Cerca de 70 presidentes, superintendentes e representantes de operadoras de planos de saúde, hospitais e instituições assistenciais participaram, na noite de quarta-feira (29/07/2026), de um jantar no Hospital Casa de Retiro São Francisco, no bairro do Horto Florestal, em Salvador. O encontro apresentou aos dirigentes a estrutura da nova unidade hospitalar de transição, que terá 95 leitos destinados à recuperação, reabilitação e continuidade do cuidado de pacientes após a fase aguda da internação, com inauguração prevista para quinta-feira (06/08/2026).
Encontro reúne dirigentes da saúde suplementar brasileira
O jantar foi promovido pela gestão do Hospital Casa de Retiro São Francisco em paralelo à programação do Integra 2026 — VII Meeting Nacional de Integração Fontes Pagadoras e Prestadores, realizado nos dias 29 e 30 de julho, na capital baiana.
O evento nacional reuniu executivos, médicos, gestores hospitalares, representantes de operadoras e prestadores de serviços para discutir integração assistencial, eficiência operacional, sustentabilidade financeira, inovação, envelhecimento populacional e novos modelos de atenção à saúde.
Durante a recepção, os participantes percorreram diferentes ambientes da unidade e conheceram o conceito assistencial que orientará o funcionamento do hospital. A proposta é atender pacientes que já superaram a fase mais crítica de uma doença ou procedimento, mas ainda necessitam de acompanhamento médico, enfermagem, fisioterapia, reabilitação e outros cuidados antes do retorno ao domicílio.
Hospital de transição terá 95 leitos no Horto Florestal
A estrutura assistencial contará com 95 leitos, dos quais 75 serão individuais. Os outros 20 leitos estarão distribuídos em apartamentos duplos, destinados a pacientes que precisam permanecer internados durante a recuperação pós-aguda.
O modelo de hospital de transição ocupa uma etapa intermediária entre a internação em unidades de alta complexidade e o retorno do paciente para casa. A finalidade é assegurar continuidade ao tratamento, reduzir riscos durante a recuperação e organizar a passagem entre os diferentes níveis da rede assistencial.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar considera a coordenação do cuidado e o acompanhamento longitudinal elementos relevantes para superar a fragmentação dos serviços. A integração entre atenção hospitalar, reabilitação, assistência domiciliar e acompanhamento clínico pode contribuir para melhorar os resultados assistenciais e a experiência dos pacientes.
Pacientes pós-cirúrgicos, vítimas de AVC e politraumatizados
Entre os perfis previstos para atendimento estão pacientes em recuperação de cirurgias ortopédicas, pessoas que sofreram acidente vascular cerebral — AVC, vítimas de politraumatismos e usuários que precisam de acompanhamento após tratamentos oncológicos.
A unidade também deverá receber pacientes que receberam alta de hospitais gerais, mas ainda não apresentam condições clínicas ou funcionais suficientes para retornar diretamente ao ambiente doméstico. Nesses casos, a permanência no hospital de transição permitirá a continuidade da assistência em ambiente especializado.
O projeto inclui ainda atividades de ensino e pesquisa clínica, ampliando a atuação da instituição para além da assistência direta. A proposta é integrar formação profissional, produção de conhecimento e desenvolvimento de práticas relacionadas à reabilitação, aos cuidados prolongados e à transição entre os diferentes níveis de atenção.
Ambiência preserva natureza e patrimônio religioso
Um dos aspectos apresentados aos participantes foi o conceito de ambiência adotado no projeto. A unidade pretende combinar assistência especializada, contato com a natureza, convivência, espiritualidade e humanização do cuidado.
O complexo preserva elementos históricos da antiga Casa de Retiro São Francisco, criada pelos franciscanos em 1945 como espaço de recolhimento espiritual, descanso e convivência. Durante décadas, o local recebeu famílias baianas que permaneciam na propriedade por períodos de dias, semanas ou meses.
Foram mantidos espaços como a capela, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, a Via Sacra, as trilhas e as áreas verdes. A capela e outros ambientes religiosos passaram por revitalização para preservar parte da identidade histórica e espiritual da antiga casa de retiro.
Fábio Vilas-Boas destaca continuidade da vocação de acolhimento
O diretor-presidente do Hospital Casa de Retiro São Francisco, médico Fábio Vilas-Boas, afirmou que a visita permitiu apresentar o projeto aos principais representantes da saúde suplementar da Bahia e de outros estados.
Segundo o gestor, a proposta procura conservar a vocação histórica de acolhimento do imóvel, acrescentando uma estrutura assistencial destinada à recuperação de pacientes que já não precisam permanecer em hospitais de alta complexidade, mas ainda demandam cuidados contínuos.
“Durante quase oito décadas, este foi um espaço de acolhimento espiritual para as famílias baianas, que vinham para cá passar dias, semanas ou meses em busca de descanso em um oásis de silêncio e paz. Em 2007, a casa fechou e entrou em processo de deterioração. Em 2023, retomamos esse espaço e iniciamos sua transformação em um hospital de transição”, declarou.
Fábio Vilas-Boas acrescentou que parte da essência da antiga casa de retiro foi incorporada ao conceito institucional da nova unidade.
“Nossa expectativa é que essa essência permaneça durante o funcionamento, contribuindo para um modelo de cuidado mais integrado, capaz de oferecer aos pacientes uma recuperação mais segura, eficiente e acolhedora”, afirmou.
O diretor-presidente também relacionou o funcionamento do hospital aos princípios franciscanos que marcaram a trajetória do imóvel.
“Esse espírito franciscano de simplicidade e acolhimento está incutido em cada uma das pessoas que trabalharão neste hospital, construído com dedicação e espiritualidade”, completou.
Representantes de operadoras avaliam modelo assistencial
A gerente sênior da Bradesco Saúde no Nordeste, Mariléa Souza, avaliou que a unidade representa uma iniciativa pioneira no segmento de transição de cuidados na Bahia. Para a executiva, a estrutura poderá adquirir relevância nacional diante do envelhecimento populacional e da necessidade de ampliar os serviços pós-agudos.
“Estudamos muito sobre longevidade, porque estamos envelhecendo e precisamos de estruturas cada vez mais voltadas para a atenção ao idoso, com centros de pós-agudo e reabilitação. Espero ver esse hospital tornar-se uma referência no Brasil”, declarou.
Mariléa Souza também destacou a participação de dirigentes de diferentes regiões no Integra 2026 e afirmou ter sido impactada pela estrutura apresentada durante a visita ao hospital.
O coordenador-geral do Planserv, Luiz Eduardo Perez, afirmou que hospitais de transição complementam o trabalho desenvolvido pelas unidades gerais e podem oferecer atendimento mais direcionado às necessidades da fase de recuperação.
“O hospital de transição complementa o atendimento dos hospitais gerais e proporciona um cuidado mais qualificado, humanizado e voltado à recuperação. É um modelo que merece ser ampliado, porque quem mais ganha é a população”, declarou.
Desospitalização e longevidade orientam novos serviços
Para o diretor-presidente do Grupo Camed Saúde, Agenor Trindade, a inauguração ocorre em um momento de crescimento das discussões sobre desospitalização, longevidade e organização da assistência no setor suplementar.
O dirigente ressaltou que hospitais de transição, serviços de assistência domiciliar e estratégias de desospitalização são importantes para pacientes com quadros clínicos avançados ou que precisam de períodos prolongados de recuperação.
“O hospital de transição, o home care e a desospitalização estão entre os desafios da saúde suplementar. São modelos que trazem valor, humanização, acolhimento e uma forma menos invasiva de proporcionar qualidade de vida aos associados, principalmente àqueles que apresentam quadros clínicos mais avançados e críticos”, afirmou.
Agenor Trindade acrescentou que os hospitais de transição já fazem parte da estratégia assistencial adotada por operadoras em outras cidades e que a abertura da unidade poderá ampliar esse tipo de atendimento em Salvador.
Integra 2026 debate eficiência e sustentabilidade da saúde
O Integra 2026 foi realizado no Hotel Deville Prime, em Itapuã, e reuniu gestores, prestadores, profissionais e representantes de operadoras para discutir os principais desafios da saúde suplementar brasileira.
A programação incluiu painéis e palestras sobre gestão hospitalar, inteligência artificial aplicada à saúde, inovação, sustentabilidade, envelhecimento populacional, liderança empresarial e relacionamento entre fontes pagadoras e prestadores.
A proposta do encontro foi estimular o intercâmbio de experiências e a construção de soluções integradas para problemas como fragmentação da assistência, aumento dos custos, necessidade de coordenação do cuidado e pressão provocada pelas mudanças demográficas.
Linha do tempo do Hospital Casa de Retiro São Francisco
- 1945: criação da Casa de Retiro São Francisco pelos franciscanos, em Salvador, com finalidade espiritual, religiosa e de acolhimento.
- 2007: encerramento das atividades da antiga casa de retiro e início de um período de desativação e deterioração da estrutura.
- 2023: retomada do imóvel e início do processo de recuperação e transformação do complexo em hospital de transição.
- 2024 e 2025: desenvolvimento do projeto hospitalar, execução das obras, restauração dos espaços históricos e estruturação do modelo assistencial.
- Julho de 2026: revitalização da capela, da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, da Via Sacra e de outros elementos do conjunto histórico e religioso.
- 29/07/2026: cerca de 70 representantes de operadoras, hospitais e instituições de saúde participam de jantar e visita técnica à unidade.
- 29 e 30/07/2026: Salvador recebe o Integra 2026 — VII Meeting Nacional de Integração Fontes Pagadoras e Prestadores.
- 06/08/2026: data anunciada para a inauguração do Hospital Casa de Retiro São Francisco.









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