educação Física em torno do eixo de diversidade, equidade e saberes afro-indígenas.

Feira relaciona currículo, território e identidade

A experiência apresentada pela Escola Municipal Doutor João Duarte Guimarães também utilizou o território onde os estudantes vivem como fonte de pesquisa. O estudo sobre o Limoeiro, em particular, incorporou entrevistas e relatos de moradores ao processo de aprendizagem.

Para a Secretaria Municipal de Educação, a feira constitui uma forma de aproximar os conteúdos curriculares das experiências dos estudantes. A proposta permite que os alunos pesquisem referências culturais, históricas e sociais e apresentem os resultados para a comunidade escolar.

Ao investigar culturas afro-brasileira e indígena, conhecimentos científicos, manifestações culturais e a história do próprio bairro, os estudantes participaram das diferentes etapas de produção e apresentação do conhecimento.

Conhecimento produzido a partir das raízes culturais

A III Feira Interdisciplinar do Conhecimento articulou conteúdos escolares e pesquisas sobre referências culturais e territoriais. Os trabalhos desenvolvidos pelas turmas partiram de diferentes perspectivas, mantendo como eixo a discussão sobre diversidade, equidade e saberes afro-indígenas.

A pesquisa sobre o bairro Limoeiro acrescentou ao projeto informações obtidas diretamente com moradores e familiares, enquanto os demais trabalhos exploraram conteúdos relacionados à Matemática, Geometria, História, Língua Portuguesa, Ciências e Educação Física.

A iniciativa colocou os estudantes em contato com diferentes fontes de informação e formas de conhecimento, incluindo pesquisa, entrevistas, relatos comunitários, conteúdos curriculares e manifestações culturais, reforçando a integração entre escola, território e comunidade.


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