Governador Jerônimo cita queda de 20,5% na violência letal, 11 mil novos profissionais e reforço da segurança na Bahia: “Não passo a mão na cabeça de criminoso”

O governador da Bahia e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou neste domingo (09/08/2026), durante o debate promovido pela Band Bahia, em Salvador, que a segurança pública permanecerá entre as prioridades de sua gestão, apresentando como eixos da política estadual a ampliação do efetivo, os concursos para as forças policiais, a renovação de equipamentos e viaturas, a expansão de delegacias e unidades operacionais, o videomonitoramento e o investimento em inteligência. O governador associou essas medidas à redução dos crimes violentos letais intencionais (CVLI), que recuaram 13,15% em 2025 e, segundo balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), tiveram nova queda de 20,5% no primeiro semestre de 2026. (

Jerônimo coloca orçamento, efetivo e inteligência no centro do debate

Durante sua participação, Jerônimo sustentou que a prioridade atribuída à segurança pública deve ser medida também pela execução orçamentária e pelos investimentos realizados pelo Estado. Ao apresentar o balanço de sua administração, citou concursos públicos, ingresso de novos profissionais, aquisição de armas e equipamentos, novas unidades policiais e expansão da capacidade tecnológica das forças estaduais. A estratégia de modernização aparece também no Relatório de Gestão da SSP de 2025, que registra investimentos em infraestrutura, aeronaves, viaturas, armamentos, coletes e tecnologia da informação.

“Se você quiser ver e saber se o governo ou o governante tem aquele tema como prioridade, é olhar o orçamento executado na pasta, olhar o orçamento executado aqui no Estado na área de segurança. Eu estou falando de concursos, inclusive, de dois em andamento: um preparando para o final do ano, com início do ano que vem, para a Polícia Militar, e o outro já com a Polícia Civil.”

O governador afirmou que a política de segurança envolve também armamentos, equipamentos de proteção, delegacias, pelotões, viaturas, inteligência e ampliação das câmeras de monitoramento. Em fevereiro de 2026, por exemplo, o Estado anunciou investimento de R$ 30,6 milhões em viaturas, drones, armamentos e equipamentos para as forças policiais; segundo a SSP, os investimentos acumulados em novas estruturas e equipamentos desde o início da gestão chegavam então a aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

“Estamos falando ainda de investimento em inteligência, para que possa garantir o trabalho das operações, e da melhoria e ampliação das câmeras. Eu não passo a mão na cabeça de criminoso.”

Governo contabiliza 11 mil profissionais incorporados desde 2023

Um dos principais dados apresentados por Jerônimo é o reforço dos quadros da segurança pública. Em junho de 2026, com a formação de mais 1.400 soldados da Polícia Militar, o governo informou ter alcançado a marca de aproximadamente 11 mil policiais, bombeiros e peritos contratados desde 2023. Na mesma ocasião, foi autorizado o início do processo destinado a novos concursos para PM e Corpo de Bombeiros.

Em agosto, durante encontro com representantes do setor produtivo, o próprio governador voltou a informar que cerca de 11 mil profissionais haviam sido incorporados às forças estaduais em três anos e meio, considerando Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Departamento de Polícia Técnica e outras estruturas vinculadas ao sistema de segurança. Ele também declarou que havia concurso aberto para a Polícia Civil e preparação de nova seleção para a Polícia Militar.

No debate da Band, o balanço apresentado pela gestão mencionou ainda 273 delegacias, batalhões e outras estruturas policiais inauguradas, além da aquisição acumulada de aproximadamente 6.600 viaturas, 20 mil coletes balísticos, helicópteros e 250 drones. Esses números foram apresentados no contexto do balanço político-administrativo feito pelo governador e integram a argumentação da gestão sobre a expansão da infraestrutura policial.

Inteligência e tecnologia ampliam estrutura operacional

A política estadual passou a atribuir maior peso à inteligência policial e à integração de informações. O Relatório de Gestão da SSP registra a implantação do Programa de Integração e Inteligência em Segurança Pública (PIISP) e define o Policiamento Orientado pela Inteligência como uma estratégia prioritária, combinando investigação, análise de dados, reconhecimento facial, câmeras corporais e integração operacional.

O videomonitoramento também vem sendo empregado em operações de grande porte. No Carnaval de 2026, por exemplo, o planejamento estadual previa utilização de 4.941 câmeras, das quais 1.346 com reconhecimento facial, além de drones e estruturas integradas de comando e controle. O esquema envolveu cerca de 37 mil policiais, peritos e bombeiros em diferentes regiões da Bahia. (

A ampliação tecnológica acompanha uma estratégia de investigação voltada para crimes de maior complexidade. Em junho, a inauguração do Complexo Policial de Nazaré, em Salvador, concentrou departamentos especializados da Polícia Civil ligados a inteligência, narcotráfico, crime organizado, corrupção, lavagem de dinheiro, crimes cibernéticos, sequestros e roubos de veículos.

Bahia encerrou 2025 com queda de 13,15% nos crimes violentos letais

Os dados oficiais da SSP mostram que a Bahia registrou 3.884 crimes violentos letais intencionais em 2025, ante 4.472 em 2024. Foram 588 ocorrências a menos, correspondentes a uma redução de 13,15%. O relatório estadual registra quedas de 13,04% nos homicídios dolosos, 21,21% nas lesões corporais seguidas de morte e 18,67% nos latrocínios.

Há, contudo, uma distinção estatística relevante. Quando são consideradas as Mortes Violentas Intencionais (MVI), indicador que acrescenta aos CVLI as mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado, a redução de 2025 foi de 9,57%, passando de 6.028 para 5.451 ocorrências. As mortes por intervenção de agentes do Estado, isoladamente, passaram de 1.556 para 1.569, alta de 0,84%.

A diferenciação é necessária porque o índice de 13,15% divulgado no balanço oficial corresponde especificamente aos crimes violentos letais intencionais. O próprio relatório da SSP classifica essa redução como a maior variação percentual registrada na série estadual dos últimos 19 anos.

Primeiro semestre de 2026 registra nova redução

A tendência de queda prosseguiu no início de 2026. No primeiro quadrimestre, a administração estadual informou redução de 23% nos crimes graves contra a vida, com o número de registros passando de 1.449 no mesmo período de 2025 para 1.119 em 2026. Em abril, foram contabilizadas 256 ocorrências, resultado apontado pelo governo como o menor para o mês nos últimos 14 anos. (

No balanço referente aos primeiros seis meses do ano, a SSP informou redução de 20,5% nos homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte em comparação com janeiro a junho de 2025. Segundo a secretaria, a diferença correspondeu a 424 vidas, enquanto Salvador apresentou redução de 29,7%, a Região Metropolitana de Salvador, de 29,6%, e o interior, de 16,5%.

A base estatística oficial da SSP para janeiro a junho de 2026 registra, entre outros dados, 51 feminicídios, 1.544 homicídios dolosos, 47 lesões corporais seguidas de morte e 20 latrocínios no estado. O mesmo banco contabiliza 730 mortes por intervenção legal de agentes do Estado no semestre, categoria que deve ser analisada separadamente dos CVLI ao comparar os diferentes indicadores de violência letal.

500 operações e estratégia de descapitalização do crime organizado

Outro eixo apresentado por Jerônimo é o enfrentamento financeiro às organizações criminosas. No primeiro semestre de 2026, as forças de segurança realizaram 500 operações de combate ao crime organizado, de acordo com balanço divulgado pela SSP. A pasta informou que aproximadamente R$ 164 milhões em ativos foram atingidos por medidas relacionadas às investigações e operações contra organizações criminosas.

A estratégia dá continuidade a ações desenvolvidas em 2025. O Relatório de Gestão da SSP registra que investigações e operações produziram bloqueios patrimoniais de grande alcance e que o modelo adotado passou a enfatizar a descapitalização das organizações criminosas, ao lado de prisões, apreensões de armas, drogas e ações territorializadas.

Em declaração anterior, feita em julho, Jerônimo já havia associado o enfrentamento ao crime organizado à integração das forças estaduais com estruturas federais. Na ocasião, citou as 500 operações realizadas no primeiro semestre e reiterou que a atuação policial deveria alcançar não apenas integrantes das facções, mas também seus recursos e fontes de financiamento

Segurança pública é apresentada como política integrada

No debate, o governador acrescentou que a repressão policial constitui apenas uma dimensão da política de segurança e defendeu integração com outras áreas governamentais.

“A segurança pública, que eu tenho como prioridade de vida, vai continuar sendo. Não é só com polícia. É com polícia, é com ação forte e firme.”

Essa abordagem está incorporada ao Bahia Pela Paz, programa estadual que articula segurança, prevenção social, sistema de Justiça, assistência e políticas destinadas especialmente a jovens e famílias expostos a situações de vulnerabilidade. Entre novembro de 2024 e abril de 2026, o governo informou ter destinado mais de R$ 270 milhões à execução do programa, além de mais de R$ 70 milhões para implantação dos coletivos territoriais.

A combinação entre repressão qualificada e prevenção social aparece também nos instrumentos de planejamento das forças estaduais. O Plano Estratégico do Departamento de Polícia Técnica, por exemplo, inclui entre suas diretrizes a ampliação da inteligência, a desarticulação das redes de financiamento das organizações criminosas, a prevenção da violência e a redução da letalidade policial.


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